Produtividade de cultivares de girassol em plantio direto em Roraima
Oscar José Smiderle1 & Juliana Espindola Lima21Pesquisador Embrapa Roraima, ojsmider@cpafrr.embrapa.br2Aluna Biologia, Faculdades Cathedral, Bolsista PIBIC/ CNPq
Introdução
A cultura do girassol apresenta-se como uma opção promissora para a agricultura no cerrado de Roraima. Dentre as oleaginosas é uma cultura que possui um dos maiores índices de crescimento no mundo. O interesse que o girassol está despertando deve-se a qualidade e ao múltiplo uso de seus produtos derivados e à sua ampla adaptabilidade, podendo se constituir numa alternativa adicional para cultivo e, principalmente, compor um sistema de produção de grãos, com grande potencial de utilização (ENDRES, 1993).
Dentre os óleos vegetais, o óleo de girassol destaca-se por suas excelentes características físico-químicas e nutricionais. Possui alta relação de ácidos graxos poliinsaturados (65,3%)/ saturados (11,6%), sendo que o teor de poliinsaturados é constituído, em grande parte, pelo ácido linoléico (65%). Este é essencial ao desempenho das funções fisiológicas do organismo humano e deve ser ingerido através dos alimentos, já que não é sintetizado pelo organismo (CASTRO et al., 1997).
O conhecimento da fenologia da planta em cada fase do desenvolvimento da cultura é importante nos tratos culturais do cultivo do girassol. Da emergência aos 30 dias (aparecimento do botão floral), o crescimento é lento, consumindo pouca água e nutrientes, com suscetibilidade a concorrência de plantas daninhas. A partir desse período até o final do florescimento, o crescimento é rápido, aumentando o consumo de água e de nutrientes (CASTRO et al., 1997).
A época de semeadura é importante para se obter sucesso no cultivo do girassol, sendo bastante variável e dependente das características climáticas de cada região de cultivo (CASTRO et al., 1997). A cultura pode ser semeada durante o ano todo, caso haja disponibilidade de água. Cultivo realizado na época seca em Roraima, com irrigação suplementar possibilita produzir mais de 3.100 kg ha-1 (SMIDERLE et al., 2007).
Essa oleaginosa em cultivo de sucessão da cultura principal poderá ser encontrada, em futuro próximo, vegetando em extensas áreas, que no momento estão ociosas a espera de boas opções de plantio, principalmente em função da produção de óleo para uso como biocombustível. Desse modo o girassol apresenta-se como um cultivo potencial para o estado de Roraima com possibilidade de semeaduras durante o ano, restando definir as cultivares mais produtivas e adaptadas para as condições edafoclimáticas de cerrado em Roraima.
Diante do exposto, em Roraima, existe ainda carência de resultados que permitam indicar materiais de girassol aos agricultores. Portanto, neste trabalho objetivou-se avaliar 11 cultivares de girassol semeadas na época seca em plantio direto no cerrado de Roraima.
Material e métodos
Foram utilizadas sementes de onze cultivares de girassol (Aguará; AG962; AG 967; AG 972; Catissol; Hélio 250; Hélio 251; Hélio 358; Hélio 360; Hélio 884 e Hélio 885) obtidas no Brasil central. O trabalho foi realizado no campo experimental do Monte Cristo, da Embrapa Roraima, com utilização de irrigação por aspersão para a suplementação de água quando necessário.
O experimento foi instalado em 20 de setembro de 2008 no campo experimental Monte Cristo, pertencente a Embrapa Roraima, em delineamento de blocos ao acaso, com quatro repetições, sendo as parcelas compostas por quatro fileiras de 5 m de comprimento, em 0,70 m entre linhas com população de 52.000 plantas por hectare. As duas fileiras centrais foram utilizadas como área útil.
