Ácaros em soja: ocorrência, reconhecimento e manejo
Jerson V.C. Guedes1, Samuel Roggia2 e Glauber R. Sturmer31Eng.-Agr., Dr., Prof. Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria; Email: jerson.guedes@smail.ufsm.br2Eng.-Agr., MSc., Doutorando em Entomologia na ESALQ/USP.3Estudande de Agronomia da UFSM
Folhas de soja com injúria causada pelo ácaro-verde e detalhe de injúria causada por ácaro em soja (direita).
1. Introdução
A ocorrência de ácaros em soja, no Brasil, é conhecida há muitos anos e suspeita-se que seja tão antiga quanto o cultivo de soja. No Rio Grande do Sul sua ocorrência foi referida, em soja, por Flechtmann (1972). A partir de 1990, até o presente, foram registrados vários relatos da ocorrência de ácaros em soja (Link et al., 1999; Embrapa Trigo, 2000), entretanto esta ocorrência não representava um problema para a cultura no país e raramente essas infestações foram consideradas importantes ao ponto do grupo ser considerado praga.
No entanto, nas últimas safras, os ataques e a intensidade dos danos aumentaram consideravelmente (Guedes et al., 2007; Roggia et al., 2008). Os primeiros indícios da alteração deste quadro surgiram a partir das safras agrícolas de 2002/03 e 2003/04, quando foram observadas severas infestações por ácaros fitófagos em soja em municípios do Rio Grande do Sul (Guedes et al., 2007) e de localidades dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso (Guedes inf. pessoal) e, possivelmente ocorrendo em outros estados produtores determinando a aplicação de acaricidas para seu controle, com aumento do custo e dos riscos ambientais.
Desta recente alteração na ocorrência de ácaros em soja no Brasil, alguns questionamentos importantes têm sido feitos: a) sendo a soja cultivada intensivamente há mais de 40 anos, por que só recentemente os ácaros passaram a causar problemas?; b) quais os fatores que contribuíram para o aumento da intensidade dos ataques das últimas safras?; c) qual a relação dos surtos de ácaros com as recentes modificações introduzidas no cultivo da soja (soja tolerante a Glifosato e a ocorrência de ferrugem asiática)? Destes questionamentos alguns estão sendo respondidos e outros ainda não foram ou não puderam ser esclarecidos em espaço tão curto de tempo.
Dentre os fatores bioecológicos associados ao aumento da ocorrência de ácaros em soja, já era amplamente conhecida a influência dos períodos de baixa precipitação pluviométrica, que favorecem o aumento da densidade populacional dos ácaros da família Tetranychidae. A este aspecto poderia ser somada a grande prolificidade e o curto ciclo de vida destes ácaros, em soja. Existem ainda muitos outros aspectos relacionados ao aumento da área cultivada com hospedeiros dos ácaros, o aumento do uso de pesticidas em soja, e o impacto deletério destes sobre os organismos benéficos, reguladores das populações de ácaros fitófagos.
2. Diagnóstico e reconhecimento dos ácaros da soja
São conhecidas seis espécies de ácaros-praga que atacam a soja: o ácaro-rajado (Tetranychus urticae), o ácaro-verde (Mononychellus planki), três espécies de ácaros vermelhos (Tetranychus desertorum, Tetranychus gigas e Tetranychus ludeni) e o ácaro-branco (Polyphagotarsonemus latus). O ácaro-branco pertence à família Tarsonemidae, os demais pertencem à família Tetranychidae.
Ácaro-rajado, Tetranychus urticae e Ácaro-verde, Mononychellus planki
Destes, o ácaro-rajado e o ácaro-verde são os mais freqüentes atacando soja nas diferentes regiões do país. Os ácaros ocorrem por toda a planta e bem distribuídos na lavoura, sem que as plantas indiquem seu ataque, em muitos casos. Nas folhas, ocorrem tanto na face superior quanto na inferior (Guedes et al., 2007). Embora em campo, não seja possível o reconhecimento específico, principalmente quando se trata de espécies de ácaros vermelhos, suas características são importantes para um primeiro reconhecimento e diferenciação de outras pragas.
