Uso de Micronutrientes


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Publicado em: 01/12/2008

Uso de micronutrientes

A necessidade do progressivo aumento da produtividade das culturas sem o aumento da área plantada, além da busca crescente de redução de custos na produção tem motivado agricultores a lançar mão de tecnologias que possam trazer resultados positivos no rendimento e na rentabilidade da lavoura.

Obedecendo a essa tendência o Brasil apresenta um crescimento médio anual de 5% na produção de soja, cultura de considerável expressão na receita agrícola do país, que é o segundo maior produtor mundial, devendo chegar ao 1o lugar em menos de 10 anos. Isso irá ocorrer como resultado do uso de fertilizantes, tecnologias de melhoramento genético e biotecnologia, integração agricultura e pecuária e o plantio direto na palha.

Segundo dados da Embrapa Soja, de Londrina, PR, pesquisas com micronutrientes têm indicado a necessidade de sua utilização, particularmente nos Cerrados, visando máximos rendimentos da cultura. Contudo, a pesquisa sugere que a adubação com micronutrientes seja efetuada com base na análise de solo e/ou de tecido vegetal, mas esse comportamento não é observado à campo, pois a aplicação de micronutrientes tem sido realizada, em muitos casos, sem considerar qualquer resultado de análise de solo ou planta. Segundo a pesquisa é importante considerar que o uso desordenado de fertilizantes traz risco de insucessos pela ausência de resposta das culturas, o que implica em aumentos nos já elevados custos de produção.

Micronutrientes são essenciais para o desenvolvimento das culturas

A pequena participação dos elementos minerais na constituição dos vegetais e o próprio termo ”micronutrientes” podem sugerir menor grau de importância, mas todos são essenciais para o desenvolvimento e reprodução das plantas. Esses elementos são utilizados pelas culturas em pequenas quantidades, sua falta, porém, pode acarretar perdas na produtividade.

Para o pesquisador Luiz Alberto Staut, da Embrapa CPAO, de Dourados, MS, por fazerem parte de um componente que induz a produção da enzima responsável pelo metabolismo essencial das plantas, diversos elementos químicos são indispensáveis ao desenvolvimento dos vegetais, pois na ausência de alguns, as plantas não fecham o ciclo de vida. Para ele, do ponto de vista fisiológico, todos os elementos essenciais são nutrientes. ”Os elementos considerados essenciais para as plantas superiores são: carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, fósforo, enxofre, potássio, cálcio, magnésio, manganês, ferro, zinco, boro, cobre, molibdênio e cloro”, explica Staut. Desses, de acordo com o pesquisador, com exceção de carbono, hidrogênio e oxigênio todos necessitam de reposição ao longo do tempo.

De acordo com Pedro Escosteguy, professor e pesquisador da Universidade de Passo Fundo, RS, as concentrações dos nutrientes essenciais, geralmente, variam com a espécie de planta e as condições de cultivo, inclusive em solos com o mesmo teor de nutrientes e manejo de adubação. ”Esta variação pode resultar em diferentes relações nutricionais. No entanto, estas relações ainda não foram bem estabelecidas pela pesquisa. Por outro lado, para se ter uma idéia sobre as quantidades absorvidas de nutrientes pelas plantas, relacionando os nutrientes entre si, didaticamente, se compara o teor de um determinado nutriente na matéria na seca das plantas, em relação ao teor de outro nutriente absorvido em menor quantidade, como o níquel ou molibdênio”. Segundo o professor, considerando a concentração típica de níquel nas plantas, que é de 0,05 mg por kg de matéria seca, e estabelecendo que esta concentração equivale a 1, a proporção dos teores dos demais nutrientes em relação a este número relativo corresponde a: molibdênio e cobalto: 2; cobre: 100; zinco: 300; manganês: 1.000; boro: 2.000; ferro: 2.000; cloro: 3.000; enxofre: 30.000; fósforo: 60.000; magnésio: 80.000; cálcio: 125.000; potássio: 250.000 e nitrogênio: 1.000.000. Assim, esta proporção indica que 2 átomos de molibdênio ou de cobalto, geralmente, são absorvidos para cada 1 átomo de níquel, ou 1000.000 de átomos de nitrogênio para 1 deste último micronutriente.

