Giberela em Trigo e Cevada
Dirceu N. GassenGerente Técnico da Cooplantio - E-mail: dirceu@dirceugassen.com
O texto sobre giberela em trigo e cevada foi elaborado com base em observações de campo, revisão bibliográfica e informações verbais dos pesquisadores José M. Fernandes, Emerson Delponte e Erlei Reis, com o objetivo de atender as demandas de informações de agricultores e assistentes técnicos.
A doença conhecida como giberela é causada pelo fungo Gibberella zeae, na fase sexuada e Fusarium graminearum, na fase assexuada.
Na fase de G. zeae, o fungo produz estruturas negras, denominadas de peritécio (Figura 1, esquerda). Os peritécios podem ser encontrados em palhas de várias gramíneas e se mantém durante meses nas lavouras.
Figura 1. Esquerda: espiguetas de trigo com peritécios de Gibberella zeae. Direita: estruturas reprodutivas de Fusarium graminearum (cor rosa característica).
Sob condições de chuva contínua (mais de 2 dias) e elevada umidade do ar, os ascósporos são lançados para fora do peritécio com grande força, formando nuvens de esporos, que disseminam longas distâncias pelo vento. Ao encontrar plantas hospedeiras nas fases de floração e formação de grãos, penetram pela estrutura reprodutiva da planta e estabelecem no ráquis da espiga. Depois, desenvolvem massa de fungo (micélio) e passam a produzir estruturas reprodutivas que penetram nos estômatos (aberturas de respiração da planta).
O ciclo biológico da giberela se completa em torno de uma semana. A infecção de espigas sempre inicia com ascosporos de giberela, que desenvolvem hifas dentro da planta em 24 horas e iniciam a formação de peritécios em 2 dias. Em 4 dias podem ser constatados peritécios imaturos e a partir de 6 dias, do início da infecção, os peritécios estão maduros, contendo grandes quantidades de ascosporos, a principal fonte de infestação de lavouras.
Sob chuvas intensas, os ascosporos também desenvolvem no pedúnculo da espiga, causando escurecimento e confusão com os sintomas de brusone-de-pescoço (Figura 2, esquerda). Também penetram e desenvolvem na bainha da folha, causando a morte do limbo foliar (folha seca) (Figura 2, centro) e até no nó do colmo (Figura 2, direita).
Figura 2. Danos de Gibberella zeae no pedúnculo da espiga de trigo (esquerda), na morte da folha bandeira (centro) e com peritécios de giberela na bainha da folha e fusário no nó do colmo (direita).
Em trigo, o período de infecção mais severo é o de floração, quando o fungo penetra pelas anteras e infecta as estruturas reprodutivas da espiga. Porém, a infecção também pode ocorrer nas fases de formação e até o enchimento total de grãos.
A infecção inicia com ascósporos de giberela, que penetram na planta, podendo produzir duas formas: giberela ou fusário. As estruturas de cor rosa, fase assexuada de F. graminearum, produz conidióforos e conídios (Figura 1). Essa fase, em geral, desenvolve em períodos secos, depois da infecção de ascosporos e sintomas de cor negra (giberela) que predominam em períodos chuvosos. A explicação do processo de formação de giberela ou de fusário ainda é pouco conhecida.
A combinação favorável para a maior severidade de giberela é a presença de grandes quantidades de esporos, períodos prolongados e contínuos de chuvas, elevados teores de umidade do ar, temperaturas acima de 20 oC e cultivares suscetíveis.
Em cevada, que floresce dentro da bainha da folha bandeira, a infecção ocorre depois da emissão da espiga, nas fases de formação de grãos (Figura 3).
Figura 3. Esquerda: Gibberella zeae em espiga de cevada. Direita: Claviceps purpurea em panícula de azevém, causa confusão com o sintoma de fusário.
Em azevém, ocorrem estruturas de cor rosa, causadas por Claviceps purpurea (Figura 3), causador do ergoto, freqüentemente atribuídas à giberela. A ocorrência de giberela ou do fusário na panícula de azevém é muito rara, em geral, confundida com a de ergoto.
Danos
A giberela causa a morte de espiguetas, parte ou toda a espiga e pode desenvolver no colmo das plantas. No passado, a giberela era considerada doença capaz de causar danos relativamente baixos, em espigas isoladas.
Na safra de 2005 e de 2007 foram constatados danos em áreas extensivas, em todas as espigas de plantas de lavouras. Em casos de danos severos, as espigas de lavouras inteiras perdem a coloração, secam, dando aspecto de lavoura morta, com folhas verdes.
O fungo pode infectar uma espigueta, parte ou toda espiga, o pedúnculo (colmo imediatamente abaixo da espiga), a colmo e até a folha bandeira (Figuras 1 e 2).
Toxinas
Além de danos diretos na planta, a giberela pode produzir micotoxinas (toxinas de fungos) conhecidas como zearalelona e deoxynevalenol. A zearalelona mimetiza o estrogeno, causando aborto em fêmeas grávidas de mamíferos e a feminização de machos. A deoxynivalenol, também conhecida como vomitoxina, causa mal-estar e rejeição a alimentos. Na indústria de alimentos e bebidas e na legislação de saúde, aumentam os rigores e restrições na presença de grãos giberelados.
Controle
A giberela em trigo, cevada e triticale ocorre a partir da fase de floração e é uma doença considerada de difícil controle sob ambiente de clima chuvoso, favorável ao fungo.
Os modelos matemáticos, combinando condições de ambiente favorável e presença de ascosporos do fungo, são muito importantes para orientar o agricultor na adoção de medidas de controle.
