Manejo sustentado de doenças
Erlei Melo Reis1 & Ricardo Trezzi Casa21Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária - Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RSE-mail: erleireis@tpo.com.br2Centro Agroveterinário – UDESC, Lages, SC - E-mail: a2rtc@cav.udesc.br
1. Introdução
A triticultura representa uma atividade de grande importância à economia agrícola do Sul do Brasil. O consumo anual de trigo no país atinge um montante de aproximadamente 10 milhões de toneladas. Na safra de 2005 o trigo foi cultivado numa área de 2,756 milhões de ha, com rendimento médio de grãos de 2,1 t/ha e uma produção de 5,845 milhões de toneladas (Conab, 2005).
2. Sustentabilidade da cultura do trigo
De acordo com princípios de desenvolvimento, toda a atividade agrícola deve ser sustentável. Dentro do conceito de sustentabilidade se deve considerar os seguintes fatores:
a) Produtividade. Qualquer espécie vegetal explorada pelo agricultor deve ter sua produtividade maximizada. Uma lavoura sustentável de trigo, deve apresentar rendimentos de 3,0 a 4,0 toneladas por ha.
b) Lucratividade. Os altos rendimentos deverão ser acompanhados sempre por custo de produção tal que permita a obtenção de lucro máximo. Por isso, deve-se procurar através da escolha e da racionalização do emprego de práticas agrícolas reduzir o custo de produção.
c) Melhoria do ambiente. Os principais componentes ambientais incluem o solo e a água. Os altos rendimentos e os altos lucros deverão ser obtidos sem destruir ou agredir a natureza.
Em geral, numa propriedade agrícola o solo é o componente da natureza mais atingido pela agricultura predatória. De acordo com o conceito de sustentabilidade, a erosão do solo é o fator mais negativo, que afeta a produtividade e o lucro, sendo a maior agressão contra o meio ambiente na área rural. Conseqüentemente, a sustentabilidade somente será alcançada pelo controle total da erosão. A experiência tem mostrado que o plantio convencional significa erosão.
Hoje não se tem mais dúvida de que o plantio direto é a prática agrícola mais eficiente no controle da erosão e a que apresenta menor custo de produção comparado ao preparo convencional.
O plantio convencional apresenta maior custo de produção, porque exige maior número de equipamentos, maior número de operários e de horas de trabalho/ha, tem maior desgaste de máquinas e de equipamentos, maior consumo de combustível, maior necessidade de adubos devido a erosão, além de ter levado à prática da monocultura o que determinou o aumento de doenças. Por tudo isso o plantio convencional representa uma agricultura não sustentável.
Por outro lado, com a difusão do sistema plantio direto a erosão dos solos foi controlada, houve redução do gasto de energia, com conseqüente redução do custo de produção, sendo, por isso, um sistema sustentável. Porém, o plantio direto aumentou a compactação do solo e alterou marcadamente o microclima e a comunidade biológica no agroecossistema, com reflexos na população dos agentes causais das doenças do trigo.
Assim, em relação às doenças, uma lavoura de trigo em plantio direto poderá ser sustentável com o uso de sementes sadias e um sistema de rotação e de sucessão de culturas que elimine ou reduza a densidade de inóculo dos patógenos nas sementes, no solo e nos restos culturais (Zambolim et al, 2001).
Deve ser enfatizado que aqueles produtores resistentes à mudança em relação a sustentabilidade, provavelmente, deverão mudar de atividade, pois não poderão manter-se, por muitos anos, numa atividade agrícola predatória. Deverão escolher outra atividade que não seja a agricultura.
Pode-se inferir que, uma propriedade agrícola sustentável caracteriza-se por usar o plantio direto e o manejo integrado de doenças, pragas e plantas daninhas.
