Planeje A lavoura de inverno. PLANTE A MELHOR SEMENTE.


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Publicado em: 01/12/2018

dio de desenvolvimento em que as plantas apresentavam 6 a 8 folhas, com cerca de 8 cm de altura. Ao final do período de avaliações, a equipe Supra Pesquisa e colaboradores comprovaram também a resistência múltipla aos herbicidas paraquat, glyphosate e chlorimuron.

Ferramentas para um manejo adequado da buva Nos últimos anos tem sido verificado um crescimento gradativo da infestação de buva nas áreas agrícolas cultivadas, principalmente com a cultura da soja, tornando-se está uma das principais plantas daninhas que interferem nesta cultura, esse fato é decorrente da alta adaptabilidade dessa planta aos sistemas de produção e da evolução de biótipos resistentes a herbicidas, como explicado acima. Neste contexto, temos que pensar em estratégias de controle focadas no sistema de produção como um todo. Em que mais no Sul (regiões mais frias) devemos manejar bem as culturas de inverno, como trigo, aveia, cevada e etc, para que elas possam ser colhidas “no limpo”, e não se encontrem repletas de buva como observamos várias vezes. Já onde é instalado o milho de segunda safra após a colheita da soja (prática observada em cerca de 11 milhões de ha no Brasil) o uso de bons pré-emergentes aplicados na cultura do milho é essencial. Como exemplo citamos a conhecida atrazine, que segundo levantamentos realizados na Região Oeste do Estado do Paraná, pela equipe Supra Pesquisa, áreas que receberam aplicação de atrazine, em dose completa no milho safrinha, após a colheita deste apresentaram número bem inferior de plantas de buva e as plantas que eram encontradas apresentavam-se mais jovens, quando comparadas a áreas que não receberam aplicação de atrazine ou que receberam aplicação de sub-doses com foco somente no controle de soja voluntária. Assim destacamos a importância dos herbicidas pré-emer- Sementes com qualidade e produtividade TRIGO DE ALTO RENDIMENTO ORS Madre Pérola 90 sacos/ha ORS Vintecinco 85 sacos/ha TBIO Toruk 85 sacos/ha TBIO Audaz 90 sacos/ha ORS 1403 80,5 sacos/ha sementescomvigor.com Facebook/SementesComVigor Vacaria/RS 54 3231 1132 / 54 9 9711 0640 Planeje A lavoura de inverno. PLANTE A MELHOR SEMENTE. RPD 166_final.indd 10 13/12/2018 08:43:24

