Plantações de GMs Crescem no Mundo (Editorial/Notícia)


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Publicado em: 01/02/2008

Plantações de GMs crescem no mundo

Após doze anos de comercialização, as plantações biotecnológicas continuam ganhando terreno, com outro ano de crescimento de dois dígitos e novos países juntando-se à lista de usuários, de acordo com um relatório divulgado no dia 13 de fevereiro pelo Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications, ISAAA). Em 2007, a área plantada cresceu 12%, ou seja, 12,3 milhões de hectares, atingindo 114,3 milhões de hectares, o segundo maior aumento de área nos últimos cinco anos.

Além de plantar mais hectares com plantas GM, os agricultores estão adotando rapidamente variedades com mais de uma característica genética inserida, os chamados stacks. Os tais ”hectares de características combinadas” cresceram 22%, ou seja, 26 milhões de hectares, atingindo 143,7 milhões de hectares – mais do que o dobro do aumento de área de 12,3 milhões de hectares. Novas culturas também foram adicionadas à lista, uma vez que a China relatou 250 mil álamos transgênicos plantados. Essas árvores que são resistentes a insetos podem contribuir com os esforços de reflorestamento.

Além disso, mais dois milhões de agricultores passaram a plantar transgênicos em 2007, totalizando doze milhões de agricultores em todo o mundo aproveitando as vantagens da tecnologia melhorada. Notadamente, nove em cada dez agricultores beneficiados – ou seja, 11 milhões de produtores – eram agricultores com poucos recursos, excedendo o marco de dez milhões pela primeira vez. De fato, o número de países em desenvolvimento (doze) plantam lavouras geneticamente modificadas (GM) ultrapassou o número de países industrializados (onze), e a taxa de crescimento no mundo em desenvolvimento foi três vezes superior à das nações industrializadas (21% em comparação a 6%).

”Com o aumento dos preços dos alimentos em todo o mundo, os benefícios das plantações biotecnológicas nunca foram tão importantes”, disse Clive James, presidente do conselho e fundador do ISAAA, e autor do relatório. ”Os agricultores que começaram a adotar as plantações biotecnológicas há alguns anos já estão começando a ver as vantagens socio-econômicas em comparação com os que não as adotaram. Se quisermos atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio (Millennium Development Goals, MDGs) para cortar a fome e a pobreza pela metade até 2015, as plantações GM devem representar um papel ainda maior na próxima década”.

Em 2007, os Estados Unidos, a Argentina, o Brasil, o Canadá, a Índia e a China continuaram a ser os principais países que utilizam lavouras GM em todo o mundo. Apesar de os Estados Unidos continuarem sendo os maiores usuários da biotecnologia agrícola, a sua área plantada com transgênicos representa uma fatia em declínio da área global, devido ao aumento da adoção nos países emergentes.

Os agricultores brasileiros cultivaram 15 milhões de hectares de lavouras transgênicas em 2007, apresentando o maior crescimento absoluto do mundo em adoção de biotecnologia agrícola. O País plantou 3,5 milhões de hectares a mais em relação a 2006, quando cultivou 11,5 milhões de hectares. Logo atrás do Brasil estão os EUA, com 3,1 milhões de hectares de crescimento, e a Índia, com 2,4 milhões.

Em porcentagem de crescimento, o Brasil também melhorou seu despenho em área cultivada com transgênicos, saltando de 22% em 2006, para 30% em 2007. No ano passado, apenas a Índia superou o País, com alta de 63%, saltando de 3,8 para 6,2 milhões de hectares.

Da área total de transgênicos plantados no país, cerca de 14,5 milhões de hectares foram cultivados com soja tolerante a herbicida. Os outros 500 mil hectares foram dedicados ao cultivo do algodão resistente a insetos, liberado para comercialização no Brasil em 2005.

”Com doze anos de conhecimentos acumulados e benefícios econômicos, ambientais e sociais significativos, as plantações transgênicas estão prontas para um crescimento ainda maior nos próximos anos, particularmente em países em desenvolvimento que têm a maior necessidade desta tecnologia”, disse James.

O relatório do ISAAA foi inteiramente financiado pela Rockefeller Foundation, uma organização filantrópica baseada nos EUA, associada à Green Revolution; pelo Ibercaja, um dos maiores bancos espanhóis com sede na região de plantação de milho da Espanha; e pela Bussolera-Branca Foundation da Itália, que apóia o compartilhamento aberto do conhecimento sobre as lavouras transgênicas para auxiliar a tomada de decisão pela sociedade global. Para obter mais informações sobre o resumo executivo do relatório, acesse www.isaaa.org.

Revista Plantio Direto, edição 103, janeiro/fevereiro de 2008. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.