Milho


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Publicado em: 01/08/2009

Milho: Controle de doenças em Sistema Plantio Direto

Ricardo Trezzi Casa1, Erlei Melo Reis2,Paulo Roberto Kuhnem Junior1 & Jonatha Marcel Bolzan11Centro de Ciências Agroveterinárias, Universidade do Estado de Santa Catarina, Lages, SC,E-mail: a2rtc@cav.udesc.br;2Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RSE-mail: erleireis@tpo.com.br

1. Resumo

Os fungos são os principais microrganismos patogênicos causadores de doenças em milho. No sistema plantio direto as doenças mais importantes são aquelas relacionadas com as podridões radiculares e da base do colmo, podridões de espiga e manchas foliares. Há uma relação entre a intensidade destas doenças com o sistema de monocultura, seja para milho cultivado na safra ou na safrinha. A presença dos restos culturais infectados do milho sob a superfície do solo garante a sobrevivência de fungos necrotróficos, como por exemplo: Fusarium graminearum, F. verticillioides, Colletotrichum graminicola, Stenocarpella maydis, S. macrospora, Exserohilum turcicum e Cercospora zeae-maydis. A densidade e o potencial de inóculo destes fungos nos restos culturais depende das condições edafoclimáticas e do sistema de manejo do solo adotado nas diferentes regiões de cultivo de milho no Brasil. A presença de plantas voluntárias nas áreas de cultivo também contribui para a sobrevivência destes fungos. Em áreas de primeiro ano de cultivo, ou onde não há presença dos restos culturais, a sanidade da semente é importante pois evita-se desta maneira a introdução dos fungos na lavoura via semente infectada. A sanidade da semente e a rotação de culturas com espécies não hospedeiras são fundamentais para o manejo destas doenças. Por outro lado, o sistema de sucessão do milho, principalmente, sobre gramíneas pode anular o efeito da rotação. Outras práticas como adubação equilibrada entre N e K, e evitar o excesso de populção de plantas em situações de solos menos férteis, também são indicadas no manejo das doenças. Há pouca informação sobre híbridos resistentes ou tolerantes especificamente para fungos patogênicos do colmo e da espiga. O uso de híbridos tolerantes é a principal medida de controle para manchas foliares. A aplicação de fungicida nos órgãos aéreos constitue estratégia eficiente no controle de manchas foliares em híbridos suscetíveis, cultivados em monocultura, nas safras com excessso de chuva. De modo geral, o manejo de doenças causadas por fungos que sobrevivem nos restos culturais é feito pela prática da rotação de culturas, que visa eliminar e/ou reduzir a fonte de inóculo primário. Níveis tecnológicos que envolvam arranjo de plantas, população de plantas, sistemas de adubação e fornecimento de água, são alguns atributos que devem ser mais explorados pela pesquisa na busca do manejo integrado de doenças do milho em sistema plantio direto.

2. Introdução

O aumento da área cultivada em sistema plantio direto no Brasil proporcionou controle da erosão dos solos, melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo e aumento do rendimento de grãos de várias culturas. Entretanto, o manejo inadequado de sistemas de rotação e sucessão de culturas utilizado em determinadas lavouras acarretou em acréscimo na ocorrência de problemas fitossanitários.

As doenças do milho são encontradas em todas as lavouras produtoras. Estas doenças se agravam nas situações onde o cultivo é feito sob monocultura, em regiões com alta pressão de inóculo e quando as condições climáticas são favoráveis aos patógenos. Isto tem sido comum nas pequenas áreas onde o produtor não realiza rotação de culturas, pois depende exclusivamente do milho para alimentar os animais, e em regiões onde é possível o cultivo do milho safrinha.

A disponibilidade de híbridos de milho mais adaptados as diferentes condições edafoclimáicas brasileiras, e o grande impulso da agroindústria envolvendo criação de aves e suínos nas regiões sul, sudeste e centro oeste do Brasil, são indicadores para o aumento da área semeada com milho. Como conseqüência deste aumento, houve o incremento nos problemas fitossanitários da cultura.

