Lavouras referência de manejo
Lavouras A (esquerda) e B (direita) com detalhes das plantas cultivadas em 14 de março e 18 de abril de 2010.
Lavouras C (esquerda) e D (direita) com detalhes das plantas cultivadas em 14 de março e 18 de abril de 2010.
Observações do período
A soja da lavoura A encontrava-se no estádio R6 em 14 de março e foi colhida em 10 e abril. O rendimento médio foi de 3320 kg e teve o enchimento de grãos prejudicado pelo déficit hídrico.
A soja da lavoura B foi colhida em 10 de março, com rendimento médio de 4080 kg/ha. A produção elevada foi beneficiada pela semeadura no cedo, no início de novembro, e pela regularidade de chuvas na fase de enchimento de grãos. Destacou-se a distribuição de palha da colheita, em faixas. Essa distribuição desuniforme de palha causa dificuldades para a semeadura e a germinação de culturas de inverno. Além disso, haverá a concentração de nutrientes nas faixas com acúmulo de palha, depois da mineralização do material orgânico.
O milho da lavoura C encontrava-se na fase de maturação completa, R6, em 14 de março. Foi colhido em 4 de abril, com rendimento médio de 11370 kg/ha.
A soja da lavoura D, cultivar Apolo, encontrava-se no estádio R5.5 em 14 de março e foi colhida em 12 de abril. O rendimento médio foi de 3816 kg de grãos/ha. A fase de enchimento de grão foi prejudicada pelo déficit hídrico. Na mesma semana foi semeado nabo-forrageiro, porém a germinação foi retardada por falta de umidade.
Temperaturas e precipitações médias mensais de 30 anos e as constatadas em 2009 e 2010 (Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS)
Os períodos de estiagens no verão de 2010 se repetiram. A soma das precipitações dos três primeiros meses de 2010 foi 28% menor do que a normal dos últimos 30 anos. Além disso, no mês de abril, até o dia 20, não havia sido registrado chuva. Os 216 mm registrados para abril ocorreram entre os dias 21 e 27, depois da colheita de soja e do milho.
A colheita de soja foi antecipada em quase duas semanas, em relação à expectativa de colheita planejada. Parte dessa antecipação pode ser atribuída à seca, que acelerou a morte das plantas e resultou na perda do peso de grãos.
Doenças radiculares e de caule na base das plantas de soja. Podridão-cinza, Macrophomina phaseolina (esquerda), mancha-geográfica ou fomópsis, Phomopsis sojae (centro) e a podridão-vermelha, Fusarium sp. (direita).
Freqüência (%) de plantas de soja com podridão-cinza, Macrophomina phaseolina (cinza escuro), podridão-vermelha, Fusarium sp. (rosa) e mancha-geográfica, Phomopsis sojae (cinza claro) coletadas nas lavouras A, B e C.
Outro fato relevante, que influenciou na morte das plantas e a maturação antecipada, foi a severidade de doenças radiculares. Nas lavouras A, B e D, cultivadas com soja, constatou-se a podridão-cinza (Macrophomina phaseolina), a mancha-geográfica ou fomópsis (Phomopsis sojae) e a podridão-vermelha (Fusarium sp.). Em todas as amostras de ”tocos” e raízes de soja, que sobraram da colheita de soja, foram encontradas doenças com alta severidade, tomando, praticamente toda a parte subterrânea das plantas. Em 75 % das amostras examinadas nas três lavouras constatou-se a presença de duas ou mais doenças estabelecidas com severidade.
Revista Plantio Direto, edição 116, março/abril de 2010. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.