primeira folha verdadeira (estádio V1) as plantas de soja são pouco sensíveis (Rangel et al.,2012) na percepção do estímulo fotoperiódico (Figura 1). A partir daí, dependendo do genótipo, adquire a capacidade de perceber o estímulo fotoperiódico (maturação), que induzem as transformações de seus meristemas vegetativos em reprodutivos (fase indutiva). Com o início da diferenciação do primórdio floral até a floração (antese) (subperíodo pós-indutivo), ocorre o desenvolvimento dos primórdios florais (organogênese floral). As durações desses subperíodos são determinadas pelo grau de sensibilidade termo-fotoperiódica do genótipo. Assim, sob dias longos a taxa de desenvolvimento dos órgãos reprodutivos é menor e sob baixas temperaturas ocorre uma diminuição no número de primórdios reprodutivos e na taxa de desenvolvimento. A taxa de desenvolvimento é importante para a determinação do rendimento de grãos, porque se a planta desenvolve muito rapidamente em direção à primeira floração e início da formação da semente, não haverá tempo suficiente para construir uma estrutura produtiva (biomassa seca = massa seca) suficiente para suportar o rendimento de grãos ideal. O acúmulo de massa seca vegetativa pela planta de soja cessa no início do enchimento das sementes. Dessa forma, a data de antese é uma avaliação fenológica importante, podendo ser relacionada com o tamanho da planta. Contudo, é a transformação das gemas vegetativas apicais em reprodutivas, a causa da finalização da geração das estruturas vegetativas. A sensibilidade fotoperiódica varia com o genótipo de soja, sendo o grau de resposta ao estímulo fotoperiódico, o principal determinante da área de adaptação das diferentes cultivares. Nas cultivares de soja sensíveis, a resposta ao fotoperíodo é quantitativa e não absoluta, significando que a floração ocorrerá de qualquer modo. No entanto, o tempo requerido para tal dependerá do comprimento do dia, sendo mais rápida a indução com dias curtos do que com dias longos. Desse modo, a indução floral provoca a transformação dos meristemas vegetativos (diferenciação de talos e folhas) em reprodutivos (primórdios florais), determinando o tamanho final das plantas (número de nós) e, portanto, seu potencial de rendimento de grãos. Cultivares de maturação tardia são geralmente mais sensísementescomvigor.com sementescomvigor Facebook/SementesComVigor 54 3231 1132 / 54 9 9711 0640 Ciclo superprecoce e alto teto produtivo. Ótima resistência a ferrugem da folha, manchas e giberela. Moderadamente resistente a oídio. Trigo ORS Ágile Vacaria/RS
Tabela 1. Intervalo de tempo entre a emergência e a floração (R1) de cultivares e da linhagem de soja de diferentes grupos de maturação, nas safras agrícolas de 1995/96 e 1996/97, em Passo Fundo, RS. veis ao fotoperíodo do que cultivares precoces (Major et al., 1975; Lawn & Byth,1973). Há muito tempo já se conhece que o intervalo de tempo, em dias, entre a emergência e o florescimento depende da influência da temperatura e do fotoperíodo, e que existe um determinado limite de comprimento de dia, suficientemente curto para induzir a floração e suficientemente longo para impedir a floração. Este é caracterizado como fotoperíodo crítico (Steinberg & Gardner, 1936). O comprimento do fotoperíodo crítico varia também entre cultivares de soja (Johnson et al.,1960). Com relação a temperatura, já em 1930, Gardner & Alard concluíram que a temperatura em ambientes com fotoperíodo constante, influencia grandemente o tempo de florescimento. Segundo Pascale (1969), existe uma relação inversa entre a temperatura média e o número de dias necessários para a floração. Dessa forma, temperaturas mais baixas causam aumento no período para que ocorra o florescimento. Parker & Borthwick (1943), observaram que a indução floral foi ótima quando a temperatura ao nível das folhas estava entre 21 a 27 oC a noite, e que acima dos 27 oC poucos primórdios florais foram formados. A relação quantitativa entre o efeito do fotoperíodo e da temperatura no período de florescimento em soja tem sido estudado por Major et al. (1975), Hodges & French (1985) e Sinclair et al. (1991) entre outros, produzindo acurada previsão da data de florescimento das cultivares de soja. A previsão da data de floração, bem como de outros estádios de desenvolvimento em soja, é de suma importância para o manejo da cultura, bem como para uso em “ modelo de crescimento” e alta produção de soja. A correta previsão da duração entre a emergência e a floração determina também a produção de biomassa seca (matéria seca) e consequentemente, a produção de grãos (Shanmugasundaram & Tsou,1978; Wang et al.,1997). Por outro lado, pode fornecer indicações sobre como manejar a cultura para escapar de períodos de estresses (falta de água, acamamento, etc.) em determinadas regiões de cultivo de soja. A previsão do comportamento fenológico em soja é dificultada pela falta de entendimento da influência dos fatores de ambiente na fisiologia da soja, especialmente nos mecanismos de desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Nesse sentido, estudo desenvolvido pela Embrapa Trigo já em 1995/1997 (Tabela 1) (Rodrigues et al., 2001) quantificou o efeito do fotoperíodo e da temperatura na duração do período de florescimento (Em-R1), em cultivares de soja de diferentes grupos de maturação e período juvenil longo, permitindo o melhor entendimento da produção de biomassa seca (matéria seca) e, consequentemente, da alta produção de grãos. Destacamos ainda nesse estudo, a preocupação a época da Instituição, no desenvolvimento “da cultura”, ao focar o estudo em diferentes GM (Grupo de maturação) e PJL (Período Juvenil Longo), independente da cultivar. Período juvenil é o nome dado a fase inicial de crescimento vegetativo da soja, onde a planta não responde ao estimulo fotoperiódico (dias curtos) para induzir o desenvolvimento reprodutivo (Floração). Mesmo durante condições de dias curtos, esse período precisa ser completado para que ocorra, pela área foliar, a percepção do estímulo fotoperiódico para transformação das gemas vegetativas em reprodutivas (Iniciação floral). A planta de soja que floresce mais tarde em relação a outra planta, em condição de fotoperíodo curto, tem um período juvenil longo em relação a outra planta. Tais genótipo são descritos como tendo “período juvenil longo” (atraso na floração sob dias curtos) (Kiihl e Garcia,1989; Paludzyszyn et al.,1993). As Referências Bibliográficas deste artigo estão disponíveis para consulta em: www. na aba conteúdo aberto.