Produção Lavoura


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Publicado em: 01/12/2010

Produção lavoura-pecuária-floresta em unidade de agricultura familiar sob três condições iniciais de investimento econômico: primeiro ano de resultados

Waldo Alejandro Ruben Lara CabezasDoutor, Pesquisador da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, Agencia Paulista da Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Polo Regional Noroeste Paulista. E-mail: waldolar@apta.sp.gov.br Apresentado no 16th International Soil Conservation Organization Congress. 08-12 November 2010, Santiago – Chile. Universidad Mayor.

Introdução

A produção agropecuária do Noroeste Paulista (SP) está focada principalmente na produção de carne e leite sobre pastagens com diverso grau de degradação, em sistema de arrendamento. A entrada acelerada do cultivo da cana-de-açúcar nos últimos anos ganha terreno na medida em que encontra o produtor descapitalizado, com escassas opções de produção, em solos de exígua fertilidade, numa condição climática restrita a quatro meses de pluviosidade regular. Não tem sido dada maior atenção às práticas de manejo de solos que incentivem sua conservação e melhoria de fertilidade para sair do círculo de pobreza: solo pouco fértil gerando exígua produção e renda negativa. Nesta condição, somado à pressão do monocultivo, o desequilíbrio econômico e ambiental se instalam, com as consequências já conhecidas e vivenciadas com a cultura do algodoeiro na região. Urge a procura de soluções visando à diversificação da renda escalonada ao longo do ano e a adoção de sistemas de produção conservacionistas com apoio da pesquisa e a extensão. Deve haver uma transformação da produção convencional na unidade familiar de produção em tecnológica, sustentável, rastreável e certificável, com a participação de diversas instituições da sociedade civil organizada. Com base no sistema plantio direto (SPD) em unidade de agricultura familiar foi implantado o sistema integrado de produção Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) na safra 2009/2010 com apoio do Programa de Produção Integrada de Sistemas Agropecuários em Microbacias Hidrográficas-PISA, em parceria público-privada, para promover o desenvolvimento agropecuário sustentável no âmbito da microbacia hidrográfica, como unidade básica de planejamento, para avaliar-se a produção técnica e econômica da rotação de culturas anuais em simultâneo com a produção de floresta econômica (eucalipto) pelo menos durante três safras consecutivas sob três condições iniciais de investimento econômico: a) com correção química e física inicial do solo (alta tecnologia), b) com correção gradativa de solo (tecnologia intermediaria) e c) sem correção (como realizada pelo produtor). Ao final da terceira safra está programado efetuar-se a avaliação ambiental do sistema utilizando-se a ferramenta análise emergética.

Material e Métodos

O trabalho está sendo desenvolvido na propriedade São Luiz localizada no km 509, rodovia Péricles Bellini, sentido Cosmorama, município de Votuporanga (SP), em 10 ha cedidos pela proprietária, com cobertura de pastagem degradada sem atividade agrícola há 15 anos. A amostragem composta do Argissolo (100 g kg-1 de argila) das camadas 0 a 20 cm foi realizada a partir de 15 amostras simples em 21/01/2009 apresentando os seguintes valores médios: pH (CaCl2) 4,5, 5 mg dm-3 de P (resina), 1,9, 9 e 4 mmolc dm-3 e 2 mg dm-3 de K, Ca, Mg e S-sulfato, respectivamente, 17,0 g kg-1 de MO e 39,9 mmolc dm-3 de CTC. A análise de penetrometria realizada em março de 2010 em dez pontos ao acaso até os 60 cm de profundidade mostrou compactação de solo na profundidade de 15 a 20 cm com valores acima de 2,0 MPa.

Em toda a área em 02/07/2009 foi realizada a recuperação dos terraços com uma altura média até o ápice de 1,40 m e a destruição mecânica e química dos focos de cupinzeiros e formigueiros (12/10/2009).

