Produção de Leite e Evolução dos Preços no Rio Grande do Sul


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Publicado em: 01/10/2014

Produção de leite e evolução dos preços no Rio Grande do Sul

Luiz Ataides Jacobsen2 e Romeu Ricardo Tres3 1Texto para Discussão. Fevereiro de 20142Eng° Agrº , EMATER/RS, Passo Fundo/RS, e-mail: jacobsen@emater.tche.br3Bacharel em Administração. Pós Graduando MBA em Gestão Estratégica de Custos - ULBRA Carazinho.

Introdução

O presente texto analisa a produção mundial de leite e verifica a produtividade em países selecionados, incluindo alguns com modelos de produção similares ao predominante no Rio Grande do Sul, ou seja, no sistema de pastoreio direto. Mostra a evolução da produção brasileira de leite, as necessidades para atender ao mercado nacional e as diferenças na apuração de informações quanto a produção, o que dificulta comparações com outros países, cujos produtores são especializados e onde há forte concentração em poucos estabelecimentos agropecuários.

No estado do Rio Grande do Sul o trabalho mostra a mudança da geografia da produção ao longo dos últimos anos, identificando maior crescimento naquela região de forte predominância de cultivos de grãos, especialmente soja, milho e trigo. Mesmo sem a possibilidade de efetiva comprovação parece possível associar o incremento na produção de leite com a consolidação do sistema de plantio direto na Mesorregião Noroeste Rio-Grandense. Por fim a análise da evolução dos preços recebidos pelos produtores gaúchos de leite, indicam ser este um fator também positivo para a crescente participação do estado no cenário nacional.

Produção Mundial

A Organização para Alimentação e Agricultura (FAO na sigla em inglês), órgão das Nações Unidas, na publicação Food Outlook de junho de 2013 (FAO, 2013), projeta para este ano uma produção de 784,4 milhões de toneladas de leite no mundo, superior em 2,2% ao ano de 2012 (Tabela 1).

Tabela 1. Balanço da produção, comércio (em milhões de toneladas) e consumo per capita de leite no mundo (kg/habitante/ano).

A produção mundial de leite é oriunda de vacas, búfalos, cabras, ovelhas e camelos. A presença e importância de cada espécie, varia sensivelmente entre regiões e países. Vacas produzem em torno de 83% da produção mundial de leite, vindo em seguida o leite de búfala com 13%, cabras 2%, ovelhas 1% e camelo 0,3%.

A mesma fonte mencionando dados médios de 2009 – 2011, portanto mais consolidados, indica que a maior parcela do leite produzido no mundo está na Ásia (36,73%), com destaque para a Índia que neste período produziu 122.057.000 toneladas de leite anualmente, portanto o maior produtor mundial. Da média anual de 726.290.000 toneladas produzidas, coube a Europa 24,50% e à América do Norte 13,18% onde aparece os Estados Unidos com 87.457.000 toneladas, o segundo maior produtor mundial. A participação da América do Sul é de 8,84%, cabendo ao Brasil a primeira posição (30.777.000 t), seguido pela Argentina (10.787.000 t), Colombia (7.532.000 t), Venezuela (2.293.000 t) e Uruguai (1.916.000 t).

A Tabela 1 ilustra a enorme diferença entre o consumo per capita dos países desenvolvidos em relação aqueles em desenvolvimento, podendo esta ser um indicativo do potencial de crescimento, caso a economia continue com trajetória ascendente, proporcionando maior acesso das pessoas ao consumo de produtos lácteos, particularmente naqueles países onde a maior parcela da renda destina-se para aquisição de alimentos.

No período de 2009 a 2011 a Oceania destaca-se nas exportações de produtos lácteos, medidas em equivalente leite. O continente foi responsável por 37,75% das exportações e a Nova Zelândia respondeu por 30,82% das 46.830.000 toneladas exportadas no mundo. Em segundo lugar fica a União Européia com 23,43%. Na América do Sul a Argentina se constitui no principal exportador com 1.749.000 toneladas, vindo a seguir o Uruguai com 840.000 toneladas. O Brasil que exportou no período analisado 175.000 toneladas como média anual, também importou 658.000 toneladas, sendo, portanto, um importador líquido de leite e seus derivados.