Há uma relação entre a intensidade de doenças e o sistema plantio direto em monocultura, seja para milho cultivado na safra ou na safrinha, pois a presença dos restos culturais infectados sobre a superfície do solo garante a multiplicação e a sobrevivência de fungos necrotróficos durante a fase saprofítica. Os fungos patogênicos presentes na palha também se encontram num posicionamento ideal para esporulação, liberação do inóculo e inoculação. Por isso, a intensidade de doenças em plantio direto é maior quando o milho emerge em lavoura conduzida sob monocultura.

Nas regiões de milho safrinha também há aumento da presença de plantas voluntárias que favorece a sobrevivência e multiplicação de fungos biotróficos, como os causadores de ferrugens, e de vetores de micoplasma e espiroplasma.

No sistema plantio direto as doenças do milho podem afetar a cultura em vários estádios de desenvolvimento. Em áreas com boa cobertura vegetal, seja de resteva, adubo verde ou cobertura morta, onde há menor variação na temperatura do solo e há maior umidade do solo, são freqüentes problemas relacionados à deterioração da semente e morte ou tombamento de plântulas. Porém, os maiores prolemas em plantio direto estão relacionados com as podridões da base do colmo, podridões de espiga e manchas foliares. No caso de colmos e espigas os agentes causais são praticamente os mesmos. Relaciona-se na Tabela 1 as principais doenças do milho em plantio direto.

Tabela 1. Principais doenças da cultura do milho em plantio direto e seus respectivos agentes causais.

3. Estratégias de controle

O manejo integrado de doenças preconiza o ”uso de todas as técnicas disponíveis dentro de um programa unificado para manter a população dos agentes nocivos abaixo de um limiar de dano econômico e minizar os efeitos deletérios ao meio ambiente” (NAS, 1969). Nas regiões brasileiras produtoras de milho os sistemas de cultivo seguem modelos de acordo com diferentes níveis tecnológicos adotados normalmente em virtude de condições climáticas, níveis de fertilidade do solo, época de semeadura, expectativa de rendimento, destino da produção e nível de investimento. Nestas situações a intensidade de doenças é variada e o controle de doenças também segue o mesmo modelo de nível tecnológico.

3.1 Resistência genética

A resistência genética é a medida preferencial no controle de doenças. Em face da grande disponibilidade de híbridos comerciais o produtor tem a possibilidade de escolher aqueles com resistência a uma dada moléstia que predomine em sua região. No entanto, a reação dos híbridos indicando graus de resistência (R, MR, MS, S) ou de tolerância (AT, T, MT, BT), na prática com alguns materiais considerados moderadamente resistentes ou tolerantes quando submetidos ao cultivo em condições de alta pressão de inóculo e de períodos de molhamento prolongado não conferem a reação designada.

Com excessão de doenças foliares, as doenças do colmo e da espiga, comumente não existe informação segura sobre a suscetibilidade ou resistência especíca para patógenos. Muitas vezes são encontradas informações atribuídas por uma escala de notas ou situações onde se descrevem ”boa sanidade de colmo e de espiga”, ”bom para acamamento” e ”boa sanidade de grãos”, ou seja, atribui-se à reação por grupo de doenças e de forma subjetiva. Nestes casos outras medidas preventivas de controle que envolvem práticas culturais são as estratégias mais indicadas.

A escolha de híbridos resistentes ou tolerantes torna-se fundamental para manchas foliares, como cercosporiose e helmintosporioses, em áreas de monocultura em plantio direto. Regiões com cultivo de milho safrinha onde é frequente a presença de plantas voluntárias, hospedeira principalmente de agentes biotróficos, é fundamental a aquisição de híbridos com resistência para ferrugem polissora e ferrugem comum. Salienta-se que no sistema plantio direto a presença de plantas voluntárias é maior do que no sistema convencional, facilitando a ”ponte verde”

Sintomas de manchas foliares de Cercosporiose.