Foi introduzida a ILPF na safra 2009/2010 em 19/01/2010, semeando-se milho consorciado com Brachiaria Brizantha cv. Marandu, entre os terraços, sendo utilizados materiais transgênicos DKB-390 (Monsanto) e Impacto (Syngenta) na dose projetada de cinco sementes por metro linear e espaçamento de 0,8 m entre linhas. O atraso na época de semeadura foi devido à demora na aquisição dos fertilizantes, doação feita pela Bunge Fertilizantes através de contrato. De cada material foi semeado o homologo convencional em 10% da área ocupada, com sementes tratadas na origem com inseticida e fungicida. No dia seguinte foi semeada a brachiaria numa única fileira na entrelinha das fileiras de milho, em dose de 10 kg ha-1 de sementes com 10 % em peso de superfosfato triplo com a finalidade de enchimento facilitando sua distribuição no sulco de semeadura. A plantação de eucalipto (variedades E. citriodora e E. urograndis) foi realizada em 08/01/2010 no ápice dos terraços para uma população de 287 plantas ha-1, espaçadas de 2,5 m. A área foi dividida em três glebas denominadas A (correção química e física), B (correção gradativa química) e C (correção mínima) com superfícies efetivas respectivas de 3,44, 3,17 e 2,92 ha em delineamento inteiramente casualizado, sendo detalhadas as práticas corretivas na Tabela 1.

Tabela 1. Tratamentos de manejo realizados nas glebas da unidade San Luiz entre outubro de 2009 e janeiro de 2010 – Votuporanga (SP).

Nas glebas A e B foi efetuada adubação de base no milho no consorcio milho-brachiaria com 450 kg ha-1 de 06:19:10 com 6,3% Ca + 6,6% S + 2,2% Mg + 0,1% B + 0,1% Cu + 0,15% Mn + 0,3% Zn. Na gleba C foram aplicados 350 kg ha-1 de 8:28:16 + 0,3% Zn, como efetuado pelo produtor. No estádio de 3 a 4 folhas foram aplicados 345 kg ha-1 de 20:05:20 com 4,5% S + 0,1% B + 0,05% Cu + 0,3% Zn na gleba A e 215 kg ha-1 de 30:00:20 nas glebas B e C. Posteriormente no estádio de 5 a 6 folhas, foi feita aplicação de 200 kg ha-1 de sulfato de amônio nas três glebas. Para o eucalipto, na base foram aplicados 0,4 kg por cova de 04:20:05 sendo distribuídos e incorporados 0,1 kg em quatro pontos equidistantes da planta. Em 07/04/2010 foi feita aplicação de 10 g planta-1 de Borogram 10% B.

No estádio de pleno florescimento do milho (62 dias após a semeadura), foi efetuada amostragem foliar da folha oposta inferior à espiga, em número de trinta folhas, como preconizado por Malavolta et al. (1997), por amostra simples. Seis amostras simples foram retiradas de cada gleba para compor uma amostra e efetuar-se posterior determinação da concentração de nutrientes. À colheita do milho (31/05/2010), foram retiradas manualmente espigas limpas de duas linhas de plantas e cinco metros lineares, sendo quatro repetições para cada tratamento corretivo. Nas espigas debulhadas foi determinada a umidade de grão e efetuada a correção para 130 g kg-1. Foram contadas as plantas com espigas para determinar a população efetiva de plantas viáveis à colheita. Foi realizada avaliação econômica da produção de grãos segundo metodologia assinalada por Matsunaga et al. (1976). Nessa oportunidade foi efetuada amostragem da massa verde e seca da pastagem desenvolvida em consorcio pelo método do quadrante (0,5 m x 0,5 m), com dez repetições para cada tratamento corretivo. As amostras foram secas em estufa com ar forçado a 65 oC até peso constante. Posterior à colheita foi efetuada nova amostragem de solo em cada gleba para avaliar-se o efeito do manejo corretivo realizado. Foi efetuada simulação de pastejo e cálculo de ganho de peso de animais de recria, de acordo a produção de massa seca e a valorização das arrobas produzidas. Em 09/08/2010 foi efetuada a roçada do capim, o qual não foi utilizado para pastejo animal em vista da incipiente fase de crescimento do eucalipto. Em 08/12/2010 foi novamente avaliada a produção de massa verde e seca da forrageira como descrito anteriormente e sua altura, após a chegada as amostras ao laboratório com fita métrica e a medida de altura das variedades de eucalipto com ajuda de regra de alarife em 15 arvores de cada espécie nas três unidades de manejo. As condições climáticas (pluviosidade e temperatura) foram registradas durante o ciclo completo das culturas. A comparação dos tratamentos foi realizada por análise de variância e as médias comparadas pelo teste de t (Student) ao nível de 0,05.

