Milheto ADR 300 é uma boa alternativa para proteção do solo e reciclagem de nutrientes no Rio Grande do Sul
Carlos César HermannsEngenheiro Agrônomo, RTV Sementes Adriana no Rio Grande do Sulcarlos@hermanns.com.br
Um sistema de produção de grãos sustentável passa pelo plantio direto combinado com rotação de culturas e produção de palha para cobertura permanente do solo. Práticas isoladas não garantem o melhoramento do sistema como um todo. O melhoramento contínuo e equilibrado, levando-se em consideração fatores químicos, físicos e biológicos garantem o êxito da agricultura que utiliza o sistema de plantio direto na palha. A matéria seca residual das palhas, tem em sua composição 90% de carbono, oxigênio e hidrogênio fixados através do ar e da água e 10% aproximadamente de macro e micro nutrientes. Em torno de 50% da matéria orgânica seca é composta de Carbono, elemento que faz parte de todas as cadeias orgânicas e é a razão principal da necessidade de produzir palha. Portanto, produzir palha residual, manter e aumentar os teores de carbono é a base para enriquecer o solo e melhorar os processos químicos e biológicos. Segundo dados de pesquisa, são necessárias no mínimo 6 toneladas/ha/ano de palha para manter as atividades químicas e biológicas em ambientes de clima tropical e subtropical.
A empresa Sementes Adriana disponibiliza para o mercado do Rio Grande do Sul uma nova variedade de milheto para integrar o sistema de plantio direto em rotação com as culturas de grãos e sistemas de integração lavoura/pecuária. A variedade ADR 300 propicia uma rápida cobertura do solo com uma palhada super precoce, sistema radicular agressivo/profundo e abundante, alto fator de redução de nematóides e altas taxas de reciclagem de nutrientes, onde se destaca o potássio. Em relação à redução de nematóides, torna-se muito importante o uso de sementes com procedência confiável, já que sementes de milhetos comuns, muitas vezes têm origem em áreas de produção de grãos do Centro Oeste do Brasil, suscetíveis e com infestação de nematóides. Sementes de capins tropicais com altas percentagens de impurezas, capim Sudão (aveia de verão) e milhetos diversos provenientes do Centro Oeste tem nestas impurezas a contaminação com nematóides, além de plantas daninhas não comuns no Sul do Brasil, principalmente sorgo de alepo.
Nas últimas décadas as características climáticas de verão estão instáveis e com os primeiros frios de inverno ocorrendo mais tarde. Além disso, houve a adoção de cultivares de soja mais precoces que são semeadas mais cedo, com colheitas antecipadas em 3 a 4 semanas em relação à soja predominante na década de 1990. Esse período depois da colheita de verão permite o estabelecimento do milheto. Com isso, os manejos de plantio das culturas de inverno também vêm sofrendo alterações. Neste sentido, nem sempre as aveias conseguem emergir e desenvolver a partir de março e abril, por problemas de alongamento do clima de verão quente. O ciclo da aveia, devido à segregação de antigas cultivares, está findando mais cedo e com baixa produção de palha e conseqüentemente baixa reciclagem de nutrientes. A variedade ADR 300 pode ser introduzida no sistema como uma alternativa para a produção de palha e reciclagem de nutrientes em quatro possibilidades.
Tabela 1. Quantidade de nutrientes reciclados na palhada de SuperMassa ADR300 em 11 toneladas/hectare de matéria seca (MS).
1. Plantio pré-soja a partir de setembro, considerando as condições de temperatura de solo para germinação e desenvolvimento inicial. A semente de ADR 300 necessita de temperaturas de solo acima de 15 graus para germinar e acima de 10 para desenvolvimento inicial. Com uma boa condição de germinação haverá uma produção de matéria seca super precoce, projetando-se uma dessecação da palha em final de novembro e na seqüência o plantio da soja. Experiências feitas neste sistema, pela Analys Agricultura de Precisão, de Palmeira das Missões, RS, mostraram aumentos de 162 ppm de potássio no solo, 60 dias após a dessecação. Nesta situação também se pode aplicar parte do fósforo na adubação de semeadura do ADR 300. Não se utilizou potássio e nitrogênio no plantio do ADR 300 em outubro. Segundo os agrônomos Emilio Schmitt e Leonardo Perusso, pode-se conseguir até 3 toneladas de MS/ha neste sistema, com altas taxas de recuperação de potássio.
