Produção de Massa por Culturas Implantadas em Rotação no SPD de Soja e Milho


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Publicado em: 01/08/2008

Produção de massa por culturas implantadas em rotação no SPD de soja e milho

Jorge Wilson Cortez1, Carlos Eduardo Angeli Furlani2,Rouverson Pereira da Silva2, Danilo César Checchio Grotta³1Eng. Agrônomo, Prof. Assistente da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, Colegiado de Engenharia Agrícola. Av. Antonio Carlos Magalhães, n.510 - Country Clube. CEP: 48.902-300 - Campus Juazeiro- BA. E-mail: jorge.cortez@yahoo.com.br ²Prof. Dr. Departamento de Engenharia Rural, UNESP, Jaboticabal (SP).3M. Sc., Doutorando em Agronomia (Produção Vegetal), UNESP – Jaboticabal (SP).

Introdução

A utilização do sistema de plantio direto no Brasil passou a ser visto como uma importante ferramenta no manejo dos solos, visto que, áreas sob manejo com preparo convencional não conservam os solos, ou mais, acabam por incorporar a essas áreas o problema da erosão, pelo araste de solo morro abaixo, o que leva consigo a parte mais fértil do solo. Isso não quer dizer que, no sistema plantio direto não ocorre movimentação de água embaixo da palha, pelo contrário, existe sim, mas ela é pequena quando comparada ao preparo convencional, e a grande diferença seria a velocidade com que a água se move no plantio direto, que é bem menor.

Assim, a introdução do sistema plantio direto nas áreas tropicais é freqüente, e visa melhorar a estrutura do solo, como também no aumento de produtividade. O que realmente fez com os produtores rurais adotasse esse sistema foi à redução do número de operações, de aração e gradagem, pois no plantio direto ocorre normalmente a dessecação da cobertura vegetal, ou com o uso de equipamentos de manejo, e em seqüência a semeadura, basicamente de soja e milho.

KLUTHCOUSKI et al. (2000) citam que em condições climáticas, como no cerrado, é difícil a formação e manutenção da palha, em quantidades suficientes para proteger o solo, aliado a isso a intensa movimentação de máquinas e implementos agrícolas, pode favorecer o surgimento de problemas decorrentes do uso continuado do sistema plantio direto, como: compactação/adensamento do solo, salinização devido à constante deposição dos fertilizantes minerais na superfície.

CALEGARI (2004) cita que os resíduos vegetais e raízes das plantas de cobertura promovem diminuição do escorrimento superficial, acarretando aumento da infiltração de água no solo. Os resíduos contribuem na estruturação do solo pela melhor agregação e maior aeração, favorecendo o crescimento das raízes dos cultivos posteriores.

Segundo MERTEN & FERNANDES (1998) o SPD depende da produção de biomassa, formada por resíduos de colheita, adubos verdes ou plantas daninhas. A cobertura vegetal deve permanecer na superfície do solo e as plantas daninhas são controladas com o uso de herbicidas, no qual sugere a substituição gradativa de processos mecânico-químicos (preparo convencional) por processos biológico-culturais (SPD) de manejo do solo e uma maior eficiência econômica decorrente da redução de gastos com insumos (MUZILLI, 1985; DERPSCH et al., 1984 e MUZILLI et al., 1997).

Dentre as culturas anuais, a soja, com seu virtuoso papel na economia globalizada e suas características agronômicas, é o carro chefe no desenvolvimento do SPD, sobretudo na rotação de culturas, com enorme potencial para desempenhar marcante papel na rotação com pastagens e outras forrageiras (SATURNINO, 2001). A produtividade da cultura da soja na década de 70 era da ordem de 1.800 kg ha-1; na década de 80 elevou para 2.400 kg ha-1; na década de 90 em razão dos investimentos em pesquisa alcançou 3.000 kg ha-1. Chegando ao nível de produtividade acima de 3.600 kg ha-1 e espera-se até 4.200 kg ha-1 (SUZUKI et al. 2005). No entanto, a produtividade brasileira de milho apesar dos avanços tecnológicos ainda é muito baixa, em torno de 2.600 kg ha-1. O Estado de São Paulo planta em média 1.250.000 ha de milho atualmente, sendo aproximadamente 70% dessa área na safra normal e 30% na safrinha. A produtividade média é de 3.200 e 2.200 kg ha-1, respectivamente para safra normal e safrinha (FURLANI, 2005).

Pesquisa

A área de estudo foi na UNESP, Câmpus de Jaboticabal, Estado de São Paulo, com altitude média de 570 metros, com clima Cwa (subtropical), ou seja, com inverno seco. O solo foi classificado como Latossolo Vermelho eutroférrico, textura argilosa. Foi distribuído uma tonelada de calcário em 2000 com o objetivo de elevar a saturação para 60%.

O esquema de rotação de culturas adotado para o sistema de plantio direto, está descrito na Tabela 1.

Tabela 1. Esquema de rotação de culturas nos seis anos de estudo.

