Pulverizações aéreas contra doenças do arroz
Eugênio Passos SchröderEng.-Agr. Dr., Schroder Consultoria - Pelotas - RS - E-mail: schrodep@terra.com.br - www.eugenioschroder.cjb.netNo ano em que se comemora o 60º aniversário da aviação agrícola no Brasil, um novo e promissor mercado surge no sul do país: trata-se da pulverização aérea de fungicidas nas lavouras de arroz.
A técnica de pulverizações aéreas de fungicidas em arroz já foi muito utilizada, em função do não amassamento das plantas da cultura, rapidez e uniformidade da aplicação, além do custo vantajoso.
Porém, devido ao fato de que as variedades de arroz cultivadas nos últimos anos eram resistentes às doenças, a prática era pouco adotada pelos agricultores do Rio Grande do Sul, estado que colhe seis milhões de toneladas, ou seja, 60% da produção nacional.
Entretanto, nas duas últimas safras agrícolas, doenças como a brusone e a cárie do grão do arroz ressurgiram no Estado, que cultiva cerca de um milhão de hectares a cada ano.
Prejuízos de quase 40% na produtividade de algumas lavouras deixaram os agricultores muito preocupados, fazendo com que lançassem mão do combate às doenças com aeronaves.
Na safra 2005/2006, foram pulverizados quase 150 mil hectares com aeronaves, e no ano 2006/2007 a área cresceu para aproximadamente 400 mil hectares, ou seja, triplicou.
Estima-se que este fato tenha tenham gerado um faturamento extra ao redor de cinco milhões de dólares para as empresas aplicadoras, o que trouxe novo fôlego ao setor, que vinha amargando safras consecutivas com reduções na quantidade de área tratada.
As empresas fabricantes de fungicidas tiveram um incremento em seu faturamento da ordem de dez milhões de dólares, e os agricultores deverão ter aumentos em seus ganhos ao redor de 50 milhões de dólares.
O tratamento das doenças deve ser realizado antes de observarem-se as manchas nas folhas e grãos do arroz, ou seja, de forma preventiva. Para algumas doenças existe controle curativo, desde que efetuado logo no início do ataque dos fungos. A maioria das recomendações de controle é dirigida para a fase imediatamente anterior à floração da lavoura.
É de fundamental importância o monitoramento das condições ambientais, que deve ser efetuado na lavoura, durante a pulverização. Temperatura inferior a 30 oC e umidade relativa do ar superior a 55% resultam em menor evaporação das gotas aspergidas. O ideal é que as aplicações aéreas sejam realizadas com ventos entre 3 e 10 km/h. ·.
Definida pelo número de gotas por centímetro quadrado, a densidade de gotas varia com o volume de calda aplicado, tamanho das gotas, regulagem dos equipamentos, tipo de formulação do agroquímico, entre outros fatores. A pesquisa oficial recomenda a densidade de 70 gotas/cm2 para uma boa cobertura do alvo.
A experiência tem mostrado que densidades entre 40 e 50 gotas/cm2, no topo da cultura, são suficientes para os fungicidas sistêmicos, sendo desejável que pelo menos um terço delas atinjam a parte inferior das plantas.
Ainda existe, por parte de profissionais e agricultores, a idéia de que quanto mais água melhor, ou seja, que maiores volumes de calda resultam em melhor controle da doença. Isto não é verdade. É certo que maiores volumes podem resultar em melhor cobertura das plantas, mas também podem proporcionar maior escorrimento e perdas dos fungicidas para o solo quando se utilizam gotas grandes, bem como grande formação de micro-gotas quando o volume é incrementado via aumento de pressão de pulverização, o que resulta em enormes perdas por evaporação e deriva, com sérios riscos de contaminação ambiental.
Além disso, altos volumes de pulverização exigem mais carregamentos da aeronave, maior número de pousos e decolagens, translados entre pista e lavoura, gasto de água, o que resulta em elevado custo de tratamento. Tal prática não se enquadra na moderna visão administrativa, onde o objetivo é buscar tratamentos mais baratos, eficientes e seguros.
Hoje a recomendação oficial de muitos fungicidas é de que sejam pulverizados com volume de calda de 30 L/ha. Porém, as empresas aplicadoras, principalmente aquelas que utilizam atomizadores rotativos, que geram espectros de gotas mais uniformes, estão aptas para aplicar volumes inferiores a 20 L/ha.
Com o objetivo de debater este assunto, a Schroder Consultoria, empresa especializada em tecnologia de aplicação, promoveu um debate durante a Expodireto Cotrijal 2007, maior feira do agronegócio do sul do Brasil.
Os debatedores foram quatro renomados profissionais do setor, a saber: engenheiro agrônomo Dr. Ivan Francisco Dressler da Costa, professor da Universidade Federal de Santa Maria, representando os órgãos de pesquisa e ensino; engenheiro agrônomo Bruno Welter, da área de desenvolvimento da Bayer CropScience, representando as empresas fabricantes de fungicidas; engenheiro agrônomo Paulo Roberto Martins, da empresa Garantia Agronegócios, representando as empresas revendedoras e de assistência técnica; e o piloto agrícola Alan Sejer Poulsen, da empresa Taim Aeroagrícola, representando o Sindicato Nacional da Empresas de Aviação Agrícola.
Na nossa opinião, como moderador do painel, os objetivos do debate foram alcançados, pois foi possível esclarecer as dúvidas do público presente e harmonizar a linguagem dos fabricantes, aplicadores e pesquisadores.
O tema será debatido brevemente no Sindag - Congresso Regional de Aviação Agrícola – Sul e no Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, ambos a serem realizados no Rio Grande do Sul.