Conforme Escosteguy, a relação que determina o melhor equilíbrio, ou balanço, entre os nutrientes na planta pode ser avaliado pelo DRIS. Esta é a sigla que designa um sistema de diagnose nutricional, baseado no teor do nutriente obtido na análise foliar, mas que necessita ser alimentado por informações da pesquisa. Algumas instituições brasileiras, como a Embrapa Soja, já estão aplicando este sistema para a cultura da soja. ”Entretanto, o que eles aplicam no Paraná, pode não ser recomendado em outros estados, pois as condições de solo, clima e planta são diferentes. Assim, na UPF, este sistema está sendo avaliado para a cultura da soja, cultivada em quatro tipos de solos do Planalto Médio do RS. Com o apoio da Cooperativa Cotrijal, de diversos produtores e colegas, estamos criando um banco de dados, o qual é necessário para desenvolver as normas DRIS para esta cultura e esta região. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa, do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, da UPF, tendo ainda o apoio de colegas da área da informática, pois necessita-se de um software especializado para a aplicação deste sistema, mas os dados que possuímos até o momento limitam-se a soja”, complementa.

Quanto à necessidade de reposição, considerando a realidade da região Sul do Brasil, Pedro Escosteguy considera que, além de variar com o micronutriente, a ciclagem depende do ambiente, principalmente, do solo, da planta que é cultivada e do sistema de cultivo, especialmente, do manejo dos restos culturais e da rotação de culturas. Em geral, os micronutrientes absorvidos em maior quantidade pelas plantas e mobilizados em menor quantidade para o grão são os que são ciclados em maior quantidade. ”Por exemplo, para cada 2,5 t de grãos de soja, em geral, são exportados no grão cerca de 15 g de molibdênio e retornam ao solo, na forma de caule, ramos e folhas, cerca de 3 g desse micronutriente. Por outro lado, essa produção de grãos de soja exporta cerca 102 g de manganês, retornando ao solo cerca de 210 g desse micronutriente”, exemplifica.

Usar ou não usar micronutrientes?

A quantidade absorvida de macronutrientes pelas plantas é muitas vezes maior que a de micronutrientes. Geralmente, a planta absorve dezenas de quilos de macronutrientes, enquanto que a absorção dos micronutrientes não passa de algumas gramas. Dessa forma, percebe-se que a demanda dos macronutrientes é bem maior que a dos micronutrientes e isto também acontece em relação às quantidades aplicadas e a necessidade de aplicação, que, em geral, é mais freqüente para os macros do que para os micronutrientes.

”Pode haver discrepância entre a recomendação da pesquisa oficial e o recomendado por alguns setores que atuam a campo ou a adubação praticada por vários produtores. A pesquisa sugere que a adubação com micronutrientes seja efetuada com base na análise de solo e/ou de tecido vegetal, enquanto que, em certos casos, a aplicação de micronutrientes tem sido realizada sem considerar qualquer resultado de análise de solo e/ou planta. Esta filosofia de adubação era praticada no passado (década de 70 e 80), principalmente, devido à incorporação de áreas não cultivadas do Cerrado em sistemas com cultivo de grãos. Sabe-se que os solos desta região, em geral, tem deficiência de micronutrientes e, assim, os órgãos de pesquisa indicavam a adubação com estes nutrientes como ”segurança” ou para a ”reposição” do exportado pelas culturas”, considera Escosteguy.

Pedro Escosteguy: a consideração das propriedades físicas e biológicas do solo, do tipo de preparo do solo e de rotação de culturas, além do manejo da lavoura são fatores importantes na tomada de decisão para adubação da cultura.

