16º Encontro/Evento


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Publicado em: 01/10/2008

16o. ENCAT levanta demandas e projeta ações para o plantio direto gaúcho

Passados 22 anos da primeira edição, que também aconteceu no município, o Clube Amigos da Terra de Palmeira das Missões, RS, realizou no dia 9 de outubro de 2008 o 16o Encontro Estadual dos Clubes Amigos da Terra (ENCAT), o evento fez parte da agenda de atividades da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, gestão 2008/2010

Abertura oficial do 16o Encontro Estadual dos Clubes Amigos da Terra, em Palmeira das Missões, RS.

Segundo Manoel Henrique Pereira, Presidente da FEBRAPDP, o trabalho de retomada das atividades junto as instituições associadas iniciou no mês de agosto com o Encontro dos CATs da Região do Cerrados, em Uberlândia, MG.

No Rio Grande do Sul o 16o ENCAT marca a reaproximação da FEBRAPDP com os Clubes Amigos da Terra e teve objetivo de levantar demandas, debater propostas e planejar ações junto às diretorias dos Clubes.

Na pauta da reunião que antecedeu a programação do ENCAT no dia 9 pela manhã foram debatidos a prática da sucessão soja/trigo e o monocultivo de soja nas lavouras gaúchas; a inclusão da disciplina de plantio direto na grade curricular dos cursos de agronomia e escolas agrotécnicas; a valorização do Sistema Plantio Direto diante dos mercados consumidores; a retomada e melhoria da comunicação da Federação com associadas, através de reuniões periódicas e o Boletim Informativo; a defesa do plantio direto na palha junto aos governos estaduais e federal e o posicionamento da Federação como instituição de apoio os agricultores na busca pela adequação da legislação ambiental.

”O agricultor não está obedecendo às regras básicas de manejo do Sistema Plantio Direto. Fatores econômicos e de mercado são citados como limitantes para o estabelecimento do PD de qualidade. Estamos acostumados a pensar no ganho imediato e esquecemos que algumas praticas relacionadas ao PD são investimentos com retorno no médio e longo prazo, mas que podem viabilizar a obtenção de ganhos na forma de prêmio no momento da comercialização da produção”, considera Manoel Henrique Pereira.

”Muito da indisciplina do agricultor que faz plantio direto é resultado da falta de conhecimento. Nesse aspecto os profissionais de assistência técnica também estão pecando, pois muitos saem dos cursos de graduação sem saber direito o que é SPD, despreparados para interagir com o produtor e sanar dúvidas”.

O Presidente da FEBRAPDP ressalta a importância da atuação do engenheiro-agrônomo e do técnico agrícola para a sustentabilidade do plantio direto. ”Valorizo e respeito muito o trabalho da assistência técnica e sei que esses profissionais sempre foram importante ponto de apoio para o agricultor. Também os extensionistas da Emater foram responsáveis pelo sucesso do plantio direto na pequena propriedade. O trabalho do técnico é fundamental em todas as propriedades, independente do tamanho, e por isso ele precisa estar preparado para dar respostas ou ser um facilitador do acesso à informação. Precisamos aprimorar o conhecimento técnico relacionado ao PD entre os profissionais de assistência”.

Segundo Nonô Pereira, para auxiliar nesse processo, será criada em convênio com a Itaipu Binacional, a Universidade Latino-americana em Foz do Iguaçu, no Paraná. A Instituição trabalhará no nível de graduação e pós-graduação (mestrado e doutorado) para atender estudantes dos países lindeiros a Itaipu. ”Esse projeto inaugura uma nova fase na busca do conhecimento sobre a agricultura conservacionista”, ressalta.

