Expodireto Cotrijal 2011


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Publicado em: 01/04/2011

Expodireto: um Fórum de debates e vitrine tecnológica do agronegócio gaúcho

A 12ª Expodireto Cotrijal, realizada de 14 a 18 de março deste ano, em Não-Me-Toque/RS, é sempre um destaque no calendário de eventos do setor. A combinação de fatores favoráveis à agricultura, incluindo desde um menor custo de produção no plantio, estoques de grãos reduzidos, e tendência de preços internacionais favoráveis para as principais commodities, trouxe ânimo ao campo e estimulou os negócios durante os cinco dias de evento.

Apesar do número de visitantes ter sido ligeiramente menor em relação à edição de 2010, nessa edição a feira computou um público superior a 160 mil pessoas, os demais indicadores também foram altamente positivos. Os valores registrados em negócios – Instituições Financeiras e Bancos de empresas – chegaram a um bilhão de reais, superando em mais de 90% a edição passada.

Da mesma forma que em outros anos, quando o evento levantou questões relacionadas à legalização do plantio e comercialização da soja transgênica, endividamento dos produtores e seguro agrícola, a feira de 2011 voltou a ser palco de assuntos polêmicos, desta vez com o debate do Código Florestal.

Com a participação de 330 expositores e mais de 50 países, a Expodireto também aprofundou questões técnicas, mostrou tendências e oportunidades para o setor agropecuário através de eventos tradicionais como Fórum Nacional da Soja, Fórum Nacional do Milho, Fórum Estadual do Leite, Seminário de Suinocultura, Fórum da Agricultura Familiar e demais eventos internos, realizados em parceria com outras instituições ou pelos expositores.

Expodireto Cotrijal é uma feira agrodinâmica que tem o foco definido em tecnologia e negócios e se mantém em constante evolução com o objetivo de disponibilizar respostas rápidas, concretas e viáveis aos agricultores, técnicos e empresários que buscam expandir-se na atividade rural.

Desde a primeira edição, a feira vem transformando a região do Planalto Médio gaúcho em um verdadeiro pólo de conhecimento e de capacitação profissional, hoje reconhecido não apenas por quem usufrui diretamente do evento, mas por toda a sociedade que se beneficia com a geração de empregos e renda proporcionados em função do evento durante vários meses do ano.

Casa do Plantio Direto 2011

Há 10 anos a Revista Plantio Direto realiza durante a Expodireto Cotrijal a Casa do Plantio Direto. O objetivo do Projeto, que conta com apoio de empresas e instituições do segmento agrícola, é promover o acesso de agricultores as novas tecnologias e resultados de pesquisa, gerados em instituições públicas, privadas e universidades. Através do programa de palestras e reuniões/debate, a Casa PD envolve na discussão parceiros em toda a cadeia de produção. O conteúdo é concentrado em temas que visam à sustentabilidade da agricultura, estabelece a relação entre a evolução do plantio direto na palha e as tendências mundiais na produção de alimentos, esclarece dúvidas e promove a troca de experiências entre o público e palestrantes.

A edição 2011, que aconteceu de 14 a 18 de março, durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, RS, foi uma realização da Revista Plantio Direto, Fundação Agrisus, Sistema Roundup Ready Plus e Semeato e recebeu mais de 400 pessoas na programação do auditório durante os cinco dias de feira.

O público da Casa do Plantio Direto teve a oportunidade de participar de um rico programa de palestras durante a semana da Expodireto.

Os aspectos do manejo de plantas daninhas resistentes aos herbicidas e as possibilidades e limitações do uso de associações de herbicidas para o controle, foram apresentados pelo professor e pesquisador a Universidade de Passo Fundo, Dr. Mauro Rizzardi (conteúdo dessa edição, ver página 35).

As dúvidas e polêmicas que envolvem a eficiência na aplicação de agroquímicos motivaram o debate apoiado pela Microxisto e que teve como foco a distribuição real das gotas no dossel das plantas, a eficiência com volume de calda, os tipos de ponta e o momento mais adequados para aplicação. Durante a tarde do dia 15 de março o Professor Walter Boller, da UPF, e Manoel Ibrain Lobo Junior, trataram desse tema em reunião-debate coordenada pelo Engenheiro-Agrônomo Bernardo Tisot, da Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto – Cooplantio.

