Tecnologia de Aplicação de Defensivos


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Publicado em: 01/08/2006

Tecnologia de aplicação de defensivos

Ulisses Rocha AntuniassiProf. Dr., FCA/UNESP - Caixa Postal 237 - 18603-970 - Botucatu/SPFone: (14) 38117165 - ulisses@fca.unesp.br

Conceitos básicos de tecnologia de aplicação de defensivos

A definição de parâmetros como tamanho de gotas e volume de aplicação depende diretamente da relação entre as características do alvo, do defensivo e do momento da aplicação. De maneira geral, os produtos sistêmicos direcionados ao solo ou às folhas podem ser aplicados com gotas maiores. Isto facilita a adoção de técnicas para a redução de deriva, melhorando a segurança ambiental da aplicação e aumentando a eficiência operacional das mesmas. Se usadas de maneira correta, gotas maiores geralmente oferecem bom nível de depósito (quantidade de defensivo depositado nos alvos), apesar de não proporcionar as melhores condições de cobertura das folhas das culturas. Para os produtos de contato ou de menor ação sistêmica, o uso de gotas menores e/ou maior volume de calda é necessário, devido a maior dependência desta técnica com relação à cobertura dos alvos. Como exemplo, se o alvo da aplicação inclui a parte interna ou inferior das plantas, como no caso típico de uma aplicação preventiva de fungicidas para a ferrugem da soja, é necessária uma boa penetração da nuvem de gotas e, para tanto, devem ser usadas gotas finas ou muito finas.

O estudo das características dos alvos deve incluir também a análise de outros fatores, como movimentação das folhas, estágio de desenvolvimento das plantas, cerosidade, pilosidade, rugosidade, face da folha em que a cobertura é mais importante (superior/inferior) e arquitetura geral da planta. Na diferenciação entre plantas como alvos de aplicações, a posição e o formato das folhas apresentam importância fundamental. Por exemplo, numa análise simples da questão, as folhas das monocotiledôneas são geralmente mais estreitas e se posicionam na vertical, enquanto as folhas das dicotiledôneas são mais largas e permanecem na horizontal. Estes fatores são fundamentais para a definição da retenção das gotas nas folhas e na própria eficiência de penetração dos defensivos nos tecidos vegetais. Por este motivo, em muitos casos, a tecnologia de aplicação que é mais adequada ao trigo pode não ser a melhor para a soja, e vice-versa.

Condições climáticas

Outro parâmetro fundamental para o sucesso do tratamento é a adequação da tecnologia de aplicação às condições climáticas. Para a maioria dos casos, devem ser evitadas aplicações com umidade relativa inferior a 50% e temperatura ambiente maior que 30oC. No caso do vento, o ideal é que as aplicações sejam realizadas com vento entre 3 e 10 km/h. Ausência de vento também pode ser prejudicial, em função da chance de ocorrer ar aquecido ascendente, o que dificulta a deposição das gotas pequenas.

O início da manhã, o final da tarde e a noite são períodos onde a umidade relativa é maior e a temperatura é menor, sendo considerados mais adequados para as aplicações. Na prática, é possível e recomendável a utilização de gotas finas nestes horários. Porém, é necessário um monitoramento das condições ambientais com o passar das horas do dia, pois no caso de haver um aumento considerável da temperatura (com redução da umidade relativa), o padrão de gotas precisa ser mudado (passando-se a usar gotas maiores). Neste caso, o volume de aplicação deve ser aumentado, para não haver efeito negativo na cobertura dos alvos.

