Semeadura em Sistema Plantio Direto


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Publicado em: 01/08/2012

Semeadura em Sistema Plantio Direto

Afonso Peche FilhoPesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e do Centro de Engenharia e Automação (CEA), de Jundiaí SP, reponde perguntas sobre semeadura em plantio direto. O pesquisador pode ser contatado pelo endereço: peche@iac.sp.gov.br

1. Quais são os cuidados básicos que o produtor deve ter para a compra e no manuseio de uma semeadora SPD?

Cuidados na compra:

a) adquirir máquina de representante de vendas sólido, com empresa com capacidade de atender demanda de peças e serviços a nível regional.

b) assegurar entrega técnica criteriosa, com data para demonstração do funcionamento, lubrificação (manutenção) e regulagens de todos os componentes para operadores e encarregados. Receber diretrizes para solicitação de peças e serviços e também para utilização passo a passo do manual de instruções.

Cuidados no manuseio:

a) estabelecer critérios de montagem inicial, levando-se em conta os inúmeros detalhes característicos de peças e componentes. Seguir fielmente instruções do manual.

b) estabelecer critérios de desmontagem e remontagem para fins de manutenção. Considerando o desgaste de componentes, principalmente órgãos ativos, parafusos, arruelas, porcas, retentores e protetores de peças articuladas.

c) após montagem de manutenção promover alinhamento funcional entre unidades operacionais (carrinhos) e conjunto de componente.

d) durante o trabalho promover constante avaliação funcional das unidades operacionais (carrinhos) ou de conjunto de componentes.

e) a lubrificação deve ser realizada regularmente devido o desgaste progressivo por fadiga e abrasão.

f) durante o trabalho levar em consideração dificuldades operacionais extremas provocadas por terraços, antigos carreadores e estradas de acesso.

g) cumprir fielmente as recomendações do programa de manutenção proposto pelo fabricante.

h) cumprir fielmente as recomendações do programa de segurança operacional proposto pelo fabricante.

i) promover avaliação de eficiência funcional antes, durante e depois de uma jornada operacional.

2. Qual é a aplicabilidade dos conceitos de eficácia, eficiência e efetividade na operação de semeadura em SPD?

Eficácia: está relacionada com a forma de operar, significa fazer a operação correta, a escolha certa, a adequação certa, uso correto da máquina, a regulagem certa para a ocasião, adequação ou procedimento correto para operar a máquina.

Eficiência: está relacionada com o resultado, significa produzir resultados certos, resultados dentro do padrão, capacidade da máquina operar no tempo previsto cumprindo todas as etapas da jornada de semeadura, sem quebrar, ou parar excessivamente por atividades de manutenção ou de abastecimento.

Efetividade: está relacionada com a funcionabilidade da semeadora, significa procedimentos operacionais focados em fazer a semeadora funcionar bem sempre, ações que agregam valor ao produto final, como é o caso dos arremates de plantio, do alinhamento primoroso das linhas, do plantio focado em propiciar um bom desempenho para as operações subseqüentes (adubação de cobertura, pulverizações, colheita), do plantio sem revolvimento de palha na linha etc.

3. Um dos principais problemas com a operação ou com as máquinas é a manutenção da palha após a semeadura. Por que isso ocorre e como contornar o problema?

Isso ocorre por três motivos bem claros:

a) Erro na regulagem dos componentes frontais da semeadora, ou seja, o disco de corte e o disco ou facão rompedor:

Normalmente quando posicionados em profundidade excessiva (acima de 12 cm) tanto o disco de corte quanto os rompedores mobilizam muito o solo levantando torrões ou excesso de terra. Dessa forma os componentes traseiros vão trabalhar em superfície muito mobilizada

Outro fato é quando a máquina fica inclinada para frente, depositando mais peso nos componentes frontais aumentando o chamado ”efeito de ancoragem” que força e prejudica o desempenho normal dos conjuntos e/ou de seus componentes.

b) Componentes com defeitos ou avariados, muitas vezes o problema tem a ver com algum travamento no giro livre dos discos ou com ponteiras inadequadas e mesmo desgaste do facão rompedor.

c) Velocidade inadequada que imprime um ritmo operacional que diminui a eficiência funcional dos componentes frontais.

Como contornar o problema:

Realizar ajuste de regulagem, posicionando o disco de corte para cortar sempre a palha na menor profundidade possível.

Respeitar a condição de umidade e dessecação da palha, não podemos querer que o disco corte palha muito úmida ou murcha.

Posicionar o facão rompedor de forma a não provocar excesso de mobilização de solo e nem deslocamento da palha.

