Os Clubes Amigos da Terra
Edegar da Silva Jornalista e técnico agrícolaIdealizador dos Clubes Amigos da Terra.edegar.dasilva@gmail.com
O plantio direto na palha, depois de experiências na Europa (os primeiros registros apareceram na Inglaterra em 1943, no livro ”Plowman’s Folly” e nos Estados Unidos (em Ohio) só veio para o Brasil nos anos 1970, quando Herbert Bartz (em 1971) iniciou uma lavoura de soja sob plantio direto na Fazenda Rhenânia, em Rolândia (PR). Eu era técnico da ICI Brasil, empresa que encabeçou a idéia do plantio direto no Brasil e depois de acompanhar meus colegas trabalhando por vários anos na tentativa de difundir o plantio direto na palha no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em 1981, examinando os levantamentos que me foram apresentados pelo colega Periguassú Camargo Dias que mostravam um pequeno crescimento da área cultivada sob esta técnica, cheguei à conclusão de que era preciso, além de tentar dar motivação econômica e ambiental, dar início a um grande esforço para uma mudança cultural mais efetiva: precisávamos que os produtores rurais vissem os bons resultados uns dos outros; precisávamos promover a troca de experiências entre os produtores como fator motivador para a efetiva adesão de novos adotantes.
Tive a idéia de criarmos os Clubes Amigos da Terra, idéia logo encampada pelos chefes Getúlio Daniel Orlandini e Brian O’Dwyer que garantiram patrocínio da Divisão Agrícola da ICI. Os levantamentos do Periguassú indicavam que a evolução do plantio direto, da safra 1977/78 até a safra 1980/81 haviam aumentado de 9 para 44 mil hectares, mas na safra 1981/82 caiu para 38.989 hectares. A partir de 1980/81 os números começaram a abranger também o Estado de Santa Catarina e o número de produtores evoluiu de 52 em 77/78 para 398 em 80/81, caindo para 278 em 81/62. A criação dos CATs estabilizou inicialmente o número de produtores que continuaram fazendo suas lavoras se lavrar o solo (com pequenas variações) até a safra 1984/85, tanto em número de produtores adotantes como na área cultivada sob plantio direto na palha. Com o trabalho nos CATs cessou o expressivo número de abandonos da técnica que anulavam a expansão com ingresso de novos adotantes. A partir daí o crescimento foi geométrico e constante.
O que saltava aos olhos eram os números de produtores, alguns com anos de adoção, que abandonavam a técnica por considerarem que não atingiam a médio e longo prazo os resultados esperados. As razões eram quase sempre as mesmas: mau funcionamento das plantadeiras, desacerto com controle de ervas, preocupação com o endurecimento do solo, etc. E como vencer isto? Através da implantação de áreas demonstrativas, que denominamos de Áreas-Pólos para a continuidade dos esforços de difusão em parceria com cooperativas e outras instituições dos agricultores ir criando em rede uma prática que pudesse mobilizar os produtores, promover a troca de experiências de forma a dar conhecimento aos associados dos bons resultados obtidos por aqueles e como vinham tendo sucesso com plantio direto na palha.
Inspiramos-nos nas experiências da região dos Campos Gerais (PR) que haviam criado o Clube da Minhoca (em 1979) e a dos CITEs do Rio Grande do Sul, entidades criadas com o objetivo de promover a troca de experiências entre criadores e que agruparam-se numa federação, a Federacite – Federação dos Cites. Em 1982, com um ano do início da fundação já tínhamos vários clubes criados com sucesso (Carazinho, São Luiz Gonzaga, Giruá, Santo Augusto, Palmeira das Missões e Erechim) o que já permitia avançarmos e dar início a um trabalho que daria visibilidade e unidade aos CATs, os encontros estaduais de clubes, que denominamos ENCAT – Encontro dos Clubes Amigos da Terra. O primeiro foi em Carazinho (1982) e seguimos fazendo a cada ano um novo encontro: 2º. - São Luiz Gonzaga em 1983, 3º. - Passo Fundo em 1984, 4º em Não Me Toque em 1995, 5º. em Santo Augusto em 1986, 6º. em Ijuí em 1988, 7º. em Erechim em 1989, 8º. Santa Rosa em 1989, 9º, em Tapera em 1991, 10º. Em Cruz Alta em 1992, 11º. em Tupanciretã em 1993, 12º. Em Ibirubá, em 1994,......, 16º. – Palmeira das Missões. Hoje existem cerca de 60 entidades e os CATs estão espalhados pelos estados do centro-oeste e nordeste do Brasil.