Evolução tecnológica das semeadoras de plantio direto no Brasil
Ruy Casão Junior; Augusto Guilherme de Araújo e Rafael Fuentes LlanilloInstituto Agrônomico do Paraná - Londrina, PR ruycasao@iapar.br agaraujo@iapar.br rfuentes@iapar.br
Esta é a primeira parte do artigo elaborado com informações do relatório intitulado”SISTEMA PLANTIO DIRETO NO SUL DO BRASIL: Fatores que promoveram a evolução do sistema e desenvolvimento de máquinas agrícolas” (Casão Junior, Araújo e Fuentes Llanillo, 2008), cujo objetivo foi analisar o processo de evolução tecnológica do sistema plantio direto (SPD) no sul do Brasil, com ênfase no desenvolvimento do setor de máquinas agrícolas, e contribuir para a compreensão dos fatores que determinaram a consolidação desse sistema conservacionista de manejo do solo na região.
O trabalho baseia-se nos depoimentos de 66 profissionais ligados à indústrias e revendas de máquinas, agricultores, instituições públicas de pesquisa e assistência técnica, cooperativas agropecuárias, entre outros, os quais foram registrados entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2008 e será publicado em 3 partes.
Pioneiros do sistema plantio direto no Brasil e suas máquinas
O Sistema Plantio Direto (SPD) começou a ser praticado após o lançamento do herbicida de contato Paraquat da Imperial Chemical Industries (ICI) em 1961 e, no Brasil, foi o produtor de Rolândia (PR), Herbert Arnold Bartz, o pioneiro nesta prática em escala comercial. Bartz acompanhou os técnicos da ICI em visita à Estação Experimental da empresa na Inglaterra, contudo na oportunidade não ficou convencido com a viabildiade do sistema. Em seguida, viajou para os Estados Unidos na região de Lexington, Kentucky, sendo recebido pelo pesquisador e extensionista Dr. Shirley Philips, que assessorava o produtor Harry Young, em Herndon, Virginia. Após esta visita, comprou em 1972 a semeadora ALLIS CHALMERS (Figura 1) e iniciou 200 ha de soja em plantio direto em sua propriedade.
Figura 1. Herbert Bartz junto da semeadora Allis Chalmers à esquerda e da Rotacaster à direita.
Poucos anos após, outros produtores paranaenses da região dos Campos Gerais passaram a demonstrar interesse pela adoção do sistema de plantio direto em suas propriedades, tais como Franke Dijkstra e Manoel (Nonô) Henrique Pereira.
Conta Nonô que foi aconselhado pelo Dr. Américo Meinicke da ACARPA a utilizar o plantio direto. Sabia que vários pioneiros semeavam com a semeadora Rotacaster por cima da palha e depois o ”capim marmelada” escondia toda a soja. Nessa fase, foi procurado pelo Dr. Rubens Dinergui, da ICI, que se prontificou a fazer testes usando o Paraquat e Diquat. A dificuldade inicial era a indisponibilidade da máquina, o que o levou a comprá-la, em setembro de 1976, e colocar o pulverizador Hatsuta nas entre linhas da semeadora.
Na safra 1976/77, Nonô procurou Franke Dijkstra que utilizara uma PS 6 da Semeato para semear, com sucesso, sobre a palha de trigo com discos duplos no adubo e semente como no sistema convencional. Pediu então ao Paulo Rossato, proprietário da Semeato, uma barra porta-ferramenta para adaptar um disco de corte na PS6. Esta trazia algumas facilidades uma vez que era de arrasto e com comando hidráulico independente, o que possibilitava passar sobre os terraços. Tal característica permitiu a mudança do espaçamento entre terraços de 20 m para 50 m. A Figura 2 mostra a PS6 adaptada e exposta no museu do SPD na propriedade de Nonô.
Figura 2. Nonô Pereira mostrando cultura de centeio sobre solo raso na Fazenda Agripastos e a PS 6 adaptada no museu do plantio direto.
Na década de 70 eram poucos os pioneiros do SPD. Concentravam-se principalmente na região dos Campos Gerais do Paraná além de algumas iniciativas no Norte do estado e no Rio Grande do Sul sendo a Rotacaster a máquina mais utilizada. O Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) realizou muitas pesquisas resultando no primeiro livro de plantio direto publicado em 1981, mas, nessa época, o principal esforço relativo ao estudo de máquinas agrícolas foi realizado pela Embrapa Trigo como descrito a seguir.
