Sucesso Define a Expodireto 2007


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Publicado em: 01/04/2007

Sucesso define a Expodireto 2007

As expectativas que antecederam a realização da Expodireto Cotrijal 2007, foram confirmadas no final do evento que apresentou resultados animadores e comprovou a reação do setor diante da crise que se estendeu durante os dois últimos anos.

Ao apresentar o balanço da 8a. edição da Expodireto, o presidente da Cotrijal, Nei César Mânica, falou sobre os números apurados e disse que o sucesso ”é o resultado do trabalho iniciado ainda ao término da 7ª edição, em março de 2006”.

Para Mânica, o principal indicador de sucesso foi o volume de negócios, que alcançou R$ 145 milhões, 190% maior que na edição anterior. Em 2006, ano de crise e desânimo por parte dos produtores, as negociações ficaram em R$ 50 milhões.

O público da edição 2007 somou mais de 130 mil pessoas nos cinco dias da exposição, registrando um pequeno aumento sobre a visitação do ano anterior. Em número de expositores a feira contou com a participação de quase 300 empresas que apresentaram aos visitantes máquinas, implementos, acessórios, armazenagem, sementes, fertilizantes, agroquímicos, parcelas e tecnologias para a pequena propriedade. O setor de produção animal contemplou bovinocultura de leite, suinocultura e avicultura. A feira ainda oferece ao público um riquíssimo espaço destinado a educação ambiental.

Além das exposições estáticas e dinâmica de máquinas, a Expodireto conta com inúmeros eventos que fazem parte da programação oficial da feira, como o Fórum Nacional da Soja, Fórum Estadual do Leite, Casa do Plantio Direto, Fórum: Água Fonte de Alimentos, Seminário de Suinocultura, Seminário Sobre Novos Enfoques do Agronegócio Brasileiro, entre outros.

A data da próxima edição da Expodireto Cotrijal já foi definida, o evento acontecerá de 10 a 14 de março de 2008.

A Cadeia Produtiva da Soja em foco

Evento que acontece há seis anos como parte da programação oficial da Expodireto, o Fórum Nacional da Soja cumpre a função de, no início da colheita da safra de verão, oferecer informações qualificadas para que produtores e áreas comerciais das cooperativas façam a melhor comercialização da safra.

Na parte técnica, do evento destacou práticas culturais como conservação de solo e plantio direto, mas principalmente qualidade de sementes com maior potencial de produção. A pesquisa em biotecnologia, disseram os pesquisadores durante o evento, deve ser o sustentáculo da produção rural, na medida em que a transgenia ganha espaço no mundo. E deve-se andar rápido nesse processo, uma vez que toda pesquisa nesta área leva cerca de 20 anos para dar frutos. Já na parte econômica do Fórum, estiveram em foco custos, juros, câmbio, e renda do agricultor, aspectos que devem ser pensados o ano inteiro.

Tecnologias precisam sair das gavetas

O pesquisador Ivo Carraro, diretor da Coodetec, lembrou aos participantes do Fórum que o Brasil ainda tem muito a crescer na produção de soja, e que o produtor não pode se acomodar. ”Nossas gavetas estão cheias de tecnologia. Não podemos ter tanta variação de produtividade, com o Rio Grande produzindo 2.100 kg/hectare enquanto o resto do país produz, em média, 2.750 kg/hectare. Será que a seca não está sendo a nossa ”muleta” para produzir tão pouco? O Rio Grande agregaria R$ 1,2 bi de renda, se chegasse à produtividade média nacional. Então temos que fazer a nossa parte, não adianta só São Pedro ajudar”, insistiu o pesquisador, que ainda lembrou: ”o Rio Grande é o Estado de maior índice de não uso de sementes certificadas, e o que possui a menor média de produtividade em soja do país. Será que tem a ver uma coisa com a outra?”, questionou.

O Pesquisador Ivo Carraro, Diretor da Coodetec (à esquerda), lembrou aos participantes do Fórum que o Brasil ainda tem muito a crescer na produção de soja, e que o produtor não pode se acomodar: ”Nossas gavetas estão cheias de tecnologia. Não podemos ter tanta variação de produtividade”.

”A fase da clandestinidade foi importante, mas durou tempo demais. Temos soluções próprias, basta que a pesquisa seja incentivada” garante por sua vez o pesquisador Benami Bacaltchuk, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo. No seu entendimento, o futuro é da pesquisa, que cada vez mais vai direcionar soluções com valor agregado, adaptado às condições do Brasil, validado pelo processo produtivo brasileiro. Não há saída para o país a não ser apropriar-se de seu conhecimento, acredita o pesquisador. ”A pesquisa brasileira já tem resultados extraordinários. Há produtores colhendo 6.000 kg de soja por hectare, e o potencial de produção calculado é de 14.000 kg/ hectare. Então, há muito o que avançar ainda”, disse Benami, confirmando as colocações de Carraro.

