Seminário Cooplantio Debateu Alternativas para Obter Rentabilidade


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Publicado em: 01/08/2006

Seminário Cooplantio debateu alternativas para obter rentabilidade

O 21° Seminário Cooplantio, que ocorreu de 19 a 21 de junho em Gramado/RS, contou com a participação de mais de 900 produtores. Com o tema ”Rentabilidade - o desafio do agronegócio”, assuntos como a retomada de crédito, o alongamento das dívidas, a organização das cadeias produtivas, o investimento em energia renovável e, principalmente, a gestão na propriedade rural foram as principais alternativas apresentadas durante a programação.

Mais de 900 produtores participaram do 21o Seminário Cooplantio, realizado em junho na Serra Gaúcha, para debater a rentabilidade como o principal desafio do agronegócio.

De acordo com o consultor externo do Sebrae/RS, Rogério Bastos, um dos participantes do painel sobre rentabilidade, o produtor precisa controlar de forma simples o fluxo de caixa. Para ele, vários aspectos relacionados dentro e fora da porteira precisam ser verificados para evitar perdas em momentos difíceis, como controles gerenciais e de planejamento, qualificação de pessoal, preços, câmbio, clima, crédito e mercado. Todos estes fatores podem afetar a rentabilidade no momento da comercialização.

O endividamento na produção agrícola começou na safra 2002/03, quando os preços das commodities e a produção estavam elevados. Esta foi a avaliação do diretor da empresa Safras e Cifras, Cilotér Iribarrem. Ele enfatizou, em sua palestra, que este é o melhor momento para o produtor investir. ”Os preços elevados fizeram os agriculturores aumentarem as compras, enquanto deveriam ter guardado recursos para momentos difíceis como este. Quem conseguiu se manter capitalizado, pode fazer bons negócios com os preços mais baixos das terras e das máquinas agrícolas”, afirma.

Ivo Urbano Richter: ”A rotação de culturas e a diversidade de produção foram fundamentais para os ganhos em perídos de estiagem”.

No dia 20 de junho, o produtor de grãos e engenheiro agrônomo de Chapada (RS), Ivo Urbano Richter, foi enfático ao afirmar que não obteve perdas em momentos de seca e que a administração da lavoura permitiu não ter prejuízos com os preços baixos. A rotação de culturas e a diversidade de produção foram fundamentais para os ganhos. Richter tem 650 hectares, onde planta soja e milho nas culturas de verão, e trigo e aveia no inverno. ”A rotatividade permitiu uma melhora no rendimento, por isso não precisei usar adubo nesta última safra de soja e de milho”, disse. Além das culturas, o produtor investe na produção de suínos e já visualiza o setor leiteiro em razão das indústrias leiteiras que vão se instalar em breve na região do Planalto Médio do Rio Grande do Sul.

Marcos Fava Neves: ”Fortalecer a marca dos produtos e assumir novos mercados produzindo para atender as exigências dos países importadores são formas obter lucros”.

O destaque do último dia do evento foi o pesquisador do Pensa/USP, Marcos Fava Neves, que falou sobre a importância das cadeias produtivas para gerar rentabilidade. Em sua apresentação ele retratou que empresas e cooperativas de diversas partes do mundo buscam divulgar seus produtos em outros países para fortalecer a marca e aumentar seus lucros. ”É preciso organizar as cadeias produtivas para melhorar o marketing dos produtos”, destaca. Fava Neves enfatizou que a demanda por alimento vai continuar crescendo e que o Brasil precisa estar preparado para este mercado. ”O Brasil possui a maior área agricultável do mundo e tem condições de assumir novos mercados”, disse. Para isso, o agricultor precisa produzir de acordo com as exigências feitas pelos países importadores.

Daltro Benvenuti: ”O Brasil tem todas as condições para ser um país como a China do agronegócio e o agricultor pode obter lucro com a produção”

Para o presidente da Cooplantio, Daltro Benvenuti, o evento deste ano serviu para o produtor ter soluções concretas a fim de retomar a renda no campo. Benvenuti considera que a tendência a partir de agora é o agricultor estar mais atento com a situação do mercado antes de tomar alguma atitude. ”O Brasil tem todas as condições para ser uma China do agronegócio e o agricultor pode obter lucro com a produção”, reiterou o dirigente. Para a edição do próximo ano, os assuntos que serão abordados devem seguir a tendência desse ano, com foco na rentabilidade na lavoura e ainda a bioenergia, nova fonte de renda e grande filão de mercado para os próximos anos.

Revista Plantio Direto - edição 94, Julho/Agosto de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo - RS.