Lavouras Referência de Manejo


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Publicado em: 01/06/2011

Lavouras referência de manejo

Lavoura A (esquerda) com a semeadura de aveia-preta e nabo-forrageiro e lavoura B (direita) com pousio de inverno depois da colheita de soja, em 09 e 28 de maio de 2011.

Lavoura C (esquerda) com a semeadura de nabo-forrageiro depois da colheita de soja e lavoura D (direita) com a dessecação de plantas daninhas depois da colheita de milho, em 09 e 28 de maio 2011.

Observações do período

A lavoura A, após a colheita de soja, teve a semeadura de aveia mesclada com nabo-forrageiro. A lavoura B, apresentou vegetação espontânea caracterizando a prática do pousio durante o inverno. Na lavoura C foi semeado nabo forrageiro e a lavoura D foi dessecada com herbicidas para controle de plantas daninhas depois da colheita do milho.

Nas lavouras A e B, que não tiveram milho no sistema de produção, constatou-se a presença de buva nascida depois da colheita de verão e em estádio avançado de crescimento, isso dificultará o controle com herbicidas a partir da primavera. Registrou-se também, a presença de azevém resistente ao glifosato nas duas áreas. Populações de grilos e corós foram observadas em amostragens de solo e sinalizadas pelas tocas de tatus que habitam as áreas infestadas com as pragas, pois tatus são predadores de insetos de solo . Nessas lavouras as tocas foram fechadas e o solo nivelado com o uso de subsolador em passadas transversais.

Planta de buva nascida depois da colheita de verão e entre aveia e nabo e tocas de tatus rompidas e niveladas com uso de subsolador.

Nas lavouras C e D, que adotam sistemas de rotação de culturas com milho ou soja no verão e nabo-forrageiro, aveia preta, aveia branca ou trigo no inverno, não foi observada a presença de plantas de azevém e buva resistentes. Também não se observou tocas de tatus, devido à ausência ou populações reduzidas de corós e grilos, pois nessas áreas há abundância de palha e a prática contínua da rotação de culturas.

Na borda da estrada da lavoura D foi usado o subsolador para romper a camada superficial de solo nas áreas de abastecimento, compactadas pelo tráfego de colhedoras, caminhões, semeadoras e outras máquinas. Foi feita a medição da profundidade de rompimento das hastes do subsolador, que variou entre 12 e 18 cm, mas a formação de torrões causou a falsa impressão visual de profundidade no rompimento da camada adensada pelo tráfego de máquinas.

No mês de maio as plantas espontâneas de soja RR, que sobreviveram à dessecação estavam infectadas com a ferrugem-da-soja, especialmente nas áreas com topografia mais baixa, mas as geadas registradas no mês de junho mataram as plantas de soja presentes nas áreas.

Ferrugem-da-soja em plantas expontâneas (guachas) em 28 de maio de 2011.

Avaliação de 24 meses

Nessa edição será feita uma avaliação da soma das safras do período de dois anos, desde a cultura de inverno de 2009 até o fim da safra de verão de 2011, nas lavouras A, B, C e D.

A lavoura A teve trigo na primeira safra, com 2820 kg de grãos por hectare (Figura 1), seguido de 3320 kg de soja na colheita de verão de 2010. No inverno de 2010 não houve o cultivo de trigo nessa área, pela projeção de baixos preços, deixando a área em pousio. Na colheita de verão de 2011 a produção de soja foi de 4080 kg por hectare. Na soma de produção de grãos em 24 meses a área obteve 10220 kg de grãos por hectare (Figura 1). A estimativa da soma de biomassa seca, composta pela soma de grãos e pela estimativa do volume de palha e de resíduos culturais, chegou a 18000 kg por hectare (Figura 2).

Figura 1. Produção de grãos de trigo, soja, milho e aveia nas quatro lavouras (A, B, C e D) no período entre julho de 2009 e junho de 2011.

Figura 2. Estimativa de produção de biomassa seca (soma de grãos com palha) no período entre julho de 2009 e junho de 2010 e entre 2010 e 2011.

A lavoura B teve apenas soja como cultura de produção de grãos e pousio (sem cultivo) durante o inverno nos dois anos. A soma das duas colheitas de soja foi de 7710 kg por hectare. A estimativa de produção de biomassa vegetal seca nessa área, nos 24 meses, foi de aproximadamente 13000 kg. A menor produção de biomassa das quatro lavouras avaliadas.

A lavoura C teve nabo-forrageiro no inverno de 2009, seguido de milho com a produção de 11370 kg por hectare, aveia no inverno seguinte com 3600 kg/ha e 4360 kg de soja na colheita do verão de 2011. A soma de produção de grãos chegou a 19330 kg por hectare em 24 meses. A produção estimada de biomassa seca foi 34000 kg/ha.

A lavoura D teve manejo semelhante ao da lavoura C, com 3300 kg de trigo produzidos no inverno de 2009, seguido de 3816 kg de soja, adubação verde com nabo no inverno de 2010 e colheita de 13720 kg de milho no verão de 2011. A soma de grãos produzidos em dois anos foi de 20836 kg/ha. A estimativa de produção de biomassa seca foi de 40000 kg/ha.

Na comparação das quatro lavouras no período de dois anos confirmou-se a importância da rotação de culturas e adubação verde ou cultivo de grãos no inverno para maior produção de grãos e de biomassa vegetal.

As lavouras A e B, com monocultura de soja no verão, produziram a metade dos grãos e da biomassa seca obtida nas lavouras C e D, que tiveram a inclusão da cultura do milho e adubação verde no inverno.

As lavouras C e D, com sistemas planejados de rotação de verão e cobertura vegetal no inverno, além de produzir o dobro de grãos e de palha, podem ser consideradas lavouras com ausência de populações de plantas daninhas resistentes a herbicidas e pragas-de-solo com ameaça de danos.

Tempo

No período de dois anos de observações nas lavouras registrou-se grandes variações nas chuvas, quando relacionadas com a normal (média) de 30 anos. Dos 24 meses avaliados entre julho de 2009 e junho de 2011, dez meses tiveram chuvas muito acima ou abaixo das normais. Alguns meses tiveram chuvas consideradas normais, mas concentradas e três dias, com períodos de mais de duas semanas de estiagem.

As temperaturas médias mensais tiveram menor variação em relação às normais de 30 anos, com exceção de junho, julho e novembro de 2009 e junho de 2011, que se distanciaram das consideradas anormais.

A definição dos rendimentos de grãos de soja teve influência principal da distribuição de chuvas que coincidiram com a fase de enchimento de grãos. Mais do que as características de cultivares ou de sistemas de rotação de culturas, o manejo de solo com o objetivo de melhorar a estrutura física para armazenar água, combinando a adubação verde, a rotação de culturas, a cobertura permanente e a redução de tráfego de máquinas, são práticas necessárias para estabelecer metas contínuas de aumento na produção de grãos.

A relação entre as previsões e a real ocorrência de chuvas para períodos de três meses pode ser considerada insatisfatória nos últimos 24 meses. Isso reforça que, apesar do esforço dos meteorologistas, os modelos de previsão de tempo ainda não permitem total confiança nas previsões para os períodos mais longos que cobrem uma safra de grãos.

Publicado na edição 123 da Revista Plantio Direto, maio/junho de 2011.