Lavouras Referência de Manejo


Autores:
Publicado em: 01/10/2011

Lavouras referência de manejo

A lavoura A teve aveia e nabo semeado para adubação verde e duas aplicações de herbicidas. A primeira, em agosto, para controle de buva e a segunda, em setembro para dessecação de aveia. A cobertura vegetal de aveia atingiu 105 cm de altura, com folhas secas, causadas por ferrugem manchas foliares.

Na lavoura B registrou-se vegetação espontânea, com predominância de azevém e cobertura desuniforme, e manchas sem plantas. Houve necessidade de doses maiores de herbicidas para controle efetivo de buva e outras plantas daninhas que estabelecem com maior vigor nas áreas em pousio ou sem cultivo de plantas para cobertura vegetal no inverno. A área teve soja semeada em 20 de outubro.

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas em 25 de setembro e 13 de outubro de 2011.

A lavoura C teve milho germinando em 25 de setembro, semeado sobre nabo dessecado e com exagerado revolvimento de solo no sulco de semeadura. Constatou-se a presença de plantas de azevém resistente a glifosato e também a graminicidas. Houve a necessidade de fazer mais uma aplicação de herbicida para controlar das plantas resistentes. O uso de bicos cones com gotas finas resultou em deriva de herbicidas prejudicando o crescimento das plantas de trigo na lavoura vizinha.

Em 25 de setembro a lavoura D apresentava trigo com 30 cm de altura, na fase de emborrachamento. A desuniformidade no tamanho das plantas acentuou-se na avaliação de 13 de outubro. As plantas de trigo apresentavam características de fitotoxicidade de graminicidas, com reduzido crescimento nas bordas da lavoura e faixas ou manchas que chegaram a mais de 200 m da área vizinha, onde foram aplicados os herbicidas para dessecação e semeadura de milho.

Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes das plantas em 25 de setembro e 13 de outubro de 2011.

Milho semeado a 5 cm de profundidade, com 3 cm de folha na superfície, com raízes de até 22 cm de comprimento, evidenciando a importância da qualidade de semeadura para pleno desen-volvimento de plantas.

Trigo na lavoura D, com crescimento reduzido, em faixas e manchas, resultado da deriva de herbicidas pulverizados na lavoura vizinha, para dessecação e semeadura de milho.

Tempo

Nos meses de inverno (junho, julho e agosto) as precipitações foram de 821 mm, 87% maior do que as normais para o mesmo período. A quantidade de chuvas determinou perdas de nitrogênio e pouca luminosidade, com menor desenvolvimento de plantas e tonalidade amarelada nas folhas. Mesmo com a elevada umidade e freqüência de chuvas não se percebeu a explosão de doenças causadas por fungos, nem de mosaico, cujo vetor é um fungo de solo, também beneficiado por encharcamento.

Em setembro de 2011 choveu apenas 47 mm, muito abaixo da normal de 207 mm e em contraste com os 490 mm registrados em 2009. As condições de umidade de solos e as chuvas escassas, mas bem distribuídas, em setembro e início de outubro beneficiaram o enchimento de grãos das culturas de inverno e permitiram adiantar a semeadura de soja.

Revista Plantio Direto, número 125, setembro/outubro de 2011.