O grande mercado importador está na Ásia (49,94%), sendo que a China importou 4.407.000 toneladas no período e projeta-se que irá adquirir no mercado internacional o equivalente a 7.080.000 toneladas em 2013. O continente africano vem em seguida com 19,98% das importações mundiais, com destaque para a Argélia (2.432.000 t) e o Egito (1.273.000 t).

Também a FAO, através da sua Divisão de Estatísticas (FAOSTAT, 2013), informa a produção de leite por país, o número de vacas em lactação e a respectiva produção por vaca/ano, conforme ilustra a Tabela 2.

Tabela 2. Produção de leite, número de vacas em lactação e produção por vaca/ano em países selecionados no ano de 2011.

Segundo a Canadian Dairy Comission são 12.746 produtores de leite no Canadá. Na Alemanha o número de estabelecimentos produtores de leite somam 90.000 tendo em torno de 46 vacas por estabelecimento em média (European Comission, 2012). A New Zeland Dairy Statistics (2012), apresentando dados para o período 2011/12 indica que são 11.798 estabelecimentos que produzem leite no país, com um rebanho de 4.634.226 vacas e a atividade ocupando 1.638.546 ha (média de 2,83 cabeças/ha). Dividindo-se o número de vacas pelos estabelecimentos verifica-se que o rebanho médio é de 393 vacas por estabelecimento. Na Nova Zelândia observa-se um contínuo decréscimo no número de produtores de leite, visto que em 1975 estes somavam 18.550 estabelecimentos com média de 112 animais.

O escritório de Estadísticas Agropecuarias, vinculado ao Ministerio de Ganadería, Agricultura y Pesca do Uruguai apresenta dados sobre a produção de leite no território nacional, referente ao ano de 2012. Segundo esta fonte a produção estimada foi de 2.252.000.000 de litros provenientes em 97% de estabelecimentos com produção comercial de leite. O principal destino da produção é a indústria processadora, sendo que o processamento nos estabelecimentos agropecuários e venda direta somam 170 milhões de litros e 78 milhões se destinam ao consumo nestes estabelecimentos agropecuários. O abastecimento das indústrias em 2012 foi realizado por 3.119 ”tambos”, com volume médio de 1.701 litros diários, entretanto o anuário de 2012 indica que o total de estabelecimentos produtores de leite são 4.433 no país e que ocupam 850.000 ha. O consumo aparente de leite no Uruguai foi de 821 milhões de litros, equivalentes a 250 litros anuais por habitante.

Mais recentemente, a mesma instituição uruguaia no relatório anual de 2013 informa serem 4.305 produtores de leite neste país, cuja área ocupada é de 818.000 ha e tendo em média 74 vacas ordenhadas por estabelecimento. Em setembro de 2013 o preço pago ao produtor foi de US$ 0,39/litro4.

Nos Estados Unidos em 1970 eram 648.000 produtores de leite, número que caiu para 75.140 em 2006 com média de 120 vacas por estabelecimento (USDA/ERS). Dados mais recentes divulgados pela Universidade de Purdue indicam serem 60.000 os produtores de leite nos Estados Unidos com rebanho médio de 135 vacas, e ainda que estes estabelecimentos em 99% são familiares.

O Ministerio de Agricultura, Ganadería y Pesca da Argentina informa que em 2012 o consumo local de leite foi de 8,92 bilhões de litros, o que significa 216 litros per capita. Neste ano as exportações foram equivalentes a 2,49 bilhões de litros, dos quais 26% tiveram o Brasil como destino. O Engº Agrº Schaller estima que na Argentina existem 11.500 produtores de leite que envolvem mão-de-obra de aproximadamente 50.000 pessoas.

O mercado de lácteos é considerado como um dos mais regulamentados no mundo. Nos países em desenvolvimento, as políticas geralmente se propõem a reduzir as importações leiteiras e promover a produção nacional, a fim de melhorar a vida dos agricultores.

Os países com maiores excedentes de leite são a Nova Zelândia, Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália e Irlanda. Por outro lado a China, Itália, Federação Russa, México, Argélia e Indonésia estão entre aqueles que apresentam os maiores déficits.

Produção Nacional

O Brasil que ocupa a quarta posição entre os países produtores de leite, aumentou a sua produção de leite de vaca a um ritmo de 4,6% ao ano no período 2008 - 2012, alcançando 32,30 bilhões de litros em 2012, cujo valor foi de R$ 26,80 bilhões. Em 2000 a produção nacional de leite foi de 19,77 bilhões de litros, dos quais 43,37% foram produzidos na região Sudeste e 24,81% no Sul. O volume de leite produzido cresceu 63,40% até 2012, alterando também a geografia da produção, pois a região Sudeste agora contribuiu com 35,88% e a região Sul com 33,23%. O maior produtor nacional continua sendo Minas Gerais com 27,6%, seguido pelo Rio Grande do Sul com 12,5% da produção nacional (Figura 1).

