Enfrentando o Desafio do Manejo das Plantas Daninhas Resistentes aos Herbicidas


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Publicado em: 01/06/2013

Enfrentando o desafio do manejo das plantas daninhas resistentes aos herbicidas

Marcos Roberto Fridrich, agricultor em Ajuricaba, RS, participou do painel que tratou do uso das culturas de cobertura no manejo da resistência, juntamente com o Engenheiro-Agrônomo Carlos Henrique Dalmazzo, e trouxe para os participantes do Encontro Nacional, um pouco da sua experiência prática. Focado no fazer bem feito, Fridrich trabalha em uma região de pequenas e médias propriedades e é na Fazenda Faxinal Sul, uma parceria com o pai e os irmãos, que ele desenvolve o manejo que tem como base um ”produto”, uma estratégia e um princípio.

Foto: Arquivo pessoal Marcos Fridrich

”Não sou pesquisador, engenheiro-agrônomo ou técnico, sou agricultor. Por essa razão o que vou falar e mostrar difere de tudo o que foi visto nesse evento até o momento. Trouxe a minha experiência na condução da lavoura que pertence a minha família. Hoje aqui, eu tenho a permissão de fazer propaganda de um produto altamente eficiente para o controle de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, também vou falar de uma estratégia que pode ser usada com esse mesmo fim e vou recomendar a adoção de um princípio, que acreditamos ser válido para quem enfrenta o problema”, foi assim que Fridrich iniciou sua apresentação diante dos mais de 550 participantes do evento.

Marcos Fridrich apresentou a visão do agricultor no manejo das plantas daninhas resistentes.

O produto

”Apresento primeiramente o produto palha, que pode ser encontrado no modelo milho, nabo forrageiro, trigo e também no modelo aveia preta, entre outras opções. Esse é o produto mais eficiente para quem almeja uma lavoura limpa”.

Figura 1. O produto palha nos modelos milho, nabo forrageiro, trigo e aveia preta, ”insumo” imprescindível no manejo de plantas daninhas. Fotos: Arquivo pessoal Marcos Fridrich

Marcos conta que houve ocasiões em que o nabo forrageiro, cultura de cobertura obrigatória na Faxinal Sul, foi apenas rolado e não recebeu nenhuma aplicação de dessecante, pois a geada veio antes e o trigo pode ser semeado no limpo. De acordo com a experiência do agricultor, a palha do trigo precisa ser bem espalhada na lavoura evitando a desuniformidade da cobertura. Para ele, esse cuidado é fundamental, pois dificulta a germinação e o estabelecimento da buva, por exemplo.

Foto 2. Evidência do efeito da cobertura com palha na redução da emergência de plantas de buva. Foto: Arquivo pessoal Marcos Fridrich

”O cloreto de potássio que normalmente seria usado na soja, aplicamos na aveia para garantir um volume de palha adequado em cobertura e densidade, dificultando a germinação da buva. Semeamos o trigo em cima do nabo forrageiro cultivado após milho e, na palha de trigo ou aveia preta, a soja. Em minha opinião, o melhor produto para manejar as plantas daninhas resistentes é palha. Quanto mais palha melhor”, ressalta Fridrich.

A estratégia

”Uma estratégia que utilizamos, e que é particularmente eficiente no manejo do azevém resistente, é deixar as áreas que vão receber o milho do cedo sem cobertura, um ”pousio intencional” do final de março ao final de agosto. Com isso, todas as plantas daninhas presentes na área germinam, ficam visíveis e sem o efeito guarda-chuva da cultura. Além disso, haverá tempo para fazer quantas aplicações forem necessárias usando diferentes mecanismos de ação, com o objetivo de alcançar 100% de controle. Essa estratégia tem custos, o monetário e o de manter a lavoura sem cobertura, mas depois é possível semear o milho, fazer uma aplicação de atrazina e no ano seguinte essa área estará livre de qualquer infestação, principalmente de azevém, mas também de buva e apta para o cultivo de trigo com alto potencial de rendimento.”

Foto 3. Pousio intencional (pré-plantio de milho) como estratégia para expor azevém e buva resistentes. Foto: Arquivo pessoal Marcos Fridrich.

Marcos salienta que o cultivo da soja safrinha conforme ilustra a Figura 4, não é comum no sistema de produção da propriedade, foi uma aposta no ano de 2013, e o resultado depende da região e, principalmente, das condições climáticas, o que nesse ano em específico foi positivo na Faxinal Sul.