3. Principais doenças do trigo, no Brasil
São várias as doenças que atacam o trigo. Estas moléstias são causadas por fungos, bactérias e vírus. Dentre as doenças causadas por fungos destacam-se segundo Reis et al. (1996), Reis (1988a), Reis (1988b), Reis (1989), Reis (1991), Reis e Casa (1996), Wiese (1977): Mal-do-pé ou ofióbolus causada por Gaeümannomyces graminis var. tritici (Sacc.) Arx. & Oliv.; Podridão comum de raízes causada por Cochliobolus sativus (Ito & Kurib) Drechs. Ex. Dastur [Bipolaris sorokiniana (Sacc.) Shoem.] e por Gibberella zeae (Schw.) Petch [Fusarium graminearum Schwabe]; Oídio ou cinza causado por Blumeria (sin. Erysiphe) graminis (DC) Speer f.sp. tritici Em. Marchal [Oidium monilioides (Ness.) Link.]; Ferrugem da folha causada por Puccinia recondita Rob. Ex. Desm. f.sp. tritici Eriks. & Henn.; Ferrugem do colmo causada por Puccinia graminis f.sp. tritici Eriks & Henn.; Mancha amarela da folha causada por Pyrenophora tritici-repentis (Died) Drechs. [Drechslera tritici-repentis (Died) Schoem.]; Helmintosporiose ou mancha marrom causada por Cochliobolus sativus [Bipolaris sorokiniana]; Septoriose, mancha da gluma e mancha do nó causada por Leptosphaeria nodorum Müller [Septoria nodorum (Berk..) Berk.]; Mancha salpicada da folha causada por Mycosphaerella graminicola (Fuckell) Schroeter [Septoria tritici Rob. in Desm.]; Mancha aquosa ou mancha de fusarium causada por Fusarium nivale (Fr.) Ces. (Calonectria nivale Schaffn.); Carvão causado por Ustilago tritici (Pers.); Giberela causada por Gibberella zeae Petch (Fusarium graminearum Schwab.); Brusone causada por Magnaporthe grisea (Herbert) Yaegashi & Udagawa [Pyricularia grisea (Cooke) Sacc.].
As duas principais enfermidades bacterianas são a Estria bacteriana causada por Xanthomonas campestris (Pam.) Dow pv. undulosa Hagb e a Estria bacteriana ou halo bacteriano causada por Pseudomonas syringae pv. coronafasciens (Elliot) Young, Dye & Wilkie.
As principais doenças causadas por vírus são: a Virose do mosaico comum do trigo; e a Virose do nanismo amarelo da cevada (VNAC)(Casa et al., 2000; Wiese, 1977).
4. O clima x doenças
O clima favorável (nas regiões brasileiras aonde o trigo é cultivado), a suscetibilidade dos cultivares ao oídio, a ferrugem da folha, a virose do mosaico e a monocultura do trigo, em plantio direto, tem contribuído para o aumento da ocorrência e da intensidade das moléstias, o que resulta na redução dos rendimentos (Reis et al., 1986; Reis, 1994).
5. Danos x doenças
As doenças ameaçam a sustentabilidade econômica pelos danos que causam.
As moléstias causadas por parasitas biotróficos como as ferrugens e o oídio são responsáveis por danos significativos no rendimento de grãos o que implica no aumento de esforços no desenvolvimento de cultivares com resistência durável (Barcelloos et al., 1997). Em trigo, os danos causados pelo oídio podem chegar até 62 % (Fernandes et al, 1988; Reis et al, 1996) e os da ferrugem da folha até 63 % (Reis et al., 2.000). As doenças causadas pelos biotróficos são preferencialmente controladas pelo uso de cultivares resistentes, embora a resistência não seja durável devido a variabilidade genética freqüente destes fitopatógenos
Por outro lado para as doenças causadas por necrotróficos, como as manchas foliares (danos de até 42 %, segundo Casa dados não publicados), as podridões radiculares (dano de 20%) e a giberela (Reis et al., 1996) (dano de até 26%, segundo Panisson, 2001) ainda não foi possível desenvolver-se cultivares com resistência/tolerância suficiente para minimizar os danos causados. Portanto, para o grupo dos necrotróficos as principais medidas de controle baseiam-se na rotação de culturas e para as manchas, também o tratamento de sementes com fungicidas e doses eficientes.
6. Medidas de controle
6.1 Resistência genética. O uso de variedades resistentes constitui a medida preferencial de controle para o controle dos parasitas biotróficos como ferrugens, oídio e virose do mosaico. O problema é que a resistência não é durável sendo ”quebrada” pelo surgimento de novas raças (Barcellos et al. 1997).
