Multifuncionalidade de Biomassas de Cobertura do Solo e Agricultura de Precisão


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Publicado em: 01/02/2014

Multifuncionalidade de biomassas de cobertura do solo e agricultura de precisão

Antônio Luis Santi1, Geomar Mateus Corassa2, Ronei Gaviraghi3,Mateus Bortoluzi Bisognin3, Claudir José Basso1, Lisandra Pinto Della Flora4,Danimar Manfio de Castro3 & Diandra Pinto Della Flora3 1Engº Agrº, Dr, Professor do Departamento de Ciências Agronômicas e Ambientais, UFSM campus de Frederico Westphalen – RS, Brasil (santi_pratica@yahoo.com.br)2Engº Agrº, Mestrando do Programa de Pós Graduação em Agronomia, Agricultura e Ambiente, UFSM campus de Frederico Westphalen – RS, Brasil.3Acadêmico(a) do curso de Agronomia, UFSM campus de Frederico Westphalen – RS, Brasil.4Engª Agrª, Drª, Professora do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen, UFSM– RS, Brasil.

Não há dúvidas em relação à revolução tecnológica proporcionada pelo Sistema Plantio Direto (SPD). Com a adoção do SPD inúmeras melhorias ocorreram, com destaque para aquelas relacionadas à sustentabilidade do ambiente agrícola e das propriedades. No entanto, ainda existem dúvidas quanto à condução das estratégias de manejo ao longo dos anos com base nesse sistema conservacionista de gestão do solo e das culturas. Com a expansão e modernização da agricultura, tornou-se cada vez mais necessário o uso de ferramentas capazes de minimizar os efeitos resultantes da maior intensidade do uso das terras, visando altas produtividades. Além disso, como a adoção de novas tecnologias, associadas ao manejo do solo e das culturas como é o caso da Agricultura de Precisão (AP), tornou-se necessário um entendimento mais amplo em relação à multifuncionalidade dos sistemas envolvendo a cobertura do solo e a compreensão de que ferramentas inovadoras, podem não ser sustentáveis sozinhas, necessitando a associação com outras técnicas para que o manejo dos processos que culminam com uma maior ou menor variabilidade na área, seja eficiente.

O pensamento ou a promessa de que amostragem georreferenciada de solo e planta, elaboração de mapas temáticos de atributos, aplicação em taxa variada de corretivos e fertilizantes, manejo de nitrogênio baseado em sensores em tempo real, uso de imagens aéreas e outras tantas tecnologias proporcionadas pela AP, por si só, vão garantir altas produtividades e sustentabilidade econômica e ambiental é um erro que conduzirá, em poucos anos, a degradação do sistema solo.

Neste contexto, desvendar um dos paradigmas mais complexos que se construiu até hoje – SPD – suas funções complementares, e transformar informação em produtividade é um grande desafio. Esse artigo tem por objetivo discutir algumas questões relacionadas às contribuições pelo uso das plantas de cobertura do solo no sistema plantio direto, associadas ao futuro do manejo da variabilidade espacial de atributos de solo e planta.

Plantas inteligentes

Os benefícios do uso de plantas de cobertura, cultivadas em sistema solteiro ou consorciado já foram pesquisados e tratados com propriedade por vários autores (Calegari et al., 1993; Amado et al., 2001; Mielniczuk et al., 2003; Sá, 2004; Fiorin, 2007; Franchini et al, 2008). Mesmo assim, quando o assunto é sustentabilidade da produção agrícola e planejamento de estratégias de manejo que garantam alta produtividade se faz necessária a adaptação e o aprimoramento de sistemas de rotação buscando a diversidade de espécies. Afinal, a rotação de culturas - um dos princípios básicos do SPD - tem-se revelado como uma prática essencial para o aumento da produção das culturas agrícolas (Franchini et al., 2011).

Mas realmente, porque essa preocupação em pleno advento da AP e mais de quatro décadas de SPD? A resposta pode ser resumida em ”Desafios Produtivos Futuros”. A verdade é que com o passar dos anos a agricultura tem vivido um ”empilhamento de tecnologias”, e a simplificação e a facilidade tecnológica nos processos, têm levado a certo esquecimento quanto aos cuidados em relação ao manejo sustentável do sistema de produção agrícola, trazendo como resultado, a estagnação da produção em muitas propriedades.