Foto 4. O pousio intencional como estratégia adotada na propriedade de Marcos Fridrich com o objetivo de expor o azevém e a buva resistentes: em agosto de 2012 (A); após o controle de plantas daninhas e com o milho se estabelecendo em setembro de 2012 (B.); em maio de 2013 com a soja safrinha pronta para a colheita (C); em Julho de 2013 (D) o trigo estabelecido sem concorrência com azevém. Fotos: Arquivo pessoal Marcos Fridrich.

O nabo forrageiro após o milho é o manejo padrão adotado na propriedade. Para Marcos, um sistema de rotação bem planejado, manter as áreas livres de invasoras e cobertas, favorece a produtividade das culturas. Para ele isso é o que de fato o agricultor precisa considerar.

O princípio

”Também quero falar sobre um princípio, na verdade uma lei que seguimos na condução das nossas lavouras: plantar sempre no limpo. Para ilustrar, falo da experiência que tivemos em uma área destinada ao plantio de girassol. Nela foi feita a dessecação e algumas plantas de buva não morreram com o uso do glifosato + 2,4-D. Fizemos mais uma aplicação, que não estava no planejamento, desta vez com glufosinato, e no momento da colheita a área estava completamente limpa. O princípio que adotamos é semear no limpo para a cultura crescer no limpo e chegarmos até a colheita no limpo”.

Foto 5. Área de aveia rolada com plantas de azevém remanescentes das aplicações de glifosato + 2,4-D e sequencial de graminicida, maio de 2013 (A) e (B). Soja se desenvolvendo no mesmo talhão, livre de plantas daninhas (C). Fotos: Arquivo pessoal Marcos Fridrich.

Durante a palestra Marcos Fridrich reforçou seu pensamento de que a palha é o melhor ”produto” para manejar a resistência. Para ele, o agricultor está sempre em busca de novos produtos, novas moléculas ou uma estratégia diferente de controle químico, mas esquece do básico, como os fundamentos do plantio direto, que foram deixados para trás sendo substituídos por práticas extremamente simplificadas. ”Chegou-se a pensar que não havia nada melhor que a soja transgênica no verão e um azevém guaxo no inverno para ganhar dinheiro com pouco trabalho, mas esse tempo passou”.

Fridrich também reforçou que a cultura do milho é a peça chave no manejo das plantas daninhas resistentes, ”Se pensamos em enfrentar o problema da resistência fazendo monocultura de verão, com certeza as dificuldades serão maiores do que imaginamos”.

O agricultor defende a importância de fazer a semeadura em áreas sem a presença de plantas daninhas para evitar prejuízos. ”Se já é difícil e caro manejar as invasoras antes de plantar, imagine quando as plantas daninhas estão grandes no meio da cultura, o custo e a dificuldade serão maiores ainda”.

Para Marcos, nada do que foi abordado no evento ou mesmo apresentado por ele é novidade e por isso fica a pergunta: porque pouco disso é posto em prática? Para ilustrar a exposição sobre a sua experiência favorável com milho, ele apresentou gráficos que mostram o faturamento da Faxinal Sul depois de pagar os custos diretos da propriedade nas culturas de soja e milho. ”É frequente ouvir que plantar milho é um risco, que é problema, que é prejuízo. Esses são os meus resultados que foram consequências das minhas escolhas de cultivar, de manejo, no uso de insumos, de venda, entre outros. É a soma de erros e acertos que compõe o resultado final. Cada um de vocês pode ter um resultado diferente. Notem que na média dos 17 anos de soja e milho a soja aparece um pouquinho a frente do milho. Isso reforça o que já foi muito discutido, a soja sempre produz mais quando é cultivada em áreas onde havia milho no ano anterior. No caso da nossa propriedade, todos os anos, aproximadamente metade da soja é cultivada em áreas que receberam o milho como cultura antecessora. Para o nosso caso o plantio direto com rotação de culturas é totalmente positivo. Não somente no aspecto agronômico ou filosófico, mas principalmente no econômico. O que fica é a certeza de que não é possível acertar tudo, por melhor que seja o planejamento da propriedade, pois trabalhamos a céu aberto e sofremos influência do clima e também de fatores de mercado que não estão sob nosso controle. O importante é fazer o melhor sempre”, finalizou.

Foto 6. Faturamento da Fazenda Faxinal Sul nas culturas de soja, milho e média geral em 17 anos. Fonte: Marcos Fridrich.

Publicado na Revista Plantio Direto, edição 134.