Registros sobre as lavouras de soja no Rio Grande do Sul Safra 2017/2018


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Publicado em: 01/06/2018

Comparação Na safra, 2016/2017, o país teve uma área plantada de 33,9 milhões de ha, e produção de 114 milhões de toneladas, com produtividade nacional média de 3.364 kg/ha. Nesta safra, 2017/2018, o Brasil teve uma área plantada total de 35,04 milhões de ha de soja e uma produção de 113,02 milhões de toneladas. Com isso, a produtividade média nacional estimada é de 3.224 kg/ha. Percebe-se que a área plantada no país aumentou, mas a produção não acompanhou esse crescimento. Em Santa Catarina, por exemplo, a comparação da área plantada entre essa e a última safra foi de 640 mil ha em 2017 contra 672 mil ha em 2018. Ou seja, um crescimento de aproximadamente 5%. A produtividade média estimada pela CONAB do estado foi de 3.239 kg/ha, contra 3.582 kg/ha do ano passado. Já no Rio Grande do Sul, a comparação da área plantada entre essa e a última safra foi de 5,57 milhões de ha contra 5,69 milhões de ha. A produtividade média estimada pela CONAB no Estado foi de 3.082 kg/ha, contra 3.359 kg/ha do ano passado. Lembrando que as estimativas da CONAB e da Emater podem apresentar diferenças tanto para área plantada, quanto para produção e produtividade. Aspectos gerais da safra As produtividades da região Norte do Estado foram, em geral, superiores as do Sul, em função basicamente de problemas climáticos. É possível observar no Quadro 1 às produtividades médias dos cinco municípios que mais produziram na região norte do estado. Por hora, a produtividade média do Estado ficou em 2.998 kg/ha, ou quase 50 sacos/ha. Em relação ao manejo das áreas antes do plantio da soja na região de Carazinho, por exemplo, a maior parte das áreas tinham coberturas e pastagens de aveia, azevém e menos de 15% com culturas de inverno. Na região de Cruz Alta, pousio, pastagens e pouco trigo foram as utilizações da área no inverno. Já na região de Santa Rosa, grande parte das áreas (cerca de 70%) foi cultivado trigo, e no restante o cultivo principal foi a aveia. Seguindo em direção ao nordeste do estado, a maioria das áreas tiveram cobertura de aveia-preta. No entorno de Vacaria, assim como Campos Novos, havia certa quantidade de áreas com aveia, cevada e trigo e também pastagens. Pelos relatos, após a colheita de verão, está sendo feito muito pousio em praticamente todas as regiões. Dependendo da região, também é inserido pastagem após a colheita da soja. Mostra-se, portanto, uma tendência da redução da área de trigo, e aumento de áreas de cober- Registros sobre as lavouras de soja no Rio Grande do Sul No final do mês de abril a safra de soja já estava praticamente colhida no Brasil e as estimativas da CONAB apontavam uma produção de 113,02 milhões de toneladas. Para saber como transcorreu a safra de verão, esse ano, novamente, conversamos com alguns técnicos e agricultores que são referência em suas regiões. Foram consultados técnicos e agricultores do Rio Grande do Sul e do sul de Santa Catarina. Os participantes da análise de safra foram: Décio Fernando Neuls (Vértice Agrícola, Carazinho/RS); Fabiano Paganella (Plantec A.P., Vacaria/RS); Felipe Molinari Martins (Agritec Consultoria, Fortaleza dos Valos/RS); Francisco Souilljee (Engenheiro Agrônomo e Produtor, Ronda Alta/RS); José de Alencar Lemos Vieira Jr. (Rota Agrícola, Lagoa Vermelha/RS); Marcelo Capelari (Copercampos, Campos Novos/SC); Sérgio Schneider (Coopermil, Santa Rosa/RS); Tiago Lamb (Grupo AGROS, Erechim/RS) e Vanderlei Neu (Engenheiro Agrônomo e Produtor Rural, Quinze de Novembro/RS). Safra 2017/ pelas cultivares de hábito indeterminado, considerando que a cultivar Ativa é a única desse grupo que possui hábito determinado. O grupo de maturação relativa das cinco cultivares mais citadas vai de 5.6 até 6.3, sendo a mais precoce a Ativa, e a mais tardia a 6909. Pragas De forma geral, foi uma safra com baixa incidência de pragas. Nem percevejos e nem lagartas causaram preocupação. Em algumas regiões houveram problemas pontuais com ácaros, trips e também tamanduáda-soja e outras pragas de solo que causaram baixo dano econômico. Os principais casos de lagartas em algutura em algumas regiões. Há poucas áreas onde ainda é feita dessecação pós-colheita seguida de cobertura. Clima O clima no Norte do Estado de forma geral colaborou, mas foi irregular. A precipitação de chuvas na maioria das áreas foi adequada, e em alguns pontos localizados ocorreu falta de chuvas prejudicando o potencial da lavoura. O mês de dezembro foi mais seco, e algumas regiões apresentaram veranico em janeiro e outras em março, com períodos de até 17 dias sem chuva, enquanto outras regiões como Ronda Alta tiveram grande volume de chuvas em janeiro. Na Região Nordeste, nos municípios de O mofo branco foi a principal doença em ocorrência e nível de dano nas lavouras de soja no Nordeste do Rio Grande do Sul na safra 2017/2018. Lagoa Vermelha e Vacaria, para soja a estiagem não foi fator considerável, pois o período de maior estresse hídrico ocorreu na fase vegetativa.