O presidente da Fundacep, Darci Hartman, exibiu a mesma linha de raciocínio. ”A tecnologia é um fator em que podemos interferir diretamente. Ela independe de preço, clima, infra-estrutura ou decisão política. Muitas vezes o agricultor, por falta de informação, procura simplificar e acaba tendo aumento de prejuízo”, disse ele.

Hartmann também alertou as lideranças a exercerem seu papel de influenciar o produtor no sentido de mudança de atitudes no uso correto de tecnologias. A valorização da tecnologia, aliás, também foi tema de abordagem do pesquisador José Ruedell, da Fundacep, que alertou para os muitos ”ralos” por onde escorre a ”não eficiência”. Ele chamou a atenção para o desbalanceamento ocorrido nas lavouras a partir dos descuidos que têm sido verificados na aplicação de defensivos agrícolas, o que tem proporcionado o retorno de certas pragas.

Irrigação em debate

Vinte e seis entidades envolvidas no processo de elaboração do Plano de Irrigação, entre elas diversos órgãos de governo do Estado do Rio Grande do Sul informaram, em dados oficiais, que nos últimos 35 anos as estiagens resultaram em perdas de 2,5 milhões de toneladas de milho e de 3,5 milhões de toneladas de soja por ano. Isso equivale a dizer que o Estado teve perdas potenciais de 325 milhões de dólares no milho e de 707 milhões de dólares na soja.

Os números foram apresentados durante Fórum: Água Fonte de Alimentos, realizado durante a Expodireto Cotrijal. Para o secretário extraordinário de Irrigação e Uso Múltiplos da Água, Rogério Ortiz Porto em 35 anos o Estado deixou de produzir o equivalente a 1,8 bilhões de dólares em milho, e 2,5 bilhões de dólares por ano em soja. Com menor produção e menor circulação de riquezas, houve menos empregos, menor arrecadação de tributos, menos investimentos em estradas, educação e saúde. Com isso, nos últimos 10 anos, 500 mil pessoas deixaram de ser acolhidas pelo mercado de trabalho gaúcho.

Lançado durante ato de interiorização da Assembléia Legislativa Gaúcha, que reuniu 42 deputados de três comissões especiais para uma Audiência Pública no auditório central da Expodireto 2007, o ”Plano Estadual de Irrigação do Governo do Estado do Rio Grande do Sul” pretende funcionar como ”uma espécie de seguro agrícola, garantindo condições de sucesso e ajudando o campo a crescer”, como resumiu o presidente do Parlamento Riograndense, deputado Frederico Antunes.

Primeiro o ”dever de casa”

”Tem sido comum a ocorrência veranicos que comprometem culturas como milho e soja com maior ou menor intensidade no Estado. E nós sabemos que neste contexto a água representa a matéria prima para a produção agrícola. Mas também temos a dimensão de que só atacando a questão da água as coisas não se resolvem. Qualquer proposta de irrigação precisa estar inserida dentro de um conjunto de práticas de manejo que visem armazenar corretamente e racionalizar o uso da água”.

Manifestado pelo diretor de produção Gelson Melo de Lima, o raciocínio reflete a posição da Cotrijal diante do Plano Estadual de Irrigação lançado pelo Governo Gaúcho. Para a cooperativa é essencial que práticas potencializadoras da produção, como época adequada de plantio, uso de cultivares recomendadas, escalonamento de época de plantio, uso de espaçamento tecnicamente indicado, fertilização correta, e uso do sistema de plantio direto, passando pela rotação de culturas com o uso de cobertura de solo, sejam colocados em prática, antes de se aplicar a irrigação propriamente dita.

”A cooperativa se engaja num projeto desses porque entende que a água é fundamental. Se olharmos para um horizonte de 10 anos para trás e bem provável que em mais da metade desses anos tenhamos tido comprometimento da produção das principais culturas do Estado por déficit hídrico”, observa Gelson. Antes de partir para a irrigação, entretanto, ele considera que é preciso fazer ”o dever de casa”, observando se o solo está sendo manejado adequadamente, de forma a aproveitar melhor o recurso natural que é a água.

Se os produtores praticassem um manejo melhor do que dispõem, os estragos causados pela estiagem da safra 2004/2005, que determinou perdas de 70% das culturas de milho e soja no Estado, o impacto econômico seria menor para toda a comunidade, acredita o dirigente da Cotrijal. De qualquer forma, ele garante que a proposta não é sair irrigando indiscriminadamente, porque para determinadas regiões talvez não seja a melhor alternativa. O objetivo é que, havendo condições técnicas, econômicas e ambientais de suplementar déficit hídrico através de irrigação, isso seja feito, mas sem emoções e sem modismo, sempre buscando o equilíbrio.

Resgate histórico

A história pode ser considerada como um dos únicos fragmentos da memória que refletem na nossa vida, ativando a busca pelo passado, presente e futuro. Esse momento de historicidade e emoção pôde ser encontrado de forma relevante na oitava edição da Expodireto Cotrijal através do Recanto Temático, um espaço que encantou o público, contando a trajetória dos 50 anos da Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial.