Safra 2001/2002:

- Milheto (Pennisetum glaucun (L.) R. Brown) semeado no dia 16/03/2001, final da estação chuvosa na região, do ano agrícola 2000/2001. Cultivar comum, 66% de poder germinativo, 97,7% de pureza, semeado na quantidade de 25 kg ha-1 de sementes, e no espaçamento de 25 cm entre linhas. Utilizou-se adubação de 100 kg ha-1 da fórmula 4-14-8.

- Soja (Glycine Max (L.) Merrill) semeada no dia 31/10/2001 cultivar conquista, da empresa Agromem, com 80% de poder germinativo e 98% de pureza, na quantidade de 90 kg ha-1 de sementes, com densidade de 28 sementes por metro e 0,45 m entre linhas. Utilizou-se 200 kg ha-1 da fórmula 4-20-20.

Safra 2002/2003 :

- Sementes de crotalária juncea (Crotalaria juncea L.), 25 kg ha-1, com pureza de 98,5%, germinação de 76% e valor cultural de 74,8%; e 60 kg ha-1 de sementes de mucuna cinza (Stizolobium niveum) com pureza de 98,3%, germinação de 81% e valor cultural de 79,6%. Adubo da fórmula 4-14-8 na dosagem de 150 kg ha-1

- Sementes de milho (Zea mays L.) híbrido Agromem AGN 3060, peneira 22, sendo colocadas 6 sementes por metro e espaçamento entre linhas de 0,90 m. Adubo da fórmula 10-20-20 na dosagem de 300 kg ha-1.

Safra 2003/2004:

- Milheto (Pennisetum glaucum (L.) R. Brown), cultivar BN2, 70% de poder germinativo, 97% de pureza. Semeado na quantidade de 25 kg ha-1 e espaçamento de 0,25 m entre linhas. Sorgo forrageiro (Sorghum bicolor), cultivar BR-501, 78% de valor cultural. Semeado na quantidade de 60 kg ha-1, no espaçamento de 0,45 m. Utilizou-se adubação de 120 kg ha-1 da fórmula 4-14-8

- Soja (Glycine max (L.) Merril) cultivar Monsoy 6101 com 100% de pureza, 92% de germinação e 92% de valor cultural, com densidade de 26 sementes por metro e 0,45 m entre linhas. Utilizou-se 200 kg ha-1 da fórmula 4-20-20.

Safra 2004/2005:

- Sementes de crotalária juncea (Crotalaria juncea L.), 25 kg ha-1, com pureza de 98,5%, germinação de 76% e valor cultural de 74,6%. Sementes de mucuna cinza (Stilozobium niveum), 60 kg ha-1, com pureza de 98,3%, germinação de 81% e valor cultural de 79,6%.

- Sementes de milho (Zea mays L.) cultivar DKB 390 (híbrido simples), com 5,6 sementes por metro. Com 300 kg ha-1 de fertilizante granulado na formulação 08-28-16 (N-P-K), e 200 kg ha-1 de adubação de cobertura com uréia (45% de nitrogênio) em superfície.

Safra 2005/2006:

- Foram utilizadas sementes de soja da variedade Monsoy 5942 (18 plantas por metro no espaçamento de 0,45 m), com aplicação de fertilizantes 0-20-20 na dose de 300 kg ha-1 na semeadura.

- Nesse ano foram semeadas as culturas de triticale - Triticosecale Wittmack (99,8% de sementes puras e 97% de germinação) e aveia preta - Avena stringosa (99% de sementes puras e 81% de germinação), no entanto, devido as condições climáticas elas não emergiram.

Safra 2006/2007:

- Para a semeadura foi utilizado o híbrido simples de milho (Zea mays) DKB 390 com 60.000 plantas por hectare com maturação próxima a 120 dias e altura de inserção da primeira espiga 1,25 a 1,40 m, e somatória térmica até o florescimento de 870 graus-dias, com adubação da formula 8-28-16 + Zn (NPK) na dose de 390 kg ha-1 e cobertura com uréia (44% N) na dose de 140 kg ha-1 quando o milho estiver com 4 folhas e uma segunda adubação de cobertura com uréia (44% N) na dose de 200 kg ha-1.

- As culturas intercalares, semeadas junto com o milho, foram a mucuna-cinza-anã (Stizolobium deeringianum Bort.) com nove sementes por metro, feijão-guandu-anão (Cajanus cajan) Bonamigo Super N, com 12 sementes por metro e Lab-Lab - Dolichos lab lab (Rongai) com 9 sementes por metro,

A determinação da massa seca da cobertura vegetal após manejo foi realizada com quadros de ferro de 0,5 m de lado (0,25 m2). Para a massa das plantas de cobertura foram tomadas 5 plantas consecutivas na fileira em 24 pontos amostrais da área, que depois foram extrapolados para o hectare. A determinação da massa seca da cobertura vegetal foi determinada após secagem do material em estufa a 70o por 48 horas. Os valores obtidos foram convertidos para quilograma de matéria seca por hectare.