Resultados e Discussão

Condições climáticas e diagnose foliar

No ciclo do milho houve pluviosidade acumulada de 390,9 mm, com temperaturas médias máximas e mínimas de 30,8 oC e 18,6 oC. Houve veranicos no estádio de florescimento e enchimento de grãos. A cultura requer ao menos 412 mm (Coelho et al., 2006) o que deve ter afetado a produtividade de grãos. Por sua vez, Fancelli & Dourado (2000) assinalam que dois dias de estresse hídrico no período de florescimento diminuem o rendimento de 15 a mais de 20%, aumentado o período para 4 a 8 dias as perdas aumentam para 50%. Ainda o atraso na disponibilidade dos fertilizantes, adiou consequentemente a semeadura, entrando em época de safrinha (janeiro 2010). Na região, a época normal para a semeadura na safra é novembro.

Em vista que o objetivo do trabalho não foi comparar resultados entre híbridos e sendo similares os resultados de avaliação foliar em ambos, foi considerada a comparação entre os sistemas de manejo somente. A avaliação foliar na gleba C (Tabela 2) mostrou clara deficiência de Ca, Mg e Cu em relação às outras glebas. O B foi mais deficitário nas glebas B e C em relação à gleba A. Entretanto, esse nutriente apresentou severa deficiência nas três glebas em relação ao intervalo adequado (17 a 30 mg kg-1). Com o Zn ocorreu também severa deficiência nas três glebas, comparado com o teor adequado (30 a 100 mg kg-1). O N e o P apresentaram teores no limite inferior de suficiência. Os cuidados tidos com a aplicação de S tanto pela aplicação de gesso (glebas A e B) como de sulfato de amônio nas três glebas, se refletiram no teor foliar adequado na cultura de milho. Este indicador somado à época tardia de semeadura são fatores negativos que afetaram a produtividade de grãos. Considerando a situação inicial da área esses resultados seriam esperados, em vista que a fertilidade de solo se constrói gradativamente e não simplesmente por uma atividade isolada de manejo.

Tabela 2. Concentração foliar de nutrientes na cultura de milho sob três condições de manejo corretivo do solo na unidade São Luiz. Safra 2009/2010. Votuporanga (SP).

A figura 1 mostra o contraste visual de desenvolvimento vegetativo das plantas na época da amostragem foliar e se visualiza os terraços com o plantio de eucalipto. Na figura 2, a senescência das folias baixeiras do milho na gleba C, em relação à gleba A.

Figura 1. Desenvolvimento vegetativo do milho na gleba A (esquerda) e na gleba C (direita) na época de amostragem para avaliação foliar de nutrientes. Sítio São Luiz, Votuporanga (SP).

A falta de nutrientes disponíveis para o milho obriga à planta ao deslocamento dos nutrientes móveis (N, K, P, S e Mg) para a parte aérea superior visando suprir seus requerimentos.

Figura 2. Detalhe de necrose foliar de folhas baixeiras de milho na gleba C.