Início do desenvolvimento de semeadoras de plantio direto
José Antônio Portella pesquisador da Embrapa Trigo em Passo Fundo relata que em 1978 a Embrapa importou uma semeadora dinamarquesa de cultivo mínimo, a Nordestern e em seguida a Bettison-3D da Inglaterra, cuja concepção originou todas as demais máquinas de plantio direto no Brasil.
Em 1976, Herbert Bartz foi convidado pela Embrapa para ser membro assessor em Passo Fundo sobre plantio direto. Levou sua ALLIS Chalmers para Passo Fundo e auxiliou na importação da Bettison, além de outra semeadora que deu origem à PS 8 da Semeato.
Paulo Roberto Montagner diretor da Kuhn/Metasa e que iniciou suas atividades em 1979 na Semeato, comenta que a fábrica estruturou um robusto departamento de engenharia que se tornou modelo para o país. Cita que a semeadora TD, desenvolvida em 1980, foi o primeiro projeto nacional de máquina para plantio direto e que na época era sinônimo de culturas de inverno. Portella lembra que a ICI, em parceria com a Embrapa e Semeato, trouxe Laurie Richardson da Inglaterra em 1979 para ajudar a trabalhar com a Bettinson, adequando-a para plantio direto. Assim, a Semeato e a Embrapa em 1979/80 criaram o primeiro protótipo da TD que vinha com triplo disco e a Semeato lançou a TD 220 e, posteriormente, popularizou-se a geração seguinte TD 300 (Figura 3).
Figura 3. Semeadora de plantio direto TD 300 da Semeato.
O intercâmbio da Embrapa com o Canadá possibilitou aos pesquisadores Faganello e Reinoldo conhecerem os discos duplos desenvolvidos pelo pesquisador Ben Dick, que também foi um dos idealizadores do plantio direto. Portella conta que a Lavrale, que era fabricante de enxadas rotativas, queria construir uma semeadora baseada na Rotacaster, mas foi apresentada a eles a Bettinson, estimulando-os a usar os discos duplos defasados trazidos do Canadá, pois a Semeato estava usando o triplo disco. A Lavrale aceitou o desafio colocando os discos duplos no mercado.
Portella lembra que na época em que a Semeato começou a vender a TD, uma pequena empresa, a Egan, aproximou-se da pesquisa e construiu uma máquina rústica e simples, mas desapareceu em seguida. Depois a Fankhauser com seus diretores Pedro e Carlos tiveram aceitação muito grande fabricando inicialmente as semeadoras de fluxo contínuo.
Dificuldades para o desenvolvimento de semeadoras na década de 80
Pedro Fankhauser, presidente da empresa conta que em 1982 os pesquisadores iniciaram a trabalhar com plantio direto. Havia muita ignorância e muitos produtores achavam que as semeadoras deveriam trabalhar até sobre estradas, perdendo-se muito tempo em desenvolvimento dos produtos. Foi somente no final da década de 80 e início da de 90 que houve maior consenso do que uma máquina de plantio direto deveria fazer.
Paulo Montagner destaca que a virada para os anos 90 foi crucial, pois até então, estavam somente identificando problemas. Foram 10 anos de estudos e a custo alto para a empresa. Na década de 80 o SPD teve um avanço no início e retrocesso em seguida devido principalmente aos herbicidas, com retomada no final. Neste momento, os herbicidas começaram a funcionar, a pesquisa começou a identificar outras vantagens e concordando com as afirmações de Pedro Fankhauser, cita que ficou mais fácil projetá-las, pois o difícil é desenvolver sem objetivos bem definidos.
A Fankhauser, no início, procurou desenvolver máquinas de SPD para as pequenas propriedades e fez muitos trabalhos com o CAT (Clube dos Amigos da Terra) de Cruz Alta, que era a estratégia mais lógica do ponto de vista comercial.