Chuva e orvalho são fatores climáticos que também requerem atenção no momento do planejamento das aplicações. No caso da chuva, recomenda-se bastante cuidado na observação do intervalo mínimo de tempo entre a aplicação e a ocorrência da chuva, visando permitir o tempo mínimo para a ação dos produtos. No caso do orvalho, a presença de água nas folhas quando das aplicações noturnas (madrugada) e/ou no início da manhã pode causar interferência na técnica de aplicação. Neste caso, problemas podem ocorrer tanto pela diluição do produto como por um eventual escorrimento, em virtude do excesso de água e/ou da ação dos espalhantes contidos nas caldas. Entretanto, existem situações, dependendo da técnica empregada e do tipo de defensivo utilizado, em que a ação do orvalho pode até ser benéfica (muitos fungicidas se posicionam nesta situação). A aplicação noturna deve considerar, ainda, a existência de limitações técnicas relativas aos próprios defensivos, no que se refere às questões de eficiência e velocidade de absorção nas situações de ausência de luz ou baixas temperaturas.

Tamanho de gotas

Atualmente, as gotas produzidas por uma ponta são classificadas como ”muito finas”, ”finas”, ”médias”, ”grossas” e ”muito grossas” (em algumas normas de classificação de pontas existe também a classe ”extremamente grossa”). Para a classificação de uma determinada ponta usando-se este conceito, o seu diâmetro mediano volumétrico (DMV), medido em micrometros (mm), deve ser comparado ao obtido por pontas de referência avaliadas utilizando-se o mesmo método de determinação do tamanho das gotas. Tomando-se como base a norma ASAE S572, se uma ponta apresenta DMV inferior ao obtido para uma ponta 11001 operando a 4,5 bar, o spray é classificado como ”gotas muito finas”; se o DMV é intermediário entre o obtido por uma ponta 11001 (operando a 4,5 bar) e uma ponta 11003 (operando a 3,0 bar), o spray é classificado como ”gotas finas”; se o DMV é intermediário entre o obtido por uma ponta 11003 (operando a 3,0 bar) e uma ponta 11006 (operando a 2,0 bar), o spray é classificado como ”gotas médias”; se o DMV é intermediário entre o obtido por uma ponta 11006 (operando a 2,0 bar) e uma ponta 8008 (operando a 2,5 bar), o spray é classificado como ”gotas grossas” e, finalmente, se o DMV é maior do que o obtido por uma ponta 8008 operando a 2,5 bar, o spray é classificado como ”gotas muito grossas”.

A classe de tamanho de gotas é um bom indicativo da capacidade da pulverização em cobrir o alvo e penetrar na massa da folhas. Gotas menores possuem melhor capacidade de cobertura (oferecem maior número de gotas/cm2), assim como propiciam maior capacidade de penetração, e são recomendadas quando é necessária boa cobertura e boa penetração. Entretanto, gotas pequenas podem ser mais sensíveis à evaporação e aos processos de deriva. No sistema de produção da soja as gotas grossas são preferidas para aplicação de herbicidas de grande ação sistêmica usados para dessecação, como o glifosate, por exemplo, enquanto as gotas finas são mais utilizadas para inseticidas e fungicidas.

É importante ressaltar, entretanto, que mesmo quando é utilizada uma ponta que produz gotas predominantemente grossas, há uma pequena parte do volume aplicado que é formado por gotas finas (sensíveis ao processo de deriva). Isto significa que uma determinada ponta não produz todas as gotas do mesmo tamanho, mas sim uma faixa de tamanhos de gotas (chamado de espectro da pulverização). Para uma determinada ponta, quanto maior a porcentagem de gotas finas que fazem parte do espectro produzido, maior o risco de deriva. Este conceito tem sido utilizado em diversos países para fundamentar uma nova classificação de pontas, a qual avalia o seu ”risco de deriva”. Esta classificação baseia-se na comparação da porcentagem de redução da deriva entre a ponta avaliada e uma ponta padrão. Nos países onde este conceito foi implantado (principalmente na Europa), alguns produtos fitossanitários passaram a ter recomendação no rótulo da embalagem quanto ao tipo de ponta que deve ser utilizado, em função de seu potencial de redução de deriva.