O ácaro-rajado ataca centenas de espécies de plantas, entre elas muitas são culturas agrícolas. Apresenta coloração verde translúcida com duas manchas escuras na região anterior do corpo, e eventualmente é avermelhado, diferentemente do ácaro-verde que é inteiramente verde. Fêmeas do ácaro-rajado também podem apresentar coloração laranjada, trata-se de ácaros em diapausa, comumente encontrados durante o inverno, no sul do país. Estes não apresentam lobos (ondulações) nas estrias dorsais, o que facilita o reconhecimento desta forma ao microscópio.
O ácaro-rajado ocorre, comumente, em pequenas reboleiras na lavoura, porém seu ataque é bem mais intenso do que o do ácaro-verde. Nas folhas, observam-se colônias bem densas, com presença de teia em grande quantidade, que serve de suporte e proteção para estes ácaros. Isso o difere do ácaro-verde que produz pouca teia. As colônias do ácaro-rajado ocorrem, principalmente, na face inferior das folhas. Na face superior das folhas atacadas, são observadas, inicialmente, pequenas regiões prateadas, que aumentam de tamanho e tornam-se amareladas. Com a intensificação do ataques, as folhas ficam bronzeadas e podem cair. Por outro lado o ácaro-verde ocorre bem distribuído na lavoura, e os sintomas de seu ataque são pontuações claras que deixam a folha com coloração acinzentada.
As ninfas e fêmeas do ácaro-vermelho (T. desertorum) apresentam coloração vermelha intensa, enquanto que as larvas e os machos são verde-amarelados. A espécie apresenta muitos hospedeiros, incluindo um grande número de plantas cultivadas. As fêmeas medem, aproximadamente, 0,4mm de comprimento e estes ácaros tecem grande quantidade de teia. O primeiro relato de T. desertorum infestando soja no Brasil foi realizado por Guedes et al. (2007).
Existem três espécies de ácaros vermelhos, Tetranychus desertorum, Tetranychus gigas e Tetranychus ludeni e Ácaro-branco, Polyphagotarsonemus latus.
A outra espécie de ácaro-vermelho,T. gigas, mede de 0,4 a 0,5mm de comprimento. Esses ácaros chegam a formar colônias de mais de 400 ácaros de diferentes estágios de desenvolvimento. A espécie foi descrita a partir de espécimes encontradas em algodão do Arizona e do Texas, EUA. Por um período de cerca de 30 anos não foram publicados novos relatos da ocorrência desse ácaro por todo o mundo. Navia & Flechtmann (2004) relataram, pela primeira vez, a presença de T. gigas no Brasil e na América do Sul; e, também, pela primeira vez a soja (G. max) foi relatada como hospedeira do ácaro, a partir de espécimes coletados em levantamento no RS. Tetranychus gigas e T. desertorum apresentam coloração e tamanho similares, o que torna difícil a sua identificação, que deve ser realizada por um especialista.
A terceira espécie de ácaro-vermelho, T. ludeni, apresenta ampla distribuição geográfica no mundo e ataca várias plantas, inclusive culturas agrícolas como algodão, feijão e soja. Apesar de ter sido uma das primeiras espécies de ácaro relatada atacando soja no Rio Grande do Sul, atualmente é pouco freqüente no Estado. Os ácaros vermelhos apresentam importância secundária, ocorrendo comumente associados aos demais ácaros. Os sintomas de ataque e o padrão de ocorrência são similares aos do ácaro-rajado.
O ácaro-branco apresenta características bem distintas dos demais: é menor, de coloração branco-leitosa, não produz teia, ataca principalmente as folhas novas e seu ataque causa deformidade às folhas e legumes que apresentam coloração marrom (bronzeamento das brotações). Um comportamento curioso do ácaro-branco é que o macho carrega a ”pupa” da fêmea, com a qual copula logo após a sua eclosão. Ao contrário dos demais ácaros da soja o ácaro-branco se desenvolve melhor em períodos chuvosos.