De acordo com o Professor, a adubação de ”segurança” ainda é utilizada para micronutrientes aplicados em culturas de alto valor, como algumas frutíferas e hortaliças, pois os custos dos produtos são baixos, em relação ao custo de produção e a receita obtida com estes cultivos. ”Entretanto, nos últimos anos, a pesquisa desenvolveu critérios para diagnosticar a deficiência de micronutrientes no solo e em plantas, preconizando que estes nutrientes sejam aplicados em solos com comprovada deficiência de micronutrientes. No entanto alguns produtores aplicam rotineiramente os micronutrientes em culturas de grãos, baseados em experiências positivas. Temos que lembrar que esta prática pode levar a desequilíbrio de alguns micronutrientes, além de não apresentar retornos econômicos”.

Escosteguy reforça que a pesquisa trabalha com a filosofia de adubação baseada em segurança econômica e nutricional. ”Como as condições dos experimentos que geram os critérios adotados pela pesquisa nem sempre correspondem à totalidade das condições das lavouras cultivadas com grãos, é possível que em certos casos ocorra à resposta a aplicação de micronutrientes, mesmo em solos com teores adequados. No entanto, isto não deve ser a regra. É provável que a resposta a este tipo de adubação ocorra em solos com certos problemas de manejo, como pH muito elevado, devido à utilização de doses inadequadas de calcário, solos de baixa fertilidade, recém incorporados no processo produtivo, muito comum nesta última década e formado a partir de rochas pobres em micronutrientes, solos orgânicos (típico para cobre), lavouras com produção elevada (exemplo, zinco em milho, etc)”, exemplifica o pesquisador.

Quanto às dúvidas dos agricultores e técnicos sobre a necessidade de aplicar micronutrientes, o pesquisador Luiz Staut, considera que em razão das pequenas quantidades exigida pelas culturas, as deficiências de micronutrientes são as ultimas a serem percebidas em solos férteis. Por isso os agricultores imaginam que a sua reposição não deve ser feita ao longo do tempo e dos anos de cultivos. ”Mesmo com o cultivo de soja ou milho na mesma área, por muitos anos e a reposição de NPK, os micronutrientes ainda estão disponíveis em quantidades suficientes, mas depois de 30 anos esses elementos estarão próximos do limite. Nesse sentido, a cada 5 anos recomenda-se a aplicação de micronutrientes na adubação via solo”.

Para Pedro Escosteguy, a disponibilidade atual varia com o tipo de solo e do seu uso. ”No Brasil, temos muitos tipos de solos. Para cada propriedade recomenda-se o diagnóstico das condições nutricionais (análise de solo e de planta, entre outras), tendo em vista verificar a disponibilidade dos nutrientes. Com este diagnóstico poderão ser identificadas áreas com deficiência de micronutrientes, mesmo que o tempo de cultivo seja relativamente breve, ou o contrário, mesmo em áreas antigas”, explica.

O aumento do uso de micronutrientes nos últimas décadas no Brasil se deve ao desenvolvimento agrícola na região de cerrados que, ao contrário dos estados do Sul, caracteriza-se por possuir solos carentes de microelementos. De forma geral o solo brasileiro é pobre em micronutrientes, nas regiões de cerrado a principal deficiência é de zinco. ”No cerrados este elemento é deficiente, pois normalmente os solos que compõem o bioma cerrado são solos altamente argilosos o que podem agravar a deficiência de zinco. Além disso, são solos pobres em fósforos e os produtores disponibilizam através dos anos de plantio grande quantidade de fósforo, essas adubações fosfatadas elevadas podem induzir a deficiência de zinco no solo”, reforça Staut.

”Não há uma recomendação específica para o uso de micronutrientes em lavouras de altos rendimentos”, afirma Escosteguy. Para ele a recomendação varia com a cultura, pois de forma geral deve-se monitorar os teores de nutrientes no solo e na planta e recomendar a aplicação de adubos com micronutrientes, ou não, de acordo com o resultado do diagnóstico obtido. ”Evitar a aplicação de calcário na superfície do solo, quando este não tem necessidade de ser corrigido. Não aplicar micronutrientes em solos com aplicação de esterco originado de animais alimentados com ração. Considerar o efeito residual dos adubos com micronutrientes, que, em geral, são prolongados, cerca de 5 anos, quando aplicados no solo e nas doses recomendadas” sugere o pesquisador.

