Manejo de doenças em trigo: o que nos espera em 2011?
Carlos A. Forcelini1, Camila Ranzi2, Tiago Fernandes2, Amanda Cecchi2,Júlio F. Gomes2, Marina Koenig2, Rafael Roehrig2 e Tiago Melara21Eng.Agr. Ph.D., Professor UPF - forcelini@upf.br2Estudantes de graduação e pós-graduação em Agronomia, UPF
A safra de trigo 2011 já está em andamento e com uma expectativa favorável de rendimento diante das cultivares e tecnologias atualmente disponíveis. Para o trigo, como em todas as outras culturas, há fatores que determinam o potencial de rendimento de grãos como as características da cultivar, o equilíbrio na adubação, a qualidade da semente, a população de plantas e outros que atuam preservando este potencial diante de fatores de perdas, como os causadas por doenças, pragas e plantas daninhas. O manejo de doenças, portanto, não determina, mas é fundamental para que o potencial definido pela cultura seja concretizado.
Figura 1. Principais doenças em trigo.
A dinâmica das doenças numa cultura obedece a vários fatores, entre os quais se destacam três: a característica de resistência/suscetibilidade da cultivar escolhida, as condições ambientais e o manejo utilizado, incluindo a escolha do tratamento. A combinação destes fatores difere de um ano para outro, de forma que toda a safra tem suas características próprias. Nesse texto o objetivo é de estabelecer algumas possibilidades, construir cenários e apresentar sugestões de manejo que possam minimizar os riscos e maximizar a rentabilidade da cultura. Como a cultura já está implantada, o manejo de doenças depende agora 100% da proteção das plantas , por isso a importância de conhecer o controle químico e utilizá-lo corretamente.
Cultivares
A escolha de cultivar de trigo deve considerar muito a sua qualidade para o fim industrial ao qual se destina. Para o ano de 2011, a disponibilidade de sementes produzidas em 2010 (Tabela 1) aponta para uma predominância de Quartzo, redução de Fundacep Raízes, Fundacep 52 e Guamirim, porém um aumento significativo de Mirante, Marfim e Fundacep Horizonte.
Tabela 1. Produção de sementes de trigo no Rio Grande do Sul, safras 2009 e 2010.
A Tabela 2 apresenta os níveis de alerta a doenças para as cinco cultivares com maior disponibilidade de sementes para a safra 2011. Verifica-se que Quartzo é um trigo de produção relativamente segura, dada a sua menor suscetibilidade as principais doenças. Para os cultivares que aumentam de área, o Mirante exige atenção especial à ferrugem, às manchas foliares e à giberela, o Marfim ao oídio e à giberela, enquanto o Horizonte destaca-se por sua elevada suscetibilidade às manchas foliares. Deve-se evitar, ao máximo, estabelecer o Horizonte em área de monocultura de trigo.
Tabela 2. Nível de alerta de cultivares de trigo às principais doenças fúngicas.
Condições ambientais
O início de uma doença é caracterizado por ondas (Figura 2), ditas epidêmicas, cuja intensidade estabelece o ritmo da epidemia para aquela safra. Ondas iniciais fracas indicam epidemias brandas (menos dano e menor necessidade de tratamento), enquanto ondas fortes sinalizam epidemias severas (mais danos e maior necessidade de tratamentos). O comprimento da onda corresponde ao ciclo da doença, que pode ser de 7 a 8 dias, no caso da ferrugem da folha do trigo. A altura é determinada por uma taxa de infecção (R), a qual é produto de dois fatores: o número de esporos (N) que chega até a planta hospedeira no campo e a sua eficiência em estabelecer uma infecção (e).
Figura 2. Representação dos primeiros ciclos de uma doença, na forma de ondas epidêmicas, onde o comprimento da onda corresponde à duração do ciclo (p) e a altura à taxa de infecção (R), que é produto do número de esporos (N) e da sua eficiência de infecção (e).
