Manejo Integrado de Doenças na Cultura do Milho no Brasil


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Publicado em: 01/10/2011

Manejo Integrado de Doenças na cultura do milho no Brasil

Diego de Oliveira Carvalho1 e César Oliveira Carvalho2 1Pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG - E-mail: diego@cnpms.embrapa.br2Universidade Federal de Viçosa, MG

Um ecossistema consolidado apresenta-se em equilíbrio dinâmico entre os seus componentes bióticos (seres vivos) e os abióticos (rochas, por exemplo). Quando são analisados os componentes bióticos, constatam-se intrincadas e complexas relações entre as populações ali presentes, demonstrando um alto grau de estabilidade. Essa estabilidade é resultado da pressão de seleção imposta a esses organismos por força de diferentes formas de estresse ao longo do tempo, o que contribuiu para torná-los altamente competitivos e muito bem adaptados, uma vez que foram capazes de se integrar a diferentes populações, com distintas necessidades e, consequentemente, de conseguir encontrar um nicho ecológico para se estabelecer.

A origem das doenças de plantas é bastante complexa. Uma das possíveis explicações faz referência ao desequilíbrio imposto ao substituir um ecossistema em equilíbrio, minimamente alterado por ações antrópicas por um sistema de monocultura. Assim, quando o homem cultiva as plantas e impõe a sua forma de agricultura, beneficia apenas as espécies cultivadas de seu interesse e promove o rompimento deste estado de equilíbrio. A complexa comunidade biológica que ali existia é, então, substituída por uma quantidade reduzida de espécies (monocultura). Este novo sistema criado pelo homem passa, então, a ser chamado de agroecossistema.

No agroecossistema criado passam a convergir e conviver um número bastante simplificado de espécies (plantas, insetos e outros). Esta artificialidade imposta ao ecossistema gera uma série de desequilíbrios e, na busca pela prevalecência, alguns organismos evoluem para a especialização patogênica das espécies cultivadas como forma de sobrevivência, em uma clara tentativa de estabelecer novamente uma condição de equilíbrio e evidenciando, mais uma vez, que na natureza nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma.

De uma forma simplificada, pode-se concluir que assim se estabelecem as doenças de plantas, que, segundo a literatura vigente, podem ser compreendidas como o mau funcionamento das células do tecido hospedeiro, resultado da contínua irritação por um agente patogênico ou fator ambiental. Essa irritação continuada conduz ao aparecimento dos sintomas das doenças, que são mudanças anormais na forma, na fisiologia, na integridade e/ou no comportamento da planta. Estas mudanças podem resultar em dano parcial ou em morte da planta ou de suas partes. As doenças também podem ser consideradas um processo dinâmico, no qual hospedeiro e patógeno, em íntima relação com o ambiente, interagem e se influenciam mutuamente, do que resultam modificações morfológicas e fisiológicas.

A ocorrência de uma doença se dá em função da interação de três fatores básicos: hospedeiro suscetível (planta), patógeno virulento (capaz de causar doença em determinada espécie) e ambiente favorável ao progresso das doenças. Neste sentido, a representação clássica dos fatores que interagem para a ocorrência de doenças em plantas é o triângulo, onde cada vértice representa um desses fatores (agente causal = patógeno; planta suscetível = hospedeiro e ambiente favorável = temperatura, luminosidade e umidade ideais). A interação entre os três fatores é essencial para a o-corrência de doenças em plantas. Entretanto, a severidade das doenças infecciosas poderá ser maior ou menor, dependendo de outros fatores dentro de cada um dos três componentes dos vértices do triângulo.

Os avanços das pesquisas científicas na agricultura têm demonstrado que todos os vértices podem ser influenciados por ações antrópicas, dando origem ao que chamamos de te-traedro de doenças. Um bom exemplo disso é o programa de melhoramento genético de cultivares da Embrapa Milho e Sorgo, que tem conseguido associar aspectos de tolerância/resistência genética à doenças às suas cultivares de milho e de sorgo.