Como forma de marcar a passagem do cinquentenário de sua fundação a Cotrijal reproduziu para seus associados e público da Expodireto, a história da cooperativa através de um roteiro formado por cenários de época, maquetes, painéis e exposição de objetos. No Recanto Temático o público conheceu o início do cooperativismo no Brasil, passou pela formação da Cotrijal em 1957, chegando aos dias de hoje, onde a tecnologia de ponta e aprimoramento técnico estão presentes nas atividades da organização junto aos seus associados, garantindo crescimento sustentável para agricultores e comunidades da área de abrangência da cooperativa.

Os cenários remeteram o visitante a uma viajem no tempo, passando por momentos de crise mundial, de ascensão no trabalho cooperativista e surgimento da Cotrijal em 1957.

Ao percorrer os corredores os visitantes puderam encontrar inicialmente a semente básica do cooperativismo, trazida para o nosso estado pelos imigrantes europeus após a Revolução Industrial, em 1760, com as culturas de trigo e soja, alternativas que tornaram o solo gaúcho fonte de prosperidade.

A minuciosidade das características e dos objetos que compuseram o recanto despertou lembranças de vida. Uma casa tradicional de um agricultor nos anos 50, com forno de barro, poço, animais e um simples radinho que comunicando no programa jornalístico mais popular da época, o ”Repórter Esso” a importante notícia: ”É fundada hoje, dia 14 de setembro de 1957, em Não-Me-Toque, a Cotrijal”, remeteram os visitantes a uma reflexão sobre os avanços ocorridos nas últimas cinco décadas e o reflexo disso no desenvolvimento das comunidades da área de abrangência da cooperativa.

A caminhada da Cotrijal foi contada partindo de simples instalações com máquinas de escrever, uma Kombi e uma bicicleta, utilizadas como meios de transportes, chegando à alta tecnologia empregada pela cooperativa atualmente, onde a qualidade da produção armazenada é controlada por instalações e equipamentos de última geração, e as atividades: grãos, leite e suínos estão cada vez mais competitivas devido à assistência técnica e programas de capacitação profissional disponibilizados aos cooperados.

Segundo levantamento da Emater o Recanto Temático foi visitado por mais de 45 mil pessoas em cinco dias de evento.

O espaço do plantio direto

Em sua 6a. edição a Casa do Plantio Direto foi, mais uma vez, espaço de referência para o público interessado em obter informações e debater o Sistema Plantio Direto durante a Expodireto Cotrijal. Fazendo parte da programação oficial da feira a Casa ofereceu aos visitantes palestras sobre tecnologia em semeadoras para plantio direto; novos problemas com pragas: lagartas resistentes, pulgões em milho e pragas de solo; perspectivas da cultura de transgênicos para o Brasil; redução de custos com sistemas de direcionamento automático; falhas no controle de pragas da soja; plantio direto para altos rendimentos e conservação do ambiente; agricultura de precisão; avanços da agricultura em decorrência da biotecnologia; alternativas para evitar a resistência de plantas daninhas ao glifosato; agricultura de precisão aplicada à melhoria do manejo do solo; tecnologia de aplicação aérea de fungicidas em arroz; rastreabilidade na agricultura; ferrugem asiática no Brasil e dinâmica do carbono. No hall de entrada do estande painéis que abordaram de com linguagem didática e riqueza de imagens a qualidade de semeadura no sistema plantio direto; infiltração e permeabilidade do solo sob plantio direto, controle biológico e manejo de pragas sob plantio direto.

A Casa do Plantio Direto apresentou painéis técnicos abordando semeadura, manejo de pragas, controle biológico e permeabilidade do solo em PD.

A Casa do Plantio Direto é um projeto coordenado pela Revista Plantio Direto que cede todos os anos parte de seu espaço na Expodireto Cotrijal para, em conjunto com empresas parceiras, promover palestras gratuitas para produtores, profissionais da assistência e estudantes, além da exposição de painéis temáticos elaborados por pesquisadores de diversas especialidades agronômicas. Neste ano o projeto foi viabilizado pela Fundação Agrisus, Roundup, John Deere e Revista Plantio Direto.

Também esteve exposta ao público a primeira máquina utilizada na semeadura de experimentos e lavouras comerciais na fase inicial do plantio direto no Rio Grande do Sul. A Semeadora FNI-HOWARD Rotacaster, modelo RT 6010, produzida pela Fábrica Nacional de Implemetos foi usada para pesquisa e difusão de plantio direto no Sul do Brasil, pela ICI, hoje Syngenta. As primeiras pesquisas iniciaram em 1972, em Rolândia, Paraná. Em 1975 foi criada a estação experimental de Passo Fundo, coordenada por Mike Barker e Erivelton Roman.

Na programação do auditório da Casa do Plantio Direto, 21 palestras foram disponibilizadas ao público e em exposição a Semeadora FNI-HOWARD Rotacaster, modelo RT 6010, usada para pesquisa e difusão de plantio direto no Sul do Brasil, pela ICI, hoje Syngenta.

A semeadora FNI-Howard Rotacaster, cedida para exposição pela Syngenta e gentilmente restaurada pela Kuhn Metasa, foi atração no estande da Casa do Plantio Direto 2007.