Buscar uma velocidade de trabalho harmoniosa com o rendimento operacional e a qualidade agronômica.

4. Outro obstáculo para o PD está relacionado ao uso de máquinas em solos argilosos, causando problemas de compactação nas camadas superficiais. Como isso afeta a operação das semeadoras (aderência e embuchamento)?

O problema de compactação superficial em solos argilosos não está relacionado com o PD e nem com máquinas sim com a mineralização intensa causada pelo manejo inadequado. O agricultor despreparado degrada o solo, principalmente no que se refere à diminuição da porosidade física e natural em função da eliminação excessiva de matéria orgânica livre (MOL – raízes, fragmentos de parte aérea) e posteriormente desseca uma ”possível palhada” instala uma lavoura e acredita que está fazendo plantio direto, a partir daí fica procurando uma solução para sua atitude inadequada. As questões relacionadas com compactação seja ela superficial ou em profundidade não existem em áreas de PD que foram implantadas adequadamente e seguem diretrizes focadas na construção de solo produtivo. Nessas condições existem muitas raízes lignificadas e/ou verdes e palha na superfície se decompondo adequadamente promovendo o que chamamos de ”alta compressibilidade do solo” que dissipa toda força de compactação causada pelo tráfego de máquinas eliminando assim qualquer possibilidade de criar camadas de impedimento para infiltração da água ou para desenvolvimento de raízes. Não podemos nos trair por problemas causados pela falta de conhecimento e intransigência do agricultor.

5. De forma geral, as semeadoras apresentam problemas quanto à segurança do operador e regulagens (espaçamento). Qual a recomendação ao produtor sobre estes aspectos?

É sempre bom lembrar quanto à segurança do operador a semeadura mecanizada oferece pouco perigo. As questões ficam mais complicadas quando tratamos da segurança de ajudantes e profissionais ligados ao abastecimento e a manutenção. Os ajudantes operacionais, normalmente chamados de ”badeco” são os mais sofrem com a falta de segurança nas operações de semeadura, pois normalmente são posicionados para trabalhar atrás das máquinas inspecionando componentes em movimento e em muitos casos sem proteção nenhuma. Quando as semeadoras apresentam plataforma de inspeção o perigo continua, mas diminui a probabilidade de acidentes, mas, quando o modelo de semeadora não contempla plataforma o badeco vai ”pendurado” no chassi a probabilidade de acidentes aumenta muito.

A recomendação para o produtor é que ele deva seguir fielmente as instruções quanto à segurança operacional prescritas no manual da máquina e pelo Ministério do Trabalho.

6. De que maneira pode-se harmonizar a operação dos diferentes componentes para alcançar um plantio direto com excelência?

A operação com excelência é obtida quando os operadores entendem que durante a jornada de trabalho ocorrem diferentes formas de desgaste. Cada uma das peças expressa isso de forma diferente, e às vezes interferem diretamente nas condições operacionais de outras. Estas questões passam por uma atitude profissional de observação e diagnóstico sobre quais as condições de funcionamento que o componente tem para prosseguir a jornada sem prejudicar a qualidade do serviço. É fundamental para o sucesso do trabalho sincronizar todos os componentes num mesmo ritmo operacional (”afinar” os componentes), ou seja, é fundamental que o resultado apresentado por um componente atenda as necessidades de funcionamento de outros e assim numa seqüência vão produzindo linhas de semeadura da melhor qualidade do começo ao fim, atendendo as prescrições agronômicas para a cultura.

7. Como observar/atender da melhor maneira a relação máquina/insumos. Como medir a eficiência desta relação?

Toda máquina foi projetada com base em um padrão de qualidade de insumos, e no caso de semeadoras os insumos são o fertilizante, a semente e a graxa de lubrificação.

Na teoria cada um desses insumos deve cumprir uma especificação de classificação para serem utilizados nas semeadoras, mas o que acontece é que na prática nada disso é levado em consideração gerando defeitos na linha de plantio. Para cada um dos insumos temos vários tipos de defeitos. Portanto tem-se a necessidade de um ajuste operacional antes de iniciar o plantio. Seja na velocidade, seja nas relações de transmissão ou nos dosadores de fertilizante ou de sementes.

A eficiência pode ser medida obtendo-se relações como: tempo gasto por tempo previsto, quantidade de acertos ou falhas por metro, quantidade de metros dentro dos padrões agronômicos. Os dados normalmente são determinados em forma de taxas de desempenho, como é o caso de taxa de defeitos por minutos, defeitos por metro, defeitos por linha, defeitos por área, etc.

Artigo publicado na Revista Plantio Direto, edição 130, julho/agosto de 2012.