Cenários da Pesquisa


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Publicado em: 01/12/2017

Cenários da Pesquisa Nesta edição, a Seção “Cenários da Pesquisa” traz resultados de pesquisa publicados em periódicos científicos no Brasil no ano de 2017. É um espaço para dar acesso aos agricultores e técnicos a alguns avanços importantes no cenário agropecuário brasileiro. 1) Propriedades químicas do solo e nutrientes em milho fertilizado com composto de lixo urbano Resultados de um experimento desenvolvido de Novembro de 2014 a Maio de 2015, no município de Passos, em Minas Gerais. O objetivo foi avaliar o efeito da fertilização com composto de lixo urbano nas propriedades químicas do solo, na produtividade do milho, e nas concentrações de metais pesados nas plantas e no solo. O trabalho foi conduzido por José Ricardo Mantovani, da Universidade José do Rosário Vellano, em Alfenas, MG e Fernando Spadon, da Universidade do Estado de Minas Gerais, em Passos, MG. Como foi feito: Foi plantado milho em parcelas, em Latossolo vermelho distrófico de textura média, no qual o milho havia sido a cultura principal por dois anos seguidos. O composto de lixo foi obtido a partir de uma instalação de coleta de lixo no município de Jacuí, em Minas Gerais, e foi analisado antes de ser utilizado. Foram avaliadas 5 doses de composto (5, 10, 20, 30 e 40 t/ha), além de um tratamento sem nenhuma dose de composto, e um tratamento em que foi aplicado fertilizante (MAP, ureia e cloreto de potássio), totalizando 7 tratamentos. O composto de lixo foi aplicado manualmente na linha de semeadura do milho 10 dias antes da semeadura. Folhas da base da espiga foram retiradas para análise de nutrientes quando 50% das plantas estavam pendoando, e após 134 dias da semeadura, as espigas das plantas foram colhidas e analisadas. Após a colheita, o solo da área foi amostrado e analisado até os 40 cm de profundidade. Resultados: No experimento, a fertilização com até 40 t/ha de composto de lixo urbano melhorou a fertilidade química do solo, aumentou a produtividade do milho e não contaminou a planta com metais pesados. Esses resultados contribuem para que, em breve, a fertilização com materiais alternativos possa ser uma realidade em plantações de larga escala também, auxiliando na redução do impacto ambiental. Mais detalhes sobre o experimento podem ser encontrados em Pesquisa Agropecuária Tropical vol.47 no.2 Goiânia Abr./Jun. 2017 2) Produção de palha e desempenho agronômico de soja consorciada com espécies forrageiras em sistema plantio direto Este artigo traz os resultados do trabalho desenvolvido por Carlos Augusto Oliveira de Andrade e outros pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins, da Embrapa Milho e Sorgo, da Embrapa Pesca e Aquicultura e da Universidade Federal de Lavras. O objetivo do trabalho foi avaliar a produção de palha e a performance agronômica da soja consorciada com espécies forrageiras, sob semeadura direta. O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Tocantins, durante as safras de 2012/2013, 2013/2014 e 2014/2015. Como foi feito: Foram plantadas duas safras de soja consecutivas em um Latossolo amarelo distrófico de textura média, testando consórcios da soja com sobre-semeadura de Capim-marandú (Urochloa brizantha ‘Marandu’), braquiária (U. ruziziensis), Capim-Mombaça (Panicum maximum ‘Mombaça’), Capim-massaí (P. maximum ‘Massai’) e milheto ADR 300 (Pennisetum americanum), além de testar a soja seguida de milheto, e também a soja seguida de pousio de inverno. As forrageiras foram semeadas manualmente quando a soja atingiu o enchimento de grãos (R5) e, antes do plantio da soja seguinte, foi avaliado a quantidade de massa seca produzida pelas forrageiras sobre-semeadas em soja. Também foram avaliadas características agronômicas da soja, incluindo a produtividade. Resultados: A sobressemeadura das forrageiras testadas não reduziu o rendimento de grãos da soja, e a sobressemeadura de Capim-Mombaça aumentou a altura da planta e rendimento de grãos em comparação com a soja “solteira”. Além disso, o Capim-mombaça foi a forrageira mais efetiva em produção de matéria seca durante a entressafra de soja. Mais detalhes do experimento podem ser encontrados em Pesquisa Agropecuária Brasileira vol.52 no.10 Brasília Out. 3) Efeito de