3.2 Semente sadia

A produção de semente sadia é de competência da empresa que produz e comercializa as sementes. O produtor ao comprar a semente de milho assume que está adquirindo um produto que apresenta sanidade suficiente para não ter problemas de germinação de semente e emergência de plântulas. De certo modo isto é fundamental ao saber-se que a população final de plantas emergidas é um dos principais componentes de rendimento da cultura. Por outro lado, a presença de alguns fungos na semente, dependendo do local de colonização e do grau de infecção, podem não acarretar em problemas na fase de estabelecimento de plântulas, porém estes podem ser transmitidos para a planta e ao final do ciclo da cultura provocar podridão da base do colmo. Servem de exemplo desta situação os fungos causadores de podridões F. verticillioides, S. maydis e S. macrospora.

A infeção de fungos na semente no campo ocorre principalmente na fase de florescimento, polinização e formação dos grãos. A dificuldade em produzir semente sadia pelas empresas deve-se ao fato da maioria das lavouras de sementes serem conduzidas sob plantio direto em monocultura, com o agravante que em algumas situações ocorre excesso de molhamento nos sítios de infecção provocado pela irrigação do milho.

Sintoma de fusariose em espiga.

Sintoma de podridão da base do colmocausado por Giberela.

3.3 Tratamento de semente com fungicida

O tratamento de semente com fungicida(s) previne que as sementes levem os fungos necrotróficos para a lavoura; a rotação de culturas elimina ou reduz o inóculo presente nos restos culturais. As duas práticas usadas conjuntamente agem sobre o inóculo primário e previnem a infecção das plantas de milho.

As sementes de milho são comercializadas tratadas. Porém, é pouco questionada a eficácia deste tratamento em virtude de suas finalidades. Primeiro, o tratamento deve proteger a semente e plântula contra o ataque de fungos habitantes do solo como Aspergillus, Fusarium, Penicillium, Pythium, Rhizoctonia e Trichoderma, que podem reduzir a germinação das sementes, a emergência e estabelecimento das plântulas. Segundo, o tratameto deve evitar que os fungos patogênicos, presentes na semente como Fusarium e Stenocarpella, causem podridão de sementes, reduzam a emergência e o vigor das plântulas, em condições adversas e, sejam introduzidos nas lavouras onde se pratica a rotação de culturas. O tratamento de sementes deve apresentar uma eficiência tal que erradique ou reduza, abaixo do limiar de transmissão, os fungos na semente, evitando a introdução e/ou aumento da intensidade das doenças no campo, principalmente, as podridões da base do colmo.

Outros atributos do tratamento de semente também são importantes, como manter a germinação e o vigor em condições adversas de semeadura, fatores considerados primordiais do ponto de vista fitotécnico, porém com pouco valor para explicar o potencial epidemiológco de uma semente infectada na ocorrência de uma doença em lavouras.

A eficiência no controle do complexo de fungos associados às sementes tem sido melhorada pelo uso de mistura de fungicidas, melhora na qualidade do tratamento comercial e pela produção e uso de sementes com menor incidência de fungos.

3.4 Época de semeadura

O manejo de doenças em plantio direto pela escolha da época de semeadura, de acordo com o zoneamento agroclimático de cada região, restringe-se a alguns problemas de estabelecimento da culura que favoreçam fungos do solo e/ou da semente (evitar épocas em que a temperatura e conteúdo de água no solo sejam desfavoráveis à germinação de sementes e à emergência de plantas) e regiões onde os índices pluviométricos são altos e bem definidos em relação ao ciclo da cultura.

No Sul do Brasil se deve evitar semeaduras nas épocas em que o solo apresenta temperaturas baixas (< 18oC) e que coincidam com excesso de umidade do solo. Neste caso, a semedaura direta do milho sob boa palhada agrava problemas de deterioração de semente e podrião e tombamento de plântulas.