Especificamente no caso do milho, os agentes biológicos de natureza infecciosa são vírus, molicutes, fungos, bactérias e nematóides. Dentre as causas de natureza não infecciosa, podemos destacar as condições desfavoráveis do ambiente (temperatura excessiva-mente baixa ou alta, deficiência ou excesso de umidade, deficiência ou excesso de luz, deficiência de oxigênio, poluição do ar), as deficiências e/ou desequilíbrios nutricionais, entre outros. Atualmente, as principais doenças associadas à cultura do milho são a helmintosporiose ou mancha por Turcicum (Exserohilum turcicum/Helminthosporium turcicum), a mancha-branca (Pantoea ananatis), a ferrugem-comum (Puccinia sorghi), a ferrugem-polissora (Puccinia polysora), a ferrugem-branca ou tropical (Physopella zeae), a cercosporiose (Cercospora zeae maydis), a antracnose foliar (Colletotrichum graminicola), a podridão de colmo por antracnose (Colletotrichum graminicola), as podridões de espiga, os grãos ardidos, os enfezamentos, entre outros.

Helmintosporiose (Helminthosporium turcicum)

Ferrugem-polissora (Puccinia polysora)

O milho, apesar de ser considerado uma planta bastante tolerante à ação de agentes de estresse, seja de natureza abiótica (clima) ou biótica (organismos vivos), ultimamente tem manifestado significativa vulnerabilidade à incidência de patógenos e as doenças têm ganhado maior destaque nas últimas décadas. Desde então, perdas vultuosas na produção de grãos têm sido creditadas às principais doenças associadas à cultura, tendo merecido destaque a alta incidência e a severidade de Cercosporiose na região sudoeste de Goiás no ano de 2000, com estimativa de perdas superiores a 80%. Casos como este têm sido recorrentes e constituem motivo de preocupação para produtores e especialistas no assunto, que atribuem a origem destas epidemias a fatos como a intensificação, a taxas crescentes, da adoção do sistema de plantio direto e irrigação, utilização de cultivares suscetíveis em extensas áreas, não diversificação de cultivares, condições ambientais favoráveis ao progresso de doenças, incrementos bastante significativos nas áreas destinadas ao cultivo de safrinha, cultivos sucessivos (safra e safrinha) sem rotação de culturas, entre outros. Estes e outros fatores associados contribuíram e ainda contribuem para romper a estabilidade do sistema e, consequentemente, para a multi-plicação e a preservação de inóculo de diversos patógenos, submetendo a cultura a condições edafoclimáticas favoráveis ao desenvolvimento de determinadas doenças.

Por esse viés, é possível inferir que mudanças repentinas nas práticas de cultivo, objetivando, puramente, o incremento acentuado de rendimento, aliado ao uso indiscriminado de defensivos agrícolas, podem estar provocando o rompimento do equílibrio natural regulado pela disponibilidade de alimento e pelas relações patógeno-hospedeiro. Este fato implica na necessidade de utilização premente de medidas integradas de controle, visando a manutenção dos agentes bióticos nocivos à cultura em população e intensidade inferiores ao Nível de Dano Econômico (NDE).

O reconhecimento da fragilidade dos agroecossistemas, o emprego de tecnologias apropriadas e energeticamente aceitáveis, bem como o desenvolvimento de atividades agrícolas fundamentadas em princípios científicos, tornam-se fundamentais para a consolidação de uma agricultura racional, lucrativa e sustentável. Neste sentido, encontra cada vez mais relevância o Manejo Integrado de Doenças (MID), que nada mais é do que uma filosofia de controle que procura preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através do uso integrado das mais diversas técnicas de combate possíveis, selecionadas com base em parâmetros econômicos, ecológicos e sociológicos, visando manter os níveis de incidência e de severidade abaixo do nível de dano econômico, minimizando os efeitos deletérios ao meio ambiente. O NDE representa o nível de incidência e de severidade do patógeno capaz de promover um prejuízo (dano econômico) de igual valor ao custo do seu controle.

Diante das crescentes perdas observadas no milho em função da incidência de doenças, várias práticas tem sido sugeridas para o MID associadas à cultura. São elas:

1) escolha de cultivares tolerantes ou resistentes;

2) plantio em época adequada, de modo a evitar que os períodos críticos para a produção coincidam com as condições ambientais mais favoráveis ao progresso das doenças;

3) utilização de sementes de qualidade, tratadas com fungicidas;

4) rotação da lavoura de milho com outras culturas não suscetíveis;

5) manejo adequado da lavoura: adubação equilibrada, população adequada de plantas, controle de insetos-praga e de invasoras e colheita em época correta;

6) controle químico, entre outras. Estas e outras medidas trazem benefício imediato ao produtor por reduzirem o potencial de inóculo em sua lavoura e, principalmente, por contribuir para uma maior estabilidade da resistência genética presente nas cultivares comerciais, bem como por reduzirem a população de agentes fitopatogênicos.