fontes e doses de sulfato na cultura da soja O experimento conduzido por Liliane Oliveira Lopes e outros pesquisadores das Universidades Federal e Estadual do Piauí, com o objetivo de avaliar o manejo de enxofre no cultivo de soja no Cerrado. A pesquisa ocorreu durante a safra de 2015/2016 em uma fazenda na região da Serra do Quilombo, em Bom Jesus, no Estado do Piauí. Como foi feito: A cultura foi implantada em Latossolo amarelo distrófico corrigido dois anos antes do experimento, foi testada a aplicação de enxofre elementar, de superfosfato simples e gesso como fontes de enxofre, em doses de 20, 40, 60, 80 e 100 kg de enxofre/ha, avaliando um tratamento sem aplicação de enxofre. A colheita manual dos grãos foi aos 120 dias após a emergência (estádio R8). Foram avaliadas características agronômicas, e também o rendimento de grãos. Resultados: Os resultados do experimento sugerem que o peso de sementes, a altura da planta no florescimento e a produtividade são influenciados pelas diferentes doses e fontes de enxofre, enquanto que o número de legumes por planta só é afetado pela fonte de enxofre. O efeito do fósforo e do cálcio presente no superfosfato simples e no gesso, respectivamente, podem ter aumentado a produtividade em comparação com o enxofre elementar. O tratamento de melhor resultado agronômico no experimento foi a aplicação de 40 kg/ha de enxofre, via superfosfato simples. Mais detalhes do experimento podem ser encontrados em Pesquisa Agropecuária Tropical vol.47 no.3 Goiânia Jul/Set. 2017 4) Coberturas vegetais, doses de nitrogênio e inoculação com Azospirillum brasilense em milho no Cerrado O experimento conduzido por José Roberto Portugal e outros pesquisadores do Departamento de Agricultura da UNESP, na área experimental da UNESP, Campus de Ilha Solteira, em Selvíria, MS, nas safras de 2012/2013 e 2013/2014 teve como objetivo avaliar o efeito de coberturas vegetais e de doses de nitrogênio em cobertura no desenvolvimento e produtividade de milho, submetidas ou não à inoculação via semente com Azospirillum brasilense. Como foi feito: Foi implantada a cultura do milho em Latossolo vermelho distrófico típico em dois anos consecutivos, testando-se seis coberturas vegetais anteriores ao milho: milheto (Pennisetum americanum), crotalária (Crotalaria juncea), guandu (Cajanus cajan), milheto + crotalária, milheto + guandu e pousio, todas semeadas no início de setembro. Também foram testadas quatro doses de nitrogênio em cobertura no momento da formação completa da 5ª folha, foi testada a inoculação ou não das sementes com Azospirillum brasilense, no primeiro ano com inoculante turfoso e no segundo ano com inoculante líquido. Resultados: Os resultados do experimento mostraram que todas as coberturas vegetais, exceto o guandu no primeiro ano e pousio no segundo ano, produziram quantidade adequada de resíduo (6 t/ha) para a região do Cerrado, destacando-se o milheto + crotalária em consórcio. A produtividade de grãos de milho em sucessão à guandu e milheto + crotalária foram superiores. A inoculação com Azospirillum brasilense via semente no milho nesse estudo propiciou menor população final, menor altura de plantas e menor massa de mil grãos. Nas condições do experimento, o milho mostrou resposta à fertilizante nitrogenado até 114 kg/ha. Mais detalhes do experimento podem ser encontrados em Revista Ciência Agronômica vol.48 no.4 Fortaleza Out/Dez. 2017 5) Efeito de fungicidas para o controle da Ramularia areola na cultura do algodoeiro O objetivo do trabalho foi avaliar o desempenho de alguns fungicidas no controle da mancha de ramulária no algodoeiro. O experimento foi conduzido por Liliane Oliveira Lopes e outros pesquisadores da Universidade Federal do Piauí e da Universidade Federal do Mato Grosso, em lavoura comercial de algodoeiro na Fazenda Harmonia, Sapezal, MT. Como foi feito: Foram avaliados seis tratamentos de fungicida e um sem fungicida na cultura do algodão, em sete períodos do ciclo (40, 58, 73, 88, 103, 118 e 133 dias após a emergência das plântulas). Foram feitas oito aplicações de fungicida com 15 dias de intervalo entre elas, sendo a primeira aos 40 dias após a emergência, avaliando a severidade da doença três dias após a aplicação do fungicida. A colheita foi feita 180 dias após a emergência, sendo determinada