Sempre que se busca uma informação sonha-se com uma receita. No entanto, tanto o SPD quanto a AP são dois sistemas holísticos e complementares, logo o modo de gestão do solo depende também da nossa capacidade de entender a realidade, que na maioria das vezes esta muito além da percepção visual, isso por que, há mais seres vivos em uma mão cheia de solo bem manejado do que todas as atividades humanas no planeta.

Assim, são muitas vezes estes seres, pequenos em tamanho, mas gigantes em importância, juntamente com as plantas, que contribuem para o movimento de água e nutrientes no solo e, acima de tudo, para a reconstrução de todo um sistema de complexa relação de interdependência que tem como resultado final uma agricultura sustentável, produtiva e com retorno econômico. Dificilmente estratégias de manejo isoladas ou baseadas em adventos tecnológicos refletem sozinhas a estabilidade de produção. São as técnicas integradas que garantem e maximizam o potencial genético de produção das culturas.

Neste sentido, o sucesso das estratégias de manejo priorizadas pela AP somente terão resultados quando conjugadas com o uso de um ”sistema inteligente” composto por ”plantas inteligentes”. Calegari et al. (1993) já descreveu alguns dos benefícios da utilização de plantas de cobertura: promover a formação de cobertura vegetal, impedindo o impacto direto das gotas de chuva no solo e quebrando a energia cinética da chuva; manutenção da umidade do solo, redução das perdas de água por evaporação; aumento da infiltração de água no solo, redução do escorrimento superficial; promoção de uma melhor estruturação do solo (melhor agregação, maior aeração), favorecimento para os cultivos posteriores; aporte a reciclagem de nutrientes no solo; melhoria no controle de plantas invasoras, aumento nos teores de matéria orgânica do solo e melhoria nas características físicas, químicas e biológicas do solo.

Assim os produtores mais modernos atualmente na agricultura, não são aqueles que fazem o uso somente de alta tecnologia, maquinas de grande porte e outros, mas sim aqueles que associam as ferramentas tecnológicas, adotando conjuntamente a elas inúmeras estratégias relacionadas à diversificação de culturas, proteção do solo, preservação ambiental, ou seja, que buscam cada vez mais sistemas sustentáveis de produção. Segundo Altmann (2010) na prática, são esses os produtores que terão capacidade de ”sobreviver” às adversidades climáticas e às crises econômicas e que, portanto, persistirão na agricultura.

É nesse contexto e baseado nesses benefícios, que um plano de rotação inteligente (PRI) pode ser executado (Figura 1). Com a AP o produtor deve ir além de estratégias básicas de manejo como uma amostragem de solo inteligente. A redução da variabilidade espacial seja ela de origem química, física ou biológica somente vai ocorrer quando um PRI também for planejado e implementado.

Figura 1. Exemplo de um plano de rotação inteligente (PRI) utilizando as ferramentas da agricultura de precisão como base do processo.

Um PRI deve ser sempre baseado em relação às particularidades das espécies a serem utilizadas e dos locais dentro das áreas, locais estes, que muitas vezes apresentam característica que não são passíveis de correção, como por exemplo: o tipo de solo, o manejo empregado no passado (histórico) entre outros, mas que acabam causando variações da produtividade. Neste caso, a AP é uma ferramenta importantíssima e que pode servir como base do processo, orientando o manejo diferenciado dentro do mesmo talhão. USAR O MAPA DE COLHEITA PARA ESSA FINALIDADE É UMA DAS GRANDES APLICABILIDADES DESSA TECNOLOGIA.

Agricultura de precisão e os desafios no manejo

Com o avanço do manejo georreferenciado do solo após mais de uma década de consolidação da AP no Rio grande do Sul, surgiu a possibilidade de que se realizarem práticas de intervenção/correção de acordo com as necessidades de cada local no talhão e isso tem sido realizado em grande escala, tanto por produtores quanto por empresas do ramo, na forma de prestação de serviço. No entanto, passado este período, outras dúvidas têm surgido. É parte da realidade de muitas lavouras, situações em que os talhões apresentam suas características químicas acima dos padrões considerados ótimos pelas instituições e recomendações de pesquisa (os chamados solos de fertilidade construída) e mesmo assim a variabilidade espacial da produtividade continuar ocorrendo, muitas vezes em grande escala. Ou seja, existem locais ”muito parecidos” estuturalmente e quimicamente, mas que são ”muito diferentes” se tratando de produtividade. É importante compreender, no entanto, que apesar deste resultado não ser o mais esperado, ele pode sim ocorrer, comprovando que as variações que ocorrem na produtividade das culturas, quase que um sua totalidade, não são explicadas por fatores isolados.