Aditivos

O uso de aditivos de calda tem se tornado muito popular, apesar do pouco conhecimento difundido sobre a real função de cada tipo de produto. É possível classificar os principais aditivos utilizados atualmente, de acordo com algumas de suas funções esperadas:

- óleos (vegetal e mineral): diminuir evaporação de gotas e facilitar a penetração do produto nos tecidos vegetais;

- espalhantes: aumentar a área de contato das gotas com os alvos;

- quelatizantes: reduzir a reatividade de íons, facilitando, por exemplo, a aplicação conjunta de adubos foliares e/ou uso de água dura;

- umectantes: reduzir a evaporação;

- emulsificantes: facilitar a mistura;

- espessantes: redutores de deriva que diminuem a formação de gotas muito finas.

Um problema muito comum é a tentativa de substituição simples de um tipo de aditivo por outro, sem que seja analisada a função específica de cada um. Nos sistemas atuais de aplicação em baixo volume, como no caso da aplicação aérea, é comum a troca de óleos por surfactantes como aditivos da calda. Neste caso, o usuário deve estar ciente de que um óleo tem função ligada à redução do risco de evaporação e facilidade de penetração, enquanto um surfactante busca maior espalhamento das gotas. Como as funções são muito distintas, a simples substituição de um por outro pode não trazer os benefícios esperados, causando problemas de desempenho para a aplicação.

Outro fator a ser considerado é a influência do aditivo no processo de formação de gotas a partir da ponta, o qual pode ser significativamente alterado pela modificação de características físicas da calda. Assim, fatores básicos como tamanho e espectro de gotas podem ser alterados de maneira mais significativa por variações na calda do que pela própria troca das pontas de pulverização. Por este motivo, o uso de aditivos de calda deve ser precedido de um rigoroso estudo das reais necessidades do sistema de aplicação.

Um exemplo da possibilidade de interação entre aditivo e formulação pode ser visto na aplicação dos fungicidas Impact 125 SC e Domark 100 CE com o aditivo Sfera (Antuniassi 2006). Enquanto os dois fungicidas tiveram o pH de suas caldas significativamente reduzido pelo aditivo (de valores maiores que 6 para valores próximos a 3), um efeito suplementar foi identificado pela interação do Sfera com as formulações dos dois produtos (Figura 1). No caso do Impact, observou-se que não houve influência do aditivo na tensão superficial, característica da calda que ajuda a determinar o tamanho das gotas e o espalhamento das gotas no alvo (menor tensão superficial pode induzir a formação de gotas menores e maior espalhamento das mesmas). Por outro lado, no caso do Domark, foi possível observar que a adição do Sfera aumentou a tensão superficial. Isto caracteriza, por exemplo, a ação de um agente antideriva, com potencial de redução da quantidade de gotas menores no espectro e menor espalhamento das gotas no alvo. Estes resultados mostram, portanto, que a formulação do Domark foi muito mais sensível à ação do aditivo do que a formulação do Impact, no que se refere à tensão superficial. Este fato mostra que o uso de aditivos deve ser avaliado também quanto aos efeitos potenciais da interação entre seus componentes e as formulações dos defensivos.

Figura 1. Tensão superficial das caldas dos fungicidas Impact 125 SC e Domark 100 CE, com e sem a adição do aditivo Sfera (fonte: Antuniassi, 2006).

Aplicação terrestre.

O avanço no desenvolvimento da tecnologia de aplicação vem permitindo, atualmente, o uso de aplicações terrestres com volumes cada vez menores, sem que haja prejuízo ao desempenho dos tratamentos fitossanitários. As diversas famílias de pontas hidráulicas oferecem opções variadas dentro das diversas classes de tamanho de gotas, desde aquelas direcionadas ao controle do risco de deriva (indução de ar e pré-orifício), até aos modelos cujo objetivo é maximizar a cobertura dos alvos (jato plano duplo ou cone). Ainda, os acessórios que permitem a aplicação simultânea com mais de uma ponta em cada posição na barra (Figura 2) oferecem a flexibilidade necessária para a adequação do tamanho de gotas às necessidades de cada momento da aplicação, aliada a angulação das pontas para obtenção de melhor distribuição da calda.

Figura 2. Sistema de capa dupla Twin Cap/Hypro.

Figura 3. Sistema de aplicação eletrostática ESP/AGCO.