a produtividade do algodoeiro com caroço. Resultados: Os resultados do experimento sugerem que o fungicida trifenil hidróxido de estanho isolado ou em mistura com o difenoconazol é mais eficiente na redução da severidade da mancha de ramulária do algodoeiro do que a mistura trifloxistrobina + protioconazol com difenoconazol, ou difenoconazol com mancozebe. Mais detalhes do experimento podem ser encontrado em Summa phytopathologica vol.43 no.3 Botucatu Jul/Set. Introdução Na edição de número 158 da Revista Plantio Direto, fizemos um artigo sobre tecnologia de aplicação denominado “Administrando a deriva para minimizar perdas e melhora resultados”. Na ocasião, procuramos tratar do tema de forma abrangente e genérica. Nesta edição, falaremos do mesmo assunto, porém voltado à escolha de bicos, vazões e pressões para as situações mais específicas. Por mais que tenhamos evoluído em tecnologia de aplicação, o que se observa no campo é que, geralmente, dá-se muita atenção ao produto fitossanitário a ser aplicado, e pouca atenção à técnica de aplicação. Entretanto, conhecer a forma de aplicação que proporcione melhor cobertura de calda pulverizada e uniformidade de distribuição com gotas adequadas permite que o produto alcance o alvo de forma eficiente e que perdas sejam minimizadas. Muitas vezes o produtor incorre em despesas adicionais no manejo de pragas, doenças ou mesmo invasoras por estar usando de uma tecnologia de aplicação incorreta. O funcionamento não satisfatório do seu manejo não aparece em tempo real, e a exigência de uma re-aplicação em um período mais curto de residual só fica evidente após vários dias. Em algumas situações, a perda de eficiência é tão sutil, que nem o produtor, tão pouco o seu técnico, são capazes de identificar ou quantificar o prejuízo gerado por uma aplicação mal feita, isso porque a interação entre fatores climáticos como a seca ou grande quantidade de chuva podem mascarar ou potencializar os erros de aplicação. O controle eficaz de pragas, doenças ou invasoras está vinculado a cinco fatores: 1) Diagnóstico correto: Identificação correta da praga ou doençaalvo da aplicação; 2) Defensivo correto: Sabendo das característica e limitações de cada Ingrediente Ativo quanto a sua sistemicidade, potencial de evaporação, velocidade de ação, entre outros; 3) Seleção do equipamento correto: Bico, cobertura de gotas/ cm², pressão e vazão; 4) Momento da aplicação do produto: Também chamado de “Timing” da aplicação, ou seja, aplicações tardias incorrem em prejuízos que muitas vezes não são mais revertidos, assim como aplicações muito antecipadas podem só gerar despesas adicionais. 5) Certificar-se da qualidade da aplicação: Para isso, é fundamental o uso de papel hidrossensível ou espelho para aferir e quantificar a qualidade da aplicação, e se necessário tomar as medidas necessárias a tempo de serem modificadas as vazões, ou mesmo o bico. Tecnologia de aplicação na prática: pontas de pulverização Ruy Araujo Pinto Jr.¹ Critérios para escolha de bicos a) Condições do alvo biológico: Ervas daninhas com maior massa verde, por exemplo, exigem mais de 20 gotas/cm2 para herbicida sistêmico, ou 40 gotas/cm² para herbicida de contato. Da mesma forma, fungicidas ou inseticidas para uma soja com mais de um metro de altura, ou com Índice de Área Foliar (IAF) maior que 3. O bom senso é fundamental neste momento de decisão de qual ponta, pressão e vazão usar. b) Modo de ação do produto: De acordo com o modo de ação e características físico-químicas das moléculas do Ingrediente Ativo, devemos tomar as atitudes coerentes na escolha do bico. Ou seja, para herbicidas com maior potencial de evaporação, devemos engrossar a gota, e cuidar ainda mais os horários de aplicação. Herbicidas de solo, como as Atrazinas, podem ter o tamanho de gotas aumentado, uma vez que este produto também é redistribuído no solo e absorvido pelas raízes das invasoras. Fungicidas protetores, como os do grupo químico do Mancozebe, devem ter maior cobertura sobre o alvo. Cobertura exigida pelos diferentes categoria produtos do mercado segundo Barthelemy et al. (1990): b.1) Herbicida Sistêmico = A partir de 20 gotas/cm2. Ex.: Glifosato. b.2) Herbicida de Contato = A partir de 40 gotas/cm2. Ex. Paraquat. b.3) Fungicida e Inseticida Sistêmico = A partir de 30 a 50 