Se as condições ambientais são favoráveis ao patógeno, a eficiência de infecção (e) dos esporos no início de uma doença é a mais alta possível, por que os tecidos da planta, até então sadios, estão disponíveis para serem infectados e servir de alimento ao fungo. Uma lavoura de trigo, com mais de três milhões de plantas por hectare, com vários perfilhos e folhas em cada uma, com todos os sítios de infecção a serem ocupados, representa um verdadeiro banquete para os esporos que ali chegam. Portanto, quem regula a intensidade da primeira onda e o ritmo da epidemia é o outro elemento da fórmula R = N * e, o número de esporos disponíveis (N). Este é geralmente baixo no início, mas pode aumentar rapidamente sob condições ambientais favoráveis, especialmente a temperatura.
Se as temperaturas nas primeiras semanas após o estabelecimento da cultura são mais altas, então haverá maior formação de esporos por parte do fungo, conduzindo a uma epidemia mais precoce e severa. Se tomarmos como exemplo a região do Planalto Médio gaúcho, onde a semeadura ocorre predominantemente em junho, as temperaturas ocorridas em julho são determinantes. Esse fenômeno foi claramente observado em 2008 (Figura 3), cuja temperatura média foi 15,3 oC, enquanto a normal histórica para o mês é 12,8 oC. Essa maior temperatura, em que pese a ocorrência de apenas 59,8 mm de chuva, determinou o aparecimento da ferrugem já no perfilhamento do trigo, e epidemias bastante severas. Em 2009, aconteceu exatamente o inverso. Mesmo com 222,3 mm de chuva, a baixa temperatura média de 10,4 oC influenciou negativamente o patógeno, sendo o início da ferrugem retardado para setembro, determinando baixa pressão da doença naquela safra. Este comportamento vale também para outras regiões.
Figura 3. Temperatura média, temperatura normal e precipitação pluvial para o mês de julho, de 2007 a 2010, em Passo Fundo-RS. Fonte: Embrapa Trigo.
Portanto, a observação das temperaturas que sucedem à semeadura do trigo ajuda a prever a ocorrência de doenças, especialmente a ferrugem, e assim, planejar o monitoramento e a aplicação de fungicidas.
Em situações de ocorrência precoce de doenças, no perfilhamento, o tratamento de sementes contribui mais para a sanidade da planta. Outra possibilidade de proteger os estádios iniciais da cultura é iniciar o programa de aplicações de fungicida mais cedo, para manejar o inóculo que dá origem às primeiras ondas epidêmicas. Essa questão foi examinada em três experimentos conduzidos na UPF, em 2010, com os cultivares Raízes (em monocultura de trigo) e Mirante (monocultura e rotação com aveia) (Figura 4). Em cada experimento, as aplicações foram iniciadas no perfilhamento (três aplicações) ou na elongação (duas aplicações), sendo, após, repetidas em intervalos semelhantes. A diferença em rendimento a favor da aplicação iniciada no perfilhamento variou de 2,6 sacos/ha (sob rotação) a 3,9 sacos/ha (sob monocultura).
Figura 4. Rendimento de grãos de trigo em função da aplicação de fungicidas a partir do perfilhamento ou elongação. UPF, 2010.
Neste mesmo trabalho, a primeira aplicação no perfilhamento foi realizada com fungicida triazol ou mistura de triazol + estrobilurina (Figura 5). Os resultados foram semelhantes em dois dos três experimentos realizados. Houve diferença no trabalho com Mirante, sob monocultura, no qual o uso da mistura determinou rendimento de grãos maior, em 5,7 sacos/ha.
Figura 5. Rendimento de grãos de trigo em função do tipo de fungicida aplicado no perfilhamento. UPF, 2010.