Segundo Meurer (2007) existem mais de cem fatores que exercem influencia sobre a produtividade das culturas, os quais interagem entre si. Portanto, existe uma complexidade de interações ocorrendo no sistema solo durante as safras. Esta particularidade o torna um sistema altamente dinâmico e que necessita ser atendido de forma eficiente para que desempenhe suas funções corretamente. Como se não bastasse, as interações edafoclimáticas que ocorrem durante o ciclo da cultura aumentam ainda mais a complexidade do entendimento dos fatores que governam o desempenho das culturas (Santi et al., 2012).

Desta forma, atender a todas as exigencias do sistema solo-planta de modo eficiente, não é tarefa fácil, mas que deve ser buscada. Assim, seguindo algumas premissas básicas que atendem aos quesitos de qualidade no sistema, tem-se a oportunidade de chegar cada vez mais próximo do sucesso na produção. Este quesito engloba o uso de PRI’s dentro de talhões agricolas, como uma forma eficiente de se tratar locais com diferentes potenciais produtivos.

Plantas de cobertura: benefícios ao solo e as culturas

A biodiversidade funcional – uso de plantas distintas – conduz a lavoura para diferentes estados qualitativos. Um dos indicadores principais é a diversidade biológica na qual se destacam os organismos da fauna edáfica e que habitam as camadas superiores do solo. Estes indivíduos apresentam importante papel para a qualidade do solo, realizando a fragmentação do material orgânico e contribuindo intensamente para a ciclagem de nutrientes no solo (SILVA et al, 2006). Desta forma, quanto mais complexo for o sistema maior também será a diversidade biológica e o nível qualitativo do solo. Silva et al. (2013), estudando sistemas de cobertura do solo já constataram em seus estudos que os organismos da fauna edáfica apresentaram comportamento diferenciado, em função da espécies utilizada, sendo o número total de indivíduos favorecido pelo consórcios entre culturas de cobertura. Assim, é possivel concluir que sistemas que envolvam monoculturas, ao fornecerem um único substrato como forma de alimento para estes organismos, ocasionem perdas na diversidade biológica do solo, em comparação a consórcios ou sistemas de rotação. Este fato evidencia que não somente a quantidade de biomassa que esta sendo produzida deve ser utilizada como indicador de qualidade.

Figura 2. Esquema demonstrando através de um mapa de colheita locais com diferentes capacidades produtivas, as quais estão diretamente relacionadas a capacidade do solo em desempenhar suas funções. Estes locais necessitam receber um manejo diferenciado.

Em um estudo que vem sendo gerido pelo Laboratório de Agricultura de Precisão do Sul (LAPSUL) e conduzido pelo terceiro ano consecutivo no município de Frederico Westphalen (RS), envolvendo diferentes sistemas de cobertura de inverno, os resultados preliminares também já indicam para uma dinâmica diferenciada da diversidade biológica do solo, obtida aqui através do índice de diversidade de Shannon (Shannon & Weaver, 1949), em função do uso de algumas culturas de cobertura (Figura 3). É importante frisar que nenhum sistema é eficientemente produtivo e ecomicamente viável levando em conta unicamente a qualidade química (não menos importante), e que dadas às particularidades das espécies, o aporte de resíduos de plantas de cobertura também favorece este quesito.

Com a utilização de sistemas de rotação, parte das necessidades nutricionais requeridas pelas culturas subsequentes também podem ser supridas pelos nutrientes contidos na biomassa em decomposição. Além disso, a melhoria dos atributos químicos do solo também é resultado do processo de ciclagem realizado por muitas espécies. Neste caso, as plantas absorvem os nutrientes em camadas mais profundas do solo e os liberam posteriormente, através da decomposição dos seus resíduos, nas camadas superficiais (Duda et al., 2003). Espécies leguminosas têm grande importância como fornecedoras de nitrogênio, enquanto que os resíduos das gramíneas promovem uma proteção mais duradoura do solo (Teixeira et al., 2010). Neste sentido, a opção pelo consórcio entre espécies de plantas de cobertura de solo é uma estratégia para a maximização dos benefícios ao sistema, trazendo aporte de nutrientes, proteção do solo e promovendo ainda a diversidade biológica do solo (Figura 3). Assim, o objetivo deste artigo é também alertar para a necessidade de uma AP funcional, agronomicamente correta e baseada em um número amplo de premissas.