Produtividade de grãos de milho e população de plantas

A produtividade média foi de 3.793 kg ha-1 de grãos nas três glebas, sendo significativa à da gleba B. Esse valor tipifica a produtividade para condição de safrinha (Figura 3). Somado ao fator climático e deficiência nutricional mostrada pela avaliação foliar, deve-se considerar a competição provocada pela brachiaria consorciada, a qual foi mais expressiva na gleba A (Figura 4). Deveria ter sido feita aplicação de subdose de herbicida para controlar o crescimento do capim e amenizar a competição com o milho. Deve ser salientado também que o desenvolvimento da forrageira indicado na figura 5 afetou a qualidade da colheita das espigas com maquinário, devido ao embuchamento da plataforma (Figura 6), sendo detectado um grande número de espigas no campo após a colheita de grãos (Figura 7).

Figura 3. Produtividade de grãos nos sistemas corretivo total (A), gradativo (B) e de correção mínima (C) no Sítio São Luiz, safra2009/2010,Votuporanga (SP).

Na colheita, a população de plantas foi respectivamente para as glebas A, B e C de 47.396, 54.896 e 52.188 plantas ha-1. A menor população efetiva de plantas na gleba A está indicando indiretamente que a competição com a pastagem, contribuiu à menor produtividade. Sendo similar a população das glebas B e C e não havendo competição com a pastagem como mostrado a seguir, a produtividade tanto de grãos como do desenvolvimento da forrageira nessas glebas ficou limitada pela condição de fertilidade de solo e pela compactação de solo, fazendo mais crítica a falta de água na época dos veranicos.

Figura 4. Pastagem competindo por luz e nutrientes na entrelinha de milho na gleba A, na época da avaliação foliar.

Figura 5. Adensamento da forrageira na época da colheita de milho.

Figura 6. Embuchamento da plataforma de colheita de milho em consequencia da quantidade da forrageira desenvolvida.

Figura 7. Espigas não colhidas pelo maquinário devido ao crescimento da forrageira.

A produção de massa verde e seca da pastagem na gleba A mostram que a correção química e física realizada foram benéficas para seu desenvolvimento em solo descompactado e corrigido, absorvendo muito provavelmente parte do adubo da base e aplicado em cobertura para o milho (Figura 8).

Figura 8. Produção de massa verde e seca da Brachiaria cv. Marandu à época de colheita de milho. Unidade São Luiz, safra 2009/2010, Votuporanga (SP).

Avaliação economica da produção de grãos e engorda de gado segundo a simulação

O balanço custo/benefício do milho para cada gleba se mostra na tabela 3. Não foi atualizada a cotação do dolar para não afetar a relação com o valor da saca de milho que nessa época foi vendida a R$ 14,50 cada. Na gleba A os maiores custos foram nas operações (hora máquina, hora homem e combustível), insumos, incluindo-se a maior utilização de corretivos e o frete de corretivos que foram obtidos fora da praça (fertilizantes, calcário e gesso agrícola). Nesta gleba deveriam ter sido produzidas 173,10 sacas ha-1 (10.386 kg ha-1 de grãos) para nivelar os custos o qual seria impossivel em função das limitações de clima, solo e manejo já mencionadas. A tabela 3 também esta indicando que a pesar de menores custos nas glebas B e C a renda líquida foi negativa. Certo é que o preço da saca na época contribuiu ao balanço negativo da produção de grãos. Isto é uma realidade na região, o que se reflete na dificuldade que tem o produtor regional na produção de grãos com bastante frequência. Este resultado mostra a importância de gerenciar a unidade de produção de forma diversificada, utilizando-se do consórcio e a rotação de culturas de forma continua para compensar o alto risco derivado cultura focada no monocultivo. É comum na região ainda a gestão do monocultivo, com pousio no inverno, muitas vezes em solo sem movimentação o que é errôneamente denominado plantio direto.

Tabela 3. Custo operacional efetivo (COE) e total (COT), receita bruta (RB), receita líquida (RL), margem bruta (MB) e ponto de nivelamento (PN) da produção de milho por hectare de cada unidade de manejo corretivo. Unidade São Luiz, safra 2009/2010, Votuporanga (SP).

