Lavouras Referência de Manejo


Autores:
Publicado em: 01/12/2010

Lavouras referência de manejo

Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes da cobertura vegetal em 05 e 19 de dezembro de 2010.

Lavoura C (esquerda) com detalhes da cobertura de solo com soja estabelecida sobre palha de aveia e lavoura D (direita) com milho nas fases de pendoamento e enchimento de grãos, em 05 e 19 de dezembro de 2010.

As lavouras A, B e C apresentavam soja com desenvolvimento vegetativo nos estádios V8, V8 e V4, respectivamente. Não havia evidencias de problemas com sanidade causados por doenças ou pragas.

Na área A não foi semeado trigo, devido a expectativa de baixos preços para o produto na época do plantio. Foram constatadas plantas isoladas e esporádicas de buva.

Da esquerda para direita: presença de plantas daninhas (buva, leiteirinho e nabo) na área B, sob pousio de inverno e cultivo contínuo de soja no verão.

A área B com pousio contínuo de inverno e soja no verão, durante vários anos, apresentava plantas daninhas resistentes ao glifosato e que também sobreviveram ao uso de herbicidas na dessecação. Foi constatada nessa área a presença de buva, leiteirinho e nabo, confirmando os resultados de pesquisa que evidenciam a importância da cobertura vegetal e palha no inverno para controle efetivo de plantas daninhas. O pousio de inverno é a prática que beneficia a sobrevivência e a multiplicação de plantas daninhas resistentes a herbicidas ou de difícil controle.

Na área B, curiosamente, foi constatada a cobertura extensa de solo com liquens, formando fina camada na superfície. Esses liquens são citados na bibliografia como cicladores de nutrientes, incluindo nitrogênio e carbono.

Cobertura da superfície do solo com liquens na área B e presença de aveia germinada depois da semeadura da soja na área C.

Na área C, a palha de aveia se destacava como cobertura de solo. Plântulas de aveia germinadas depois da colheita e semeadura da soja foram dessecadas. Rara presença de plantas daninhas e nas falhas de semeadura de aveia se estabeleceram milhã e papuã. Isso evidencia que o melhor controle de buva está na cobertura de solo nos meses de outono e inverno.

Na área D, o milho foi semeado sobre nabo, com espaçamento de 45 cm entre fileiras. A lavoura de milho forma um bloco de biomassa, com 2,3 m de altura. Constatou-se o aparecimento de doenças, especialmente ferrugens nas folhas de milho. As previsões de La Niña induziram, de forma geral, à redução da área cultivada com milho na região Sul do Brasil. Entretanto, a distribuição regular das chuvas resultou em excelente desenvolvimento da cultura.

As chuvas registradas entre agosto e dezembro foram abaixo das normais. Em agosto e novembro as precipitações foram apenas 33 e 43% da normal. Setembro também foi um mês seco e a soma das chuvas acima da normal ocorreu com precipitação de 168 mm em três dias, a partir de 20 de setembro. O tempo seco favoreceu a colheita de trigo, gerando uma das melhores safras já registrada no Sul do Brasil, em termos de produtividade e qualidade de grão.

Para as culturas de verão, com semeadura a partir de setembro, apenas o mês de novembro teve chuvas abaixo das normais, porém, bem distribuídas. Excluindo a chuva concentrada em setembro, pode-se dizer que as precipitações foram abaixo da média, confirmando as previsões da influência de La Niña. Entretanto, apesar da redução de chuvas houve distribuição regular, suficiente para as necessidades das plantas de milho e soja.

O desenvolvimento vegetativo da soja e do milho até dezembro foi muito acima das expectativas geradas com as previsões de estiagem pelo fenômeno La Niña. A sanidade das plantas também pode ser considerada muito boa. Houve ocorrência de lagartas e vaquinhas com fácil controle.

Revista Plantio Direto, edição 120, novembro/dezembro de 2010. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.