Expodireto Cotrijal 2010
A Expodireto Cotrijal 2010 recebeu mais de 168 mil visitantes durante cinco dias de evento
A 11ª edição da Expodireto Cotrijal, que foi realizada de 15 a 19 de março, em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, superou as expectativas da Organização do evento quanto ao número de público e volume de negócios. Além de dar visibilidade para as novas tecnologias em maquinários, insumos e sementes, o evento abriu espaço para discussões sobre mercados e processos produtivos.
Durante os cinco dias a Expodireto Cotrijal recebeu mais de 168 mil pessoas e registrou um volume de negócios em torno de R$ 512 milhões. Um dos destaques dessa edição foi o pavilhão internacional, onde foram realizadas rodadas de negócios. Num comparativo das atividades de 2009 e 2010 houve um grande incremento nos negócios. Em 2009 participavam em média 15 importadores a cada dia e, em 2010, foram 60 diariamente.
A importância do plantio direto
A Expodireto 2010 dedicou espaço para um olhar mais crítico sobre o plantio direto realizado no Brasil. A exposição ”Sistema plantio direto e os desafios do tempo” foi montada na Casa do Meio Ambiente, no Espaço da Natureza Cotrijal e organizada pela Embrapa Trigo de Passo Fundo/RS.
A Exposição apontou a rentabilidade e a segurança como dois grandes desafios enfrentados pela agricultura. E o mecanismo de plantio direto é uma alternativa perfeita para vencer esses desafios. A mostra enfatizou a necessidade da qualificação do plantio direto, por meio da intensificação da rotação de culturas e práticas conservacionistas do solo.
Para esse processo a pesquisa defende o cultivo intensivo e a eliminação da entressafra. O modelo de monocultura alicerçada na soja e no milho tem prejudicando o solo. Os problemas enfrentados pelos agricultores durante os períodos de estiagem podem ser associados ao mau manejo do solo e não somente a falta de chuva. A característica da soja plantada no Rio Grande do Sul é de uma planta com raizes até cinco centímetros e, de acordo com a pesquisa, bastam cinco dias sem chuva para o solo secar e as plantas ficarem sem água. No Rio Grande do Sul são necessárias entre oito e 12 toneladas de palha/hectare para uma boa cobertura do solo. Com a soja a quantidade de palha não ultrapassa as cinco toneladas por hectare isso reforça a necessidade de rotação de culturas e adubação verde nas lavouras gaúchas.
Mudanças climáticas
A Casa do Meio Ambiente recebeu os pesquisadores do Projeto Claris, que é financiado pela Comissão Européia, e que pretende analisar o comportamento do clima na Bacia do Rio do Prata e traçar cenários futuros dos efeitos que a mudança climática pode ter sobre a agricultura. No Brasil, o Claris vai envolver agricultores de Não-Me-Toque, RS e de Angelina, SC, e é desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
O Projeto apresentou aos visitantes um software que simula cenários para a agricultura a partir de dados de solo, clima, manejo e cultivar para determinar o rendimento das culturas. Com essas informações, pesquisadores poderão projetar o melhor período para semeadura, a variedade mais apropriada e melhor manejo a ser adotado. ”Estamos trabalhando com dois cenários: um até 2040 e outro até 2080”, comentou o pesquisador do Instituto Alemão de Pesquisa Agrícola, Marcos Alberto Lana.
Estudos preliminares apontam para a necessidade de melhoramento genético de cultivares em virtude das condições ambientais. Num cenário de clima mais quente as plantas poderão ter seu crescimento acelerado e o aumento das chuvas vai exigir um aperfeiçoamento das técnicas conservacionistas do solo. A ocorrência de eventos extremos – muito calor, muita chuva ou muito frio – poderão interferir no calendário de plantio alterando o cenário nas diversas regiões produtoras em todo o mundo.
Milho e soja em foco
Eventos que aconteceram no ambiente da feira e que caracterizam o foco nas diversas cadeias do agronegócio ofereceram variadas opções para o agricultor. O Fórum Nacional da Soja, Fórum Nacional do Milho, Fórum Estadual do Leite, Seminário de Suinocultura e o Fórum Florestal do Rio Grande do Sul, além de intensa programação na Casa do Meio Ambiente, Casa da Família Rural e Casa do Plantio Direto, movimentaram o parque da Expodireto de 15 a 19 de março.
A feira dedicou espaço para debates sobre as perspectivas de mercado das duas principais commodities gaúchas: o milho e a soja. No 2º Fórum do Milho, o olhar se voltou para a avicultura e suinocultura, as duas atividades que mais consomem milho no Brasil. A projeção é que o consumo fique perto de 22 milhões de toneladas. As discussões se concentraram no preço do milho e na necessidade do governo definir estratégias para retirar do mercado os estoques excedentes.
O produtor de soja também não teve boas notícias, em relação a preço, durante o 21º Fórum Nacional da Soja, os especialistas traçaram cenários de aumento da produtividade, o que deve elevar os níveis dos estoques.
A nova safra americana a produção deve bater na casa dos 90 milhões de toneladas de soja, a Argentina deverá colher em 2011 em torno de 55 milhões e a safra brasileira em torno de 68 milhões de toneladas. Os estoques finais mundiais devem ficar na ordem de 60,3 milhões de toneladas, o que deve manter os preços próximos dos praticados este ano e reduzindo a rentabilidade do produtor gaúcho para R$ 303,00/hectare. Com esse cenário, uma das conclusões do fórum é que é preciso readequar a relação de plantio entre milho e soja, para equilibrar os preços.
Casa do Plantio Direto debateu as tendências para o manejo do plantio direto na palha
A Revista Plantio Direto com o apoio da Fundação Agrisus, Dekalb, Roundup e Semeato realizou a 9ª edição da Casa do Plantio Direto durante a Expodireto Cotrijal 2010, que é um espaço criado para oferecer aos agricultores, assistentes técnicos e estudantes o conhecimento científico e técnico gerado nas instituições de pesquisa, promovendo discussões relacionadas à produção sustentável, com foco na qualidade, na rentabilidade e na preservação dos recursos naturais e meio ambiente e também estabelecer uma relação histórica da evolução do plantio direto com novas demandas e tendências mundiais, envolvendo parceiros em toda a cadeia de produção.
Agricultores e assistentes técnicos participaram da programação da Casa do Plantio Direto.
Participaram da programação da Casa do Plantio Direto pesquisadores, professores e profissionais ligados a instituições de ensino e pesquisa e empresas do segmento como a Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade de Passo Fundo, Embrapa, Fundacep, Cooplantio e Cotrijal. Nessa e nas próximas edições da Revista Plantio Direto estaremos publicando matérias da cobertura do da Casa do Plantio Direto.
No dia 15 de março um grupo de agricultores da No-till on the Plains (Associação de Plantio Direto das Planícies) do Estado do Kansas, nos Estados Unidos, visitaram a Expodireto Cotrijal e participaram da programação da Casa do Plantio Direto fazendo um rico intercâmbio de experiências e informações com agricultores, pesquisadores e técnicos brasileiros.
Agricultores da No-till on the Plains que visiaram a Casa do Plantio Direto em março. Na foto acompanham o grupo Rolf Derpsch, Ivo Mello e Dirceu Gassen.
Nos demais dias da semana a programação debateu temas amplos como agricultura de precisão, fertilidade do solo, manejo e controle de plantas daninhas resistentes, tráfego controlado, compactação do solo, pastagens para altos rendimentos na integração lavoura e pecuária, previsibilidade e eficiência no controle de doenças e manejo do carbono e água para altos rendimentos em plantio direto.