Abordando a conjuntura econômica global e as tendências do mercado de carnes e sua influência no consumo de grãos, o Engenheiro Agrônomo Luiz Ataides Jacobsen, apresentou na manhã do dia 16, formas de analisar e utilizar com eficiência as fontes e dados disponíveis para a tomada de decisão no momento de implantação da lavoura e comercialização da produção.

Na sequência da programação desse dia foram debatidos os limites da produção de grãos em lavouras sob plantio direto. As formas de manejo para altas produções de trigo, milho e soja foram apresentadas e debatidas com o público pelos palestrantes Dr. Sérgio Roberto Dotto, da Embrapa Trigo, Dirceu N. Gassen, Gestor Técnico da Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto e pelo Professor José Antônio Costa, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O debate teve como coordenador o Gerente de Produção da Cotrijal, engenheiro-agrônomo Gelson Melo de Lima

Um dos trabalhos apresentados na Casa do Plantio Direto e contemplado nessa edição (ver página 40) foi a experiência gaúcha com tráfego controlado. A pesquisa desenvolvida pelo Projeto Aquarius, sob a coordenação do Professor Telmo Amado, foi apresentada por Paulo Alba, que trabalha o assunto em parte de sua dissertação de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UFSM.

Alba apresentou na Casa PD os princípios, vantagens e resultados preliminares do primeiro ano de trabalhos com tráfego controlado no Rio Grande do Sul, com destaque para o efeito da pressão de pneus no desenvolvimento radicular, paralelismo de linhas e rendimento das culturas.

A aplicação de nutrientes e fertilidade do solo também fizeram parte da programação da Casa do Plantio Direto 2011. Os princípios e lógica da disponibilidade e reações químicas de fertilizantes sob três condições de solo e três formas de aplicação foram à base da discussão: solo arenoso versus argiloso, solos com baixa, média e alta fertilidade e a relação com a forma de aplicação: no sulco de semeadura, a lanço (superfície do solo) e adubação no sistema. As apresentações foram dos Professores/pesquisadores da Universidade de Passo Fundo, Pedro Escosteguy e Walter Boller, sob a coordenação do engenheiro-agrônomo Décio Fernando Neuls, da Vértice Agricultura de Precisão de Carazinho, RS, que também fez o encerramento da programação técnica da Casa do Plantio Direto na manhã do dia 18, apresentando o tema ”o desafio dos altos rendimentos: teoria e prática”.

Visita de agricultores da No-till on the Plains

A Casa do Plantio Direto recebeu a visita de agricultores e pesquisadores dos Estados Unidos, durante a Expodireto 2011. A excursão foi organizada pela Associação de Plantio Direto das Planícies de Kansas – No-till on the Plains (www.notill.org).

Essa foi a segunda excursão organizada para visita ao Brasil. Nesse ano participaram nove pessoas que, sob a coordenação de Rolf Derpsch, visitaram o Rio de Janeiro, o Mato Grosso, o Paraná e o Rio Grande do Sul (Expodireto Cotrijal).

A visita ao Rio Grande do Sul foi organizada pela Casa do Plantio Direto, envolvendo a visita aos estandes de máquinas, agricultura de precisão e projeto Aquarius, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria, na Expodireto, além das lavouras do engenheiro-agrônomo Paulo Vargas e da Sementes e Cabanha Tombini, em Carazinho.

O grupo da No-till on the Plains que visitaram agricultores gaúchos em março de 2011, ficou surpreso com as produções de soja nas lavouras da região.

Entre os visitantes estavam Brian Lindley, diretor executivo da No-till on the Plains; Jana Lindley, coordenadora de programas de plantio direto da NTOP; Dr. Ray Ward, especialista em solos e diretor do Ward Laboratories Inc. Kerney, Nebraska (www.wardlab.com); professor Paul Jasa, da Universidade de Nebraska em Lincoln; Charles Swaze, diretor de uma grande Cooperativa de Halstead, Kansas e agricultores de Kansas, no meio oeste dos Estados Unidos.

Os visitantes ficara impressionados com a beleza e a apresentação geral da Expodireto. Também manifestaram satisfação por encontrar um espaço como a Casa do Plantio Direto, que destaca a importância do plantio direto na palha, sendo uma referência para os agricultores que visitam a feira, além de ser o local de encontro e debate de assuntos relacionados à evolução da agricultura. Na Casa do Plantio Direto os estadunidenses foram recebidos por agricultores brasileiros e participaram de palestras e debates sobre a evolução do plantio direto e da agricultura no Brasil. O Dr. Telmo Amado, da Universidade Federal de Santa Maria e Dr. Jackson Fiorin, da Fundacep Tecnologia, apresentaram ao grupo os resultados de pesquisa de longa duração sob plantio direto no Rio Grande do Sul.