Na tabela 4 se mostras os cálculos de renda bruta e COTs para a gleba A e a médias das glebas B e C, em vista que a produção de matéria seca nestas duas glebas foi similar como observado na figura 4.

Tabela 4. Cálculo da renda bruta pela simulação da utilização da forrageira (Brachiaria brizantha) consorciada com o milho, por animais de recria (280 kg) entre os meses de junho a outubro de 2010, nas três glebas de manejo no sitio São Luiz. Votuporanga (SP).

A simulação das arrobas produzidas e sua valorização consideraram perda de 30% de consumo da pastagem, para um período de 150 dias de pastejo direto por carga animal com peso vivo médio de 280 kg e ganho diário de peso vivo por cabeça no inverno de 400 g dia-1 para a gleba A e 300 g dia-1 para as glebas B e C. A renda líquida para a gleba A teria sido de R$ 3.000,00 ha-1 em relação às glebas B e C que teriam tido renda liquida de R$ 560,00 ha-1. Finalmente considerando as rendas liquidas do milho e da utilização da pastagem na tabela 5 se observa que esta última teria gerado o lucro necessário para pagarem-se os investimentos realizados já no primeiro ano. Na gleba A o lucro calculado foi de R$ 2.026,00 ha-1 sendo muito inferior para as glebas B e C: R$ 408,00 ha-1 e R$ 166,00 ha-1 respectivamente. Estes resultados colocam de manifesto a importância da utilização do consorcio que está permitindo a compensação das perdas de um componente (milho neste caso) com os ganhos do outro (pastagem).

Tabela 5. Renda líquida total por ha após a colheita de milho e da simulação de pastejo da forrageira nas três subáreas de manejo no sitio São Luiz. Votuporanga (SP).

Caracterização de solo pós colheita de milho

A caracterização do solo nas três glebas após a colheita de milho é descrita na tabela 6. Apesar da correção física e química realizada na gleba A, o pH continua alto, o P deficitário como nas outras glebas, assim como o B e o Zn. Cabe destacar o aumento da saturação por bases que aumentou para 61%, superior à condição inicial e às outras glebas. Indiretamente o valor baixo registrado pelo K na gleba A poderia estar indicando maior consumo pelo milho e a brachiaria em solo descompactado, assim como eventualmente a sua lixiviação. As deficiencias detectadas deverão ser corrigidas ao longo do tempo em safras sucessivas. Esses resultados permitem a ciência de que não é fácil e rápida a recuperação de um solo para patamares de alta produtividade, sendo a ação acumulada de manejo de alguns anos que resultam na sustentabilidade do sistema. Alguns autores defendem que para se atingir um novo equilíbrio em sistema plantio direto são necessários de quatro a cinco anos de manejo.

Tabela 6. Caracterização de solo na camada de 0 a 20 cm entre os terraços, após a colheita de milho para as três condições de manejo em relação à condição inicial no sítio São Luiz, Votuporanga (SP).

Roçada do capim e rebrota da forrageira após as primeiras chuvas (dezembro 2010)

A figura 9 mostra o estado de desenvolvimento da brachiaria antes da roçada do capim em agosto de 2010, conservando-se ainda verde apesar da prolongada estiagem ocorrida na região.

Após a roçada da brachiaria, 100 % da área permaneceu com cobertura viva e morta, evitando a germinação de plantas daninhas como mostra a figura 10.

Figura 9. Crescimento alcançado pela brachiaria antes de efetuar-se a roçada na gleba A.

Figura 10. Forrageira roçada para uniformizar a rebrota posterior.

Em 08/12/2010 foi efetuada a determinação de massa verde e seca da rebrota da brachiaria após a roçada. Entre o mês de agosto e até o 08/12/2010 houve acumulo de pluviosidade de 335,6 mm, sendo o mês de outubro com o maior registro de 128,6 mm. Os resultados são apresentados na figura 11.