gentes no sistema de produção, devendo ser posicionado em mais de um momento durante o ano agrícola, não somente antes da semeadura da soja. Alguns produtores preferem aplicar logo após a colheita do milho outros preferem aplicar pouca antes da semeadura da soja, independente do momento de aplicação e do préemergente aplicado, o importante é utilizar esta prática. Isso ajuda a diminuir o banco de sementes na área, diminui a pressão de seleção retardando o surgimento de novos casos de resistência e favorece a rotação de mecanismos de ação. Quando falamos de buva com resistência somente a glyphosate ou com a resistência tripla (glyphosate, chlorimuron e paraquat) o bom é controlar a planta no estádio ideal, seja na dessecação ou em pós-emergência da cultura. O ideal é que a buva esteja ainda bem jovem (ou o mais jovem possível), apresentando de 2 a 8 folhas. Quando as plantas estão mais velhas e após terem passado por estresses por seca ou geadas, começa a se pensar em práticas menos efetivas. Em regiões que apresentam a buva resistente somente a glyphosate ou resistente a glyphosate e chlorimuron, não tendo resistência a paraquat (que é grande parte da área agrícola do Brasil), a aplicação de glyphosate associada a algum produto auxínico, e uma aplicação sequencial de paraquat 7 a 10 dias após a primeira aplicação tem demonstrado bons resultados. Com relação ao auxinicos a ser utilizado o mais comum de ser posicionado junto ao glyphosate é o 2,4-D, porém em algumas regiões, como o Oeste paranaense, sua eficiência as vezes vem deixando a desejar, em que, resultados da equipe Supra Pesquisa demonstram melhor eficiência na utilização de triclopyr e principalmente de dicamba associados ao glyphosate, porém estes devem ser aplicados cerca de 30 dias antes da semeadura da soja. Quando pensamos nas áreas com a presença de buva resistente a paraquat (e consequentemente a diquat), mesmo que em momentos inicias como ilustrado na Figura 7, ou se levarmos em consideração o risco da proibição total do paraquat, o cenário fica mais complexo, pois alguns herbicidas não tem registro para esta está espécie e, os que tem registro não substituem totalmente o paraquat. Porém existem produtos atualmente disponíveis no mercado que podem substituir parcialmente o paraquat e de maneira muito eficiente, desde que bem posicionados. São exemplos o amônioglufosinato e o saflufenacil, este último deve ser sempre aplicado em associação com glyphosate. Neste sentido, nas últimas safras, a equipe Supra Pesquisa tem realizado vários experimentos em campo e em casa de vegetação, na busca dos posicionamentos mais adequados possíveis (Figuras 8 e 9). Quando falamos de controlar plantas daninhas com herbicidas é sempre importante deixar claro algo: o herbicida não cria a resistência, o resistente já existe no ambiente e em frequências bem baixas na população de plantas. O que o herbicida faz é a acelerar o processo de seleção, ou seja, pro- Destaque para as plantas de buva resistentes (verdes) ao lado de plantas suscetíveis, que foram controladas. Entressafra 2018. RPD 166_final.indd 11 13/12/2018 08:43:25 vocar a tal pressão de seleção. Na pressão de seleção pelo uso continuado do mesmo mecanismo de ação, matam-se as “fracas” ou suscetíveis e ficam as “fortes” ou resistentes. As plantas resistentes multiplicam-se, tornando-se a população dominante. Dentro do manejo antecipado ou consciente da buva, é extremamente oportuna a utilização de sistemas de consórcio de milho com braquiária e demais integrações, bem como as conhecidas e pouco utilizadas culturas de cobertura, podendo ser a própria braquiária solteira, aveia, milheto e as crotalárias, em que, algumas são ótimas também para manejo de nematoides. As vezes o investimento em culturas de cobertura parecem não trazer retorno financeiro imediato, mas se levarmos em consideração o aumento de custo que temos com o controle da buva resistente a glyphosate, chlorimuron e paraquat, e o prejuízo que ela pode nos causar na lavoura de soja, o investimento na cultura de cobertura já se paga, além dos outros inúmeros benefícios que elas geram a médio e longo prazo, pensando-se no sistema de produção como um todo. Deve-se lembrar que quando fazemos um manejo mal feito para a buva também deixamos de manejar outras espécies de plantas daninhas de folhas largas, como trapoeraba, poia branca, apaga fogo, erva quente, corda de viola, picão preto e leiteiro, estas plantas estão tomando mais espaço a cada safra. Neste sentido senão tomarmos providências urgentes algumas espécies que consideramos secundárias hoje podem se tornar problemas maiores ou iguais a buva em breve, e atualmente quando fazemos um manejo eficiente para buva nós controlamos também estas outras. Cada vez mais se faz necessário o manejo integrado de plantas daninhas (MIPD), que envolva rotação de culturas, consórcios que gerem palhada, manejo sustentável das transgenias (incluindo as que surgirão em breve) e uso racional de herbicidas. Além de evitarmos a disseminação através das colhedoras, que são um dos fatores muito importantes nesse processo. No manejo integrado de plantas daninhas MIPD, visa-se o uso racional de herbicidas, que além de uma dessecação antecipada feita o quanto antes, é importante a associação de produtos, as aplicações sequenciais, a rotação de mecanismos de ação, o uso de pré-emergentes, uso de doses cheias, adequação de adjuvantes, Indicação de leitura: Buva: Fundamentos e Recomendações para Manejo. OmniPax Editora online. http://omnipax. com.br/site/?page_id=203 Circular Técnica 132: Impacto econômico da resistência de plantas daninhas a herbicidas no Brasil. Embrapa. https://www.embrapa.br/ busca-de-publicacoes/-/publicacao/1074026/ impacto-economico-da-resistencia-de-plantasdaninhas-a-herbicidas-no-brasil Indicação de consultas: http://www.weedscience.org https://www.hrac-br.org http://www.supra.ufpr.br um mínimo de volume de calda por hectare de 100 litros para produtos sistêmicos e 150 litros para produtos de contato, e atentar-se aos estádios de aplicação da planta daninha e períodos de interferência. Por fim, salienta-se que várias iniciativas vêm ocorrendo, visando o levantamento e mapeamento da buva resistente a diferentes herbicidas, focados na Região Oeste do Estado do Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e no país vizinho Paraguai. Esse referido trabalho em execução irá até 2020 e conta com a parceria entre a Cooperativa Agroindustrial C.Vale, UFPR, Supra Pesquisa, HRAC-BR e demais instituições parceiras. UFPR – Alto Piquiri-PR, 2018. UFPR – Palotina- PR, 2018. RPD 166_final.indd 12 13/12/2018 08:43:27