João Martins de Freitas supervisor de desenvolvimento de produto da Marchesan de Matão, (SP) cita que a empresa iniciou a fabricar semeadoras a partir 1983, iniciando pelas semeadoras de fluxo contínuo, para o sistema convencional, e em seguida adaptaram discos duplos e disco de corte (triplo disco) para uso no plantio direto. Essa era a semeadora SD que possuía rodas apoiadas diretamente no chassi ficando suspensas pela ação das molas o que resultava em problemas devido às ondulações do terreno. Em 1985/86 foi lançada a SDA com rodas articuladas para corrigir este problema tornando-se novidade no mercado. A SDA evoluiu para a SDA2, mais estruturada, e com maior número de linhas, acompanhando o aumento da potência dos tratores. Para a Argentina, as semeadoras de fluxo contínuo possuíam de 27 a 29 linhas espaçadas de 15,8 cm. Informações fundamentais para o projeto dessas máquinas eram obtidas com agricultores-chave, tais como, Herbert Bartz e Manoel Sakai assim como por uma rede de 60 vendedores regionais os quais faziam contato direto com produtores e repassavam ao setor de desenvolvimento do produto.
Marcos Luiz Lauxen, diretor superintendente da Vence Tudo conta que em meados de 1985, após visitas ao Embrapa Trigo, Fundacep de Cruz Alta e algumas Cooperativas, identificou, juntamente com a equipe da fábrica, a necessidade urgente de desenvolver uma máquina para o SPD para não ficar fora do mercado. Foram também a Ponta Grossa conhecer as tecnologias usadas, visitaram produtores e fundições e compraram alguns kits para adaptar nas máquinas e tiveram sucesso. Assim, em 1987 desenvolveram a primeira semeadora de plantio direto com cinco linhas, montada no trator, com rodado externo, sulcador bem estreito e discos duplos para deposição de sementes. Não havia disco de corte neste modelo. Após vários aperfeiçoamentos desalinharam a máquina, ou seja, com os sulcadores em zig-zag, mas ainda sem discos de corte. Com a entrada do milho na rotação, em 1991/92, introduziram o disco de corte e continuaram a fazer aperfeiçoamentos constantes.
Hildo Frantz da revenda Agrimaq de Toledo (PR), lembra que quando era agricultor em Cruz Alta e, seu primo, agrônomo e presidente do CAT, acompanhou demonstrações das semeadoras da Imasa, Semeato e Max Turbo em 1986/87. Na época a Max era adaptada com disco de corte e sulcador, mais 200 kg de peso para poder aprofundar no solo, no entanto, eram máquinas frágeis e que após um ano de uso apresentavam problemas tais como quebra do chassi. A PAR da Semeato foi a primeira que surgiu e que possuía robustez para superar estes problemas.
Nos anos 80, o plantio direto apresentava resultados satisfatórios nos primeiros dois anos e depois o solo ficava compactado fazendo com que os produtores desistissem. Os que insistiram, depois de 7 anos conseguiram superar os problemas. Os que desistiram, por sua vez, retornaram 10 anos depois em função dos graves problemas de erosão no manejo convencional. Nesta ocasião, predominavam aveia e trigo e com o aparecimento do bicudo , surgiu a rotação com milho, o que resultou em aumento da palha sobre o solo.
Os Dias de Campo de Cruz Alta reuniam multidões em 1990/91 pois todos queriam entrar no SPD. Em geral, começavam em 10% a 15% da propriedade, com uso da escarificação e correção do solo, conseguiam formar volume razoável de palha e acumular matéria orgânica, fazendo com que o solo se descompactasse por si mesmo. A palha de aveia podia ser vista no solo por ocasião da colheita da soja, o que não ocorria no PR, pois decomposição é muito intensa devido às altas temperaturas.
As primeiras multissemeadoras
Eduir Pretto do Amaral, consultor e ex-diretor de engenharia da Imasa relata que em 1980 a empresa desenvolveu a multissemeadora SDT para plantio direto que possuía caixa reversível, rotores para sementes miúdas e discos alveolados para as graúdas e que se tornou a precursora do modelo MP. Nesta última, procurou-se facilitar as mudanças entre verão e inverno, ou seja, entre dosadores de precisão e de fluxo contínuo, pelo aperfeiçoamento dos discos de distribuição de sementes, os quais continuam em uso até hoje no modelo MPS (Figura 4). Segundo Eduir, a indústria passava por grave crise financeira na época e deve sua sobrevivência ao plantio direto.
