Os “Bravos Homens do Campo” precisam de Ajuda!
Alécio SellaAcadêmico de Agronomia da Universidade de Passo Fundo efilho de produtor rural do Município de Carazinho, RS.E-mail: aleciosella@gmail.com
Nossos ”Bravos Homens do Campo” são conhecidos por muitos como destruidores das florestas e poluidores da natureza, entre vários outros ”adjetivos” a eles atribuídos, muitas vezes por influência da imprensa e, mais recentemente, pelas famosas Organizações Não Governamentais (ONGs).
Com o passar dos anos, além da pressão que existe sobre nossos produtores, surgem de tempos em tempos, propostas para regrar nossa agricultura com a imposição de novas leis na produção agrícola, principalmente no que se refere à preservação ambiental.
O momento é de discussões polarizadas sobre a atualização do Código Florestal de 1965. Imaginem que, quando esta legislação foi criada, nosso País sonhava com o Tricampeonato Mundial de Futebol e hoje já somos Pentacampeões, em busca de um Hexacampeonato. Nessa época ocorria o estímulo ao desenvolvimento, que incluía a exploração de grandes áreas que eram desmatadas para a produção de alimentos. Atualmente, o termo ”desmatamento” tornou-se um palavrão terrível. O grande empecilho para uma discussão saudável é que as propostas para a nova legislação são absurdas e irrealizáveis do ponto de vista econômico e até social.
Sendo aprovadas estas propostas, muito de nossa paisagem atual irá se modificar. Como exemplo, as belas videiras nas encostas dos morros no Rio Grande do Sul irão sumir. Teremos que fotografá-las para termos uma lembrança. Um moinho colonial localizado no Distrito de Rincão Doce no interior de Santo Antônio do Planalto - RS, que produz farinha para alimentar muitos lares da região terá que fechar, assim como as indústrias localizadas próximas aos rios. Os cafezais em Minas Gerais também desaparecerão. Plantações de uva em ladeiras com 45º de inclinação, e locais como topos de morros se transformarão em Áreas de Preservação Permanente (APPs).
Além da paisagem, nosso cardápio também sofrerá mudanças, porque o arroz consumido todos os dias deverá ser um produto exclusivamente importado e mais caro, pois teremos o fim do cultivo nas várzeas irrigadas no RS.
Ainda existe a questão da Reserva Legal que impõe aos produtores do Sul e Sudeste a manutenção da mata intacta em 20% de sua propriedade, já em áreas do Cerrado é de 35% e na Amazônia em 80%. Em síntese, essas novas propostas de leis tornarão a agricultura uma atividade inviável.
E que resultado teremos?
Além da grande queda de produção de alimentos, muitos dos nossos ”Bravos Homens do Campo” juntamente com seus familiares terão que abandonar suas propriedades e buscar novas atividades na cidade. Isso tudo causaria um dano social imensurável. Com essa legislação, somadas as áreas para Reservas Indígenas as Áreas de Preservação Permanente, restariam apenas 25% do território nacional para atividade agrícola.
Nos grandes centros urbanos há maior poluição do meio ambiente. Basta observarmos os rios que cortam cidades, são verdadeiros depósitos de lixo e dos mais variados dejetos que vão de esgoto cloacal ao industrial. Por outro lado, em um rio que atravessa a zona rural, observa-se a vegetação presente nas margens e vastas lavouras destinadas para produção de alimentos, fruto de muito suor dos produtores.
Ninguém de bom senso ignora a necessidade de se produzir de forma sustentável para conquistar mercados externos, mas produzir com sustentabilidade é importante, sobretudo, para manter nossos ”Bravos Homens do Campo” vivos e fortes na atividade. Para isso sim necessitamos de mudanças.
Os produtores rurais, como sempre, não se cansam de trabalhar para aumentar produção e compensar perdas de câmbio e variação de preços, para preservar e gerar qualidade de vida no campo e nas cidades, preocupados com o futuro das próximas gerações. Eles precisam que todos se mobilizem. Precisam de ajuda, precisam de união para exigir do Governo uma nova política agrícola para nosso País.