O solo para o cultivo apresentava as seguintes características: pH (índice SMP)= 6,8; Al trocável (cmolc dm-3)= 0,01; Ca+Mg (cmolc dm-3) = 3,85; P2O5 (mg dm-3)= 180,36; K2O (mg dm-3)= 129,48; Matéria orgânica = 20,2 g dm-3, e textura com 29,72% de argila e 14,11% de silte.
A adubação de semeadura foi realizada mecanicamente em sulcos aplicando-se 400 kg ha-1 da fórmula 02-20-20, e manualmente em cobertura 60 kg ha-1 de uréia, além de 10 kg ha-1 de Bórax (11,5% de B). A semeadura foi realizada depositando duas sementes espaçadas de 0,20 m no sulco utilizado para adubação, com auxilio de plantadeira manual tipo matraca, sendo feito posteriormente desbaste aos 12 dias após a emergência, deixando-se apenas uma plântula.
Os parâmetros avaliados foram: altura de plantas, tomando como medida a inserção do capítulo até o colo da planta, no florescimento pleno, R5.5 (SCHNEITER & MILLER, 1981); altura do capítulo, tomada do nível do solo até a base do capítulo; diâmetro da haste, no final do florescimento pleno, medindo-se com paquímetro 40 plantas a 0,05m do nível do solo; diâmetro de capítulos, medindo-se 40 capítulos da área útil no momento da colheita; peso de capítulos, obtido após a pesagem dos capítulos colhidos e, a produtividade, pela pesagem dos aquênios produzidos na área útil após trilhados e corrigidos para 11% de umidade e para um hectare de cultivo (CASTRO et al. 1997).
Os componentes de variância para as variáveis agronômicas foram obtidos através do método de esperança de quadrados médios (EQM). Os valores médios foram ordenados segundo o teste de Tukey. Tanto no teste de ordenação de médias, quanto na análise de variância o nível de significância adotado foi o de 5%.
Resultados e discussão
O efeito das cultivares (C) foi significante nas variáveis agronômicas avaliadas (Tabela 1). A contribuição deste efeito foi elevada na produtividade (PROD), bem como nos indicadores de crescimento como a altura de plantas (ALT) e a altura de capítulos (ALTCAP). Foi determinada influência significativa do efeito de blocos (B) apenas para a produtividade de aquênios (Tabela 1).
Tabela 1. Valores de quadrado médio e componentes de variância para as variáveis agronômicas avaliadas em função do modelo de análise adotado.
Com relação à duração do ciclo, as cultivares apresentaram ciclo curto variando de 90 a 94 dias. Este ciclo foi maior do que o obtido por Smiderle et al. (2007), provavelmente pela ocorrência de maior número de dias com chuvas e nublados o que reduziu a incidência de luz no período.
Quanto a altura das plantas de girassol, a Hélio 884 apresentou maior valor médio (181,33cm) e a Catissol o menor (131,37 cm). As maiores alturas de capítulos foram constatadas nas cultivares Hélio 884, Hélio 885, AG 962 e Aguará. Para diâmetro de haste a Hélio 885 diferiu da Catissol (Tabela 2), apresentando valores médios de 19,99 mm e 15,57 mm, respectivamente.
Tabela 2. Valores médios de variáveis agronômicas de girassol produzido em época seca, em função das cultivares em cerrado de Roraima, ordenados segundo o teste de Tukey (a=0,05).
No tamanho dos capítulos (DCAP) destacou-se a cultivar Hélio 884 com maior valor médio (15,72 cm) em relação ao AG 962, Catissol e Hélio 250 (13,15; 13,60 e 13,65 cm, respectivamente). Quanto ao peso médio de capítulos verificou-se para o Hélio 884 maior peso médio (51,62 g), não diferindo do obtido para AG967 e Hélio 360, com os valores de 43,51 e 43,24 gramas por capitulo, respectivamente (Tabela 2).