Independentemente da prática escolhida, merece destaque a correta identificação do patógeno, como o primeiro passo para se estabelecer uma estratégia de manejo eficaz da doença. Dentre todas elas, a mais atrativa estratégia de manejo de doenças é a utilização de cultivares geneticamente tolerantes ou resistentes, uma vez que o seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de impacto negativo ao meio ambiente, é perfeitamente compatível com as outras alternativas de controle e é, muitas vezes, suficiente para o controle efetivo da doença. Todavia, em função de algumas peculiaridades representadas, principalmente, pelo grande número de raças fisiológicas características de determinados agentes causais de doenças, tal método torna-se restrito a apenas ao controle de alguns patógenos, sendo importante alertar para o fato de que não existe uma cultivar que seja resistente a todas as doenças e que a duração da resistência genética de cultivares é função da virulência do patógeno e do manejo da cultura. Atualmente, o mercado de sementes de milho disponibiliza um significativo número de cultivares que apresentam algum nível de resistência às principais doenças da cultura.

Para aumentar os níveis de adoção do MID, faz-se necessário adquirir conhecimentos aprofundados sobre o histórico de doenças na área, cultivares tolerantes ou resistentes, diversidade biológica, biologia das populacões presentes, presença de plantas daninhas/hospedeiros secundários e inimigos naturais, fertilidade do solo, disponibilidade de água/período de molhamento foliar, entre outros, o que possibilita o amplo planejamento da atividade e, principalmente, subsidia a tomada de decisão pela melhor estratégia de manejo.

A resistência de plantas às doenças, mesmo sendo geneticamente controlada, pode ser influenciada por fatores ambientais. A nutrição mineral é um aspecto ambiental que pode ser manipulado com relativa facilidade e utilizado como complemento no Manejo Integrado de Doenças (MID). Sabe-se que o estado nutricional de uma planta pode determinar sua maior ou menor predisposição às doenças.

A eficiência de uma adubação equilibrada como medida de manejo da antracnose foliar (Colletotrichum graminicola), uma das principais doenças da cultura do milho no Brasil e no mundo, foi, recentemente, assunto es-tudado pelo Núcleo de Fitossanidade da Embrapa Milho e Sorgo (NFIT).

Os resultados comprovaram que a influência da nutrição mineral sobre a resistência das plantas é relativamente pequena em cultivares altamente suscetíveis ou altamente resistentes, mas bastante significativa em cultivares moderadamente suscetíveis ou moderadamente resistentes, demonstrando que a associação de cultivares com um certo nível de resistência com uma nutrição equilibrada pode contribuir para a maior eficiência no controle da antracnose, em adição a outras estratégias como a rotação de culturas, por exemplo. Nas condições estudadas, o incremento das doses de potássio foi capaz de aumentar o tempo decorrido entre o surgimento dos primeiros sintomas da antracnose foliar e a esporulação/multiplicação do patógeno (C. Graminicola) de 9 para 11,25 dias (21,7%). Em condições de campo, ao retardar a multiplicação do patógeno, espera-se também um menor número de ciclos deste na lavoura e, consequentemente, menor severidade da antracnose foliar.

Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento gradativo da utilização de fungicidas em lavouras comerciais destinadas à produção de grãos. A elevação dos níveis de produtividade em lavouras de milho, atribuída à inclusão das aplicações de fungicidas no sistema de produção, tem sido relatada por parte dos produtores, das cooperativas e das fundações em várias regiões produtoras do Brasil e de outros países. Incrementos acima de 25 a 30 sacos/ha têm sido mencionados e resultados experimentais obtidos por algumas instituições de pesquisa no Brasil e no exterior parecem avalizar os efeitos positivos da aplicação de fungicidas na redução de perdas de produtividade ocasionadas pelo ataque de doenças. Estes resultados têm sido, normalmente, visualizados como incremento de produtividade em relação a áreas não pulverizadas. No entanto, existem também relatos de respostas negativas à aplicação destes defensivos agrícolas.

A instabilidade dos resultados nas pesquisas com a aplicação de fungicidas em milho, por não apresentarem repetibilidade de ganhos quando consideradas variações em fatores como cultivares, pressão de doença, sistema de produção e nível tecnológico empregado, evidenciam a necessidade de se persistir com os estudos no assunto, afinal, tal fato tem conduzido à formação de opiniões diversas sobre a necessidade e a viabilidade da utilização de produtos químicos para o controle de doenças na cultura. Além do mais, em algumas situações, mesmo havendo uma resposta positiva em aumento de produtividade, estes podem não ser suficientes para garantir retorno econômico.