gotas/cm2. Ex.: Clorantraniliprole, Azoxistrobina. b.4) Fungicida de Contato = A partir de 70 gotas/cm2. Ex.: Mancozebe. c) Taxa de aplicação: Este é um item muito polêmico, pois envolve questões técnicas que proporcionam uma melhor ou pior cobertura sobre o alvo biológico, condições do equipamento poder trabalhar nos diversos tipos de terreno, com a barra oscilando o menos possível, e a logística da água para reabastecimento. Menores volumes de aplicação (L/ha) normalmente envolvem tamanhos de gotas menores, e que têm um maior potencial de deriva, exigindo aplicações mais criteriosas e, em alguns casos, à noite, para minimizar estes problemas. O mais importante ao usar uma vazão fixa para todas as aplicações é trabalhar na plenitude da capacidade do seu bico, atingir o alvo com eficiência, gerando a menor perda possível com uma pressão por volta de 3 bar, que proporciona uma das melhores performances da ponta. É sempre importante ouvir a opinião da Assistência Técnica quanto às melhores taxas de aplicação, até porque devem ser observadas outras características intrínsecas de cada realidade no campo. d) Condições meteorológicas: É importante que o produtor use mais de uma ponta para fazer o mesmo trabalho, ou seja para herbicidas de contato, ter uma ou mais pontas para trabalhar em situações um pouco mais críticas de vento, temperatura e umidade. Também é possível variar de vazão e pressão, produzindo resultados distintos que podem ser convenientes conforme a situação. Ex.: Em uma aplicação cujo pulverizador avance a 10 km/h, usando um bico TT-110015, a 3 bar de pressão, essas condições produziriam uma vazão de 71 L/ha, com gotas de tamanho médio. O mesmo bico, a 4 bar de pressão, produziria 82 L/ha, com um padrão de gotas finas. Este é um exemplo de manejo de vazão que produzirá resultados mais ou menos satisfatórios, conforme a situação do alvo ou condições meteorológicas. Em resumo, quando as condições meteorológicas estiverem próximas do limite para aplicação, é importante o produtor trabalhar com gotas um pouco mais grossas, ou variando a pressão com o mesmo bico, trocar de bico ou ainda abortar a aplicação. d.1) Condições meteorológicas mínimas e máximas para aplicações segundo a Embrapa: Temperaturas = Menores que 30 oC; Umidade = Maiores que 55%; Ventos de até 8 km/h; e) Altura da barra A altura correta de pulverização garante o cruzamento adequado entre os jatos. Geralmente, respeita-se o cruzamento entre jatos na ordem de 30 a 50%, dependendo do modelo utilizado. Em situações extremas, é preferível 100% de sobreposição do que menos de 30%. Neste caso pode haver faixas com sub-dose, ou mesmo falta de Ingrediente Ativo. Os pulverizadores têm a barra de pulverização suportada por um quadro oscilante, que por sua vez é conectado a um quadro fixo, e que durante a aplicação, o pulverizador transita em solos irregulares com movimentos horizontais e verticais frequentes. Estes movimentos são chamados tecnicamente de oscilações, e influenciam na qualidade da cobertura de calda e ingrediente ativo sobre o alvo durante a aplicação. Esta oscilação, associada a uma altura de barra muito próxima ao topo das planta e um bico com ângulo muito pequeno, faz com que ocorram faixas de sub-dose na lavoura, ou mesmo faixas sem ingrediente ativo aplicado. Em áreas com declividade mais acentuada ou irregularidade maior no terreno, o recomendado é utilizar menor velocidade, e levantar a barra a uma altura um pouco acima da recomendação do fabricante do bico. J. Connor Ferguson (2017) demonstrou que as diferenças de padrão de gotas podem ocorrer quando diferentes misturas de tanques são usadas, particularmente quando comparadas com as publicadas nas tabelas de bicos do fabricante, que normalmente são baseadas em pulverização apenas de água. Os aspectos relacionados com a qualidade do espectro gerado, a dinâmica das gotas no trajeto entre a ponta e o alvo, o risco de deriva, a penetração das gotas no dossel das plantas e a deposição destas gotas sobre as folhas poderão ser alteradas toda a vez que a calda for modificada. Ou seja, as diferentes formulações, e mesmo diferentes adjuvantes, podem modificar a física da gota, em especial, a viscosidade, o que pode alterar a faixa de deposição. Em um sistema de atomização (aplicação) convencional, o aumento da