Fisiologia da Soja: base para aumento produção soja no Brasil


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Publicado em: 01/02/2020

Um dos primeiros relatos da avaliação de cultivares de soja no Brasil ocorreu por volta do ano de 1882 no estado da Bahia. Posteriormente, o IAC (Instituto Agronômico de Campinas, São Paulo) em 1900 a 1901 promoveu a distribuição aos produtores de cultivares de soja no Estado (Gavioli, 2013). Nessa mesma data, ocorreram os primeiros registros da cultura no RS, estado esse, com condições climáticas semelhantes ao Sul dos EUA de onde as cultivares em cultivo tiveram origem até 1975 (Embrapa,2004). Em 1914, no Município de Santa Rosa, ocorreu o primeiro registro de cultivo de soja no Brasil, mas foi a partir dos anos 60 que a cultura adquiriu importância econômica e se expandiu significativamente (maiores detalhes em Gavioli,2013), atingindo em 1960 a produção de 206 mil toneladas. Nessa progressão, o País passou de 1,5 milhão de tonelada em 1970, para mais 15 milhões de toneladas em 1979. Atualmente, disputamos a marca surpreendente de aproximadamente 120 milhões de toneladas. Um dos agentes mais importantes na evolução da sojicultura brasileira foi a Embrapa, que desenvolveu a partir desse período novas cultivares adaptadas às condições climáticas das regiões produtoras no Sul, no Centro-Oeste e na região do “Matopiba” (Área incluindo os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Com a criação da Embrapa Soja em 1975, o País passou a investir em pesquisa e tecnologia para adaptação da cultura para o melhor aproveitamento dos recursos do ambiente (Água, Luz, Temperatura e radiação) disponíveis nas diferentes regiões brasileiras. Tais investimentos levaram à “tropicalização” da soja (Kiihl et al, 1986 e 1987; Toledo et al., 1994), permitindo, pela primeira vez na história, que a cultura fosse estabelecida com sucesso, em regiões de baixas latitudes, entre o trópico de capricórnio e a linha do equador. Essa conquista dos cientistas brasileiros revolucionou a história mundial da soja (Gavioli,2013) e seu impacto começou a ser notado pelo mercado a partir do final da década de 80 e mais notoriamente na década de 90 (Embrapa, 2004), quando o Centro-oeste (Cerrados do Brasil Central) já tinha uma participação superior a 40% na produção Nacional. Com relação a região Central do Brasil, destaca-se como causa principal da expansão da cultura, a criação da Embrapa Soja em 1975 que permitiu: a) a criação de novas cultivares adaptadas a fotoperíodo curto (baixa latitudes) através da incorporação da característica “período juvenil longo”, b) o desenvolvimento de um pacote técnico produtivo bem adaptado a região e c) apoio técnico e científico a pesquisa da cultura na região, que detinha e detém grande potencial para o cultivo dessa importante leguminosa produtora de proteína/óleo. Entre as potencialidades dos Cerrados do Brasil Fisiologia da Soja: base para o aumento da produção de soja no Brasil Osmar Rodrigues1 1Pesquisador da Embrapa Trigo na área de Fisiologia Vegetal Passo Fundo/RS

Central, que nortearam a criação da Embrapa Soja e a tropicalização da cultura para produção sustentável podemos destacar: a) a topografia altamente favorável a mecanização/redução dos custos de produção, b) boas condições físicas de solo, favorecendo a mecanização, c) baixo valor da terra na região, d) taxas de incentivos para abertura de novas áreas de produção e aquisição de máquinas e equipamentos, e)transferência de novos agricultores, oriundo do sul do Brasil, com alto conhecimento técnico da produção de soja, e f) a maior disponibilidade de infraestrutura decorrente da mudança da capital Brasileira para região, nos anos 60. Atualmente, não podemos deixar de reconhecer a grande atitude no planejamento do País a época (1960s) pelos nossos governantes: me referi aqui, a transferência da capital Brasileira para a região dos Cerrados. Da mesma forma, a criação de centros de Pesquisa (1970s) para expansão agrícola dos Cerrados, por essa cultura (Soja) que detém o maior valor social e ambiental para o Pais na produção primária de proteinas. Em decorrência, atualmente estamos competindo com os EUA, tonelada a tonelada, pela primeira posição na produção mundial dessa cultura. A soja (Glycine max (L.) Merrill) que é cultivada em quase todas as regiões do país, graças ao avanço técnico científico pela pesquisa básica e aplicada envolvendo mecanismos genéticos e fisiológicos que afetam o momento da floração: me refiro aqui, a criação de cultivares de soja com período juvenil longo, adaptados a ambiente de fotoperíodo curto. Fotoperíodo, fotoperiodismo e período juvenil são mecanismos da fisiologia da soja de extrema importância para o manejo (manipulação) dos processo de crescimento e desenvolvimento da cultura, para atingir o máximo aproveitamento dos recursos do ambiente (Água, luz, Temperatura, Nutrição e radiação) para altas produtividades. Nesse sentido as plantas de maneira geral, e a soja em especial, não têm o seu crescimento/desenvolvimento ancorado no número de dias (dias = 24 horas) calendário, apesar da grande utilização dessa régua pelo Ensino, pela assitência técnica e pela própria pesquisa (Rodrigues et al., 2011), de maneira geral. Apesar de todas as plantas, terem o seu desenvolvimento governado pela temperatura, a soja possui o fotoperíodo interferindo no seu desenvolvimento. Fotoperíodo e temperatura são importantes para o desenvolvimento da cultura da soja, por provocarem mudanças qualitativas ao longo do seu ciclo. As respostas a esses fatores de ambiente, não são lineares durante o ciclo de vida da cultura, existindo subperíodos no seu ciclo, incapaz (pouco sensível) na percepção desses sinais. Vários estudos têm caracterizado esses subperíodos, quanto a sensibilidade a temperatura e fotoperíodo, principalmente entre a emergência e a floração da soja (Major et al.,1975; Jones & Laing ,1978; Hodges & French,1985; Wilkerson et al.,1989). Contudo, nesse momento aproveitamos para discutir e embasar esses processos e seus efeitos no controle do “momento da floração” da soja, cuja sua manipulação (manejo) foi e será muito importante para produção Nacional da soja. No ciclo da soja, o subperíodo vegetativo pode ser definido como pré-indutivo ou juvenil. Nesse período entre a emergência e a