Associada a ocorrência de todos estes ácaros, podem ser observadas pequenas estruturas esbranquiçadas, aderidas às folhas, comumente junto às nervuras ou alojadas nas teias, trata-se das exúvias dos ácaros. Estes trocam de ”pele” com bastante freqüência, deixando para trás a ”pele” antiga que tem aspecto esbranquiçado. Ocorrem casos em que restam apenas as exúvias dos ácaros sobre as folhas, podendo gerar confusão quanto à eficiência do produto aplicado, neste caso uma análise detalhada com auxílio de uma lupa dará maior certeza. Também têm sido observadas ocorrências simultâneas de ácaros com ninfas e adultos de pulgões e tripes (Guedes inf. pessoal).
Para o diagnóstico em campo, é importante o emprego de uma lupa manual com, pelo menos, 10 vezes de aumento, que facilita a visualização dos ácaros, permitindo constatar se estão vivos ou mortos. Uma lupa é importante para distinguir os ácaros de outros organismos comumente encontrados na superfície foliar, como tripes, pulgões, além dos ácaros benéficos, que são predadores de ácaros-praga. Os ácaros predadores diferem dos ácaros-praga por serem brilhantes e apresentarem grande mobilidade.
3. Aspectos bioecológicos dos ácaros da soja
A presença de ácaros da família Tetranychidae tem sido verificada em praticamente todas as fases do ciclo da cultura, no entanto, em Santa Maria, RS, a ocorrência de níveis populacionais significativos atacando a soja foram verificados entre R.1 e R5.3, (Figura 1), embora, tenha sido verificada população de ácaros desde V.6 até R.6 (Roggia, 2007). É possível que antes deste período já tenham chegado à área as primeiras fêmeas colonizadoras e que as populações sejam observadas com a evolução do ciclo da cultura. Em soja, Bertollo (2007) observou que com temperaturas de 25oC, T. urticae vai de ovo a adulto, em menos de dez dias, possibilitando inferir, que a espécie pode completar muitas gerações em uma estação de cultivo desta cultura. De outro lado, é sabido que existem várias plantas daninhas que hospedam ácaros da família Tetranychidae e que sua presença dentro das áreas cultivadas ou nas suas proximidades, pode interferir na ocorrência destes ácaros e de seus inimigos naturais.
Figura 1. Flutuação da população de ácaro-verde (Mononychellus planki) em soja.
4. Injúrias e danos causados pelos ácaros à soja
Os ácaros da família Tetranychidae, da soja, vivem e se alimentam sobre as folhas e outros órgãos da planta. Inicialmente o ácaro perfura a superfície foliar com seus estiletes (um par de ”agulhas”) e, após, ingere o líquido extravasado destas células perfuradas. O ataque produz pequenas pontuações esbranquiçadas, que correspondem às células danificadas pelos ácaros. Estas pontuações são vulgarmente conhecidas como mosqueamento. Na face superior das folhas, forma-se uma grande mancha clorótica. As folhas ficam totalmente cloróticas e as plantas ganham coloração mais clara e chegam a perder folhas. Na lavoura, essas reboleiras com plantas atacadas passam da coloração verde normal para verde claro e, dependendo do rigor e do tempo de ataque, ficam necrosadas e perdem folhas. Em ataques muito severos associados a outros fatores como seca e ocorrência de tripes e pulgões, pode ocorrer até a morte de plantas. Diferentemente, o ácaro-branco ataca somente folhas novas e/ou em crescimento, produzindo pequena redução de crescimento e deformação nas mesmas. O reconhecimento e a diferenciação desta injúria, das injúrias produzidas pelos outros ácaros-da-soja, ocorrem pela coloração marrom que as folhas jovens e até os legumes adquirem após o ataque do ácaro-branco.
O principal dano causado por ácaros à soja é a redução da eficiência fotossintética e, em casos mais severos, a queda de folhas e até a morte de plantas, que podem ter como conseqüência a redução na produtividade da cultura. Há registros de áreas nas quais foram colhidas reboleiras com ataque de ácaros, que apresentaram perdas de até 20% da produtividade, entretanto, estas perdas estão, de modo geral, relacionadas à ocorrência conjunta dos ácaros com outras pragas e também à estiagem, reduzindo a confiabilidade destes resultados. Em estudo conduzido na Argentina (Gamundi inf. pessoal) as perdas foram relacionadas, além dos danos diretos dos ácaros, ao aumento da perda de água e da taxa de respiração das plantas injuriadas. Em áreas com e sem controle de ácaros, em São Sepé, RS, safra 2005/06, constatou-se que o ataque destes pode causar perdas de 4,5 sacas de soja/ha, em média (Arnemann et al., 2006).