Já, para Luiz Staut, o uso de micronutrientes não deve ser considerado sinônimo de alta produtividade. ”A pesquisa recomenda o uso de micronutrientes apenas quando necessário, e para saber da sua necessidade deve-se fazer amostragem de solo e foliar. Se for observado que os micronutrientes estão com pouca disponibilidade para as plantas, deve-se então lançar mão do uso, nesse caso provavelmente a produtividade poderá sofre acréscimos”, explica.

Existe entre alguns técnicos e agricultores o conceito de que uso de macronutrientes deve ser via solo e o de micronutrientes via foliar. A esse respeito Staut considera que há um esforço de marketing das empresas que vendem adubo foliar na tentativa de passar esse conceito. ”O que a pesquisa geralmente recomenda é que toda a adubação seja com micro ou com macronutrientes, ocorra via solo, pois é no solo que estão as raízes que são responsáveis pela absorção dos elementos e devida nutrição das plantas”.

Luiz Alberto Staut: com o uso desordenado de fertilizantes, é eminente o risco de insucesso, sendo freqüente a falta de resposta das culturas, o que implica em aumentos nos já elevados custos de produção.

Pedro Escosteguy explica que a adubação foliar tem sido preconizada por muitos órgãos de pesquisa do Brasil, com destaque para culturas frutíferas, a cana, o café e hortaliças. No entanto, para culturas de grãos, recomendar uma ou outra forma é uma tarefa que exige experiência e conhecimento do técnico, pois depende da análise de vários fatores.

”O uso da adubação foliar deve ser utilizada quando a lavoura já esta implantada e após a detecção de deficiência de algum elemento através da análise foliar. Nesse tipo de situação o micronutriente só poderá ser disponibilizado para as plantas via foliar”, complementa Staut.

Pela experiência de Escosteguy, a opção para aplicar via solo ou planta varia com o produto aplicado, além da sua solubilidade e efeito residual, tipo de solo e pH, cultura e estágio de desenvolvimento, entre outros fatores. ”Em geral, esta forma de aplicar pode ser vantajosa em relação à aplicação no solo, quando o efeito residual da adubação é uma finalidade secundária, quando o pH do solo é elevado (> 6,5) e há baixos teores de zinco, manganês, boro, ferro, etc, quando se pode combinar a aplicação de micronutrientes com tratamentos fitossanitários. Da mesma forma, quando os micronutrientes são aplicados em quantidades baixas, como é o caso do cobalto em soja, a aplicação na semente é preferencial, mas cada situação exige uma opção mais adequada em relação a melhor forma de aplicação de micronutrientes. A adubação foliar em culturas de grãos pode ser útil, especialmente, em situações específicas, como quando há necessidade de fornecer pequenas quantidades de nutrientes, mas busca-se uma resposta quase que imediata da adubação. Esta demanda, geralmente, coincide com algum período crítico de desenvolvimento da planta, ou de melhorar a qualidade do produto colhido. Em certas situações, a adubação foliar pode ser útil, ainda, para repor nutrientes em condições em que a perda da adubação via solo é expressiva, ou condições de ”stress”, sendo a aplicação no solo pouco viável. Assim, a adubação foliar é um recurso adicional, que complementa a adubação do solo.”

No manejo de nutrição em lavouras para altos rendimentos no Sul do Brasil deve-se dar especial atenção às quantidades recomendadas de nutrientes, considerando a necessidade de reposição em função dos rendimentos esperados.

Escosteguy recomenda que o diagnóstico seja baseado na análise completa do solo e, quando há recomendação, aplicação dos macros e micronutrientes essenciais que estão em deficiência, ao contrário de somente aplicar nitrogênio, fósforo e potássio. Para ele, além disso, deve-se ajustar o balanço dos nutrientes de acordo com a disponibilidade do solo e da demanda da cultura e não porque é o tipo de formulação NPK mais disponível no momento.