Os pulverizadores de barras podem ser também equipados com sistemas eletrostáticos (Figura 3), assistência de ar (Figura 4) ou mesmo atomizadores rotativos (Figura 5), aumentando ainda mais a disponibilidade de opções para a melhor adequação da técnica de aplicação com os requisitos de cada tipo de alvo.

Figura 4. Barra com assistência de ar Vortex/Jacto.

Figura 5. Barra com atomizadores rotativos de discos Turbotrator/CBB.

A escolha de um sistema de aplicação deve ser pautada na avaliação das características de cada alvo e nos parâmetros de desempenho esperado de cada tecnologia. Como exemplos, a aplicação de herbicidas pós-emergentes de ação sistêmica pode ser realizada com pontas de indução de ar ou pré-orifício, buscando-se reduzir ao máximo o risco de deriva, enquanto os jatos planos duplos podem ser utilizados para as aplicações de gotas finas no caso de defensivos que necessitem de maior cobertura dos alvos.

A tecnologia de aplicação eletrostática é uma das opções para a viabilização de baixos volumes, principalmente quando os alvos se encontram nas partes intermediárias ou superiores da massa de folhas das plantas. No caso das barras com assistência de ar, seu uso possibilita a aplicação de gotas finas ou muito finas mesmo em condições de maior intensidade de vento, reduzindo o risco de deriva. Ainda, quando a cultura encontra-se com grande enfolhamento, a assistência de ar pode ajudar na capacidade de penetração da pulverização e na redistribuição das gotas por entre as folhas das plantas. A aplicação com pulverizadores de barras em baixo volume também foi beneficiada com o desenvolvimento dos atomizadores rotativos para equipamentos terrestres. Nestes sistemas é possível obter um espectro mais adequado (menor variação no tamanho das gotas geradas) do que com os bicos hidráulicos convencionais, melhorando ainda mais o desempenho quando da utilização de volumes reduzidos.

Aplicação aérea

A demanda crescente por aplicações rápidas e eficientes é uma das principais características do mercado agrícola atual, considerando-se a importância do momento da aplicação no potencial de sucesso de controle de pragas e doenças. Por este motivo, há um interesse especial pelo uso da aplicação aérea.

Assim como para pulverizadores terrestres, existem diversas tecnologias disponíveis para a aplicação através de aeronaves (Figuras 6 a 9). Os sistemas convencionais (pontas de jato plano, cônico ou defletores) são utilizados para aplicar volumes maiores (20 a 40 L/ha). Nas aplicações em volume menores (abaixo de 20 L/ha), é usual a utilização de sistemas eletrostáticos e os atomizadores rotativos. Uma grande parte destas aplicações em volumes reduzidos é realizada utilizando-se aditivos de calda, como os óleos (vegetais ou minerais), visando reduzir o risco de evaporação de gotas e melhorar a absorção dos produtos.

Figura 6. Aeronave equipada com barra e pontas de jato cônico.

Figura 7. Atomizadores rotativos de disco Stol

Figura 8. Atomizadores rotativos de tela Micronair.

Figura 9. Aeronave equipada com sistema eletrostático Spectrum.

A aplicação aérea é uma atividade que demanda investimentos importantes no gerenciamento. Mesmo que a escolha da tecnologia de aplicação seja correta, outros fatores são importantes, de maneira isolada ou em suas interações: altura de vôo; faixa de trabalho; posição do vento e condições climáticas (umidade, temperatura e intensidade do vento).