A ferrugem do colmo tem sido eficientemente controlada pela resistência genética. Os genes de resistência utilizados tem sido eficientes e a quebra de resistência não é freqüente.
Em relação a ferrugem da folha já foram detectadas, no Brasil 55 raças. O trabalho de identificação teve início em 1949, pelo Dr. Adi Raul da Silva, no antigo Instituto Agronômico do Sul, em Pelotas – RS. Uma nova raça tem surgido num período de cultivo de cultivares resistentes de dois a três.
Os cultivares de trigo, em geral deixam de ser cultivados pelos produtores devido a suscetibilidade à ferrugem da folha.
Em relação ao Oídio, praticamente o mesmo raciocínio pode ser seguido donde se conclui que a freqüente quebra da resistência pode levar ao desuso dos cultivares suscetíveis.
Quanto ao Mosaico comum, transmitido por fungo de solo, a resistência é considerada estável.
Para as podridões radiculares, manchas foliares, giberela e brusone pouco progresso no desenvolvimento de cultivares resistentes tem sido obtido. As práticas culturais, como a rotação de culturas e o tratamento de sementes tem sido mais eficientes no manejo sustentado destas moléstias.
6.2 Rotação de culturas. A rotação de culturas consiste no plantio de uma mesma espécie vegetal, num mesmo local da lavoura, na mesma estação de cultivo, aonde os restos culturais do cultivo anterior foram completamente eliminados biologicamente. Nesta situação a palha foi eliminada pela ação decompositora dos microrganismos do solo; foram biologicamente degradados de tal maneira que o inóculo foi também eliminado ou mantido abaixo do limiar numérico de infecção. Contrariamente, monocultura consiste no cultivo da mesma espécie vegetal, no mesmo local da lavoura, onde estão presentes seus próprios restos culturais (Zambolim et al, 2001).
A rotação de culturas, com o emprego de espécies de plantas de famílias diferentes é de grande importância na eliminação ou redução do inóculo de patógenos e do potencial de inóculo do solo
Como um dos pilares de sustentação do sistema plantio direto é o emprego de sementes sadias, certificadas e tratadas, admite-se que tais patógenos habitantes do solo não sejam introduzidos nos campos de cultivo. Daí a rotação de culturas, segundo pilar de sustentação do sistema plantio direto, ser prática obrigatória, visando dar sustentabilidade ao sistema plantio direto.
De um modo geral, as doenças em plantas têm sua severidade agravada quando se pratica monocultura, o que parece ser regra normal na natureza.
A rotação de culturas é medida eficiente para o controle de manchas foliares e podridões radiculares em trigo.
6.3 Tratamento de sementes. As sementes infectadas, produzida principalmente sob monocultura apresenta alta incidência dos agentes causais de manchas foliares; a transmissão é elevada e eficiente; requer tratamento eficiente envolvendo fungicidas doses e veículos de cobertura. A erradicação, o grande desafio a ser atingido, ainda não é possível (Reis e Casa, 1998).
Sempre a curiosidade dos fitopatologistas tem sido conduzida a perguntas tais como: De onde vem o inóculo? Como é introduzido em novas áreas ou lavouras? Na procura de respostas para estas intrigantes questões os pesquisadores passaram a entender qual o verdadeiro papel das sementes como uma das mais importantes fontes de inóculo dos fitopatógenos. A questão passou a ser melhor entendida a partir do momento e que se começou a trabalhar com o controle de doenças de cereais de inverno pela rotação de culturas. O objetivo inicial era o controle de doenças radiculares, porém, tornou-se evidente que os agentes causais das manchas foliares (Bipolaris sorokiniana, Drechslera avenae, D. teres, D. tritici-repentis, Septoria nodorum e S. tritici) podiam ser igual e eficientemente controlados. Ficou demonstrado que o inóculo das manchas foliares não era transportado, pelos agentes de transporte, a distâncias muito grandes, pois em parcelas experimentais distantes de apenas 3,0 m era marcante o efeito da rotação no controle daquelas doenças (Reis & Casa, 1998).