Além das perdas de produtividade, outro importante aspecto relacionado à ocorrência de ácaros e o impacto do uso de acaricidas para o seu controle. Este impacto se dá sobre o custo do controle pelo uso de produtos específicos para ácaros, que podem variar entre 15 e 40 reais/pulverização e pelo efeito do aumento do uso de produtos sobre a fauna benéfica, ainda pouco estudada.
5. Causas e implicações da ocorrência de ácaros em soja
São bem conhecidos aspectos que favorecem a ocorrência de ácaros como a abundância de hospedeiros e de condições ambientais favoráveis. Quando estes fatores estão ofertados conjuntamente e em condições adequadas, as populações de ácaros-praga tendem a aumentar. Dentre os fatores é bem conhecido o papel da falta de umidade, representada e favorecida por períodos de estiagem. Além disso, os surtos populacionais de ácaros-praga estão relacionados à ocorrência de fatores que prejudicam os seus agentes de controle biológico, destes destacam-se os predadores (ácaros da família Phytoseiidae) e o patógeno Neozygites (Klubertanz, 1991; Sosa-Gómez, 1996; Guedes et al., 2007). Adicionalmente, as plantas já estressadas pela baixa umidade do solo e atacadas por ácaros e outras pragas (tripes e pulgões) perdem mais seiva e líquidos celulares acentuando as injúrias e os efeitos sobre a produtividade da cultura.
A ocorrência de estiagem é o principal condicionante dos surtos de ácaros. Sob baixa umidade do ar o ataque de ácaros é mais intenso, pois estes precisam ingerir maior quantidade de líquido para evitar a sua dessecação. Adicionalmente, a baixa umidade do ar prejudica os predadores e o patógeno Neozygites que controlam naturalmente a praga (Delalibera et al., 2000; Willians et al., 2004). Por outro lado, a ocorrência de chuvas freqüentes, atrapalha o desenvolvimento dos ácaros e favorece principalmente a ocorrência de Neozygites. O impacto das gotas de chuva sobre a folha pode desalojar parte da população de ácaros, mas se forem chuvas isoladas, de curta duração e baixa intensidade, a população de ácaros se recompõe rapidamente (Klubertanz, 1990).
Dos inseticidas empregados na cultura da soja, os piretróides parecem ser os que mais favorecem a ocorrência de surtos de ácaros. Isto se deve ao fato de estes inseticidas serem pouco eficientes no controle de ácaros-praga, no entanto, muito prejudiciais aos seu inimigos naturais. Adicionalmente os piretróides induzem a dispersão dos ácaros-praga, fazendo com que estes se espalhem pela lavoura aumentando a área e a intensidade de ataque. Assim, a eliminação dos inimigos naturais associada à dispersão dos ácaros e outras modificações induzidas por piretróides ocasiona a ressurgência de ácaros (Gerson & Cohen, 1989). Neste contexto, o emprego indiscriminado de inseticidas piretróides para o controle de outras pragas da soja pode induzir a surtos de ácaros na cultura.
O aumento do número de casos de surto populacional de ácaros em soja coincidiu com o avanço da área cultivada com soja transgênica no RS. Com base nisso foram desenvolvidos experimentos para avaliar o efeito de cultivares transgênicas sobre a dinâmica populacional de ácaros. Estes estudos mostraram que a cultivar transgênica nada tem a ver com o ataque de ácaros. Por outro lado, foi constatado que o manejo de ervas, mais eficiente, na soja transgênica favoreceu a ocorrência de ácaros fitófagos. Efeito semelhante também foi observado nos tratamentos com controle manual de plantas daninhas, ou seja, sem herbicidas (Roggia et al., 2006; Roggia, 2007). Isso mostra que a eliminação das plantas daninhas favorece, de alguma forma, o aumento da densidade de ácaros e que esse efeito não está relacionado ao glifosato, mas sim a sua maior eficiência no controle de plantas daninhas. Sabe-se que muitas plantas daninhas servem de abrigo e oferece alimento alternativo para predadores que controlam os ácaros-praga, desta forma a eliminação das plantas daninhas poderá estar prejudicando o estabelecimento destes predadores na cultura da soja.
