Lavouras Referência de Manejo


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Publicado em: 01/04/2011

Lavouras referência de manejo

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas em 10 de março e cobertura do solo depois da colheita de soja em 10 de abril de 2011.

Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes das plantas em 10 de março e cobertura do solo depois da colheita de soja e milho em 10 de abril de 2011.

A lavoura A, com soja precoce, A 4910 RG, produziu 4.080 kg/ha. Na lavoura B, com soja A 6001 RG, a produção foi de 3.630 kg/ha. A população de plantas na lavoura B foi elevada, com a perda de folhas e legumes dos nós inferiores, crescimento exagerado e acamamento. Nas duas áreas a presença de Macrophomina phaseolina e de Phomopsis sojae pode ser constatada em praticamente todos os tocos das plantas de soja. Manchas de reboleira, causadas por Rhizoctonia solanae, apareceram, como nos anos anteriores, nas áreas sem rotação de culturas. O agricultor aplicou calcário nas manchas de reboleira das lavouras A e B, para alterar o pH do solo e criar ambiente desfavorável para a doença.

Nas duas áreas (A e B) constatou-se a distribuição da palha em faixas, que dificultará a semeadura e germinação uniforme das culturas seguintes. Além da mineralização do material orgânico, concentrando nutrientes, equivalente a aproximadamente 200 kg de sais e minerais nessas faixas.

Palha da colheita de soja distribuída em faixas.

Tocos de plantas de soja com Macrophomina e Phomopsis.

Na lavoura C, a colheita de soja, cultivar BMX Apolo RR, foi de 4360 kg/ha. Nessa área constatou-se a presença de plantas de aveia branca, nascida de sementes que sobraram no solo da colheita da safra anterior. Também destacou-se a ausência de plantas daninhas, resultado da adoção da rotação de culturas e adubação verde, no sistema de produção, diferente das práticas de monocultura adotadas nas áreas A e B.

Na lavoura D, o milho teve a produção de 13.720 kg/ha de grãos secos e limpos por hectare. O rendimento poderia ter sido maior, se tivesse melhor distribuição de plantas na semeadura e híbridos mais resistentes à ferrugens e manchas foliares.

As plantas de papuã, milhã, leiteirinho, picão e caruru, na área de milho, foram manejadas com a aplicação de herbicidas depois da colheita.

A presença de tocas de tatus nas lavouras evidencia a presença de corós. Nas amostragens feitas nas áreas A e B, predominava o Cyclocephala, considerado um consumidor de palha, sem expectativa de danos às plantas cultivadas.

Uma prática que poderia melhorar os processos de manejo de plantas daninhas, aumentar a produção de biomassa e melhorar a fertilidade geral do solo das lavouras observadas, é a antecipação da semeadura de culturas para adubação verde. Em áreas vizinhas a sobre-semeadura de azevém e nabo-forrageiro permitiu o estabelecimento das plantas antes da colheita da soja e rápido crescimento posterior, com excelente cobertura vegetal.

Tempo

A quantidade de chuva mensal para as culturas de verão, no período entre janeiro e março pode ser considerada muito boa. A soma das precipitações, nos três meses de 2011 foi 27% acima da normal de 30 anos e 98% acima do mesmo período de 2010 contrariando as previsões de seca para o verão.

Mesmo com as chuvas médias mensais elevadas, no período entre 27 de fevereiro e 25 de março, choveu apenas 12 mm, afetando o enchimento de grãos das cultivares de soja de ciclos médio e tardio.

As condições de clima em janeiro e fevereiro foram de chuvas regulares, ao contrário dos prognósticos de seca para o verão. As primeiras ocorrências de ferrugem asiática da soja atrasaram quase um mês, em relação aos anos anteriores. Durante os períodos de chuva a doença desenvolveu pouco e em março, durante a estiagem, houve maior ocorrência, contrariando as expectativas de baixa severidade em períodos de déficit hídrico.

Publicado na edição 122 da Revista Plantio Direto, março/abril de 2011. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.