Cooplantio: agregando valor com foco no mercado externo
Desde sua fundação em 1990 a Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto – Cooplantio teve como propósito levar ao mercado consumidor uma linha de produtos alimentícios cuja origem fosse os processos de produção sob plantio direto na palha e a adoção de boas práticas agrícolas. Em 2010 nasceu o primeiro produto dessa família, o arroz Direto no Prato.
Para apresentar os resultados da Unidade de Alimentos da Cooplantio, no dia 11 de novembro o Gestor Camilo de Oliveira reuniu a imprensa na sede da Cooperativa em Eldorado do Sul, RS. Camilo apresentou os resultados do trabalho que é desenvolvido há três anos sob seu comando. Ele conduz a Unidade desde sua formação e foi peça chave na criação de marca Direto no Prato, cuja linha de produtos é direcionada ao mercado interno. Nos próximos anos a Cooplantio objetiva consolidar sua participação no mercado externo do arroz, para agregar valor a produção e oferecer estabilidade de preços a seus associados.
Camilo Oliveira, Gestor da Unidade de Alimentos da Cooplantio
”Para 2012 a Cooperativa projeta um aumento na participação no mercado brasileiro com o arroz Direto no Prato e também o lançamento de novos produtos da Cooplantio alimentos. Outro objetivo é iniciar o processo de rastreabilidade e certificação da produção dos associados, tornando seus produtos ainda mais atrativos ao mercado internacional, pois uma das metas da Cooperativa é a consolidação das exportações nos próximos anos”, explica Camilo.
A Cooplantio Alimentos
A Unidade de Alimentos iniciou as atividades em 2009 e no primeiro ano apresentou um faturamento de 20 milhões de reais. No segundo ano foram 71 milhões e, em 2011, registrou-se um faturamento de 170 milhões de reais.
Das 40 filiais Cooplantio distribuídas nos três estados do Sul do Brasil, dezoito estão localizadas nas áreas produtoras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina. São essas filiais que originam a matéria prima da marca Direto no Prato. De acordo com Camilo Oliveira, é o trabalho junto ao agricultor, contemplando o fornecimento de insumos, a assistência técnica, o recebimento, a industrialização e a comercialização, que confere o grande diferencial à Cooplantio.
A Cooperativa possui 1900 agricultores associados na área do arroz, que somam 250 mil hectares cultivados. ”Não industrializamos todo o volume produzido por nossos associados, mas estamos presentes no fornecimento de insumos, na assistência técnica, no recebimento e na comercialização desse grão”.
Atualmente a Cooplantio está envolvida na produção de dois milhões de toneladas de arroz dos associados e agrega valor na comercialização melhorando a rentabilidade dos agricultores. ”O arroz Direto no Prato é um produto com origem controlada, produzido dentro de técnicas sustentáveis, é ambiental e socialmente responsável, com o uso de insumos e assistência técnica de qualidade, e que reflete o trabalho da Cooplantio em toda a cadeia, pois nosso objetivo é oferecer ao consumidor final produtos diferenciados”.
Crescimento estruturado
Em 2009 a Cooplantio assinou Termo de Cooperação com a Cooperativa de Faxinal do Soturno. Através dessa parceria a Cooperativa passou a distribuir o arroz Cobagelã, um produto tradicional com mais de 30 anos de mercado. Em 2010 foi lançado o arroz Direto no Prato, uma linha de produtos que contempla arroz branco, parboilizado e integral. ”Estamos presentes em nove estados brasileiros, nos três estados do sul, na Região Sudeste, Bahia, Pernambuco e Amazonas, atendendo mais de 600 clientes”.
A industrialização da produção de arroz Cooplantio iniciou em 2009 na região de Faxinal do Soturno, uma área de produção formada por pequenos agricultores com lavouras de 15 a 20 hectares. Em 2011, foi inaugurada em Pelotas uma indústria própria com foco na exportação. O investimento da Cooplantio na planta para a industrialização do arroz foi de 30 milhões de reais. ”Esse investimento deu capacidade para a Cooperativa oferecer ao mercado um produto de alta qualidade”. Na unidade de Pelotas é industrializado o arroz branco e parboilizado, produtos com maior procura no mercado internacional. A Cooplantio também usa o trabalho de indústrias parceiras em Cachoeira do Sul, Rosário do Sul e Camaquã, que prestam serviços para a Cooperativa.