pressão aumenta o ângulo de pulverização, e o seu inverso também é verdadeiro, e comum de ocorrer quando se altera a velocidade na aplicação por ultrapassar um obstáculo na lavoura, como por exemplo uma valeta ou ao se manobrar em uma cabeceira. A redução da pressão, abaixo da capacidade do bico, pode provocar falhas graves na aplicação, conforme apresentado na Hoje no mercado existem bicos leque, não apenas com 110º de ângulo, mas se encontram também bicos com 120 o a 135 o. Sempre lembrando que, quando se aumenta a pressão do bico, o seu ângulo pode ficar maior do que o recomendado nas tabelas do fabricante, bem como, quando se diminui a pressão, o seu ângulo pode diminuir a ponto de não sobrepor a pulverização do lado, e isso pode gerar falhas na aplicação. Em aplicações de fungicidas e inseticidas é recomendado o uso de bicos de jato cônico vazio, especialmente em culturas com grande massa foliar, em que a penetração das gotas no dossel e a cobertura do alvo são essenciais (Srivastava et al., 1993; Wilkinson et al., 1999). Herbicidas de contato, ou plantas que tenham muita massa verde exigem bicos que produzam boas coberturas com baixo potencial de deriva. Nestas situações, os bicos duplo leque podem trabalhar bem, gerando a cobertura desejada com uma gota de diâmetro médio. Já os herbicidas de solo podem ter as gotas engrossadas uma vez que, normalmente combinam um modo de ação sistêmica pela folha também com a absorção radicular. Observe a foto abaixo de uma aplicação errada, com gotas muito finas, usada na Inglaterra com aplicação de herbicida pré-emergente (Figura 5). f) Conferir a qualidade da aplicação Deveria ser prática comum o uso do papel hidrossensível de tempos em tempos, para que o operador tivesse a real noção da eficiência da sua aplicação. Em especial, quando as condições de aplicação não forem as melhores ou quando houver muita massa de folhas cobrindo o alvo biológico. Na falta deste, o produtor pode improvisar utilizando um espelho. O importante é que se tenha o hábito de avaliar, medir, comparar e, se necessário, tomar as providências necessárias para melhorar a qualidade da aplicação. g) Momento de trocar os bicos Há muita polêmica em relação ao momento de troca dos bicos. Falase em número de horas de uso, mas isso, em minha opinião, é um mero indicativo que serve para comparar os diferentes materiais. A vida útil de um bico é diretamente influenciada pela pressão de trabalho e tipo de formulação que é mais trabalhada. Por exemplo, as formulações em pó são muito mais abrasivas que as líquidas. Também deve-se levar em consideração a arquitetura do bico, ou seja, algumas pontas são de formato arredondado, o que reduz o atrito e a abrasão. A troca do bico deve ocorrer quando ultrapassar em 10% da vazão recomendada pelo fabricante em uma determinada pressão de trabalho, ou seja, se a ponta se mantiver abaixo deste limite, é porque ele mantém as suas características desejáveis. Considerações finais Finalizamos com três dicas para reduzir a deriva, segundo Jason Deveau (Especialista em Tecnologia de Aplicação em Ontario, no Canadá): A primeira dica é manter a barra de pulverização o mais baixo possível. A dica número dois é buscar um maior tamanho de gota, considerando a cobertura necessária para se ter efeito. E por último: Se estiver ventando acima de 10 km/h, não tem sentido pulverizar: “Você só vai causar deriva e a cobertura vai sofrer”. Arrasto aerodinâmico determina a rapidez com que as gotas vão cair para a terra. Pequenas gotas têm maior arrasto e cairão lentamente; gotas maiores têm menor arrasto e cair mais rapidamente. Pela mesma razão, o vento influencia o caminho de pequenas gotículas mais do que grandes gotas, de modo que pequenas gotículas são depositadas mais distante (ou evaporam mais cedo) que as grandes gotas, ou seja, são mais sujeitas as condições meteorológicas negativas com vento, temperatura e umidade. Referências CUNHA et. al. Espectro de gotas de bicos de pulverização hidráulicos de jato plano e de jato cônico vazio. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.39, n.10, p.977-985, out. 2004 DEVEAU, J. Sprayer math for banded applications. Disponível em: DEVEAU, J. Three tips for managing spray drift. Disponível em: DEVEAU, J. 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