As Regiões do Centro Oeste e Sudeste que cultivam milho, principalmente safrinha, que definem época de semeadura e colheita com base no período de chuva, apresentam uma restrição no manejo de doenças foliares, do colmo e da espiga considerando o princípio do escape. É praticamente impossível prever quantidade, dias cumulativos, início e término do período de chuvas. Cada safra apresenta respostas diferenciadas nas diversas regiões de cultivo. Porém, uma vez definido a época de semeadura com base no requerimento hídrico da cultura nos diferentes estádios de desenvolvimento, sempre que possível é indicado obter dados de normais de chuvas de cada região para evitar acúmulos de períodos críticos favoráveis a infecção dos patógenos, como os causadores de manchas foliares, C. zea-maydis, B. maydis, E. turcicum, S. macrospora.

3.5 Rotação de culturas

No sistema plantio direto os restos culturais são deixados na superfície do solo, o que torna a velocidade de decomposição da palhada mais lenta e aumenta o período de sobrevivência dos patógenos necrotróficos, durante a fase saprofítica.

Sob o ponto de vista fitopatológico, rotação de culturas significa não cultivar o milho na mesma área da lavoura até que ocorra a decomposição completa de seus restos culturais. Se os restos culturais forem eliminados biologicamente, durante a rotação de culturas, através do processo de decomposição microbiana, elimina-se os fitopatógenos que sobrevivem saprofiticamente na palha e que não possuam estruturas de repouso. Porém, o período de decomposição da palha do milho pode ultrapassar 30 meses. Neste caso o milho somente deveria voltar a ser cultivado na safra ou safrinha após este tempo. Na prática, há muitas regiões no Brasil que cultivam milho todos os anos. Raros são os produtores que deixam de cultivar o milho por um ou dois anos. E é nestes casos que os patógenos são eliminados ou reduzidos a um limiar que apresentem baixo potencial de inóculo suficiente para que os níveis de doença não sejam prejudiciais à cultura.

A potencialidade de uso da rotação de culturas em milho tem sido provado e quantificado para cercosporiose, helmintosporiose, podridão do colmo de diplodia e antracnose. Ressalva-se também que os efeitos do controle de doenças pela rotação de culturas são mais notáveis em regiões onde o clima favorece o desenvolvimento de epidemias e, portanto, quando ocorrem perdas econômicas.

De acordo com Reis et al. (2004) os fitopatógenos com potencial para serem controlados pela rotação de culturas devem apresentar as seguintes características:

a) Sobreviver pela colonização saprofítica dos resíduos culturais do milho. Não apresentam habilidade de competição saprofítica. Portanto, apresentam dependência nutricional ao milho.

b) Não apresentem estruturas de repouso ou resistência as quais poderiam mantê-los viáveis por vários anos, no solo, na ausência dos restos culturais, à espera de uma nova oportunidade para infectarem a planta hospedeira quando esta voltasse a ser cultivada naquele local. As principais estruturas de resistência dos fitopatógenos são: clamidosporos, esclerócios e oosporos. Convém citar que algumas espécies de Fusarium produzem clamidosporos, porém, F. graminearum e F. verticillioides, patógenos do milho, não o fazem; tanto Ustilago como Sphacelotheca produzem clamidosporos, porém, somente os do último sobrevivem no solo nesta forma; quanto aos esclerócios, nenhum patógeno do milho os produz; em relação aos oosporos estão presentes em Pythium e em Peronosclerospora.

c) Apresentar pouco ou nenhum hospedeiro secundário (planta sem importância econômica). O único hospedeiro conhecido de S. maydis e S. macrospora é o milho, fazendo com que este patógeno possa ser potencialmente controlável pela rotação. O fungo E. turcicum ataca o sorgo, o capim sudão, o sorgo de alepo e o teosinto. O fungo B. maydis pode parasitar o sorgo e o teosinto. O fungo F. verticillioides, cuja forma teleomórfica, raramente ocorre na natureza, ataca o arroz e o sorgo. Num sistema de rotação de culturas para o controle destes patógenos, logicamente, que os hospedeiros citados, além do milho, não poderão estar presentes na lavoura, pois ao garantirem o acesso dos parasitas a fontes nutricionais alternativas, anulam o efeito da rotação de culturas. O fungo C. zeae-maydis também apresenta o milho como seu único hospedeiro, sendo, portanto, um parasita potencialmente controlável pela rotação de culturas.