Figura 1. Distribuição da produção brasileira de leite por Unidade da Federação.

Mesmo com apreciável aumento na produção, o rendimento expresso em litros/vaca/ano é relativamente pequeno quando confrontado com países tradicionais produtores. Em 2012, segundo a Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE, foram ordenhas 22.803.559 vacas o que significa uma produção de 1.417 litros de leite por ano. Dentre os principais estados produtores, o Rio Grande do Sul apresenta o melhor rendimento (2.670 litros), seguido por Santa Catarina (2.521 litros) e Paraná (2.456 litros). Minas Gerais mesmo sendo o maior produtor nacional apresenta um modesto rendimento de 1.570 litros/vaca/ano.

Na análise dos dados relativos à produção e preciso considerar que as estatísticas do IBGE trabalham com todo tipo de produtor, incluindo o de subsistência. Por isso, o rendimento do estudo não reflete a realidade das propriedades que fornecem para as indústrias. Segundo dados setoriais, nestes segmentos, a produtividade supera 5,2 mil litros/vaca/ano.

Segundo o Censo Agropecuário de 2006 foram 1.350.809 estabelecimentos agropecuários que produziram leite no Brasil, e destes 874.576 venderam leite cru. Dos estabelecimentos que venderam leite, 678.865 são considerados familiares.

Outra fonte de informação sobre leite no Brasil e Unidades Federativas é o Levantamento Trimestral do Leite, realizado pelo IBGE e que levanta a quantidade de leite cru, resfriado ou não, adquirido e industrializado, no mês e no trimestre, por tipo de inspeção. Assim em 2000 a quantidade de leite recebido pela indústria nacional foi de 12,11 bilhões de litros equivalente a 61,25% do total produzido naquele ano. Em 2012 o volume de leite adquirido pela indústria foi de 22,34 bilhões de litros, crescendo 84,50% em relação a 2000 e representando 69,16% da matéria-prima produzida. No último trimestre de 2012, coube a inspeção federal o recebimento de 92,38% do total, a inspeção estadual 6,72% e municipal apenas 0,91% do leite recebido pelas indústrias.

Quanto ao comércio internacional de lácteos, o Brasil tem se mostrado como importador líquido. Desde 2000 até 2012 o saldo da balança comercial de lácteos (NCM 04.01.10.10 até 04.06.90.90) foi positiva em apenas 4 anos, sendo que em 2008 aconteceu o melhor saldo positivo com US$ 297.674.000,00. O saldo em 2012 foi negativo em US$ 535.637.000,00. Desde o ano de 2000 até 2012 o saldo comercial brasileiro foi negativo em US$ 1.655.705.000,00.

Apesar da produção elevada de leite no Brasil, o consumo de lácteos ainda está aquém do recomendado pelo Ministério da Saúde. O Guia Alimentar Brasileiro, publicação do MS, recomenda que o consumo de leite e derivados seja de, pelo menos, três porções diárias equivalentes a 200 Kg/pessoa/ano de leite fluido, 35 kg a mais do que é consumido atualmente no país. O incremento no consumo de lácteos é favorecido, principalmente, pelo aumento da renda da população e, também, pela diversificação do portfólio de produtos derivados do leite.

Na Tabela 3, que leva em consideração as recomendações do Ministério da Saúde, quanto ao de consumo de leite para pessoas com diferentes idades e o número de pessoas nas distintas faixas etárias levantadas pelo Censo demográfico de 2010, é possível estimar que o consumo no Brasil, deveria ter sido neste ano ser de 40,94 bilhões de litros.

Tabela 3. Recomendação para o consumo de leite, conforme a faixa etária e estimativa da demanda.

Em 2010 a produção nacional de leite foi de 30,7 bilhões de litros, demonstrando a possibilidade de crescimento mais acelerado para atender o potencial de consumo existente no mercado interno.