Usualmente, as aplicações em volumes maiores (sem a adição de óleo), são realizadas em vôos de menor altura com faixas mais estreitas, enquanto as aplicações de volumes menores (com óleo) utilizam vôos de maior altura, com faixas maiores. A posição do vento é um dos fatores mais importantes para garantir bom recobrimento das faixas. A aeronave deve ser sempre posicionada perpendicularmente ao vento predominante, facilitando alargamento natural das faixas. Caso contrário pode ocorrer o estreitamento involuntário das faixas, com conseqüente erro por falta de sobreposição (falha de controle). Outro fator importante no gerenciamento da aplicação aérea é o cuidadoso acompanhamento dos relatórios do sistema de navegação das aeronaves (GPS), visando observar eventuais falhas nas faixas aplicadas. Finalmente, a temperatura e a umidade relativa devem estar adequadas no momento da aplicação, visando reduzir o risco de perdas e deriva. Na aplicação aérea com baixo volume e adição de óleo, especial cuidado deve ser tomado para evitar os trabalhos em horários de alta temperatura e ausência de vento, visando evitar as correntes ascendentes que dificultam o depósito das gotas na cultura e aumentam consideravelmente os riscos de falha de controle e deriva.

Desempenho dos sistemas de aplicação: o exemplo da ferrugem da soja

A Figura 10 e a Tabela 1 mostram o desempenho de sistemas de aplicação terrestre no controle da ferrugem da soja na região de Rondonópolis/MT (Antuniassi et al., 2005a). A mistura Orius + Bendazol (0,3 + 0,3 L p.c/ha) foi utilizada na segunda aplicação para ferrugem nos seguintes sistemas: atomizador rotativo de discos Turbotrator a 25 L/ha, a 14 km/h, com e sem a adição de óleo na calda; sistema eletrostático ESP a 18 L/ha (sem óleo), nas velocidades de 16 e 22 km/h; sistema Twin Cap a 14 km/h, com 2 pontas para gotas finas ou 1 para gotas finas e 1 para gotas médias, ambos a 120 L/ha e aplicação padrão com pontas de jato cônico a 120 L/ha. Nos tratamentos com a adição de óleo foi utilizado óleo de soja (1 L/ha )acrescido de emulsificante a 0,025 L/ha. Os resultados mostraram que a ferrugem foi controlada de maneira satisfatória na parte superior das plantas em todos os tratamentos. Nas partes média e inferior os resultados foram variáveis, com tendência de controle inferior para o tratamento com sistema eletrostático ESP aplicado a 22 km/h, 20 dias após o tratamento. Não houve diferença no controle de ferrugem e produtividade na comparação entre aplicações com e sem óleo na calda, e a produtividade foi semelhante para os diferentes tratamentos.

Figura 10. Porcentagem de redução da ferrugem 20 dias após a aplicação de Orius + Bendazol (0,3 + 0,3 L p.c/ha), na comparação de cada tratamento com sua respectiva testemunha, considerando as posições de amostragem nas plantas (Sup = terço superior e Méd/Inf = terços médio e inferior).

Tabela 1. Produtividade da cultura de acordo com os tratamentos de aplicação terrestre de Orius + Bendazol (0,3 + 0,3 L p.c/ha).

A Figura 11 mostra o desempenho de sistemas de aplicação aérea no controle da ferrugem da soja na região da Serra da Petrovina/MT (Bonelli et al., 2005). O fungicida Impact 125 SC (flutriafol a 0,5 L p.c/ha) foi utilizado na 3a. aplicação para controle de ferrugem nos seguintes sistemas: atomizador Micronar AU 5000 a 10 L/ha, com adição de óleo na calda e a 20 L/ha, sem adição de óleo; atomizador Stol ARD a 10 e 20 L/ha, ambos com adição de óleo; sistema eletrostático Spectrum a 10 L/ha nas umidades relativas do ar de 64 e 71%. Nos tratamentos com a adição de óleo foi utilizado óleo de algodão (1 L/ha )acrescido de emulsificante BR 455 a 0,025 L/ha. Os resultados mostraram que a ferrugem foi controlada de maneira satisfatória (acima de 80% de controle 15 dias após o tratamento) em todos os tratamentos, com exceção do Stol a 10 L/ha, onde houve problema na faixa aplicada devido a baixa altura de vôo da aeronave nesta parcela, ocasionando deficiência de controle. A produtividade foi semelhante para todos os tratamentos avaliados.

Figura 11. Porcentagem de redução da ferrugem para aplicações aéreas 15 dias após o tratamento com Impact 125 SC (0,5 L p.c/ha), na comparação de cada tratamento com a sua testemunha.