Figura 4. Multissemeadora MPS da IMASA.
Em torno de 1985 a equipe de mecanização da Embrapa Trigo tentou convencer as indústrias a fabricarem as multissemeadoras. A Imasa foi a pioneira, seguida pela Fankhauser que, por sua vez, desenvolveu depósitos pequenos de sementes que ficaram conhecidos por ”pipoqueiras” e, depois a Semeato desenvolveu a SHM. Até então a Semeato acreditava na concepção de máquinas distintas para os diferentes dosadores e mantinha os modelos PS e PAR para sementes graúdas e a TD para miúdas. Os outros fabricantes, inclusive os de São Paulo, fabricavam as semeadoras para plantio direto somente para fluxo contínuo, conta Portella.
Adaptações de semeadoras de precisão
Ao mesmo tempo em que as indústrias desenvolviam seus produtos, produtores incentivavam pequenas oficinas a adaptarem as semeadoras convencionais existentes. Um exemplo foi a experiência de Luiz Külzer e do produtor Julio Kliemann que colocaram a primeira haste sulcadora em uma semeadora PS 6 da Semeato, em 1981, com a função de abrir um sulco e depositar sementes e, em virtude do sucesso obtido, em 1983 colocaram outra haste para fertilizante. A PS 6 era uma máquina para o sistema convencional, sendo adaptada com um disco de corte à frente, um disco duplo desalinhado para deposição de adubo e outro para deposição de sementes atrás, alinhado com o disco de corte.
Com a introdução da haste sulcadora de fertilizante, viabilizou-se o alinhamento dos componentes e o plantio direto avançou na região de Toledo (PR). Luiz Külzer desenvolveu também um sistema de transferência de peso sobre as linhas de semeadura utilizando cabo de aço, conseguindo assim pressão uniforme sobre as mesmas quando passam por oscilações do terreno. No início fazia adaptações em modelos existentes no mercado e posteriormente criou sua própria semeadora.
Mario Morgenstern de São Miguel do Iguaçu (PR) relata que, em 1978, iniciou na região a semeadura direta do milho safrinha despertando o interesse dos produtores, os quais passaram a pedir a adaptação de sulcadores em semeadoras convencionais de fluxo contínuo e de precisão como uma forma de inciair no sistema sem a necessidade de grande investimento em máquinas. Em seguida começaram as primeiras experiências de plantio direto de soja em precisão, em substituição às máquinas de fluxo contínuo, mas devido à falta de herbicidas adequados esse processo não avançou . Somente após 1985, com a intensificação do plantio direto na região, aumentaram as adaptações nas semeadoras de precisão. A dificuldade principal encontrava-se nos rompedores de solo, discos de corte e hastes sulcadoras devido ao alto teor de argila (superior a 60%) na região, contudo, havia também problemas com a semeadura em solo úmidos e secos. Com o crescimento da adoção pelos produtores, a oficina passou a receber demandas de outras regiões e foi ampliada.
Benjamim Dalla Rosa, diretor e proprietário da Planticenter em Marialva (PR) chegou a Maringá em 1988 e, como engenheiro mecânico, havia trabalhado em várias fábricas de máquinas agrícolas do norte do RS. No Paraná, foi estimulado pelo então agrônomo da Cocamar, Moacir Ferro, para trabalhar na adaptação de semeadoras de plantio direto, em virtude dos problemas de penetração em solos compactados e inexistência de sulcadores apropriados para colocação de adubo e as sementes na profundidade correta. Desenvolveu, então, uma haste afastada do disco de corte e alinhada com este e com o disco de sementes além de uma roda limitadora de profundidade e aterradora em ”V” que trazia o solo sobre o sulco.
Pode-se dizer que a década de 80 foi o período em que se iniciou o processo de projeto de máquinas para plantio direto adaptadas às condições do Brasil. A interação entre a pesquisa agrícola, produtores pioneiros e seus funcionários, com apoio da ICI, além das iniciativas regionais de outras indústrias pioneiras e de oficinas de adaptação de máquinas foram fundamentais para a superação dos principais problemas técnicos e consolidação do sistema no sul do Brasil.