Arroz Cooplantio no mundo
Da comercialização do arroz produzido pela Cooplantio no primeiro ano das exportações 8,3% foi direcionado ao mercado externo. No segundo ano 15% e em 2011 foram 61,4% exportados. ”A Cooplantio tem aberto novos mercados e mantido seus clientes, o que é muito importante em termos de estabilidade de preços”, explica Camilo.
Na América do Sul as exportações foram para o Chile. Na América Central e Caribe para o Haiti, que é o segundo maior destino do arroz da Cooplantio, Cuba e Trinidad Tobago. Na Europa a Espanha, Portugal, Itália, Suíça, Rússia, Turquia e Holanda são compradores. A Arábia Saudita também é um dos destinos das exportações da Cooperativa. O Continente Africano é o principal consumidor do arroz brasileiro e também absorve o maior volume exportado pela Cooplantio. Os principais compradores são Nigéria, Gana, Benin, Senegal e África do Sul. ”Ao todo são 17 destinos que em 2011 absorveram 180 mil toneladas exportadas, representando 12,6% das exportações brasileiras (54% de arroz parboilizado, arroz branco 31%, integral 4%, casca 9% e quebrados de arroz em torno de 2%)”, reforça.
A consolidação das exportações é um objetivo da Cooplantio para os próximos anos. ”Pela situação de mercado é importante consolidar a Cooperativa no mercado externo. Isso é fundamental para os associados e para a produção de arroz do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, que sofrem com a concorrência do arroz originado em outros países. O Brasil necessita das exportações para estabilizar o mercado interno e conseguir aumentar os investimentos em produtividade e eficiência, gerando resultados econômicos para os agricultores”.
Um dos entraves para o aumento das exportações é a logística para o transporte, mais precisamente no momento do embarque no Porto, pois o produto que sai a granel para ser ensacado em outros países é deixado em segundo plano, em relação à soja. ”Aqui no Brasil o custo de ensacar o produto inviabiliza qualquer exportação, é uma operação muito cara devido aos encargos com a mão-de-obra necessária, por isso as exportações são feitas a granel” explica Camilo.
”O que o governo pode fazer é criar um programa estruturado que dê suporte às exportações. Um programa que se mantenha por três anos para consolidar nossas posições no exterior sem sobressaltos. A inconstância do Brasil como fornecedor é uma das reclamações no mercado externo, não podemos sair de 1,5 milhões de toneladas para zero. Com um programa de governo que dê suporte as exportações conseguiríamos agregar valor e chegar aos preços dos melhores mercados internacionais e isso, provavelmente, reduziria muito a dependência do governo, o arroz poderia ser como a soja em termos de liquidez. Acredito que esse seria um grande e útil investimento do governo e muito mais barato do que manter estoques”, considera.
Outro ponto destacado por Camilo é o fato de que o Brasil tem boa relação de mercado com a África, mas não possui nenhum tipo de acordo comercial com esse Continente. Ele cita como exemplo as exportações para a Nigéria que são taxadas para entrada no país. ”É uma questão de diplomacia, pois o Brasil já possui uma grande aproximação com os países da África, mas não usa isso de forma comercial, que é uma prática comum para outros países. Atualmente o Brasil aparece nas estatísticas mundiais relacionadas ao mercado do arroz. Isso é fruto de um trabalho, progressivo e persistente, realizado passo a passo desde 2004 e já estamos quase ultrapassando exportadores tradicionais como a Argentina e o Uruguai”.
Outro aspecto que dificulta as exportações, é que o Brasil não consegue segregar o arroz por cultivar e padrão para fazer exportações. De acordo com Camilo essa dificuldade está presente em toda a cadeia produtiva, desde o agricultor até a indústria. ”Talvez por isso o parboilizado brasileiro seja tão bem aceito lá fora, porque o processo homogeneíza a mistura varietal. Infelizmente as exportações brasileiras carecem de constância e de padronização de produto”.
Camilo Oliveira finalizou a reunião considerando que estão ocorrendo mudanças significativas na produção de arroz no Rio Grande do Sul. Ele explica que para o patamar de produção de cinco mil quilos/hectare do passado não havia muita diferença entre o agricultor que plantava bem e o que plantava mal. Hoje, o agricultor precisa ser eficiente porque necessita elevar constantemente o nível de produtividade de sua lavoura e reduzir os custos para conseguir competir. Para ele, aqueles agricultores que não conseguirem se adequar tecnicamente as exigências do mercado e não mantiverem um nível de produtividade alto, tendem a sair da atividade.
Publicado na Revista Plantio Direto, edição 126, novembro/dezembro de 2011.