Cultivares De forma geral, a época preferencial para o plantio da soja no norte do Rio Grande do Sul foi 15 de outubro até 15 de novembro, com alguns locais que iniciaram mais cedo ou mais tarde o plantio que se estendeu até, no máximo a primeira semana de dezembro. As cultivares mais citadas no relato dos técnicos e agricultores foram BMX Ativa RR, BMX Alvo RR, NA 5909 RG, DM 5958 RSF IPRO e NS 6909 IPRO. Isso indica que no Norte do Rio Grande do Sul, há preferência mas lavouras foram com Spodoptera, e também da Lagarta Falsa-medideira, que teve surtos no final do ciclo da cultura na região centro-norte e nordeste do Estado, com certa dificuldade de controle. Aparentemente, a utilização de cultivares com tecnologia Intacta é maior nas regiões do noroeste do Estado, a partir de Cruz Alta, sendo que na região nordeste do estado, há menos de 30% de utilização na maior parte dos relatos. Alguns participantes da análise de safra relatam que a adoção de Intacta nessa safra pelos agricultores foi reduzida em função do alto custo da sementes, pois para muitos agricultores não há compensação econômica do uso. Doenças A ferrugem asiática esteve sob controle nessa safra, na maior parte das lavouras do Norte do Estado, seguindo o programa de aplicações com intervalos definidos e reforço com multissítios. Algumas doenças que atacam raízes e hastes como Rizoctonia, Macrophomina, Fusarium e Phomopsis marcaram presença na safra em várias regiões também. Foi citado o aparecimento de oídio, manchas foliares com menos casos. O mofo branco foi, com certeza, a doença que mais causou danos na Região Nordeste do Estado, desde o município de Passo Fundo até a região de Vacaria. Em lavouras com histórico da doença, o controle preventivo foi feito, incluindo uso do fungo Trichoderma, e o dano não foi tão intenso. Em locais em que a doença ainda não havia aparecido, principalmente em regiões mais baixas, houve dano severo pelo fungo. Os melhores resultados de controle segundo relatos foram obtidos com fluazinam, boscalida + dimoxistrobina e procimidona. Plantas Daninhas Desde a Região de Cruz Alta indo em direção à região nordeste, a buva foi um problema mais relatado, ainda na dessecação, e em especial nos locais onde não foi cultivado cereais de inverno. Há relatos de que a aplicação isolada de diversos produtos, como 2,4-D, Diclosulam, Paraquat, Clorimurom, Saflufenacil e Glufosinato de Amônio sem sucesso. O controle eficiente só foi alcançado com combinações de princiípios ativos e aplicações sequenciais. Foi citada com melhor resultado a combinação de 2,4-D + Saflufenacil + Glifosato ou 2,4-D + glifosato e uma aplicação de Paraquat após 15 dias. Outra combinação que parece apresentar controle adequado foi a combinação de Glifosato + Saflufenacil + Sulfentrazona. Em regiões como Santa Rosa, não foi relatado problema de controle de daninhas, sendo a dessecação pré-semeadura feita com Glifosato e Diclosulam na maior parte das áreas. Além da buva, foi citado problemas com azevém na região de Campos Novos e Vacaria, sendo controlado com a utilização de graminicida Cletodim juntamente com Glifosato antes do plantio. Outras plantas daninhas citadas como problemas pontuais foram: cordade-viola, poaia, capim-amargoso e a leiteira. Conclusão De forma geral, a safra nas regiões consultadas teve bons resultados, com obstáculos pontuais para o alcance de altas produtividades, tais como a presença do mofo-branco e períodos de estiagem. Da mesma forma que a safra anterior, o manejo fitossanitário de doenças tem obtido ótimos resultados no controle da ferrugem, doença considerada uma das mais agressivas e com alto potencial de dano. Por outro lado, o mofobranco tem causado preocupação por estar cada pelo crescente registro em áreas que antes não apresentam o problema. A buva, repetindo a passada, continua sendo o maior problema das plantas daninhas, situação que pode ser ocasionada pela falha nos produtos, mas também por falha no manejo. Houve o registro de talhões sem tecnologia Intacta que tiveram problemas com a lagarta falsa-medideira. Percebe-se também, que em função dos problemas fitossanitários, de estresse hídrico em algumas regiões e o crescimento exagerado de plantas em outras, a safra teve produtividades abaixo da safra anterior. A ocorrência de buva foi o principal registro de agricultores e assistentes técnicos no item plantas daninhas do questionário de análise de safra. Foto: Leandro Vargas