Helmintosporiose em milho na Argentina
Marcelo Carmona1; Mercedes Scandiani2; Norma Formento3 e Alicia Luque41Fitopatologista, Faculdade de Agronomia, Universidade de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentine-mail: carmonaensayo@gmail.com 2Laboratório Agrícola Rio Paraná, São Pedro, Buenos Aires, Argentina 3Fitopatologista, INTA EEA, Paraná, Argentina4Centro de Referência de Micologia (CEREMIC) Faculdade de Ciências Bioquímicas e Farmacêuticas, Universidade de Rosário, Rosário, Santa Fé, Argentina
Em plantas de milho foram encontradas lesões esporuladas de Exserohilum turcicum (Helminthosporium turcicum) no estádio de Vt-R1, indicando a presença precoce de helmintosporiose e anunciando possíveis ataques importantes neste ano de El Niño, em híbridos susceptíveis. As amostras foram coletadas em Pilar e Rafaela no dia 27/11/2012 (Figuras 1 e 2). As lesões mediram de 7 a 8 cm de comprimento e com a largura média de 1 a 1,5 cm.
Diante do aparecimento precoce desta doença e considerando o ano com maior quantidade de chuvas, instabilidade e horas de molhamento, deve-se ficar atento para o monitoramento e controle, já que se trata de uma doença destrutiva que deve ser controlada de forma rápida e oportuna. A falta de monitoramento e a aplicação tardia de fungicidas podem resultar em danos significativos.
Características da doença
Nome: Helmintosporiose comum
Agente causal: Exserohilum turcicum
A helmintosporiose comum, causada por Exserohilum turcicum, é uma doença importante, presente em todas as regiões em que se cultiva milho no mundo, principalmente em regiões com altas temperaturas e chuvas. Um dos primeiros sintomas consiste no aparecimento de manchas pequenas, ligeiramente ovaladas e aquosas produzidas nas folhas. Estas lesões logo se transformam em zonas necróticas alongadas (Figura 1). Os sintomas aparecem, geralmente, nas folhas inferiores, aproximadamente uma semana depois da infecção, com lesões foliares de forma elíptica e alongadas. O comprimento pode variar de 2,5 a 15,0 cm e apresentam cor predominante cinza, às vezes verde-acinzentado ou marrom. A expressão dos sintomas pode variar, dependendo do genótipo. Em infecções severas, as lesões na folha coalescem, ou seja, aumentam de tamanho formando mancha única de tamanho grande. Assim, levando a morte prematura da folha e da planta. Sob condições de alta umidade (> 90%) e temperaturas ente 20 e 32 °C, o patógeno esporula facilmente sobre as lesões foliares, produzindo massa de esporos de coloração verde-oliva a negro (Figura 2) conferindo um aspecto aveludado a lesão. As espigas das plantas severamente afetadas são menores.
Figura 1. Sintomas de em folha de milho, safra 2012.
Figura 2. Esporulação escura de Exserohilum turcicum.
O ambiente ideal para o estabelecimento do fungo ocorre sob temperatura entre: 20 e 30 °C e no mínimo oito horas contínuas de molhamento. Quanto maior o período de molhamento, mais severa pode ser a doença.
Para o manejo da doença as principais práticas iniciam com a escolha de híbridos resistentes ou de melhor comportamento, seguido da rotação de culturas, do tratamento eficiente de sementes, do monitoramento da doença na lavoura e do uso de fungicidas.
As fontes de inoculo mais importantes são a palha, a semente (Figura 3), as plantas de milho voluntárias. Além de espécies de sorgo, que podem ser fontes de inoculo.
Figura 3. Semente infectada com E. turcicum.
Limiar de dano para aplicação de fungicidas para helmintosporiose
Indica-se a aplicação de fungicidas a base de estrobilurina + triazol, no estádio de oito folhas completamente desenvolvidas (V8) ou mais frequentemente a partir de Vt-R1 (emissão do pendão ou espiga), quando chegar a uma lesão por folha, em média.
Na fase vegetativa, até V8, deve-se avaliar todas as folhas de 10 a 20 plantas escolhidas ao acaso. Quantificar e somar todas as lesões de todas as folhas completamente desenvolvidas, calculando-se a média para obter o número de lesões por folha.
A partir da fase Vt ou R1, deve-se avaliar 3 folhas por planta. A folha da espiga, uma acima e outra abaixo. Em híbridos muito susceptíveis é conveniente avaliar 5 folhas, ou seja a da espiga, duas acima e duas abaixo. Também se indica a avaliação em 10 a 20 plantas, coletadas ao acaso, calculando-se a média de lesões por folha.
As lesões quantificadas devem ser menores que 5 cm de comprimento. (Reis, E. M; comunicação pessoal)
A helmintosporiose é causada um fungo de difícil controle e considerando também o ano de El Niño, o aumento da dose comercial de fungicida (por exemplo, 20%), usada para controle da ferrugem comum do milho, pode ser uma forma de melhorar a eficiência na proteção das plantas, especialmente em híbridos susceptíveis e sob ambiente favorável à doença. O atraso da aplicação pode gerar danos irreversíveis.
A severidade de dano causado pela doença cresce por expansão e coalescência das lesões, e não pelo número de lesões e, portanto, o limiar para a aplicação é muito baixo.
Artigo publicado na Revista Plantio Direto, edição 132, novembro/dezembro de 2012.