Figura 11. Produção de massa verde (MV) e seca (MS) da Brachiaria cv. Marandu em dezembro 2010. Unidade São Luiz, entressafra 2010, Votuporanga (SP).

Observou-se que a gleba A, de acordo ao histórico relatado na safra 2009/2010, apresenta um significativo potencial para pastejo tanto em massa verde como o equivalente em massa seca. Devido ao atraso na disponibilidade de insumos e para evitar efetuar a semeadura das culturas previamente planejadas de forma tardia, a brachiaria será utilizada para pastejo direto durante a safra 2010/2011. A Figura 12 mostra a situação da brachiaria com motivo da amostragem realizada em dezembro de 2010. Note-se a coloração mais verde da brachiaria na gleba A que na B. A altura média da forrageira alcançou 1,06, 0,76 e 0,64 m para a gleba A, B e C, respectivamente.

Figura 12. Brotação da brachiaria na gleba A a esquerda (correção física e química) e na gleba C a direita (correção mínima) determinada em 08/12/210 no sitio São Luiz. Votuporanga (SP).

A altura do eucalipto determinada nessa oportunidade, após 11 meses de crescimento, é descrita na Figura 13. O E. urograndis apresentou crescimento mais rápido que o E. citriodora, após 333 dias após efetuado o plantio, numa taxa de 1,05 cm dia-1 e 0,83 cm dia-1, respectivamente. Não foi observada diferença entre os sistemas de manejo, provavelmente porque no terraço o tratamento localizado para o eucalipto foi similar nas três condições de manejo, quanto a adubação e uso de defensivos.

Figura 13. Altura das variedades E. urograndis e E. citriodora sob tres sistemas de manejo após 11 meses de idade no sitio São Luiz. Votuporanga (SP).

Conclusões

1. Embora o investimento inicial seja mais oneroso em termos de correção química e física como efetuado na gleba A, o sistema permitiria a obtenção de lucro ainda na primeira safra, salientando-se a importância de manejar a área na safra com cultivos consorciados. A renda líquida negativa da cultura de milho teria sido compensada com a renda líquida positiva pelo pastejo animal direto da forrageira consorciada, como demonstrado pela simulação. Por sua vez, o rápido crescimento do eucalipto constitui em mediano prazo uma potencial fonte de renda suplementar.

2. O preparo do solo inicial (gleba A) está demonstrando o beneficio refletido na forrageira que via reciclagem de nutrientes e cobertura total de solo contribuirá à recuperação da fertilidade e sua sustentabilidade, em relação às glebas que não foram corrigidas integralmente, sempre que seja respeitado o principio da rotação de culturas.

Agradecimentos

O autor agradece ao Comitê Técnico Gestor (CTG) de Votuporanga composto pelas instituições Apta Regional, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), COACAVO e Prefeitura Municipal de Votuporanga pela colaboração na gestão realizada no primeiro ano de trabalho na Unidade Demonstrativa São Luiz, sob a coordenação do Programa PISA apoiado pelo MAPA. São estendidos os agradecimentos à Prefeitura Municipal de Votuporanga pela generosa disponibilidade da Patrulha Agrícola realizando gratuitamente as atividades requeridas com uso de maquinário e à produtora Sra. Vanda Bazzo que cedeu gentilmente 10 ha para a realização dos trabalhos. Agradecemos também ao Dr. Heitor Cantarella em nome do Laboratório de Fertilidade de Solos do IAC-Campinas que efetuou gratuitamente as análises foliares e de solo deste trabalho. Especiais agradecimentos às empresas privadas Monsanto, Syngenta, Fertipar Bandeirantes, Bunge Fertilizantes, Sementes Cosmorama, Calmag, Nutrion e Matsuda e as revendas Soberana, Realpec, Agromec, Matsuda e Marão Maquinário pelos serviços executados gratuitamente e os insumos doados para que este trabalho pudesse ser realizado.

Referências

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Revista Plantio Direto, edição 120, novembro/dezembro de 2010. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.