Figura 3. Indice de diversidade de Shannon (Shannon & Weaver, 1949) obtido após a coleta de individuos da fauna edáfica em diferentes sistemas de plantas de cobertura de inverno. Frederico Westphalen (RS). * Onde: AP= Aveia preta; AB= Aveia branca; AZE= Azevém; TREM= Tremoço; APNF= Aveia preta + nabo forrageiro; NF= Nabo forrageiro

Outra preocupação tida por agricultores e prestadores de serviço em AP é como resolver os problemas relacionados a compactação do solo. Escarificar ou não? Mais que responder essa dúvida é ir além e buscar a simplificação do processo. Ao se revisar inúmeras publicações e retomar discussões já frisadas a certo tempo por grandes nomes da conservação do solo (Calegari et al., 1993; Gassen & Gassen, 1996; Amado et al., 2001; Mielniczuk et al., 2003; Sá, 2004, Trein et al., 2005), e que infelizmente parecem passar despercebidas, chega-se a conclusão, de que problemas dessa natureza resolvem-se com o planejamento das operações agrícolas (Trein et al., 2005) e com a implementação de planos de rotação que congreguem diversidade vegetal, tanto no sistema aéreo como no sistema radicular.

A Figura 4, como parte integrante do estudo que vem sendo conduzido pelo LAPSUL, demonstra que em sistemas em que o nabo forrageiro, o tremoço branco e consórcio de aveia preta + nabo forrageiro estão presentes, são observados valores inferiores de resistência à penetração do solo (RP) na camada superficial, em comparação a outros sistemas. Estes resultados também foram observados por Bertollo et al. (2013) onde a RP se mostrou inferior na profundidade de 0,15m em sistemas que receberam nabo forrageiro e tremoço branco (Figura 5).

Figura 4. Valores de resistencia a penetração (RP) na camada superficial do solo (0,0 – 0,05m) após três anos de conduçãos sobre diferentes sistemas de plantas de cobertura de inverno. Frederico Westphalen (RS). * Sendo: AP= Aveia preta; AB= Aveia branca; AZE= Azevém; TREM= Tremoço; APNF= Aveia preta + nabo forrageiro; NF= Nabo forrageiro.

Figura 5. Variabilidade espacial da resistência à penetração do solo (RP), na profundidade de 0,15 m, para diferentes sistemas de plantas de cobertura de inverno. Frederico Westpahalen (RS). Fonte: Adaptado de Bertollo et al. (2013).

Deste modo, não é aconselhavel usar escarificadores em profundidade ou em zona variável visando romper camadas compactadas em lavouras, sem antes organizar um bom plano de rotação de culturas, com plantas capazes de contornar ou minimizar estes problemas através de seu sistema radicular. Além de resultados imediatistas em relação ao acréscimo de produtividade atribuido as práticas de escarificação, os problemas poderão retornar, principalmente em zonas com diferentes capacidades de ciclar carbono ou até mesmo agravarem-se, uma vez que o que foi ”construido” com os anos de SPD pode ser destruido por essa prática.

Neste sentido, o uso de plantas coberturas associado ao uso de PRI’s em lavoura comerciais, por proporcionarem melhorias nos atributos químicos, físicos e biológicos do solo, não leva a outro caminho se não o da alta eficiência produtiva (Calegari et al., 1993).

Resultados obtidos no ano de 2012 em experimento contendo milho safrinha em sistemas de rotação: plantas de cobertura/feijão/milho safrinha não deixam dúvidas destes benefícios (Figura 6). Neste experimento, a cultura do milho safrinha foi desfavorecida por períodos com elevado déficit hídrico durante o inicio do seu desenvolvimento, o que ocasionou, de modo geral, redução na produtividade. No entanto, os resultados evidenciam que a produtividade foi superior em sistemas que receberam plantas de cobertura no inverno - antecedendo a cultura do feijão - em relação ao tratamento pousio, comprovando o efeito protetor da palhada sobre o solo. Os resultados revelaram ainda, que o consórcio entre espécies também se mostrou benéfico para a produtividade de milho safrinha, com o consórcio entre aveia preta e nabo forrageiro sendo superior aos demais sistemas e produzindo cerca de 900 kg ha-1 de milho a mais que o tratamento pousio (Figura 6).