”Para o estabelecimento das quantidades de nutrientes aplicadas com base no diagnóstico nutricional das condições do solo e da planta é útil considerar o uso de técnicas típicas da agricultura de precisão, como a amostragem detalhada do solo. Além da camada situada entre 0 a 10 cm, convém avaliar as camadas mais profundas, em especial, nos cultivos de verão, efetuado em solos com baixo teor de argila e de nutrientes móveis, na primeira camada do solo, como o boro”.

Professor Escosteguy destaca que é necessário considerar também a qualidade física do solo, pois problemas como compactação, baixa disponibilidade de água, entre outros, podem limitar a eficiência da adubação, pois comprometem o desenvolvimento radicular e a absorção dos nutrientes pouco móveis no solo.

O sincronismo entre a época de aplicação para disponibilizar os nutrientes, de acordo com o período de maior absorção pela planta e com os estádios chaves de definição dos componentes de rendimento, também é importante para o agricultor que objetiva alta produtividade. ”A consideração das propriedades físicas e biológicas do solo, do tipo de preparo do solo e de rotação de culturas, além do manejo da lavoura são fatores importantes na tomada de decisão para adubação da cultura”, reforça Escosteguy.

Para Luiz Alberto Staut, não restam dúvidas sobre a importância do suprimento adequado de micronutrientes quando se encontram abaixo dos níveis críticos no solo ou na planta, para o equilíbrio nutricional e conseqüente obtenção de boas produtividades. ”Esses elementos estão diretamente ligado em mecanismos de resistência a doenças e pragas e também na qualidade dos produtos oferecidos ao mercado consumidor”.

De acordo com Staut, os trabalhos de pesquisa com micronutrientes no Brasil tem encontrado respostas variadas com relação ao ganho ou não de produtividade pela sua aplicação em determinadas condições de solo e cultura.

Há muitas incertezas sobre aspectos relacionados à avaliação da disponibilidade desses nutrientes no solo e do estado nutricional das lavouras, bem como à eficiência dos fertilizantes e das formas de adubação, para diferentes culturas e sistemas de produção. Devido à gama de fatores que podem influenciar as respostas aos micronutrientes, a análise comparativa dos resultados obtidos em experimentos testando fontes, doses e métodos de aplicação reveste-se de grande complexidade e ainda não permite chegar a recomendações técnicas extrapoláveis para uso generalizado pelos agricultores.

”É importante observar que ”sugestões” de aplicação de micronutrientes têm sido amplamente disseminadas, às vezes por ”modismo” e também pela agressividade do marketing das empresas que comercializam estes produtos no mercado. O fato é que, com o uso desordenado de fertilizantes, é eminente o risco de insucesso, sendo freqüente a falta de resposta das culturas, o que implica em aumentos nos já elevados custos de produção. O gargalo na utilização correta está na decisão precipitada do agricultor em utilizar a tecnologia sem antes conhecer realmente quais os elementos que estão por ventura limitando a sua produtividade. É comum encontrarmos situação em que o produtor esta preocupado com os micronutrientes e quando se investiga através de amostragem de solo e de folhas, detecta-se deficiência de macronutrientes. Portanto, somente depois de corrigir os macro é que o agricultor deveria pensar na ”sintonia fina” isto é, corrigir micronutrientes”.

Para o pesquisador, a soja é um exemplo clássico dessa situação, pois existe um grande apelo comercial para que os agricultores façam aplicações foliares de produtos contendo micronutrientes durante o ciclo da cultura. ”Em muitos casos estes produtos já são disponibilizados dentro do ”pacote” adquirido pelos produtores, e, se já vem dentro do pacote aplica-se. Entretanto, para lavouras que recebem adubação adequada via solo, a Embrapa não recomenda adubação foliar com micronutrientes, à exceção do manganês. Para outros elementos, não foram obtidos resultados relevantes em experimentos sob diversas condições de cultivo em áreas produtoras no país”, conclui Luiz Alberto Staut.

Revista Plantio Direto, edição 108, novembro/dezembro de 2008.