Comércio Externo Gaúcho
Luiz Ataides JacobsenEngenheiro-agrônomo, Mestre em Integração Latino-americana eAssistente Técnico da EMATER/RSE-mail: jacobsen@emater.tche.br
Em breve retrospectiva do comércio internacional brasileiro, veremos que o país respondia por 2,37% da totalidade das exportações mundiais em 1950. Possivelmente ainda sob os efeitos da valorização cambial a participação encolheu para 0,86% em 1999. Cresceu para 1,17% em 2005 sendo este o melhor desempenho depois dos anos 80, cabendo ainda ressaltar que do ano 2000 até 2005 as exportações nacionais cresceram 114,8% enquanto no mundo o crescimento neste período foi de 61,3%.
Por fator agregado as mudanças são mais destacadas, pois em 1964 as exportações de produtos básicos somavam 85,4% do total exportado pelo Brasil e os manufaturados 6,2%. A pauta se altera ao longo dos últimos anos e no ano de 2005 os manufaturados crescem para 55,1% do total exportado e os produtos básicos encolhem para 29,3%. Uma saudável melhoria no perfil das exportações nacionais, mas que ainda pode e deve ser melhorada, pois apenas 7,0% das exportações nacionais classificaram-se como de alta intensidade tecnológica em 2005. Aí está uma boa discussão para definir o planejamento estratégico do país quanto sua inserção no mercado internacional, desde já com a ressalva de que a ampliação dos produtos de maior intensidade tecnológica não seja feita às custas da agropecuária como fornecedora de matéria-prima de baixo custo para a indústria.
A análise do comércio externo do Rio Grande do Sul refere-se ao ano de 2005 e neste a exportação foi equivalente a 8,85% do total brasileiro, ficando atrás de São Paulo (32,13%) e Minas Gerais (11,41%). O saldo comercial gaúcho foi de US$ 3,76 bilhões, aliás, mantendo saldo positivo mesmo quando a balança comercial brasileira foi deficitária como nos primeiros anos do último plano de estabilização econômica (Plano Real).
As exportações que somaram US$ 10,45 bilhões tiveram no tabaco e seus sucedâneos manufaturados a principal participação (13,94%), seguida pelos calçados (13,20). O complexo soja (grão, farelo e óleo) aparece em três capítulos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e respondeu por 18,10% das exportações gaúchas em 2003 (US$ 1.450.138.178), recuando para modestos 5,57% em 2005 (US$ 581.964.477).
Ao complexo carnes coube 13,14% das exportações, estando em primeiro lugar a avicultura (58,64%), seguida pela suinocultura (20,12%) e a carne bovina (8,40%). Este segmento, enquadrado nos Capítulos 02 e 16 da NCM evoluiu de US$ 321.312.121 exportados em 2000 para US$ 1.373.169.624 em 2005. De 8,09% das exportações cresceu para 13,14%, merecendo especial atenção quanto à vulnerabilidade do setor naquilo que se refere aos aspectos sanitários e a importância social, pois tem estreitos vínculos com a agropecuária familiar, particularmente nos setores da avicultura e suinocultura.
O principal destino das exportações do Rio grande do Sul foi a área de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), mercado que absorveu 22,26% dos produtos gaúchos. Os Estados Unidos adquirira, 18,21%. Para a União Européia destinaram-se 18,46% do valor das exportações estaduais, seguindo-se o Mercosul (13,95%).
Quanto às importações o principal item refere-se aos combustíveis minerais, principalmente óleos brutos de petróleo, naftas para petroquímica e gás natural (47,04%). Importaram-se 1.981.344 toneladas de fertilizantes, como uréia, superfosfatos e cloreto de potássio. Do Mercosul vieram 26,64% das importações estaduais e somente a Argentina respondeu por 24,24%. Observa-se que o Estado apresentou um déficit comercial com a Argentina de US$ 556,51 milhões.
Com um consistente saldo comercial positivo, vale para o Rio Grande do Sul a mesma recomendação feita para o Brasil: ampliar as exportações de alta intensidade tecnológica, preservando as conquistas já obtidas no cenário internacional.
Revista Plantio Direto - edição 94, julho/agosto de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.