No processo de tomada de decisão sobre a pulverização das lavouras de milho com fungicidas, alguns pontos devem ser considerados. O primeiro deles, e talvez o mais importante, é o reconhecimento criterioso das doenças que predominam na lavoura. Esse ponto assume grande importância, uma vez que influencia a tomada de decisão sobre outros fatores, como a escolha de cultivares para a safra seguinte e de fungicidas a serem aplicados. Nesse aspecto, o monitoramento periódico da lavoura passa a ser de fundamental importância por fornecer informações precisas sobre o estado fitossanitário das plantas. Além disso, uma vez detectada a doença, há de se considerar também o nível de resistência da cultivar plantada e as condições ambientais para a decisão de aplicar ou não o fungicida.

O segundo fator a ser considerado é o nível de resistência apresentado pela cultivar a ser plantada. De modo geral, os maiores benefícios advindos do uso de fungicidas em milho ocorrem nas situações em que coincidem a utilização de cultivares suscetíveis e a forte pressão de doenças. Sendo detectada a necessidade da aplicação de fungicidas, pela análise conjunta dos fatores acima mencionados, o próximo passo é a escolha correta do produto a ser aplicado. Atualmente, existem aproximadamente duas dezenas de produtos químicos, todos à base de triazóis, estrobilurinas e mistu-ras destes, registrados no Ministério da Agricultura (MAPA) para o controle das principais doenças da cultura do milho.

Finalmente, a crescente preocupação mundial com questões relacionadas à segurança alimentar e, por outro lado, o elevado risco de surgimento de populações de patógenos resistentes a esses fungicidas preconizam a necessidade de uma utilização racional e otimizada dessa importante ferramenta de manejo de doenças.

Diante da importância crescente de patógenos como redutores da produtividade das lavouras de milho e da intensificação no uso de produtos químicos/defensivos agrícolas, muitas vezes sem quaisquer critérios, torna-se cada vez mais importante intensificar os trabalhos de transferência de tecnologias com vistas à identificação precisa do patógeno e à diagnose correta da doença como o primeiro passo para o seu manejo eficaz, bem como capacitar os profissionais da extensão rural na proposição de estratégias para o combate de doenças associadas à cultura.

Atenta às demandas inerentes à cultura do milho, a Área de Transferência de Tecnologias da Embrapa Milho e Sorgo, situada em Sete Lagoas-MG, elaborou e executa, desde meados de 2010, um projeto de capacitação de profissionais da extensão rural em diagnose e manejo integrado de doenças na cultura do milho, tendo como locais de atuação os principais estados produtores no Brasil. O projeto prevê a implantação de Unidades de Referência Técnica, realização de diversos cursos de capacitação e dias de campo para a socialização de tecnologias preconizadas e busca parceiros interessados em todo o Brasil com o intuito de capacitar multiplicadores e estabele-cer uma rede de cooperação técnica para minorar os problemas com as doenças na cultura do milho. Os interessados devem contactar a Embrapa Milho e Sorgo.

O que o agricultor deve considerar no controle de doenças em milho

O Manejo Integrado de Doenças é seguramente a melhor alternativa. Tradicionalmente, o manejo das doenças na cultura do milho tem sido realizado através da utilização de cultivares resistentes, associadas a outras práticas tais como a rotação de culturas, rotação de cultivares, plantio em época adequada, manejo racional da irrigação, adubação equilibrada, controle químico, entre outros. Estas medidas, além de trazerem um benefício imediato ao produtor por reduzirem o potencial de inóculo dos patógenos presentes na lavoura, contribuem para uma maior durabilidade e estabilidade da resistência genética presentes nos cultivares comerciais por reduzirem a população de agentes fitopatogênicos.

Especialmente a partir do ano de 2000, grande ênfase tem sido dada ao controle de doenças através da aplicação de fungicidas, embora os resultados ainda sejam inconsistentes até mesmo em condições de pesquisa. Para se estabelecer um programa de manejo eficaz de doenças, alguns critérios devem ser levados em consideração. O primeiro deles e talvez o mais importante é o reconhecimento criterioso das principais doenças que predominam nas lavouras da propriedade e da região. Esta prática é de suma importância, uma vez que influencia a tomada de decisão sobre outros fatores, como a escolha de cultivares e fungicidas a serem utilizados. Neste aspecto, o monitoramento periódico da lavoura passa a ser fundamental por fornecer informações precisas sobre o estado fitossanitário das plantas.