Uma vez eliminada uma das fontes de inóculo, a saber os restos culturais infectados, passou a investigar-se a distância do transporte do inóculo pelo vento, principalmente, e a importância do inóculo presente na semente. Tendo sido demonstrado, mais uma vez, que o inóculo não é trazido de longa distância a evidência maior era de que a semente deveria ser o responsável por sua introdução em áreas onde não estão presentes os restos culturais infectados. Posteriormente, trabalhando-se apenas em áreas com rotação de culturas e exclusivamente com uma fonte de inóculo, a semente; e comparando-se sementes livres dos agentes causais das manchas foliares com parcelas onde se semeou sementes naturalmente infectadas, pode-se demonstrar que a semente era o veículo responsável pela introdução dos agentes causais das manchas foliares nas parcelas (lavouras) onde se praticava a rotação de culturas.
Estas novas descobertas levaram a investigar-se com mais detalhe as interações patógeno-semente no que diz respeito a eficiência da transmissão semente plântula e o potencial de esporulação na extremidade apical de coleóptilos ou em lesões primárias nas plúmulas. No caso das manchas foliares de cereais de inverno quantificou-se que a eficiência da transmissão do inóculo da semente para os órgãos aéreos pode ser, por exemplo, superior a 70% para B. sorokiniana em trigo. Aprendeu-se também que quanto mais eficiente for o controle via tratamento de sementes, maior será a redução do inóculo primário com o conseqüente atraso no desenvolvimento da epidemia de manchas foliares na lavoura.
Estes fatos demonstraram claramente que é a semente que introduz os agentes causais de manchas foliares em novas áreas ou naquelas em que se pratica a rotação de culturas (resto cultural infectado ausente) e que deve-se buscar uma eficiência no controle, via tratamento de sementes, de tal maneira que assegure uma transmissão tão baixa que a epidemia não alcance o limiar de dano econômico (LDE). Entende-se por LDE aquela intensidade da doença que determine perdas no rendimento de grãos iguais a operação do controle da doença alvo via pulverização de fungicidas no órgãos aéreos.
Trabalhos conduzidos na busca de tratamento de sementes com uma eficiência de 100%, ou seja, alcançando-se a erradicação, mostraram que esta meta é uma tarefa difícil devido a íntima associação patógeno-semente. Quando um método ou produto foi capaz de erradicar um dado patógeno, geralmente, apresentava, como inconveniente, a redução dramática do poder germinativo da semente. Parece que houve uma evolução da associação patógeno-semente de modo a alcançar uma proteção mútua.
Finalmente, demonstrou-se no campo que é possível reduzir-se o desenvolvimento de uma epidemia de manchas foliares de cereais de inverno pelo uso integrado da rotação de culturas e tratamento erradicante na semente. Por redução entende-se que a epidemia não atinja o LDE.
Pouco progresso tem havido na patologia de sementes, com este enfoque epidemiológico, devido ao uso de fungicidas pouco eficientes ou quando o pesquisador trabalha com duas fontes de inóculo ao mesmo tempo: resto cultural e semente infectada. Nos dois casos levava a imaginar-se que o inóculo das manchas foliares era transportado pelo vento a longa distância quando na realidade o que estava ocorrendo era uma confusão entre duas fontes de inóculo.
Pode-se concluir, que no caso dos cereais de inverno, já há suficiente informação demonstrando que as sementes infectadas introduzem os agentes causais de manchas foliares nas lavouras nas quais se pratica a rotação de culturas com espécies não suscetíveis aos mesmos parasitas. Ficou clara também, a necessidade de desenvolver-se métodos mais eficientes no controle dos fitopatógenos associados as sementes, devendo-se ter como meta a erradicação, embora não seja uma tarefa facilmente alcançada. Há evidências de que no caso da mancha-em-rede da cevada (D. teres) apenas o inóculo presente na semente pode determinar, se o clima for favorável, a ocorrência de epidemias na lavoura independentemente da presença (monocultura) ou não (rotação de culturas) de restos culturais infectados na área. No entanto, em relação as manchas foliares do trigo, provavelmente, além do clima favorável, as epidemias devem ser mais freqüentes e mais intensas após duas ou três monoculturas.
