Gerir custos é garantir lucro no agronegócio
Para Rigatto a tecnologia e conhecimento mudou o cenário de produção agrícola.
”A gestão de negócios não é plantar e colher bem, comprar os insumos e vender a produção. Essa é a demanda natural do processo. Fazer isso da melhor forma é o que faz o diferencial em termos de lucratividade. A margem de lucro no Agronegócio é determinada pela otimização no controle de quanto se gasta na produção”, ressaltou o engenheiro agrônomo Paulo Rigatto. A ”Evolução nos Custos de Produção: arroz” foi o tema escolhido por Rigatto, durante o 28º Seminário da Cooplantio, que destacou a importância da gestão de custos para o produtor rural, assim como a necessidade do produtor estabelecer parcerias prévias para garantir fluxo no negócio.
O palestrante, que também é mestre em Economia Rural e doutor em Administração, apresentou um estudo desenvolvido por ele para esta safra sobre a evolução histórica dos preços do arroz em comparação à cesta de insumos e comentou os aspectos, em termos de valorização e depreciação, de custos relativos à lavoura de arroz e seus insumos. Para ele, o gerenciamento de preços é o principal elemento de competitividade na cadeia orizícola. ”É preciso propor parcerias, e não concorrência por mercado entre fornecedores de insumos e beneficiadores”, sinalizou. A questão da cadeia de suprimentos e os termos estratégicos desta nova visão de negócio foram outros aspectos tratados na ocasião.
Conforme Rigatto, muita coisa mudou nas últimas duas décadas, em termos de conhecimento agregado a economia. ”É muito diferente do que se tinha em 1993. Hoje já tem produtor acessando o custo da lavoura na palma da mão, via celular”, disse. Ele falou também sobre aplicativos gerenciais via web que estão sendo desenvolvidos e afirmou que são as mulheres, esposas e filhas de produtores, que mais têm utilizado a implantação desses softwares. ”É uma tendência e uma ocupação de espaço. A mulher é muito mais dedicada a isso”, opinou. O engenheiro agrônomo disse ainda que as mulheres estão tomando conta da mecanização das lavouras e participando do processo de produção agrícola com um nível de cuidado que impressiona. É o que se observa hoje na Granja Bretanha, em Jaguarão.
Quanto à gestão de custos como elemento de competitividade, ele explicou que no agronegócio a realidade é totalmente diferente de outros setores como a indústria, por exemplo. ”Enquanto um fabricante de automóveis determina seu preço, no agronegócio nós somos ‘tomadores de preços’: perguntamos quanto custa o trator, o fertilizante, o defensivo ... quando vamos às compras. E depois perguntamos ao mercado quanto custa nosso produto. É o mercado que define o preço. A margem do agronegócio é determinada por uma boa gestão de custo. Quanto menor o custo de produção, melhor a margem do meu negócio”, disse.
Rigatto citou ainda algumas assimetrias dentro do agronegócio que podem interferir no custo de produção como relevo, qualidade de solo, clima e distância do asfalto até mercado consumidor, e que fazem com que cada produtor tenha um custo diferenciado. ”Cada produtor tem suas próprias circunstâncias. O controle que podemos ter é medindo: se não temos dados, não temos como avaliar em termos mais precisos. Daí a importância de não confiar apenas na própria cabeça, e sim utilizar as diversas ferramentas de processamento de informações, que nos trazem conhecimento e apoio à decisão mais assertiva dentro do processo”, disse.
Quanto ao comportamento dos preços do arroz em casca nos últimos 10 anos no Rio Grande do Sul, levando em conta valores médios levantados pela Emater, o gráfico mostra um declínio nos preços, com uma leve recuperação de 2012 para cá. ”No ano passado, o preço do arroz chegou ‘ao fundo do poço’. A média de 2013 - ano safra de julho de 2012 até abril desse ano, que foi de R$ 34,3, está muito próxima da média da última década que foi de R$ 35,5 a saca. E um valor bem distante dos R$ 60,00, que foi o que valeu o arroz no ano de 2004 no RS”.
Com base em estudo gráfico, ele ressaltou que o comportamento da sazonalidade dos preços do arroz dos últimos 10 anos e os valores verificados na safra de 2013 guardam uma certa correlação bem significativa havendo uma elevação dos preços bem acima da média na entre safra e, hoje um pouco abaixo do que foi a cotação média da última década.
Na sequência, Rigatto apresentou aspectos sobre trabalho de séries de preços temporais no produto arroz irrigado, comparando a evolução dos preços de alguns insumos agrícolas, em um período de 10 anos, e a relação de troca do custo do arroz para alguns desses insumos.
Com relação aos valores do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), ele chamou atenção para a declividade de alguns gráficos como no caso do preço de um trator (90/120 HP), em Reais deflacionados para abril de 2013. Foi verificada ainda uma deflação nos preços no litro do óleo diesel. Já o adubo 20-20 se manteve equilibrado, após um salto em 2008 e uma queda em 2010 e 2011 e, agora voltando para um preço de comportamento médio da série histórica dos 10 anos. Os herbicidas tiveram uma ‘queda livre’ em 10 anos. O gráfico mostra que o Kilowatt/hora também teve uma depressão em 2013. O grande destaque nos últimos 10 anos ficou por conta do salário mínimo.
Rigatto alertou produtores para um ponto chave que é a mudança de hábitos dentro da lavoura. Do custo da mão de obra e da dificuldade em termos de qualificação que a nova mecanização exige. ”Nós passamos de planilha em Excel para telefone celular controlando o nosso custo. Essa é a próxima mudança que o produtor vai ter que enfrentar. No primeiro mundo, a agricultura significa família em cima do trator e da colheitadeira. No Brasil, nós temos outra dimensão que ainda nos permite a contratação de empregados porque temos escala de produção, que está aumentando no Centro-Oeste. É evidente que a agricultura brasileira é diferente do resto do mundo, mas pela escassez e elevação do custo do serviço, isso gera um efeito adverso, que deverá ser repensado e de maneira estratégica em algumas propriedades”, observou.
Para Rigatto, o melhor indicador é a relação de troca. ”É o poder aquisitivo da moeda que eu estou comercializando. Em relação a números de sacos que eu preciso para adquirir um trator, 2013 tem a melhor relação de troca para reversão em termos de máquinas. O mesmo foi verificado em 2004, quando o preço do arroz teve uma alta. O salário mínimo é que não tem ajudado muito. Chegou a valer 25 sacos em média por ha em 2012 e, hoje, caiu para 21 sacos/ha. Em torno de 16 sacos/ha, como média nos últimos 10 anos, o equivalente ao custo de um salário mínimo.
E para concluir, o engenheiro agrônomo foi enfático ao afirmar que 2013 tem sido um ano muito positivo para a produção orizícola. ”Em 2013 tivemos a melhor Margem Bruta/ha depois de 2004. Nos últimos 10 anos, a margem que me sobrou em Reais foi de 38%. Já em 2013, foi de 50%. Em termos de sacos/ha, nos últimos 10 anos, me sobrava em média 50 sacos/ha. Em 2013, foram 74 sacos/ha, sendo este o melhor resultado verificado em uma década”, finalizou Rigatto.
Publicado na edição especial conjunta 135-136 da Revista Plantio Direto. Aldeia Norte Editora, 2013.