Sobre o efeito do herbicida glifosato, sabe-se que alguns produtos comerciais são prejudiciais ao patógeno Neozygites, que controla ácaros. No entanto, em campo há uma defasagem de tempo entre a aplicação deste herbicida (início do ciclo) e a ocorrência de populações significativas de ácaros atacando a soja (posterior ao florescimento, R1), por tais motivos acredita-se não haver efeito direto deste herbicida sobre Neozygites. Como estes aspectos ainda não estão totalmente entendidos novas pesquisas estão sendo realizadas para explicar melhor a relação do manejo de plantas daninhas com os surtos de ácaros.
Outra importante modificação no manejo fitossanitário da soja ocorrida nas últimas safras, foi a necessidade de aplicação de fungicidas para o controle da ferrugem asiática. Estes fungicidas podem afetar negativamente o patógeno de ácaros (Neozygites), pois o momento da pulverização dos fungicidas coincide com o pico populacional de ácaros-praga e provavelmente com a ocorrência de Neozygites em campo. É bem conhecido o efeito deletério, sobre Neozygites, de fungicidas benzimidazóis que eventualmente são empregados em soja (Wekesa et al., 2008), no entanto, pouco se sabe a respeito da ação dos fungicidas atualmente empregados para o controle da ferrugem asiática da soja, tais como os triazóis e as estrubirulinas, requerendo para isso estudos específicos de toxicidade.
6. Manejo de ácaros em soja
Dentre os fatores que interferem na ocorrência de ácaros em soja, há aqueles que não se pode manipular, como as condições do tempo com períodos de seca e há fatores manipuláveis, como a presença de plantas daninhas e o uso de fungicidas. O produtor no entanto, trabalha para ter uma lavoura livre da competição com plantas invasoras e protegida contra a ferrugem asiática, favorecendo, deste modo, a ocorrência de ácaros.
Embora não exista ainda a definição de um nível populacional de ácaros que coloque em risco a produtividade da soja, uma vez constatados em populações que produzam grandes reboleiras cloróticas, é de se esperar que ocorrão perdas, especialmente se as condições de clima forem favoráveis aos ácaros, em lavouras livres da plantas daninhas e sobre plantas onde foi adotado o controle com fungicidas. Frente ao grande risco de perdas, o controle químico de ácaros passa a ser uma medida muitas vezes inevitável.
Porém, há que se considerar que são raros os produtos registrados para o controle de ácaros em soja, embora existam inseticidas registrados que apresentam algum controle sobre este grupo de pragas. Dentre estes, os mais comumente utilizados são os organofosforados (acefato, clorpirifós, metamidofós, endossulfan, entre outros) utilizados para o controle de percevejos e lagartas da soja, e que apresentam eficiência entre 50 e 80% de controle, considerando que esta eficiência pode ser inferior a este valor, quando as condições ambientais e de manejo favorecerem a praga.
De outro lado, os produtores têm utilizado, mesmo ainda sem registro em soja, diferentes produtos comerciais à base de Abamectina (2,7 a 3,6 g de i.a./ha) com bom controle sobre os ácaros fitófagos da soja e um excelente efeito residual. A eficiência destes produtos é potencializada pela adição de óleos vegetais ou minerais, aumentando o desempenho de controle dos acaricidas em até 15%.
Recentemente foi registrado o acaricida spiromesifen (Oberon) que apresenta uma grande eficiência sobre os ácaros Tetranychidae da soja.
Por fim, mesmo frente à ocorrência de grandes populações de ácaros fitófagos em soja e com carência de informações e de produtos registrados, o produtor tem como alternativa primeira para o seu manejo a moderação no uso de produtos e a observação das condições que favoreçam o crescimento populacional da praga. Logo em seguida, pode eleger produtos cujos alvos são lagartas e percevejos e que são usados para este fim, mas que apresentam efeitos sob os ácaros ou estes são o alvo principal, o uso dos acaricidas mais eficientes e de menor impacto sobre os organismos benéficos.
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