Lavouras Referência de Manejo


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Publicado em: 01/12/2011

Lavouras referência

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas em 5 de novembro e 20 de novembro de 2011.

Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes das plantas em 5 de novembro e 20 de novembro de 2011.

Observações do período

A lavoura A teve soja e trigo nos anos passados e em 2011 teve aveia-preta e nabo. Foi usado herbicida para controle de plantas de folhas largas, na fase de floração do nabo, sobrando, apenas aveia, que foi colhida em partes da lavoura. A semeadura de soja foi no início de novembro.

A lavoura B teve vegetação espontânea no inverno com a predominância de azevém. Teve aplicação de herbicidas para controle de buva. A cobertura vegetal era desuniforme e se percebia as faixas de maior volume de palha de soja, da colheita de março, há oito meses. A soja foi semeada na segunda quinzena de outubro.

De forma geral, percebe-se exagerada movimentação de solos no sulco de semeadura. O sulco aberto e a formação de torrões ou leivas evidencia a necessidade de melhorar os processos para aproximar da semeadura invisível. Os problemas parecem estar nos equipamentos de corte de palha e do sulcador das semeadoras, combinado com a velocidade de semeadura.

A lavoura C é planejada para rotação de soja com milho no verão. No inverno de 2011 teve aveia e nabo cultivados para adubação verde. O milho foi semeado em setembro com rápido crescimento em novembro, quando chegou a 2 m de altura.

A lavoura D teve trigo semeado no inverno, com alta densidade de sementes (450 a 500/m2). Na dessecação da lavoura C, destinada ao milho teve deriva de mistura de herbicidas glifosato + graminicidas, usados para controle de azevém. Os herbicidas levados pelo vento atingiram o trigo na fase de elongamento, na lavoura D. Nas imagens percebe-se o crescimento reduzido do trigo, onde as plantas atingiram 40 cm de altura e as plantas normais, 70 cm. O rendimento de grãos foi reduzido em torno de 30%. As áreas com plantas normais e de melhor rendimento, produziram 4.320 kg/ha, enquanto, na área com deriva de herbicidas a produção foi de aproximadamente 3.000 kg/ha.

A deriva de herbicidas pode ter acontecido pelo uso de bicos do tipo cone vazio e baixo volume de calda por hectare, com gotas finas.

Tempo

Depois de chuvas intensas nos meses de inverno (junho, julho e agosto), com 821 mm, os meses de primavera (setembro, outubro e novembro) as chuvas foram menores, com 319 mm. Em setembro choveu apenas (47 mm) com tempo ensolarado que permitiu pleno enchimento de grãos de trigo, com qualidade e sanidade. O tempo nesse mês foi muito favorável para a semeadura de milho.

Em outubro as chuvas foram de 192 mm, pouco acima da normal. Em novembro o período de poucas chuvas, com aproximadamente a metade das normal, permitiu a colheita do trigo e a semeadura de soja.

As temperaturas foram normais, com alguns dias frios que outros muito quentes, que afetaram o estabelecimento das culturas semeadas em outubro e novembro.

As preocupações de agricultores estão associadas com as previsões de chuvas abaixo das normais, com riscos de perdas as culturas de verão. Em 2005, quando se registrou a menor produção média de soja, do Rio Grande do Sul (660 kg/ha) as chuvas de fevereiro e início de março foram de 26 mm. A definição mais importante de déficit hídrico em soja e em milho ocorre na fase de enchimento de grãos, um período de três a quatro semanas.

Publicado na Revista Plantio Direto 126, novembro/dezembro de 2011.