Tabela 2. Nutrientes remanescentes na biomassa de milheto ADR300 nos diferentes estádios fenológicos
2. Plantio de ADR 300 após a cultura do milho grão ou silagem, usando o residual de adubo do solo. Neste caso teremos uma grande produção de palha proveniente da matéria seca do ADR 300. Chegando facilmente à 10 toneladas de palha/ha com 80-100 dias de desenvolvimento da cultura. Se não utilizar esta área com uma cultura de inverno de grãos, pode ficar em pousio até a cultura de verão seguinte. A alta quantidade de palha e alta relação C/N, permitem a proteção do solo durante todo o período de inverno e com um bom residual de palha na entrada do verão para plantio de soja.
3. Semeadura do ADR 300 sobre a soja em sobre semeadura quando a soja passa do verde intenso para o verde mais claro (começando a ”lourar”) com distribuidor a lanço ou avião. A queda das folhas de soja sobre as sementes de ADR 300 permitem a germinação e o desenvolvimento mais rápido só acontece após o desfolhamento total da soja com a entrada de luz. A sobre semeadura acontece de 20 a 30 dias antes da colheita, dependendo do ciclo da soja. Neste caso, também se consegue boa quantidade de palha, pois podem ser considerados de 70 a 90 dias de clima quente até final de maio, dependendo da região do Sul do Brasil e da ocorrência das primeiras geadas.
4. Plantio direto de ADR 300 sobre a palha de soja, imediatamente após a colheita. Neste caso a data limite para a obtenção de uma palhada razoável é 30 de março. Mesmo nessa condição limite, pode-se conseguir até 5 toneladas de matéria seca. Com o advento e uso de variedades precoces de soja, esta é uma opção viável e apresenta como vantagem a cobertura do solo de forma mais rápida que a aveia, cultura que tem dificuldade de desenvolvimento em março/abril. Os custos de sementes de milheto ADR 300 e aveia são praticamente os mesmos.
Nota-se que em qualquer uma das condições descritas anteriormente, se obtém boa palhada de ADR 300, em volume superior as quantidades de palha obtidas com aveias, nabo ou azevém. A quantidade de nutrientes reciclados no sistema pela palha do ADR 300 também é superior.
Semeadura
A quantidade de sementes de ADR 300 à ser usada por hectare, pode variar de 10 a 30 kg/ha, dependo do sistema de semeadura, em linhas ou à lanço. No plantio direto consegue-se uma maior precocidade no estabelecimento da lavoura e melhor eficiência de germinação com menor quantidade de sementes por hectare (8 a 12kg). No plantio à lanço se recomenda o uso de 25 a 30 kg de sementes por hectare com incorporação leve com grade ou arrastão. Nesse caso o estabelecimento da lavoura é mais lento.
Integração lavoura e pecuária
O milheto ADR 300 é uma ótima opção para cobrir o vazio outonal, pois pelo seu rápido estabelecimento permite pastejos precoces e com ótima quantidade de massa. Também tem em sua composição proteína bruta (PB) de 18 à 22%, permitindo pastejos durante o vazio outonal de março e abril onde as pastagens de inverno ainda não se estabeleceram e não permitem, muitas vezes, o pastejo. Nesse sistema ainda se pode efetuar os pastejos e deixar a lavoura de ADR 300 completar o ciclo para formar palha residual. A geada encarrega-se da dessecação.
Pastagem de ADR 300, cobrindo o vazio outonal
Revista Plantio Direto, edição 120, novembro/dezembro de 2010. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS