Simpósio sobre Plantio Direto na Palha


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Publicado em: 01/10/2007

Simpósio Sobre Plantio Direto na Palha: Gestão Sustentável do Agronegócio

Fazendo parte das comemorações dos 35 anos do plantio direto no Brasil, aconteceu de 29 a 31 de agosto, em Ponta Grossa, PR, o Simpósio Sobre Plantio Direto na Palha: Gestão Sustentável do Agronegócio.

O evento, promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, teve como principal objetivo enriquecer o conhecimento dos 300 agricultores e técnicos participantes, através de informações e discussões sobre a gestão sustentável do agronegócio, tendo como base o plantio direto.

Mais de 300 pessoas, entre técnicos, agricultores, estudantes e pesquisadores, acompanharam a programação do Simpósio.

O engenheiro-agronônomo Bady Cury, um dos organizadores, destacou o painel ”Sustentabilidade na Visão do Produtor Rural”, onde experiências bem sucedidas de produtores foram apresentadas e discutidas entre os participantes. Também o painel sobre ”Gestão dos recursos naturais” teve repercussão positiva. Para ele, a abordagem de temas correlatos no formato de grandes painéis, enriquece a discussão e a participação do público.

Para o Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, Franke Dijkstra, ao contabilizar uma área superior a 25 milhões de hectares e observar a rápida expansão do SPDP no Brasil em substituição ao preparo convencional, a FEBRAPDP manifesta preocupação com a qualidade da tecnologia empregada na adoção e manutenção do sistema. ”O SPDP tem o seu fundamento na ausência do revolvimento do solo, em cobertura permanente e na rotação de culturas, trazendo com isto benefícios como: diminuição da erosão, aumento da fertilidade do solo, maior retenção de umidade, aumento da produtividade, diminuição de mão-de-obra e, conseqüentemente, dos custos de produção, entre outros benefícios diretos e indiretos à sociedade”, lembrou Franke.

”Avaliando o que passou e o que temos pela frente, considero que já superamos a fase pioneira, avançamos com o sistema em termos de área e uso de tecnologias. Hoje é prioridade qualificarmos o plantio direto, pois muito do que está sendo não pode receber esse nome, porque falta palha, falta rotação de culturas, que são itens básicos do sistema”.

Durante o evento foram debatidos temas que trataram do crescimento na demanda por alimentos e o conseqüente direcionamento para a produção verticalizada e a integração dos sistemas produtivos. Na opinião de Dijkstra, o desafio é trabalhar em sistemas integrados. ”Algumas propriedades já estão se diversificando, pois até pouco tempo era possível crescer horizontalmente, hoje, principalmente no sul, não existem mais áreas para abrir e a realidade é outra, por isso o crescimento se dá através da verticalização”.

Paralelo as ações de qualificação do PD, para Franke é necessário informar o público urbano dos benefícios do plantio direto para a sustentabilidade da agricultura. ”Devido à falta de informação a população urbana, de forma geral, pensa que apenas os alimentos orgânicos são bons, que a agricultura praticada de forma empresarial, organizada e com volume de produção, só produz coisa ruim e prejudica o meio ambiente. É preciso informar, esclarecer, fazer marketing do tipo de agricultura que praticamos. O público urbano não tem noção do que realmente ocorre no campo. É necessário que a população das cidades tenham, ao menos, conhecimento básico do que é um sistema de produção realmente sustentável”.

Por isso Dijkstra cita como pontos básicos para a nova fase da FEBRAPDP a gestão, a qualidade, o marketing e a certificação. Para ele, trabalhando essas frentes é possível obter a valorização do plantio direto em todos os segmentos da sociedade.

Manoel Henrique Pereira entrega homenagem aos 35 anos de plantio direto no Brasil ao produtor pioneiro Herbert Bartz, representado na cerimônia pela filha Marie Luise Carolina Bartz.

O Simpósio sobre Plantio Direto na Palha: gestão sustentável do agronegócio contou com o apoio da Andef, Cescage, Dow AgroSciences, Emater, Fundação ABC, Iapar, Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Revista Plantio Direto, SEAB/PR e Universidade Estadual de Ponta Grossa. A Fundação Agrisus e Roundup foram os patrocinadores do evento.

Um olhar sobre o plantio direto no Cerrado brasileiro

Engenheiro-agrônomo e consultor em plantio direto e integração lavoura-pecuária, com experiência de quase 30 anos no sistema, Márcio João Scaléa lançou no dia 29 de agosto, durante o Simpósio Sobre Plantio Direto na Palha: Gestão Sustentável do Agronegócio, em Ponta Grossa, PR, o livro Plantio Direto.

Com edição limitada patrocinada pela Monsanto, a obra traça um panorama do plantio direto, cuja estimativa de utilização no Cerrado, safra 2006/2007, é de 10 milhões de hectares e aborda também a integração lavoura-pecuária.

Os capítulos trazem a visão de quem ajudou a desenvolver o Plantio Direto. Falam dos primeiros contatos de Scaléa com o sistema, algumas definições, barreiras iniciais e comentário sobre a difusão. Na obra, o autor também faz uma avaliação do plantio direto frente aos aspectos relevantes na atualidade como a relação filosófica e ambiental e os fatores históricos e econômicos do desenvolvimento do sistema. Fundamentos como a eliminação do preparo do solo, uso de herbicidas, cobertura morta, plantadeiras, rotação, além da integração lavoura-pecuária, são apresentados ao leitores como um resgate histórico do Sistema Plantio Direto no Cerrado através da vivência e olhar de Márcio João Scaléa.

Ainda durante Simpósio o autor lançou o Cordel Tecnológico: Integração Lavoura-Pecuária e Renovação de Pastagens em Plantio Direto. O formato de literatura de cordel enriquecido pelo conteúdo tecnológico criativamente incorporado às rimas trata de problemas como a erosão, pastagens degradadas, efeitos nocivos do uso intenso de arados e grades, das crescentes perdas de produtividade, do empobrecimento do agricultor e do pecuarista. As versos também apresentam soluções para esses problemas através do uso do plantio direto. Com o Cordel Tecnológico, Márcio Scaléa conduz os leitores numa viagem através do tempo, nela descreve a realidade de muitas propriedades rurais onde a degradação e baixa tecnologia ainda persistem, e aponta os caminhos e soluções práticas que estão ao alcance de todos.

Revista Plantio Direto, edição 101, setembro/outubro de 2007. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.