O engenheiro-agrônomo Dirceu Gassen abordou aspectos das mudanças no perfil de produção de grãos, com a adoção do plantio direto, principalmente, a partir da década de 1990. Destacou a evolução nas produções de soja com a eficiência de manejo das cultivares adaptadas para os sistemas de produção do Sul do Brasil.

Um dos aspectos que surpreendeu os visitantes foi a percepção de que o plantio direto é uma prática convencional para a agricultura da região e que as novas gerações de agricultores e assistentes técnicos não conheceram o uso do arado e das práticas de construção de terraços.

O professor e pesquisador Paul Jasa integrante do grupo no-till, é reconhecido como especialista em plantio direto, agricultura de precisão e equipamentos de monitoramento de semeadura e colheita. Ele desenvolve trabalhos de pesquisa com semeadoras para plantio direto há 31 anos e é requisitado para palestras em todos os continentes, por isso ele tomou a iniciativa de vir ao Brasil e conhecer o desenvolvimento de máquinas e da agricultura no país. Na Expodireto observou com interesse a exposição de máquinas e participou com muita atenção das demonstrações práticas de campo.

Nas observações das semeadoras e outras máquinas da Expodireto e também na visita à agricultores, o professor Jasa considerou que existem tecnologias muito mais avançadas na automatização e controle de distribuição de sementes e fertilizantes, que podem ser incorporadas às máquinas brasileiras. Sobre as ferramentas de preparação do sulco de semeadura, criticou o uso de sulcadores e defendeu o sistema de discos, que seriam muito mais eficientes no posicionamento de sementes e na manutenção da palha na superfície do solo.

Tomando como base as visitas em lavouras do Paraná e, especialmente nos cerrados, ele considerou que o revolvimento exagerado de solo no sulco de semeadura é um dos aspectos que pode ser melhorado no plantio direto brasileiro. Também a pouca quantidade de palha surpreendeu o professor Jasa. Na avaliação geral da viagem, ele considerou que o melhor plantio direto foi encontrado no Rio Grande do Sul.

O pesquisador Ray Ward, participou ativamente dos debates e das discussões com pesquisadores e produtores brasileiros. Nas lavouras visitadas em Carazinho, RS, cavou perfil de solos e discutiu vários aspectos relacionados com amostragem, interpretação e análise, e o desenvolvimento de raízes. Apresentou vários argumentos relacionados com a necessidade de amostragem e análise de solos em camadas mais profundas, até 40 cm. Considerou que o desenvolvimento de raízes da soja no Brasil parece ser muito superficial. As discussões foram analisadas levando em conta as diferenças de solos arenosos e clima frio no inverno com pouca chuva no verão, dos Estados Unidos, comparados com os solos argilosos, clima subtropical e muita chuva do Sul do Brasil.

O diretor executivo da No-till on the Plains, Brian Lindley, considerou a visita e o intercâmbio com os segmentos da agricultura brasileira muito enriquecedores. Ele coordena o maior evento de plantio direto dos Estados Unidos, com a participação de 1.800 agricultores. O evento ocorre anualmente, na última semana de janeiro, no período de inverno, com temperaturas negativas, o que favorece a participação dos agricultores. Nesse período eles não desenvolvem atividades à campo, dedicando o tempo livre para reciclagem de conhecimento.

O grupo ficou impressionado com as produções de soja nas lavouras da região, com o desenvolvimento da economia e com a rica cultura do povo brasileiro, de forma geral. Por outro lado, foi surpresa a predominância da monocultura da soja e as áreas reduzidas de culturas alternativas para o verão. Uma situação observada em todas as regiões visitadas.

A continuidade do intercâmbio entre a Casa do Plantio Direto e o grupo do No-till on the Plains foi considerado importante para os próximos anos, com o incentivo da participação de brasileiros no evento de plantio direto nos Estados Unidos e de representantes norte-americacanos nos eventos que acorrem em nosso país.

Publicado na Revista Plantio Direto 122, março/abril de 2011. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.