Manejo da cultura
Outro importante fator que influência a dinâmica das doenças é o manejo da cultura. Uma delas é a adubação nitrogenada em cobertura, essencial para o rendimento do trigo e sua qualidade de grãos. A utilização de maior quantidade de nitrogênio pode favorecer ao aumento de doenças, especialmente aquelas causadas por fungos biotróficos, como a ferrugem da folha e o oídio.
A quantidade de nitrogênio também influencia a resposta da cultura ao controle de doenças. Essa questão foi analisada em dois experimentos conduzidos na UPF, em 2010, com os cultivares Quartzo e Fundacep Raízes (Figura 6). Em ambos, foram utilizados 25 kg N/ha na semeadura. Em cobertura, metade da área recebeu 46 kg N/ha no perfilhamento (estádio 4 de Feeks Large) e outra metade 46 kg N/ha no perfilhamento + 46 kg N/ha na elongação (estádio 6). Os fungicidas foram utilizados em duas aplicações (emborrachamento e floração) ou três (elongação, emborrachamento e floração).
Figura 6. Rendimento de grãos de trigo em função da aplicação de fungicidas e da quantidade de nitrogênio aplicada em cobertura (46 ou 92 kg/ha). UPF, 2010.
Os resultados foram muito semelhantes entre os cultivares. Na média, a resposta a duas aplicações, entre o menor e o maior nível de nitrogênio, variou de 4,6 a 11,4 sacos/ha. Para três aplicações, esses valores foram 7,5 e 17,0 sacos/ha, respectivamente. Apesar do nitrogênio, eventualmente, favorecer a ocorrência de doenças, a sua maior disponibilidade para a cultura potencializa a resposta ao tratamento com fungicidas.
Outro ponto que regula a dinâmica das doenças é o número de aplicações de fungicida ao longo da safra. No comparativo entre duas e três aplicações, melhores resultados tem sido obtidos com três, porém isso varia entre cultivares. Trabalhos realizados pela OR Sementes e Biotrigo em 2010, e apresentados em seu seminário anual de 2011, mostram bem este comportamento (Figura 7). As diferenças em produtividade, entre duas e três aplicações, foram grandes para os cultivares Safira, Campeiro, Ônix e Mirante, porém menores para Marfim, Quartzo e Abalone.
Figura 7. Rendimento de grãos de trigo em função do número de aplicações de fungicida.
A escolha do fungicida
Os dois alvos mais comuns da aplicação de fungicidas em trigo correspondem à ferrugem da folha e às manchas foliares. A ferrugem é causada pelo fungo Puccinia triticina, o qual é um patógeno biotrófico, essencialmente parasita, que não sobrevive em sementes e restos culturais, e que se alimenta e reproduz exclusivamente em tecido vivo. Como todo biotrófico, uma vez no interior dos tecidos da planta hospedeira, forma estruturas especializadas, denominadas haustórios, para retirar os nutrientes diretamente da célula viva. Epidemias da ferrugem da folha dependem totalmente da formação de grande quantidade de esporos e sua conseqüente germinação, processos que são muito influenciados pelo ambiente.
Os fungicidas mais eficazes para o controle de ferrugens, incluída a do trigo, são as estrobilurinas, que agem em dois processos principais: primeiro atuam sobre o esporo já formado, inibindo a formação do tubo germinativo e do apressório (estrutura necessária à fixação do fungo sobre a superfície da planta), assim comprometendo o processo de infecção; segundo, agem internamente, reduzindo a formação de novos esporos. Portanto, cultivares suscetíveis à ferrugem requerem a utilização de fungicidas que contenham estrobilurina na sua composição. Estes tem certa facilidade em controlar a ferrugem por um motivo adicional. Eles se movimentam nos tecidos (sítios de infecção) ainda vivos, onde o patógeno biotrófico está atuando. Portanto, fungo e fungicida se encontram no tempo e no espaço.