Os resultados em produtividade de aquênios de girassol apresentaram diferenças significativas entre as cultivares, destacando-se a Hélio 884 com produtividade média de 2.994 kg ha-1 pouco inferior dos 3.140 kg ha-1, obtidos com a cultivar Hélio 360 por Smiderle et al. (2007). A Hélio 884, a AG 967 e a Hélio 360 resultaram em produtividades superiores a 2.200 kg ha-1, não diferiram entre si mas superaram a Hélio 251 (2.121 kg ha-1) e a Hélio 358 (2.060 kg ha-1).
Os valores médios de produtividade de aquênios de girassol das 11 cultivares obtidos neste trabalho foram todos superiores da média Nacional para a cultura do girassol, que está próxima dos 1.500 kg ha-1 (FAO, 2007; AGRIANUAL, 2009). Evidenciando mais uma vez a capacidade produtiva do girassol para cultivo em área de cerrado em Roraima.
Verifica-se a superioridade no desempenho da cultivar Hélio 884 nas variáveis agronômicas analisadas (características das plantas e na produtividade de aquênios). O que certamente a conduziram para destaque na produtividade, para a época de cultivo estudada, produzindo em média mais de 2.994 kg ha-1 de aquênios em período seco em cerrado de Roraima. Esta produtividade é semelhante a que foi obtida, no período seco, com irrigação, em 2000, no cerrado de Roraima (SMIDERLE et al., 2006) avaliando o desempenho produtivo de cultivares de girassol em duas épocas de plantio (seca e chuvosa). Além disso, foi muito próxima da produtividade obtida em período seco por Smiderle et al. (2007) quando produziu, em cultivo convencional com irrigação, mais de 3.100 kg ha-1 (Hélio 360). E, neste experimento, conduzido em plantio direto na época seca a produtividade obtida pela cultivar Hélio 360 foi de 2.612 kg ha-1.
O desempenho produtivo dos seis materiais Hélio avaliados neste trabalho foi positivo e resultou em valores de produtividade média superior a 2.390 kg ha-1 de aquênios. Variável desde os 2.060 kg ha-1 (Hélio 358) até os 2.994 kg ha-1 (Hélio 884).
Conclusão
A cultivar de girassol Hélio 884 é a que melhor se adapta em plantio direto e mais produtiva (2.994 kg ha-1), dentre as avaliadas, para cultivo em área de cerrado de Roraima na época seca.
Referências bibliográficas
CASTRO, C. de; CASTIGLIONI, V.B.R.; BALLA, A.; LEITE, R.M.V.B. de C.; MELO, H.C.; GUEDES, L.C.A.; FARIAS, J.R. A cultura do girassol. Londrina, EMBRAPA/CNPSo. 1997. 36p. (Circular Técnica, 13).
ENDRES, V.C. Avaliação de cultivares de girassol no Mato Grosso do Sul 1991/92. In: REUNIÃO NACIONAL DO GIRASSOL. 10, 1993. Goiânia. Anais… Goiânia: IAC, v.1, p.35-36. 1993.
FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. FAOSTAT. 2007. Disponível em: . Acesso em: 09 jul. 2009.
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SCHNEITER, A.A.; MILLER, J.F. Description of sunflower growth stages. Crop Science, Madison, v.21, p.901-903. 1981.
SMIDERLE, O.J.; MOURÃO JR, M.; GIANLUPPI, D. Avaliação de épocas de semeadura e cultivares de girassol no cerrado de Roraima. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PLANTAS OLEAGINOSAS, ÓLEOS, GORDURAS E BIODIESEL, 3, 2006, Varginha. Resumos. Lavras: UFLA, 2006. p. 162-165.
SMIDERLE, O.J.; SILVA, J.B.; SILVA, S.R.G.. Desempenho produtivo de cultivares de girassol em cerrado de Roraima. In: Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel, 4, 2007, Varginha. Revista de Resumos. Lavras: UFLA, cd-rom 2007. p.531-537.
Revista Plantio Direto, edição 114, novembro/dezembro de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.