d) Apresentar esporos grandes transportados pelo vento a distâncias relativamente curtas. Como exemplo, são apresentadas as dimensões dos esporos dos fungos infectantes dos órgãos aéreos do milho potencialmente controláveis, pela rotação: E. turcicum, 32 x 144 mm, B. maydis, 20 x 160 mm e B. zeicola, 18 x 180 mm e são considerados grandes.

e) Apresentem esporos médios ou grandes, produzidos em corpos de frutificação, transportados pelo vento e gotículas de água a distâncias relativamente curtas. Serve de exemplo S. maydis e S. macrospora cujos conídios são produzidos em picnídios e liberados na forma de cirro, com esporos medindo 5-8 x 15-34 mm e 7-11,5 x 44-82 mm, respectivamente.

f) Apresentem esporos pequenos, produzidos em corpos de frutificação hidrofílicos, que após a liberação são transportados por respingos d’água à curta distância. Na palha do milho, o fungo C. graminicola, produz os conídios protegidos por uma mucilagem dentro de acérvulos, necessitando de água para serem removidos e transportados. Assim, o fungo pode ser controlado pela rotação de culturas.

g) Produzir seus esporos numa estrutura denominada esporodóquio, na qual permanecem unidos e protegidos por uma substância mucilaginosa. São removidos e transportados com gotículas de água pelo vento à curta distância. Nesta forma estes fungos têm potencial para serem controlados pela rotação de culturas. Serve de exemplo F. verticillioides, uma vez que sua forma perfeita (G. moniliformis), que produz ascosporos pequenos e leves, ainda não foi detectada no Brasil.

Detalhe de picnidios de Diplodia em colmo de milho

3.6 População de plantas

De modo geral a populção final de plantas emersas tem afetado doenças do colmo e da espiga. À medida que a população de plantas aumenta, a demanda por nutrientes e água também é incrementada e, quando não forem devidamente supridas qualitativa e quantitativamente, pode predispor as plantas à infecção. A situação se agrava se aliado ocorrer falta ou desequilíbrio de N e K.

As plantas de milho tendem a formar um grande número de grãos na espiga. Após a floração, o fluxo de carbohidratos dentro da planta é direcionado prioritariamente ao enchimento de grãos. Quando, em algumas situações, a planta não produz carbohidratos em quantidade suficiente para a manutenção dos tecidos e, como o fluxo para o grão tem prioridade sobre os demais, a competição por hidratos de carbono dentro da planta leva os tecidos da raíz e da base do colmo e senescerem. A medida que as células iniciam o processo de senescência, seus tecidos tornam-se mais predispostos à colonização pelos patógenos. O ponto chave é a disponibilidade de nitrogênio e potássio, em quantidade suficiente para satisfazer a demanda do metabolismo da planta durante todo o período de crescimento.

Existe resposta diferencial para híbridos, no entanto, na maioria das situações a medida que há aumento na população de plantas há incremento nas podridões do colmo, da espiga e incidência de grãos ardidos. Essa afirmativa é maior e linearmente positiva nos cultivos de milho em monocultura.

A população final de plantas interfere diretamente na produção da cultura do milho. Dessa maneira, antes de reduzir drasticamente a população, deve-se levar em consideração o potencial de rendimento do híbrido para a população indicada deste maerial, analisando-se o custo benefício entre a porcentagem de redução no rendimento de grãos (kg/ha) ou desconto por grãos ardidos (%) em relação a produtividade final, uma vez que há diferenças entre híbridos comerciais na reação à podridão de colmo e incidência de grãos ardidos.

