Lavoura referência de manejo
A partir dessa edição a Revista Plantio Direto fará o acompanhamento periódico de lavouras conduzidas em Passo Fundo, 680 m de altitude, com coordenadas de GPS S 28º 10.475‘ W052º20.840‘.
Serão quatro condições de lavouras com diferentes sistemas de produção separadas por estradas, em duas propriedades vizinhas. O solo é classificado como Latossolo Vermelho distrófico, em torno de 40 % de argila. As próximas edições terão imagens e registros das lavouras, tomados nos mesmos locais.
A lavoura A (Figura 1) teve soja no verão de 2009, pousio de outono com vegetação espontânea de azevém, nabo e plantas daninhas de inverno. A cobertura de solo era irregular com variação no tamanho de plantas. Foi dessecada com semeadura de trigo no dia 19 de junho.
A lavoura B (Figura 1) teve soja no verão de 2009, com pousio e vegetação espontânea de azevém, nabo e plantas daninhas de inverno.
Figura 1. Lavoura A (esquerda) e lavoura B (direita) com detalhes da cobertura vegetal em 19 de junho de 2009.
A lavoura C (Figura 2) teve soja no verão de 2009, com colheita de 3.703 kg/ha (61,7 sc/ha). Em maio foi semeado aveia mesclada com nabo para produção de biomassa e adubação verde, para semeadura de milho em setembro. As plantas apresentavam entre 10 e 15 cm de altura.
A lavoura D (Figura 2) teve milho no verão com produção aproximada de 9 toneladas de grãos/ha. O desenvolvimento do nabo forrageiro foi prejudicado pelo período de estiagem em março e abril. A altura média das plantas era de 1,1 m e produção estimada de 23,3 toneladas de massa verde aérea e 2,83 toneladas de massa seca aérea por hectare. O nabo foi dessecado dia 19 de junho com a projeção de semeadura de trigo.
Figura 2. Lavoura C (esquerda) e lavoura D (direita) planejadas para rotação de culturas e produção de palha, com detalhes da cobertura vegetal em 19 de junho de 2009.
Constatou-se a presença de duas espécies de corós, Cyclocephala flavipenis e Diloboderus abderus (Figura 3). Cyclocephala desenvolve próximo à superfície do solo, consumindo palha, enquanto o coró-da-pastagem, D. abderus, vive em galeria vertical e se alimenta de plantas, com maior consumo em julho até o início de setembro.
Figura 3. Larvas de corós, Cyclocephala flavipenis (esquerda) e Diloboderus abderus (direita), coletadas nas lavouras A e B.
Foi constatada a presença de montículos de terra e duas aberturas na saída da galeria na forma de Y, característicos do grilo-marrom, Anurogrillus muticus (Figura 4).
Figura 4. Montículo de terra, abertura de galeria na forma de Y e ninfa do grilo-marrom, Anurogrillus muticus, posicionada a 20 cm de profundidade no solo, constatado nas lavouras A e B, com pousio de outono.
É importante destacar que os corós e os grilos eram freqüentes nas lavouras A e B, com pousio. Enquanto nas lavouras C e D, planejadas para rotação de culturas e adubação verde semeada, não foram constatados esses insetos. Na área D, constatou-se a presença de larvas de idiamin, Lagria villosa (Figura 5), que se alimenta de matéria orgânica e palha, não sendo praga em lavouras.
Na região, as atividades predominantes da semana eram de dessecação e de semeadura de trigo e alguns casos.
Figura 5. Raízes secundárias de nabo forrageiro e larva de idiamim, Lagria villosa, constatada na lavoura D.
Revista Plantio Direto, edição 111, maio/junho de 2009. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.