Figura 6. Produtividade de milho safrinha em função dos diferentes sistemas de plantas de cobertura de inverno. Frederico Westphalen (RS). * Sendo: AP= Aveia preta; NF= Nabo forrageiro e APNF= Aveia preta + nabo forrageiro.

Resultados desta magnitude, comprovam o que já foi salientado por Franchini et al. (2011), de que o uso de sistemas de rotação de culturas, atua como prática essencial para a produção agrícola, mesmo quando as condições climáticas são desfavoráveis. Isso se deve ao fato, de que a presença de palha na superfície é capaz de promover a manutenção da umidade do solo e de reduzir as perdas de água por evaporação em comparação a solos sem cobertura (Calegari et al.,1993).

Quanta biomassa estamos produzindo

Outra ferramenta importante de ser quantificada pela AP e associada aos PRI’s é o conhecimento da produção desempenhada pelos sistemas de cobertura utilizados. Apesar de isoladamente este não ser um critério decisório, é incontestável que o nível qualitativo imposto por muitos locais dentro do mesmo talhão levem a produções de massa superiores, chegando a patamares de duas a três vezes maiores em relação à média da lavoura (Figura 7) e indicando que estes locais necessitam ser investigados e manejados de forma diferenciada. Isso demonstra que a qualidade do SPD, o sequestro de carbono, a reciclagem de nutrientes e outras características intrínsecas impostas por esse sistema também são variáveis, e podem refletir na produtividade das culturas subsequentes.

Figura 7. Distribuição espacial da produção de massa seca de aveia branca (118 ha) e aveia preta (101 ha). Fazenda Vila Morena/Grupo Schaedler – Boa Vista das Missões/RS.

Assim, além de se pensar em um manejo eficiente, é preciso conhecer o grau de variação a que ele será submetido. Neste sentido, a utilização de ferramentas de AP permite a quantificação destas produções, para que possam ser utilizadas como uma fonte adicional de informações para a definição de estratégias de manejo a longo prazo.

Em estudo conduzido no ano de 2011 em duas culturas de grande importância para o SPD e para sistemas de rotação de culturas, a aveia preta e a aveia branca, foi possível verificar que as variações na produção de matéria seca ha-1 foram de 4,0 a 9,0 t ha-1 para a aveia branca e de 3,0 a 10,0 t ha-1 para a aveia preta, com a média para as duas culturas ficando em torno de 5,0 a 6,0 t ha-1 (Figura 7).

Considerações finais

Não restam dúvidas de que a utilização de sistemas de cobertura de solo, associados os planos de rotação de culturas adaptados a realidade de cada produtor e as condições impostas pelos diferentes locais dentro de um mesmo talhão, conduzirá a um sistema de produção economicamente viável e altamente sustentável ao longo das safras, como fruto do manejo correto do solo e das plantas. Por serem capazes de promover a melhoria da qualidade física, química e biológica do solo, estes sistemas consequentemente tendem a alavancar a produtividade das culturas ao longo dos anos. Deste modo, esta nova forma de se fazer agricultura exigirá cada vez mais uma atividade agrícola baseada no planejamento e na integração das técnicas sustentáveis de produção. Dentre estas técnicas a AP é uma das grandes aliadas nesse processo, contando que seja utilizada de forma correta e eficiente, que se torne funcional, e que não se limite ao estudo de fatores isolados. Por proporcionar o conhecimento detalhado dos fatores de produção e por materializar o potencial produtivo das culturas através dos mapas de colheita a AP permite a realização de manejos localizados, mesmo dentro de pequenos talhões.

Esse é um momento de reflexão e planejamento de Sistemas de Rotação Inteligente. Com a Agricultura de Precisão é possível e necessário ir além da química do solo. Estas ferramentas, quando integradas, aumentam a chance de sucesso na propriedade rural.

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Artigo publicado na edição conjunta 137-138, da Revista Plantio Direto, setembro a dezembro de 2013.