Sintomas freqüentes em folhas de soja
Os sinais e sintomas que aparecem em folhas de soja causam apreensão e resultam em frequentes demandas para a tomada de decisão em lavouras. As perguntas mais comuns são:
Como diferenciar o sintoma causado por patógeno de outros, causados por efeitos físicos ou químicos?
As doenças estabelecem, quase sempre, a partir da face inferior da folha, onde se localizam os estômatos (respiração). Por isso, os fitopatologistas orientam para que o exame de folhas seja feito a partir da face inferior. Pode-se enrolar a folha sobre o dedo indicador e com a outra mão segurar a lupa para visualizar as características dos sinais para eventual identificação.
Os sintomas de doenças aparecem a partir da face inferior, onde produzem as estruturas reprodutivas. Mas os sinais desenvolvem, sempre, nos dois lados das folhas, sendo uma característica que diferencia de danos físicos ou químicos.
Em geral os sinais causados por patógenos apresentam alo amarelado ou mais claro, caracterizando bacterioses e manchas-foliares. A ferrugem produz urédias (pústulas) com pequena elevação (bolha) na superfície da face inferior da folha. O míldio produz hifas que dão aspecto algodonoso na face inferior da folha e mancha amarela e lisa na face superior (Figura 1).
Figura 1. Sintomas característicos de míldio, com pontos amarelados e lisos na face superior da folha e estruturas reprodutivas com aspecto algodonoso na fase inferior da folha.
As manchas causadas por agroquímicos, em geral são tópicas e iniciam com o sinal apenas no lado em que a folha foi atingida. O tamanho da mancha é definido e não aumenta.
É importante destacar que na mancha causada por patógeno, o consumo de nutrientes e energia da planta está em nutrir o microrganismo, seguido de produção de fenóis e outros elementos de defesa para impedir o crescimento da mancha causada pela doença e, por último, a perda da área foliar para fotossíntese.
O prejuízo causado por mancha de fitotoxicidade é restrita a área foliar perdida. A planta cria rotas paralelas para seiva e não gasta energia para nutrição, nem para defesa. Por isso, não se pode atribuir à mancha de fitotoxicidade o mesmo dano causado por mancha de patógeno.
Como diferenciar fitotoxicidade de triazóis e folha carijó?
O sintoma de folha carijó (Figura 2A) é causado por doenças que impedem a circulação de seiva no caule. Sempre aparece de forma simétrica, no limbo foliar em lados da nervura principal. Também desenvolve nas folhas de toda a planta. Ocorre em plantas isoladas ou manchas na lavoura, de acordo com a infestação do patógeno. A identificação da causa pode ser feita com o corte no caule, que apresentará sinais característicos de patógenos.
As manchas causadas por queima de fungicidas triazóis (Figura 2B) aparecem sob condições especiais de deficiência hídrica na planta, impedindo a metabolização da água oxigenada produzida pelo fungicida no local em que foi aplicado. O sintoma aparece apenas nas partes de folhas cobertas pelo produto. São percebidos nas folhas da parte superior da planta e em partes de folíolos que receberam maior quantidade do produto. Um folíolo ou parte dele pode ter sinais, enquanto outras partes da mesma folha estão com aparência normal (Figura 2).
Figura 2. Folha-carijó (A) causada por doença no caule com efeito sistêmico na folha. Fitotoxicidade de fungicida triazol localizada apenas nos pontos atingidos pelo produto (B).
Qual a causa de folhas enrugadas?
O enrugamento de folhas de soja pode ser causado por desequilíbrios nutricionais, viroses, variações de temperatura ou por agentes ainda desconhecidos. Não há evidencias claras entre causa e efeito. Ocorre esporadicamente e, em algumas lavouras, pode se repetir na mesma mancha ou desaparecer, sem que se consiga definir a causa. Alguns pesquisadores denominam o sintoma de ”falso-vírus”.
Figura 3. Folha de soja enrugada.
O melanismo e o golpe de sol?
O melanismo ou golpe de sol é o bronzeamento da epiderme de folhas, nervuras, pecíolos, legumes e outras partes da planta, causada pela radiação solar (Figura 4).
Há diferenças acentuadas de sensibilidade ao melanismo entre cultivares de soja. Algumas apresentam coloração violeta, avermelhada ou marrom. O sintoma aparece nas partes da planta expostas à radiação solar direta. A parte da planta que permanece na sombra, mantém a cor normal esverdeada (Figura 4).
Figura 4. Melanismo em pedicelo, folíolos e legumes de soja (violeta) e protegido do sol (esverdeado normal).
Outro sintoma característico de melanismo aparece na face inferior (abaxial) da folha, onde estão localizados em torno de 80% dos estômatos, é mais sensível a penetração de fungos e à radiação solar direta. Quando a face inferior é exposta à radiação solar direta aparecem sinais característicos de melanismo nas nervuras (Figura 5), sintoma denominado de ”golpe de sol”. A causa da folha ”virar” está associada a estresse de déficit hídrico, ventos fortes e danos mecânicos causados por equipamentos.
A face superior (adaxial) da folha de soja tem maior teor de ceras e estrutura de absorção da radiação solar e não mostra sintomas de melanismo.
O melanismo apresenta sinal característico, apenas na parte sensível da planta exposta à radiação solar. Não causa injúria profunda nem a morte das células abaixo da epiderme. Ao remover a camada ”bronzeada” com a unha ou lâmina de metal, percebe-se tecido verde normal, caracterizando sanidade.
Figura 5. Melanismo causado pela radiação solar em nervuras da face inferior (abaxial) da soja.
Figura 6. Sintoma de déficit hídrico em folhas de soja.
Como caracterizar sintomas de injúria causada por déficit hídrico?
A parte aérea das plantas mantém a temperatura baixa com a evaporação e perda de umidade no processo de fotossíntese. Sob déficit hídrico, diminui a evapotranspiração, com isso a temperatura da folha eleva, podendo ultrapassar 40ºC, iniciando o processo de morte dos tecidos. Em geral inicia pelas bordas das folhas jovens, mas aparece também no limbo do meio da folha (Figura 6).
O tecido danificado caracteriza-se pela cor de feno e estrutura quebradiça.
*Texto elaborado por Dirceu Gassen e Bernardo Tisot, da área técnica da Cooplantio.
Publicado na Revista Plantio Direto, edição 127, janeiro/fevereiro de 2012.