O uso de fungicidas pode reduzir a infecção e a severidade da giberela em torno de 60 %, quando aplicados a partir do início da floração de trigo ou do início da emissão de espigas de cevada. A maior eficiência no controle é obtida com a aplicação de fungicidas de ação sistêmica, aplicados com ângulo de bicos do pulverizador, inclinados a 45 graus.
O texto sobre giberela em trigo e cevada foi elaborado com base em observações de campo, revisão bibliográfica e informações verbais dos pesquisadores José M. Fernandes, Emerson Delponte e Erlei Reis, com o objetivo de atender as demandas de informações de agricultores e assistentes técnicos.
A doença conhecida como giberela é causada pelo fungo Gibberella zeae, na fase sexuada e Fusarium graminearum, na fase assexuada.
Na fase de G. zeae, o fungo produz estruturas negras, denominadas de peritécio (Figura 1, esquerda). Os peritécios podem ser encontrados em palhas de várias gramíneas e se mantém durante meses nas lavouras.
Sob condições de chuva contínua (mais de 2 dias) e elevada umidade do ar, os ascósporos são lançados para fora do peritécio com grande força, formando nuvens de esporos, que disseminam longas distâncias pelo vento. Ao encontrar plantas hospedeiras nas fases de floração e formação de grãos, penetram pela estrutura reprodutiva da planta e estabelecem no ráquis da espiga. Depois, desenvolvem massa de fungo (micélio) e passam a produzir estruturas reprodutivas que penetram nos estômatos (aberturas de respiração da planta).
O ciclo biológico da giberela se completa em torno de uma semana. A infecção de espigas sempre inicia com ascosporos de giberela, que desenvolvem hifas dentro da planta em 24 horas e iniciam a formação de peritécios em 2 dias. Em 4 dias podem ser constatados peritécios imaturos e a partir de 6 dias, do início da infecção, os peritécios estão maduros, contendo grandes quantidades de ascosporos, a principal fonte de infestação de lavouras.
Sob chuvas intensas, os ascosporos também desenvolvem no pedúnculo da espiga, causando escurecimento e confusão com os sintomas de brusone-de-pescoço (Figura 2, esquerda). Também penetram e desenvolvem na bainha da folha, causando a morte do limbo foliar (folha seca) (Figura 2, centro) e até no nó do colmo (Figura 2, direita).
Em trigo, o período de infecção mais severo é o de floração, quando o fungo penetra pelas anteras e infecta as estruturas reprodutivas da espiga. Porém, a infecção também pode ocorrer nas fases de formação e até o enchimento total de grãos.
A infecção inicia com ascósporos de giberela, que penetram na planta, podendo produzir duas formas: giberela ou fusário. As estruturas de cor rosa, fase assexuada de F. graminearum, produz conidióforos e conídios (Figura 1). Essa fase, em geral, desenvolve em períodos secos, depois da infecção de ascosporos e sintomas de cor negra (giberela) que predominam em períodos chuvosos. A explicação do processo de formação de giberela ou de fusário ainda é pouco conhecida.
A combinação favorável para a maior severidade de giberela é a presença de grandes quantidades de esporos, períodos prolongados e contínuos de chuvas, elevados teores de umidade do ar, temperaturas acima de 20 oC e cultivares suscetíveis.
Em cevada, que floresce dentro da bainha da folha bandeira, a infecção ocorre depois da emissão da espiga, nas fases de formação de grãos (Figura 3).
Em azevém, ocorrem estruturas de cor rosa, causadas por Claviceps purpurea (Figura 3), causador do ergoto, freqüentemente atribuídas à giberela. A ocorrência de giberela ou do fusário na panícula de azevém é muito rara, em geral, confundida com a de ergoto.
Danos
A giberela causa a morte de espiguetas, parte ou toda a espiga e pode desenvolver no colmo das plantas. No passado, a giberela era considerada doença capaz de causar danos relativamente baixos, em espigas isoladas.
Na safra de 2005 e de 2007 foram constatados danos em áreas extensivas, em todas as espigas de plantas de lavouras. Em casos de danos severos, as espigas de lavouras inteiras perdem a coloração, secam, dando aspecto de lavoura morta, com folhas verdes.
O fungo pode infectar uma espigueta, parte ou toda espiga, o pedúnculo (colmo imediatamente abaixo da espiga), a colmo e até a folha bandeira (Figuras 1 e 2).
Toxinas
Além de danos diretos na planta, a giberela pode produzir micotoxinas (toxinas de fungos) conhecidas como zearalelona e deoxynevalenol. A zearalelona mimetiza o estrogeno, causando aborto em fêmeas grávidas de mamíferos e a feminização de machos. A deoxynivalenol, também conhecida como vomitoxina, causa mal-estar e rejeição a alimentos. Na indústria de alimentos e bebidas e na legislação de saúde, aumentam os rigores e restrições na presença de grãos giberelados.
Controle
A giberela em trigo, cevada e triticale ocorre a partir da fase de floração e é uma doença considerada de difícil controle sob ambiente de clima chuvoso, favorável ao fungo.
Os modelos matemáticos, combinando condições de ambiente favorável e presença de ascosporos do fungo, são muito importantes para orientar o agricultor na adoção de medidas de controle.
O uso de fungicidas pode reduzir a infecção e a severidade da giberela em torno de 60 %, quando aplicados a partir do início da floração de trigo ou do início da emissão de espigas de cevada. A maior eficiência no controle é obtida com a aplicação de fungicidas de ação sistêmica, aplicados com ângulo de bicos do pulverizador, inclinados a 45 graus.
Publicado: Revista Plantio Direto, edição 111, maio/junho de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.