A Agricultura Brasileira Perde um Grande Incentivador do Plantio Direto (Obituário)


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Publicado em: 01/08/2010

A agricultura brasileira perde um grande incentivador do plantio direto

Americo Meinicke durante as comemorações dos 25 anos de plantio na palha de Manoel Henrique Pereira, na Fazenda Agripastos.

Americo Conrado Meinicke nasceu em Curitiba/PR em 1939. Formou-se em Agronomia pela UFPR. Nos primeiros 10 anos, após sua formatura, trabalhou no serviço de extensão rural do Estado do Paraná (na extinta ACARPA), atendendo pequenos e médios produtores da região de União da Vitória.

Em Ponta Grossa desenvolveu ainda mais sua atuação, trabalhando junto às cooperativas da região, como assessor técnico de suas diretorias.

Foi um dos precursores dos cálculos de custos de produção agrícola, sob diversos sistemas de cultivo. Introduziu na região os índices de poder de troca entre os diversos produtos agropecuários e os insumos necessários para produzi-los.

Sempre foi um técnico do campo, com a atenção voltada para a utilização correta dos recursos naturais renováveis. Foi o agrônomo responsável na comissão que organizou o curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Também foi um dos pioneiros na implantação e desenvolvimento da tecnologia do ”plantio direto na palha” e primeiro professor da cadeira de Plantio Direto do curso de Agronomia da UEPG, primeira universidade a instituir esta disciplina no Brasil.

A climatologia era uma de suas paixões. Anotava todos os eventos climáticos e registrava em papel milimetrado. Algumas vezes, a emenda das folhas com as anotações chegava a circundar as paredes de sua sala.

Na década de 1980 criava minhocas para as aulas práticas e usava a lógica da biologia da minhoca para envolver os alunos com o plantio direto.

Seu trabalho foi fundamental para a evolução do plantio direto nos Campos Gerais. Desde o início ele alertava para importância da rotação de culturas, da adubação verde, correção do solo e do controle de custos. Segundo Manoel Henrique Pereira, Americo Meinicke fazia previsões que muitas vezes assustavam, de forma positiva, os participantes de palestras ou dias de campo em função da eloqüência de suas colocações, embora fosse um homem de poucas palavras.

Foi dele a transcrição das palestras dos dois primeiros Encontros Nacionais de Plantio Direto que serviram como base para a edição dos anais, hoje documentos importantes na história do plantio direto brasileiro. Foi dele também a indagação a Manoel Henrique Pereira, em 1976, enquanto ouvia do amigo um desabafo da preocupação com a erosão ele questionou ”Por que você não faz plantio direto?” e, no dia seguinte, entregou a Nonô Pereira a tradução de um artigo sobre plantio direto publicado nos Estados Unidos.

Avesso a títulos, apreciava o conhecimento. Com os alunos exercitava a prática da compreensão dos processos e a interpretação das fórmulas e das recomendações. O Centro Acadêmico de Agronomia da UEPG leva seu nome, em homenagem à imensa dedicação aos alunos. Suas famosas apostilas de plantio direto se tornaram referência entre os ex-alunos, constituindo-se em fonte de pesquisa nos primeiros anos de profissão.

Escreveu dois livros técnicos: ”As Minhocas”, que também teve edição em espanhol, e ”Micorriza – terra viva para sempre”.

Na medida em que seu tempo e saúde permitiram, atendeu a diversos convites para ministrar palestras sobre plantio direto por todo o Brasil.

Na Fazenda Escola Capão da Onça, da UEPG, existe um bosque formado por eucaliptus Dunny e uma coleção de bambus plantados pelo Professor Americo há mais de 20 anos.

Para completar o adágio que define uma vida plena (”Plante uma árvore, escreva um livro e tenha um filho.”) teve, com sua esposa Maria Guilhermina, em um casamento de mais de 44 anos, quatro filhos.

Americo Conrado Meinicke faleceu no dia 25 de abril de 2010 aos 71 anos, em Ponta Grossa, PR.