Detalhe de peritécios de Giberela em colmo de milho

3.7 Sucessão de culturas

A sucessão ou sequência de cultivo pode anular o efeito da rotação de culturas caso a espécie cultivada antes ou após o milho seja hospedeira de patógenos do milho.

No Sul do Brasil os maiores problemas ocorrem com a podridão de giberela quando o milho é semeado sob resteva de cereais de inverno.

Nas Regioes Centro Oeste e Sudeste a presença do arroz de sequeiro e do sorgo podem garantir a sobrevivência de giberela e de fusariose. A situação de milheto deve ser melhor explorada pela pesquisa no que diz respeito a garantia de sobrevivência de patógenos do milho. De modo geral, os produtores cultivam estas gramíneas visando a produção ou manutenção de palhada sobre o solo. Tal situação, dependendo das condições climáticas, anula o efeito da rotação para os patógenos citados.

3.8 Manejo do milho safrinha

Ao contrário das plantas voluntárias o milho safrinha é semeado por decisão do agricultor, que em algumas regiões brasileiras, sobretudo, nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, cultivam o cereal na estação de inverno.

O cultivo do milho safrinha em monocultura favorece a sobrevivência, a manutenção e a multiplicação dos agentes biotróficos e necrotróficos. A safrinha representa o manejo do hospedeiro para favorecer a sobrevivência e garantir maior potencial de inóculo dos patógenos do milho.

O milho safrinha ao ser cultivado logo após a colheita do milho da estação normal, estende a fase de parasitismo de todos os fitopatógenos, garantindo, quase que durante todo o ano, a presença do hospedeiro vivo. As lavouras de milho safrinha constituem uma ”ponte verde”, assegurando substrato para os fitopatógenos no período do ano no qual geralmente o cereal não era cultivado. A extensão da área cultivada e o tempo em que o milho safrinha é cultivado correspondem respectivamente a largura e ao comprimento desta ponte.

Sob o ponto de vista epidemiológico, o cultivo do milho safrinha, no Brasil, pela extensão de sua área, determinou uma alteração profunda eimprevisível, no comportamento das doenças do milho. Desta maneira, mesmo o clima não sendo tão favorável ao desenvolvimento dos patógenos e do hospedeiro, em algumas situações pode ocorrer danos consideráveis na cultura, como o ataque severo de ferrugens, de manchas foliares e de podridões do colmo e da espiga. As viroses e o enfezamento, também, podem ter sua importância alterada, uma vez que a população de insetos vetores, como pulgões e cigarrinhas, deve ter um aumentar , devido à disponibilidade de nutrição durante quase todo o ano.

Os problemas do milho safrinha podem ser minimizados pela semeadura de cultivares de milho resistentes às principais doenças do milho, hoje disponíveis no mercado, e pelo cultivo do milho safrinha em rotação de culturas, como por exemplo, o feijão, a soja ou o algodão.

3.9 Controle químico

A aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos do milho visando ao controle de algumas doenças está restrita em função da suscetibilidade do híbrido, das condições climáticas e do sistema de cultivo.

Em sitema plantio direto sob monocultura as manchas foliares reduzem o rendimento de grãos em virtude de afetar a duração da área foliar sadia da planta, que interfere na quantidade de luz absorvida, a qual é responsável principalmente pelos processos de formação e translocação de fotoassimilados. Em geral, quanto maior for o índice de área foliar sadia de uma planta, maior será a translocação de carboidratos, principalmente durante a formação, desenvolvimento e maturação do grão. Assim, qualquer doença que reduza a área fotossintetizante de uma planta, estará afetando a sua produtividade. Deste modo, o objetivo da aplicação de fungicida é manter a planta o mais tempo possível com área foliar sadia.

Os fungicidas devem ser usados nas condições onde a doença alvo do controle químico está causando perdas significativas que justifiquem o custo de controle (custo da aplicação + custo do fungicida). A ferrugem polissora, a helmintosporiose e a cercosporiose são as doenças mais comumente controladas pela quimioterapia.

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Revista Plantio Direto, edição 112, julho/agosto de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.