As manchas foliares, marrom (Bipolaris sorokiniana) ou amarela (Pyrenophora tritici-repentis), são causadas por fungos necrotróficos, que possuem uma fase como parasita e outra como saprófitas, os quais sobrevivem em sementes e restos culturais, e se alimentam e reproduzem exclusivamente em tecido morto. Estes fungos, uma vez no interior da planta, secretam toxinas que causam o amarelecimento e necrose dos tecidos, originando manchas pequenas, as quais evoluem grandemente, através de um processo denominado expansão de lesão. Este ocorre independente da produção de esporos, sendo diferente ao anterior (ferrugem). A produção de toxinas e a expansão da lesão são processos menos influenciados pelo ambiente, por isso as manchas foliares podem evoluir sob condições adversas à esporulação pelo patógeno. Por estes motivos, as estrobilurinas são menos eficazes no controle de manchas foliares. Outro fator que dificulta o controle das manchas é o fato que o fungo necrotrófico é mais ativo em tecido morto, onde o fungicida é menos funcional (presente ou ativo).
Em estudo conduzido na UPF, em 2010, dez cultivares de trigo foram comparados quanto ao processo de expansão de lesão (Tabela 3 e Figura 8). Em um período de 20 dias de acompanhamento, iniciado logo após o aparecimento dos primeiros sintomas, a lesão aumentou, em média, 14,4 vezes a sua área inicial. Houve grandes diferenças entre os cultivares, sendo a menor variação no Campeiro (4,7 vezes) e a maior no Fundacep Horizonte (37,5 vezes). A expansão de lesão reflete o grau de suscetibilidade do cultivar e a dificuldade de controle da mancha-amarela.
Tabela 3. Área da lesão da mancha-amarela, em cultivares de trigo, após 20 dias de incubação. UPF, 2010.
Figura 8. Lesão da mancha-amarela do trigo indicando a expansão a partir do ponto de infecção.
Outro ponto a ser considerado no manejo é o que se chama de lesão virtual. Esse termo é utilizado para definir o grau de interferência que uma doença exerce no metabolismo de uma planta, o qual é muito maior que a área visível (sintoma). Para doenças como ferrugens, a relação entre lesão virtual/visual é pequena, geralmente 2, ou seja, a área interferida na planta é duas vezes aquela representada pelos sintomas. Para doenças por fungos necrotróficos, aqui incluídas as manchas foliares, esse coeficiente pode ser superior a 10, provavelmente devido à ação das toxinas produzidas pelo patógeno. Comparativamente, para uma mesma porcentagem visível de ferrugem ou mancha foliar, há muito mais dano por esta segunda. Quando se associa esta característica às discutidas anteriormente, logo se percebe que controlar manchas foliares é bem mais difícil que a ferrugem.
O controle de manchas foliares requer a presença de triazóis, isoladamente ou em mistura às estrobilurinas. Experimentos em campo e situações de lavoura tem mostrado que o controle de manchas foliares responde positivamente à adição de mais triazol à mistura (triazol + estrobilurina) utilizada, ou ao aumento de dose da mesma. Esse procedimento é fundamental em cenários favoráveis às manchas foliares: cultivares mais suscetíveis, monocultura de trigo ou ambiente favorável. As tabelas 4 e 5 ilustram esta questão.
Tabela 4. Rendimento de grãos (sacos/ha) de trigo, cultivares Mirante e Quartzo, em função de três aplicações de fungicida, com ou sem suplementação de triazol (propiconazol). UPF, 2009
Tabela 5. Rendimento de grãos (sacos/ha) de trigo, cultivar Quartzo, em função de três aplicações de fungicida, dose normal ou 50% maior. UPF, 2010
A suplementação da mistura (triazol + estrobilurina) com triazol também é opção para o manejo do oídio e da giberela. No caso do primeiro, o triazol mais eficaz para uso em parte aérea (triadimenol) não é mais disponível comercialmente. Outra opção para o oídio é o fungicida fempropimorfe, cuja produção é limitada e não atende à demanda existente. Os demais triazóis possuem ação menor sobre o oídio, o que significa que os mesmos devem ser utilizados preventivamente ou logo ao início dos primeiros sintomas/sinais do oídio, caso contrário a doença será de difícil controle.