Produção no Rio Grande do Sul

Ao longo dos últimos anos a produção de leite no Rio Grande do Sul, além de ter crescido acima dos níveis nacionais, também tem alterado um pouco a geografia, visto que em 1990 na Mesorregião Noroeste Rio-Grandense era produzido 42,05% do leite gaúcho, evoluindo para 66,21% em 2012 (Figura 2). Nesta unidade geográfica ainda cultiva-se 68,05% da área de soja, 52,26% da área de milho e 79,10% da área de trigo do estado, demonstrando um racional aproveitamento dos recursos naturais, da mão-de-obra e infraestrutura.

Figura 2. Distribuição da produção de leite no ano de 2012 por Mesorregião Homogênea no Rio Grande do Sul.

Segundo o IBGE a produção de leite no Rio Grande do Sul em 2012 foi de 4,05 bilhões de litros com 1.516.689 vacas ordenhadas que produziram em média 2.670 litros/ano ou o equivalente a 8,90 litros/vaca/dia. A produção de 2012 supera em 92,65% aquela do ano 2000 e o valor chega a R$ 3,09 bilhões.

A produtividade também se diferencia entre as Mesorregiões do estado, visto que na Noroeste Rio-grandense é de 2.992 l/vaca/ano e de apenas 1.229 na Centro Ocidental Rio-grandense. Observa-se ainda, que em 203 municípios cuja produção representa 16,23% do total do estado e o número de vacas em lactação soma 32,68%, o rendimento é inferior a 2.000 l/vaca/ano. Por outro lado existem 59 municípios responsáveis por 27,51% da produção e 15,92% do rebanho, cujo rendimento é igual ou superior a 4.000 litros/vaca/ano, superando países como a Nova Zelândia e Uruguai. Aparentemente estes números tão diversos indicam que entre o grande número de produtores de leite há muitos não dedicados ao comércio, produzindo apenas para o consumo do estabelecimento, seja na forma de leite fluido ou transformado artesanalmente. Em síntese, os números divulgados pelo IBGE através da Pesquisa Pecuária Municipal, não permitem uma adequada análise comparativa com o rendimento de outros países, cuja atividade é voltada essencialmente para o mercado, com maiores rebanhos por estabelecimento agropecuário.

O Censo Agropecuário de 2006 apontou 204.920 estabelecimentos agropecuários que produziam leite no Rio Grande do Sul e 128.686 que venderam leite cru no ano, números muito superiores aqueles dos países analisados neste trabalho.

A divisão do estado do Rio Grande do Sul em 35 Microrregiões Geográficas favorece um melhor entendimento da distribuição espacial da atividade leiteira. Assim a Microrregião de Passo Fundo5 respondeu em 2012 por 12,51% da produção estadual e o rendimento foi de 4.433 litros/vaca/ano. O segundo melhor rendimento é da Microrregião de Não-Me-Toque com 4.310 litros/vaca/ano. Tem ainda elevada participação na produção de leite do estado as Microrregiões de Três Passos (7,70%), Lajeado-Estrela (7,59%), Ijuí (6,49%), Santa Rosa (6,37%) e Guaporé (5,60%). Estas sete Microrregiões geográficas acima mencionadas responderam por 48,42% da produção de leite no Rio Grande do Sul.

O IBGE divulga também a Pesquisa Trimestral do Leite, através da qual se obtém o volume recebido pelas indústrias. Conforme esta fonte em 2012 no Rio Grande do Sul a indústria adquiriu 3,55 bilhões de litros, equivalente a 87,70% do total produzido. Levando-se em conta o valor da produção de leite em 2012, podemos estimar que a indústria pagou aos agricultores R$ 2,71 bilhões, dos quais R$ 56,91 milhões (2,1%) destinaram-se à Previdência Social e R$ 5.416.755,00 foram recolhidos para o SENAR (0,2%). Pela referida pesquisa observa-se um incremento de 128,11% no volume de leite cru ou resfriado recebido (Figura 3) no período de 2000 até 2012.

Figura 3. Evolução da quantidade anual de leite cru ou resfriado recebido (mil litros) no Rio Grande do Sul.

Considerando o volume de leite recebido no ano de 2000 e a respectiva população do estado, verificamos que havia uma disponibilidade de 153 litros/habitante que evoluiu para 278 litros/habitante em 2010. Como pode ser visto na Figura 4 o grande incremento no volume de leite recebido deu-se a partir de 2005 e para 2012 pode-se estimar uma disponibilidade de pelo menos 328 litros de leite para cada habitante gaúcho.