Evolução da tecnologia x evolução da doença

O controle da ferrugem asiática é uma das principais preocupações dos produtores de soja no Brasil. Considerando-se o grau de desenvolvimento vegetativo das plantas no momento das aplicações, muitas vezes com total fechamento e grande área foliar, tornou-se consenso geral que as técnicas de aplicação precisam oferecer gotas com boa capacidade de penetração e cobertura da massa de folhas, mesmo para a aplicação de fungicidas com características de ação sistêmica.

Nas primeiras safras após o aparecimento da ferrugem o controle com aplicações preventivas se mostrou mais eficiente. Como exemplo, Antuniassi et al. (2005b) mostraram na safra 2003/2004 que o controle preventivo através de aplicação terrestre com pontas de jato cone (gotas muito finas) apresentou melhor resultado do que a aplicação com ponta de jato plano (gotas médias), num ensaio onde o controle da ferrugem foi realizado com duas aplicações. Entretanto, nas safras recentes a entrada da ferrugem nos talhões tem acontecido de maneira mais precoce, muitas vezes antes do florescimento, induzindo o uso mais freqüente e repetitivo de aplicações curativas. Na safra 2004/2005, Antuniassi et al. (2005a) mostraram que aplicações curativas de um ensaio com gotas médias e finas não apresentaram diferenças significativas com relação a gotas muito finas, em todas as condições de avaliação, sendo que o controle necessitou de três aplicações. Dados de pesquisas a campo da safra 2005/2006 (Bonelli et al., 2006) mostraram que para as aplicações curativas, notadamente as mais tardias (onde a severidade se mostrava mais elevada no terço inferior das plantas), a vantagem do uso de gotas mais finas deixou definitivamente de existir. Neste trabalho, o controle da ferrugem necessitou de 4 aplicações para o fechamento do ciclo da cultura.

A tendência de resultados iguais ou melhores nos tratamentos curativos com gotas médias (comparadas às gotas finas ou muito finas) pode ser baseada em diversos fatores, como o uso de fungicidas de maior sistemicidade e a priorização do depósito nas folhas dos terços médio e superior. Neste caso, aplicações com gotas médias, que priorizam os depósitos nas partes mais altas das plantas podem ser vantajosas, pois as mesmas estariam atuando sobre folhas mais sadias (com menor severidade de infecção), as quais seriam mais importantes para a manutenção do desenvolvimento das plantas. Do ponto de vista operacional, estas aplicações com gotas médias podem ainda ser beneficiadas com melhores condições quanto ao período disponível para o trabalho a campo, visto que tais gotas acabam sendo menos suscetíveis às restrições climáticas usuais para as gotas finas ou muito finas. Neste sentido, a vantagem do produtor reside no maior tempo de aplicação por dia, aumentando a eficiência operacional de suas máquinas de aplicação e melhorando o acerto do momento da aplicação.

Literatura consultada

ANTUNIASSI, U.R. Tecnologia de aplicação de defensivos na cultura da soja. In: SUZUKI, S.; YUYAMA, M.M.; CAMACHO, S.A. (Org.). Boletim de pesquisa de soja 2006. Rondonópolis, 2006, v. 1, p. 187-199.ANTUNIASSI, U. R., BONELLI, M.A.P.O., CAMARGO, T.V., SIQUERI, F.V. Desempenho de sistemas de aplicação terrestre para o controle da ferrugem da soja. Documentos - Embrapa Soja. Londrina/PR, v.257, p.217-218, 2005a.

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BONELLI, M.A.P.O., ANTUNIASSI, U.R., SIQUERI, F.V., SANTEN, M.L.V., CAVENAGHI, A.L., FIGUEIREDO, Z.N., CORRÊA, M.R., SIQUEIRA, J.L. Pulverização aérea para controle da ferrugem da soja com flutriafol. Fitopatologia Brasileira. Brasilia/DF, v.30, n. suplemento, p.147, 2005.

Revista Plantio Direto, edição 94, julho/agosto de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.