Manejo de Giberela nas lavouras de Trigo A cultura do trigo possui grande importância no cenário agrícola brasileiro. A demanda por estes grãos é bastante elevada, devido à elaboração de produtos alimentícios com o mesmo. No entanto, a maior contribuição para suprimento do mercado não vem das lavouras brasileiras, o nosso país ainda importa mais da metade de suas necessidades (Silva et al., 2017). Dentre os fatores que prejudicam a expressão do potencial produtivo do trigo, podemos destacar uma doença conhecida como Giberela ou Fusariose da espiga. Essa doença é causada pelo fungo Gibberella zeae. Este patógeno afeta não só as lavouras nacionais, como o mundo inteiro, causando enormes prejuízos econômicos. A qualidade dos grãos de trigo é afetada pela ocorrência de Giberela, devido ao acúmulo de micotoxinas nos grãos afetados, os quais podem apresentar efeitos tóxicos aos seres humanos e animais (Bottalico & Perrone, 2002). Além disso, tem-se Comunicação Rehagro a redução de peso e produtividade. Portanto, o controle desta doença nas áreas é de extrema importância. A ocorrência da doença se dá em locais de clima quente e úmido, com temperaturas variando entre 20-30°C, sendo a temperatura o principal fator determinante para o aparecimento e severidade da doença sobre a cultura. Condições de chuva intensa, de no mínimo 48 horas, torna-se um quadro bastante favorável ao patógeno (Lima, 2004). Condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da Giberela O principal sítio de infecção da doença é o florescimento, no qual, após o aparecimento das anteras, a planta se torna vulnerável a Giberela. Após a entrada do fungo na planta, os grãos vão se formar ocos Época de alerta sobre a doença ou chochos, com tamanho reduzido, fazendo com que a produtividade final seja prejudicada. Entretanto, o fungo não afeta apenas o florescimento, plantas com grãos já formados, podem ser afetadas pelo patógeno, porém, não irão reduzir o peso de grãos e produtividade, o risco maior neste caso é em relação à contaminação por micotoxinas. Como os grãos são pequenos, a retirada de lotes contaminados se torna difícil. Desta forma, o produto é entregue para os moinhos para posterior fabricação de produtos alimentícios contaminados por micotoxinas. Portanto estratégias de manejo da Giberela devem ser feitos desde o espigamento até o os estádios de desenvolvimento dos grãos. Sendo assim, deve-se fazer a proteção das espigas do trigo por semanas e não só por dias após a floração (Parry; Jenkinson; Mcleod, 1995). Doenças
Os sintomas da Giberela podem ser observados nas espigas do trigo, o qual perde sua coloração, ficando esbranquiçado ou com cor de palha, em contraste com as espiguetas verdes sadias. Ocorre também o chochamento dos grãos, sendo possível observar em campo com a retiradas dos mesmos. É possível observar também a alteração do sentido das aristas afetadas pelo patógeno e abortamento floral (Lima, 2004). A Giberela é considerada como fungo monocíclico, o qual pode sobreviver de forma saprofíticas, nos restos culturais entre as estações de cultivo ou sobreviver infectando as plantas, na forma parasitária. Identificação da doença Ciclo da doença O fungo sobrevive na forma sexual quando na fase saprofítica, ou seja, sobre resíduos vegetais, o qual produz corpos de frutificação denominados peritécios. Sob condições climáticas favoráveis e presença de hospedeiro na área, os peritécios liberam os ascósporos, que quando entram em contato com as espigas germinam, e dão início a fase parasitária. A disseminação da doença ocorre através de chuvas e ventos, os quais carregam os esporos para o ambiente acima do dossel da cultura. Estes esporos podem ser levados à longas distâncias da fonte de origem (Wang, 1997; Paulitz, 1999). Os manejos a serem adotados para controle da Giberela devem ser utilizados em conjunto, pois atualmente, Estratégias de manejo da doença nenhum controle isolado é totalmente eficiente. Sendo assim, o manejo cultural, químico e genético deve ser empregado nas lavouras de forma racional e eficiente. Plantio escalonado nas áreas, faz com que as plantas não atinjam o estádio de florescimento na mesmo época, reduzindo desta forma os níveis de injúria do patógeno; Monitoramento desde o florescimento até o estádio de grão leitoso para uso de fungicidas específicos para Giberela no trigo; Uso de cultivares que apresentem algum tipo de resistência à doença; Adoção do sistema de rotação de culturas, não utilizando desta forma, gramíneas em sucessão com o Trigo. Algumas estratégias BOTTALICO, A. & PERRONE, G. Toxigenic Fusarium species and mycotoxins associated with head blight in small-grain cereals in Europe. European Journal of Plant Pathology 108:611-624. 2002. DANELLI, Anderson Luiz Durante; ZOLDAN, Sandra; REIS, Erlei Melo. Giberela-Ciclo da doença. LIMA, MIPM. Giberela ou Brusone?. Identificação correta para dessas, 2004. Referências Bibliograficas PARRY, D.W., JENKINSON, P. & MCLEOD, L. Fusarium ear blight (scab) in small grain cereals a review. Plant Pathology 44:207- 238. 1995. PAULITZ, T.C. Fusarium head blight: a re-emerging disease. Phytoprotection 80:127-133. 1999. SILVA, S. R.; BASSOI, M. C.; FOLONI, J. S. S. Informações técnicas para trigo e triticale, Safra-2017. 1. ed. Passo Fundo- RS: EmbrapaTrigo, 2017. 241 p. WANG, Y.Z. Epidemiology and management of wheat scab in China. Anais, Fusarium head scab: global status and future prospects, Mexico, 1997. pp.97-105. Fonte: Embrapa Trigo, 2002 Ciclo simplificado da Giberela no Trigo. Fase parasitária Fase saprofítica Espigamento Colheita Espiga infectada Hospedeiros secundários Restos culturais