Papel da pesquisa no projeto e desenvolvimento de semeadoras nos anos 90 e início de 2000
No final da década de 80 a equipe de Evandro Mantovani da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas-MG, realizou testes de semeadoras convencionais com o objetivo de comparar o desempenho de vários modelos comerciais, e cuja metodologia foi adaptada posteriormente pelos pesquisadores da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, para o caso de semeadoras de plantio direto. Entre 1993 a 1997 foram avaliadas 57 máquinas e os resultados estão publicados.
Portella, pesquisador da Embrapa Trigo, conta que a Marchesan foi a indústria que, nessa época, introduziu o distribuidor de fertilizante com rosca sem fim e que, dois anos depois, todas empresas já dispunham deste dispositivo em suas máquinas. Não havia problemas com cópias e nem preocupação excessiva com a proteção industrial dos produtos sendo intensa a troca de experiências e cópias entre os fabricantes. Argumenta que se não fosse isso na época não seria possível dar o grande salto de qualidade que houve. A Jumil, por sua vez, foi a primeira a trazer o sistema pneumático com o modelo francês da Monossen (Figura 5). A máquina foi avaliada em 1995 e 96, e a partir daí as outras indústrias adotaram a idéia e foram introduzindo os sistemas da Accord, Becker, e Gaspardo.
Figura 5. Multissemeadora Múltipla da Jumil.
O pesquisador considera ainda que a qualidade das máquinas brasileiras é boa, tanto é que o país exporta para vários locais, contudo a diferença entre fabricantes se verifica principalmente quanto à assistência técnica e preço. Foram 10 anos de contribuições que a Embrapa e IAPAR ofereceram nas avaliações e trocas de experiências entre as indústrias, pesquisa, assistência técnica e produtores. Ocorrendo exatamente no período onde a adoção do SPD cresceu de 1milhão para 25 milhões de hectares no Brasil.
Entre 1996 e 2003, no Paraná, o IAPAR realizou estudos de avaliação do desempenho em mais de 100 modelos de semeadoras diretas de precisão, fluxo contínuo e multissemeadoras em parceria com vários fabricantes. No final dos anos 90 o instituto passou também a organizar eventos de avaliação e demonstração dinâmica de semeadoras diretas para os produtores nas principais regiões produtoras. Nestas demonstrações, as máquinas eram avaliadas com 30 dias de antecedência e na exposição dinâmica os dados eram apresentados em tabelas no campo e em publicações distribuídas aos participantes. Participaram desses trabalhos a Baldan, Marchesan, Jumil, Planticenter, Külzer & Klieman, Morgenstern, John Deere, Fankhauser, Imasa, Vence tudo, Sfil, Metasa, Max e Gihal.
No final da década de 90 o mercado de semeadoras de plantio direto já era bastante dinâmico com lançamentos freqüentes de novos modelos e introdução de aperfeiçoamentos nas máquinas existentes. Neste período muitos fabricantes vendiam semeadoras de fluxo contínuo e algumas como a Semeato, Imasa, Vence Tudo, Sfil, Max e Marchesan possuíam multissemeadoras contudo, a esmagadora preferência dos produtores pelas culturas de verão e milho safrinha fazia com que cerca de 90% do mercado estivesse direcionado às semeadoras de precisão (plantadeiras). Contribuía para isso o fato de que a semeadura de plantas de cobertura (destacadamente a aveia) era feito a lanço com gradagem posterior e a semeadura de trigo com máquinas antigas. A partir dos anos 2000 esta situação começou a mudar e vários fabricantes apresentaram novos modelos de semeadoras de fluxo contínuo e multissemeadoras.
As indústrias que estavam mais presentes com semeadoras de plantio direto no início da década de 90 eram a Semeato, Imasa, Fankhauser, Vence Tudo, Jumil, Marchesan e Baldan, além de outras que já não estão no mercado atualmente. Já no final da década surgiram a John Deere, Sfil, Max, Metasa e Külzer & Klieman, no início dos anos 2000 a Planticenter, Gihal, Case, Morgenstern e, mais recentemente a Stara, a Kuhn que adquiriu a Metasa, a Agco que adquiriu a Sfil, a KF, além das indústrias de equipamentos a tração animal que passaram a entrar no mercado de semeadoras mecanizadas, como a Fitarelli, Knapik, Nsmafrense e Werner.
Revista Plantio Direto, edição 112, julho/agosto de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.