O segundo critério a ser considerado é o nível de resistência apresentado pela cultivar a ser plantada. De modo geral, os maiores benefícios advindos do uso de fungicidas em milho ocorrem nas situações em que coincidem a utilização de cultivares suscetíveis e a forte pressão de doenças. Além disso, informações a respeito do clima, época de plantio, cultura anterior e sistema de plantio devem ser considerados pois influenciam de forma direta o potencial de inóculo dos principais patógenos que atacam o milho.

Em linhas gerais, recomenda-se monitorar a incidência de doenças nas fases que antecedem o pendoamento. Uma vez identificada a incidência e diagnosticada a doença, deve-se verificar o nível de resistência da cultivar para a tomada de decisão entre aplicar ou não fungicidas. Sendo detectada a necessidade da aplicação de fungicidas, pela análise conjunta dos fatores mencionados, o próximo passo é a escolha correta do produto a ser aplicado. Atualmente, existem cerca de 15 produtos, todos a base de triazóis, estrobilurinas e misturas destes, registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) para as principais doenças da cultura do milho. No controle químico, algumas moléculas não apresentam respostas positivas à determinadas doenças, como é o caso, por exemplo, dos triazóis, que, normalmente,não são eficientes no controle da Mancha Branca, ao contrário das estrobilurinas. Por outro lado, existem relatos de respostas negativas à aplicação de fungicidas a base de estrobilurinas, especialmente entre V12 e V14.

Amostragem e NDE

No caso específico das doenças foliares, a primeira folha abaixo da espiga pode ser utilizada como a folha padrão para a avaliação da incidência de doenças e o limite para o progresso das mesmas. Normalmente, em cultivares resistentes os sintomas não ultrapassam a primeira folha abaixo da espiga e, em cultivares suscetíveis, os prejuízos decorrentes da incidência e severidade de doenças se acentuam quando os sintomas são observados em folhas acima da espiga. Além do mais, na maioria das vezes, quando os sintomas ficam restritos ao terço inferior das plantas, não se justifica a aplicação de fungicidas em função da baixa contribuição destas folhas no enchimento de grãos.

Diferenciação do patógeno

De uma forma simplificada, a classificação dos patógenos como biotróficos ou necrotróficos versa sobre as condições que favorecem a sua sobrevivência e influencia na tomada de decisão acerca de estratégias de controle mais acertivas. O sistema de plantio direto reconhecidamente favorece o acúmulo de palhada na área cultivada e esta prática, somada a cultivos sucessivos de milho na ausência de rotação de culturas, favorece a multiplicação de patógenos necrotróficos - que sobrevivem e se multiplicam em restos de cultura - como é o caso de Colletotrichum graminicola (antracnose), Cercospora zeae-maydis (cercosporiose) e Stenocarpella macrospora (Mancha de diplodia). Outros patógenos como Puccinia polysora (ferrugem polysora) e Puccinia sorghi (ferrugem comum) são classificados como biotróficos e necessitam do hospedeiro vivo para a sua multiplicação. Neste último caso, práticas que permitam plantas hospedeiras vivas por períodos prolongados, como é o caso de cultivos sucessivos de milho (safra e safrinha sem rotação de culturas) favorecem a disseminação de doenças associadas a estes patógenos.

Estádios

As doenças foliares são importantes redutores da área foliar fotossinteticamente ativa. Entre R1 e R3 concentra-se o período crítico para planta de milho com relação a perda de área foliar, sendo, portanto, interessante mantê-las protegidas. Nestes estádios de desenvolvimento, a planta de milho tem como prioridade o enchimento de grãos, uma vez que o potencial produtivo já foi definido em estádios anteriores e deste ponto em diante a planta apenas o realizará, o que necessita basicamente da translocação de fotoassimilados que irão conferir peso aos grãos, uma etapa em que as plantas dependem fundamentalmente da sanidade de suas folhas.

Entretanto, a aplicação de fungicidas entre R1 e R3 requer uso de auto-propelido ou equipamentos sofisticados para a pulverização aérea, que nem sempre estão ao alcance da maioria dos produtores. Especialmente àqueles que dependem de pulverizadores terrestres de arrasto, recomenda-se optar por cultivares resistentes às doenças de maior pressão na área, uma vez que, em se fazendo uso de cultivares suscetíveis, pulverizações até V8 podem não ser suficientes para conferir a proteção necessária em função do reduzido período residual dos produtos químicos disponíveis quando comparado com tempo passível de proteção.

Publicado na Revista Plantio Direto 125, setembro/outubro de 2011.