Figura 4. Volume médio mensal de leite (mil litros) recebido pelas indústrias no período de 2008 – 2012.

Nos últimos cinco anos o recebimento médio mensal realizado pelas indústrias foi de 254.601.000 litros (100%), com o melhor desempenho no mês de agosto (113,80%) e o menor volume em abril (83,43%). No mesmo período avaliado, a menor produção média deu-se no segundo trimestre com 656.717.000 litros e o melhor desempenho foi no terceiro trimestre quando a produção alcançou 839.752.000 litros, superando em 27,87% o trimestre de menor produção.

Observando-se a quantidade de leite recebido é possível identificar a oscilação do volume ao longo dos meses do ano.

Quanto ao tipo de inspeção no estado, no último trimestre de 2012, coube a inspeção federal o recebimento de 91,79% do total, a inspeção estadual 7,86% e municipal apenas 0,35% do leite recebido pelas indústrias, conforme dados de 153 informantes.

Apesar do crescimento na produção de leite, o Rio Grande do Sul vem apresentando uma balança comercial negativa no segmento de lácteos desde 2010, sendo que no ano de 2013 o déficit foi de US$ 40.004.788,00 (NCM 04.01.10.10 até 04.06.90.90).

Em termos de preço recebido pelos produtores gaúchos de leite, uma avaliação feita com base nos dados coletados pela EMATER/RS permite identificar evolução superior a dois indicadores de inflação, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)6 e o Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) no período de 2000 até 2013.

Desde janeiro de 2000 até dezembro de 2013 a variação acumulada do IPCA foi de 138,70% e do IGPM 198,55%. Tomando-se como base de referência o preço médio recebido em janeiro de 2000 pelo leite no estado, verifica-se crescimento de 254,17% até dezembro de 2013 (Figura 5).

Figura 5. Evolução acumulada (em %) do preço do leite recebido pelos produtores no RS e evolução do IPCA e IGPM com base (100%) em janeiro de 2000 até dezembro de 2013.

O índice relativo ao preço do leite, no mesmo período, foi superior ao de outras atividades da produção animal como a suinocultura e bovinocultura de corte. Também foi superior ao índice apurado para o milho e trigo. Para dar mais clareza à informação, em janeiro de 2000 com uma saca de milho era possível adquirir 51,35 litros de leite e com uma saca de trigo comprava-se 46,42 litros. Em dezembro de 2013 com estes mesmos grãos, se adquiria 26,58 litros de leite e 40,21, respectivamente. No confronto com a soja, verifica-se em janeiro de 2000 ser possível comprar 73,42 litros de leite com uma saca do grão, e ao final do período avaliado a compra era de 72,19 litros. Observa-se que a evolução foi praticamente a mesma, entretanto com as grandes oscilações na cotação da oleaginosa em determinados momentos tornou a situação altamente favorável ao grão.

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4No mercado internacional normalmente as referências de preço referem-se a ECM – leite corrigido para 4% de gordura e 3,3% de proteína.5Água Santa, Camargo, Casca, Caseiros, Charrua, Ciríaco, Coxilha, David Canabarro, Ernestina, Gentil, Ibiraiaras, Marau, Mato Castelhano, Muliterno, Nicolau Vergueiro, Passo Fundo, Pontão, Ronda Alta, Santa Cecília do Sul, Santo Antônio do Palma, São Domingos do Sul, Sertão, Tapejara, Vanini, Vila Lângaro e Vila Maria.6Reflete a variação dos preços das cestas de consumo das famílias com rendimento mensal de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte. O IPCA é utilizado pelo Banco Central para o acompanhamento dos objetivos estabelecidos no sistema de metas de inflação. A taxa de inflação medida pelo IPCA alcançou 5,91% em 2013.Índice Geral de Preços é fruto da ponderação das parcelas Índice de Preços por Atacado (IPA); Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Em 1989 foi introduzida uma versão do IGP para o mercado financeiro (IGP-M). A diferença entre os índices é apenas o período de coleta. Enquanto o IGP coleta os preços entre 1 e 30 do mês de referência, no IGP-M a coleta é entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. Desta forma o IGP-M pode ser divulgado antes do final do mês calendário, essencial para sua utilização como referência financeira. Em 2013 a variação do IGPM foi de 5,52%.

Bibliografia Consultada

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Publicado na Revista Plantio Direto, edição 139, janeiro/fevereiro de 2014.