Quanto à giberela, doença de difícil controle, a adição de triazol (os mais indicados são metconazol e tebuconazol) pode-se dar junto com a aplicação tradicional no espigamento/floração ou em sequência a esta, com o intervalo de uma semana.
Monitoramento
O monitoramento da lavoura é fundamental ao bom manejo de doenças. Ele inclui acompanhar o estádio da cultura, a presença de doenças e a condição climática. É comum o aparecimento de moléstias a partir do final do perfilhamento e início da elongação da cultura, razão pela qual o programa de tratamentos deve contemplar esta fase.
No monitoramento da doença, deve-se considerar também chamada ”doença futura”. Esta é fruto de infecções que aconteceram nos últimos dias, em função de condições ambientais favoráveis, mas que ainda estão na fase assintomática, ou das infecções que irão acontecer nos dias seguintes, diante do tempo/clima previsto. Há situações em que a doença visível representa pouco mais de 10% do que está presente na planta, o que pode subestimar a sua intensidade e a necessidade de tratamento.
A previsão climática na safra de inverno tem grau de acerto maior que a de verão, e ela é muito útil para o manejo de doenças. Haverá situações em que a cultivar é suscetível, que a cultura já está em fase que a doença pode acontecer, mas que pela ausência de uma condição favorável, o patógeno ainda não se estabeleceu. Se esta condição é prevista para os próximo dias, a melhor decisão a tomar é posicionar a aplicação de fungicidas antes. Quanto tempo antes? Aquele que a logística da propriedade permitir.
Não se deve esquecer que somente uma aplicação preventiva tem o poder de retardar o início de uma epidemia e diminuir sua quantidade inicial. O melhor momento para posicionar uma aplicação preventiva é o mais próximo do possível início da doença. Então o desafio é identificar quando isso pode acontecer. Aqui vão duas sugestões: 1) monitorar o clima, como mencionado antes, e 2) monitorar a doença, aplicando, no máximo, aos primeiros sintomas; dessa forma, para a grande maioria das folhas ainda não infectadas, a aplicação será preventiva. De novo, considere a capacidade de monitoramento, que deve ser assídua, e a de aplicação (equipamento, tamanho da área e condição de ambiente).
Considerações finais
Alguém um dia assim escreveu: espere o melhor, mas prepare-se para o pior. Em toda a situação é bom ser prudente, e isso também se aplica ao manejo de doenças em trigo e outros cereais de inverno. Desejar o melhor significa esperar que as condições climáticas não sejam muito favoráveis às moléstias, que os cultivares não ”quebrem” sua resistência, ou que não haja o aparecimento de problemas novos ao longo da safra. Preparar-se para o pior ressalta a importância de estar adequadamente ciente e planejado quanto à necessidade de controle que cada cultivar e doença demandam, de ter a mão os fungicidas corretos, o pulverizador regulado e preparado, ou seja, de ter uma logística de produto e aplicação adequada a situações eventualmente mais favoráveis às doenças.
Com o aumento de área de cultivares suscetíveis a manchas foliares (Mirante e Horizonte) e oídio (Marfim), ao lado da tradicional ferrugem, é conveniente dispor de fungicidas capazes de atuar eficazmente sobre o conjunto destas moléstias. Nesse sentido, havendo maior pressão de doença, e considerando as misturas de triazol + estrobilurina disponíveis, convém utilizar doses maiores ou, preferivelmente, adicionar mais triazol.
O monitoramento da lavoura continua sendo essencial para a tomada de decisão, e ele deve ser adotado, mas com as devidas precauções discutidas anteriormente.
Publicado na Revista Plantio Direto, edição 123, maio/junho de 2011.