Outro ponto que Nonô Pereira destacou foi à necessidade de renovação das lideranças. ”É preciso motivar jovens a participar dos clubes, das reuniões e eventos, pois sabemos que a juventude está atuando no campo, na propriedade da família ou como profissional de assistência técnica. Fui fundador da FEBRAPDP e voltei a ser presidente depois de quase 20 anos. É evidente a falta de renovação e isso nós queremos mudar, pois não estamos fazendo sucessores, repetimos pessoas nas mesmas funções. Na minha opinião renovar é muito importante para a vida e continuidade dos CATs que foram criados com apoio de empresas que incentivaram o início do processo visando o crescimento do PD. Mais tarde esses clubes tiveram que manter-se graças ao esforço de seus dirigentes e associados. Essas atividades não são remuneradas e ainda ocupam tempo nobre, normalmente destinado à atividade do agricultor. Quem assume é por dedicação à causa, por uma questão de consciência. Precisamos desenvolver esse sentimento nas lideranças do futuro”.

De acordo com o Presidente da FEBRAPDP a partir de agora a Instituição deve estabelecer e fortalecer parcerias. Estar em constante contato com o Ministério da Agricultura e Empresas de Pesquisa, representando o agricultor que faz PD, angariando recursos para projetos e defendendo políticas específicas para o segmento. Precisamos divulgar a importância e significado do plantio direto para toda a sociedade. O fomento e a divulgação foram feitas. A área cresceu. Agora as demandas são outras, precisamos agregar valor ao resultado desse maravilhoso trabalho”, concluiu Nonô Pereira.

Para André Acatrolli, Presidente do CAT de Palmeira das Missões, é preciso dar um novo rumo aos Clubes, traçar metas claras e precisas no desenvolvimento das atividades com os associados. Segundo ele, promover reuniões e encontros periodicamente, trazer jovens empresários rurais para a instituição visando a formação de novas lideranças, estimular o plantio direto de qualidade focando no desenvolvimento de alternativas para os pontos de estancamento do processo e manter os agricultores ativos no debate sobre legislação ambiental e sua influência no sistema produtivo, são os próximos passos da Instituição.

”Conscientizar e motivar o jovem é importante, pois ele é naturalmente aberto às novas idéias e tecnologias. Nosso Estado tem um perfil cultural que barra ou inibe a participação efetiva dos jovens no negócio familiar, e na área agrícola essa situação é ainda mais aguçada. O modelo de condução da atividade é passada de pai para filho, geração a geração. E isso pode estar refletido na ausência de jovens nas associações, como é o caso dos CATs. Se não houver dinamicidade e propostas alinhadas com as demandas, o agricultor de forma geral e o jovem em especial, não vai sentir-se atraído para participar”.

Para Acatrolli, os CATs também devem apoiar a Federação Brasileira de Plantio Direto e trabalhar de forma paralela na conscientização da sociedade quanto a importância e benefícios do plantio direto, para que o agricultor seja valorizado pelo trabalho que realiza.

A programação do 16o ENCAT contou com painel que debateu a pesquisa em plantio direto e os rumos da agricultura sustentável. Foram painelistas Gilberto Cunha (Chefe Geral da Embrapa Trigo), Benami Bacaltchuk (Presidente da Fepagro), Jackson Fiorin (Pesquisador da CCGL Tecnologia/Fundacep) e dabatedor Kurt Arns (CAT de Cruz Alta). Valéria Fernandes de Oliveira, da Emater Passo Fundo, palestrou sobre meio ambiente e sustentabilidade da agricultura e Paulo Molinari, da Safras & Mercado, traçou um cenário do mercado das principais commodities agrícolas.

Cornelis Uitdewilligen e Herbert Bartz

Durante o encerramento do evento o Clube Amigos da Terra de Palmeira das Missões homenageou produtores e profissionais que desenvolveram relevantes trabalhos em prol do plantio direto gaúcho e brasileiro. Herbert Bartz recebeu homenagem pelo pioneirismo na implantação do plantio direto no Brasil. Manoel Henrique Pereira, fundador e primeiro presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha foi homenageado pela dedicação à causa do plantio direto. Felisberto Dornelles, considerado um ícone do plantio direto gaúcho recebeu homenagem pelo empenho no desenvolvimento do Sistema no Estado e Maury Sade pela dedicação ao desenvolvimento do plantio direto brasileiro e a FEBRAPDP.

André Acatrolli e Manoel Henrique Pereira

Luiz Carlos Chioquetta e Felisberto Dornelles

Sérgio Strobel e Maury Sade