Durante a condução das culturas de safrinha as amostras de massa seca (milheto – 2001/2002; crotalária e mucuna cinza – 2002/2003; milheto e sorgo – 2003/2004; crotalária e mucuna cinza – 2004/2005; triticale e aveia preta – 2005/2006 não emergiram e em 2006/2007 não foi semeado) foram retiradas aleatoriamente.

A produtividade das culturas de verão (soja - 2001/2002, 2003/2004, 2005/2006) foram avaliadas por meio da retirada de uma área de 9 m2 de plantas, ou seja, 5 metros de 4 linhas centrais das parcelas espaçadas de 0,45 m, e posterior debulha em máquina estacionária. A colheita do milho (2002/2003, 2004/2005, 2006/2007) foi realizada manualmente em duas linhas centrais com 10 m de comprimento por parcela, que foram trilhadas em máquina estacionária.

Os grãos colhidos (seja soja ou milho) foram pesados e os valores posteriormente transformados em kg ha-1, com umidade do grão padronizado em 13%. Com o restante das plantas, após a secagem em estufa obteve-se o peso seco da parte aérea.

Resultados

No ano de 2001 foi instalada a cultura do milheto com intuito de formar palhada, e pode-se observar na Figura 1 a sua produção de massa seca. A produção de massa seca pelo milheto chegou próximo aos 7.000 kg ha-1 aos 90 dias após a semeadura, decaindo em seqüência pela planta entrar no período de senescência. Assim, o milheto atende as exigências de quantidade de palha produzida para a região de Jaboticabal, com estação seca no inverno, mesmo sendo o ambiente sujeito a défice hídrico.

Figura 1. Massa seca do milheto para instalação do sistema plantio direto.

Em 2002/2003 foi instalada as culturas de crotalária e mucuna cinza, e pode-se observar na Figura 2 que a crotalária apresentou maior desenvolvimento inicial e conseqüentemente maior produção de massa seca próximo aos 80 dias. No entanto, a mucuna cinza conseguiu a mesma massa seca aos 120 dias após a semeadura, isso pelo seu crescimento lento.

Figura 2. Produção de massa seca das culturas crotalária e mucuna cinza.

A diferença aos 30 dias entre a mucuna cinza e a crotalária pode ser explicada, pois a crotalária apresenta crescimento inicial rápido, sendo esses resultados semelhantes aos encontrados por ALCÂNTARA & BUFARAH (1979).

Aos 60 dias nota-se que ocorreu aumento da massa seca da mucuna cinza e diminuição da crotalária, provavelmente devido a fisiologia da segunda cobertura em não suportar um maior período de seca, nesses 30 dias ocorreu 35,1 mm, porém, 90% dessa precipitação resumiu-se em dois dias.

Em 2003/2004 foi semeada a cultura do milheto e do sorgo e pode-se observar na Figura 3, que ambas as culturas apresentaram crescimento similar, o que produziu 10.000 kg ha1. Cabe lembrar, que se utilizado o sorgo granífero, esse pode ser opção de colheita de grãos, pois o milheto pode apenas ser utilizado para formação de palha. Esse fato permite a diminuição dos custos para formação de palhada.

Figura 3. Produção de massa seca de milheto e sorgo durante seu desenvolvimento.

No ano de 2004/2005 foram semeadas novamente as culturas mucuna cinza e crotalária e observa-se que a diferença no desenvolvimento inicial não foi tão acentuada como em 2002/2003, mas ao final das avaliações observa-se diferença de 1.000 kg ha-1, sendo a crotalária com a maior produção de massa seca (Figura 4).

Figura 4. Produção de massa seca de mucuna cinza e crotalária durante seu desenvolvimento.

A produtividade de soja (Figura 5) e de milho (Figura 6), refletem o mesmo comportamento nas safras avaliadas, pois para a soja observa-se que no primeiro ano (2001/2002) produziu mais que em 2003/2004, esse fato é explicado que nos primeiros anos de plantio direto as produções são menores, devido ao aumento de compactação acentuado, mas com o passar dos anos a densidade diminui pelo manejo de rotações e a produção aumenta, como pode ser vista na safra 2005/2006.

Figura 5. Produtividade de soja nos três anos de semeadura.

Para o milho (Figura 6) observa-se o aumento linear da produtividade ao longo das safras, pois segue o mesmo raciocínio para a soja, menores safras nos primeiros anos de plantio direto e safras maiores após a estabilização do sistema.

Figura 6. Produtividade de milho nos três anos de avaliação.

Considerações Finais

Pelo exposto, diversas culturas podem ser utilizadas para a produção de massa, mesmo em regiões onde a deficiência hídrica ocorre após o término da cultura principal.Observa-se que há aumentos de produtividade de milho e soja ao longo dos anos, com o sistema plantio direto.

Referências Bibliográficas

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