6.4 Uso de fungicidas aplicados nos órgãos aéreos
Como medida complementar de controle das manchas foliares, do oídio e das ferrugens recomenda-se a aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos. Para a giberela, por enquanto, resta a criação de cultivares tolerantes e a melhora da cobertura da aplicação dos fungicidas que visam ao seu controle de modo a atingirem e protegerem as anteras presas, os principais sítios de infecção (Reis et al. 1996).
Para que a cultura do trigo seja sustentável é necessário manter altos patamares de rendimento de grãos. Em experimentos conduzidos pela Embrapa -Trigo, em Passo Fundo – RS, tem sido atingido o rendimento superior a 6,0 t/ha e em lavouras comerciais até 4 t/ha.
Os fungicidas constituem-se numa ferramenta importante para minimizar os danos causados pelas doenças sendo uma medida emergencial, rápida e eficiente, porém, o seu uso aumenta o custo de produção. Em conseqüência devem ser aplicados seguindo-se critérios que assegurem o retorno econômico ao reduzirem os danos causados.
A maioria dos trabalhos brasileiros de quantificação de danos causados pelas doenças, em cereais de inverno, tem sido conduzidos na Universidade de Passo Fundo, sendo uma contribuição importante à sustentabilidade da cultura do trigo e a valorização profissional do Engenheiro Agrônomo.
As doenças do trigo alvo do controle pela aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos são, o oídio, as ferrugens e as manchas foliares.
Quando se decide pelo controle de doenças através do uso de fungicidas deve-se ter em mento o fato de que ”os agricultores cultivam a terra (Ex. o trigo) para ganharem dinheiro e que tanto a falta como o excesso do uso de medidas de controle, como por exemplo os uso de fungicidas, pode reduzir o lucro dos produtores” (Main, 1997). Por isso, devem ser usados com critério que considere o custo benefício da prática utilizada.
A assistência técnica tem a disposição diversos critérios que podem ser seguidos na tomada de decisão quanto ao momento da aplicação de fungicidas. Um seria o tratamento preventivo ou protetor que não leva em conta a quantidade de doença nem o custo do controle. Outra possibilidade seguida por alguns produtores, porém não recomendada pela pesquisa, é a aplicação de fungicida quando o cereal encontrar-se no estádio de espigamento. Este critério não leva em conta a quantidade de doença e geralmente é feito atrasado, ou seja a quantidade de doença já ultrapassou o limiar de ação. Em geral, quando aplicados atrasados, com alta intensidade das doenças, os fungicidas não tem poder para reverter os danos causados que são irreversíveis.
Lembra-se que de acordo com as Recomendações de pesquisa (2005), o critério mais racional, e por isso o mais recomendado, indicador do momento para a aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos é o limiar de dano econômico (LDE)(Munford & Norton, 1984). O LDE deve ser calculado para cada doença, em função do potencial de rendimento da lavoura, do custo de controle, do valor do preço do trigo, do coeficiente de dano causado por cada doença e da eficiência do fungicida utilizado. Este cálculo deve ser feito anualmente e para cada situação de lavoura, com a assistência de um Engenheiro Agrônomo. Para detalhes do cálculo do LDE, sugere-se consultar Reis et al. (2001) e Reis et al. (1999).
A giberela é uma doença na qual os fungicidas indicados para seu controle apresentam boa fungitoxicidade. Porém, os controles obtidos no campo, entre 60 e 70 %, ainda são relativamente baixos em função da dificuldade do fungicida atingir o alvo biológico que são as anteras do trigo. Tal dificuldade também é encontrada em cevada. A brusone é outra doença de espiga de difícil controle no campo, também em função da dificuldade de proteção da espiga (possivelmente a ráquis) para impedir a infecção do fungo.
7. Considerações finais
A sustentabilidade na produção de trigo pode ser alcançada pelo controle integrado de manchas foliares a saber: rotação de culturas, tratamento eficiente de sementes visando a erradicação dos agentes causais e o monitoramento do desenvolvimento de epidemias de manchas foliares nos órgãos aéreos de tal maneira que somente se decida pelo controle químico (custo de US$ 31.00/ha/aplicação) se o LDE for alcançado.
8. Referências bibliográficas
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