Intensidade de Cultivo


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Publicado em: 01/06/2006

Intensidade de cultivo, rotações e tecnologia de adubação para a produção sustentável de trigo – uma experiência norte-americana*

Terry L. Roberts1 e Adrian M.Johnston21Presidente da Potash & Phosphate Institute - E-mail: troberts@ppi-ppic.org2Presidente da Potash & Phosphate Institute of Canada*Com base em trabalho apresentado no 7º Congresso Internacional de Trigo. Mar del Plata (Buenos Aires, Argentina), dezembro de 2005.

Introdução

A América do Norte lidera a produção mundial de culturas sob plantio direto (PD). Atualmente, a área sob o Sistema é de 25 milhões de hectares nos Estados Unidos e 13 milhões no Canadá, correspondendo a 41% do total de 95 milhões de ha com plantio direto do mundo (Tabela 1). A América do Norte, por sua vez, é um dos maiores produtores e exportadores de trigo do mundo (FAO, 2005) e os Estados Unidos é o terceiro maior produtor e líder em exportações, com uma produção média anual de 60 milhões de toneladas, exportando cerca de 30 milhões de toneladas. O Canadá é o sexto país produtor de trigo do mundo, com uma produção média anual de 26 milhões de t, sendo o terceiro em exportações desse grão, com pelo menos 18 milhões de toneladas.

A região norte das Grandes Planícies Norte-americanas compreende uma área total de 125 milhões de hectares, com pelo menos 52 milhões de hectares destinados à agricultura (Padbury et al., 2002). Entre os cereais o trigo é a cultura dominante, seguido pela cevada e pela aveia. A cultura do milho domina unicamente as regiões do sul, onde as condições climáticas permitem sua produção. A canola é a principal oleaginosa nessa região, sendo cultivada principalmente nas Pradarias Canadenses. O cultivo de legumes como ervilhas e lentilhas, está crescendo como alternativa de diversificação, porém representa uma pequena porção de todas as culturas.

As condições ambientais ao norte das Grandes Planícies podem ser descritas como de extremas, com invernos frios e verões quentes. No entanto, o principal limitante para a produção é a quantidade e distribuição das chuvas. Os índices pluviométricos anuais variam de 300 a 500 mm, com 165 a 300 mm durante a estação de crescimento que vai de abril a julho (Padbury et al., 2002). O período sem neve varia entre 83 e 157 dias, representando a principal adversidade para o potencial de produção das culturas. Os solos permanecem congelados durante 4 a 6 meses do ano, minimizando a atividade biológica, a liberação de nutrientes e a decomposição dos resíduos culturais.

Os produtores das Pradarias Canadenses e região norte das Grandes Planícies foram pioneiros na produção de trigo sob sistemas de cultivo mínimo, começando com o plantio direto no início dos anos 70. Hoje em dia o PD é utilizado por um terço dos produtores de trigo nos Estados Unidos e em pelo menos a metade da área de trigo no Canadá. A maioria dos agricultores que plantam trigo utilizam o plantio direto e fazem a diversificação na rotação de culturas para maximizar a eficiência da produção.

O controle da erosão é uma das principais forças que impulsionam a adoção do plantio direto em muitas partes do mundo sendo também um importante fator na região produtora de trigo ao norte das Grandes Planícies, mas a adoção do plantio direto nessa região também foi impulsionada pela necessidade de melhorar a eficiência no uso da água (Brandt, 1992; Lafond et al., 1992; Peterson et al., 2001). O clima semi-árido das Pradarias Canadenses é ideal para produzir trigo de alto valor protéico, mas as condições limitantes de umidade fizeram com que o sistema de plantio direto fosse especialmente atrativo e econômico (Zentner et al., 2002), pois quase toda a produção de trigo canadense se origina nas Pradarias.

As Pradarias Canadenses tem cerca de 30 milhões de hectares de terras cultivadas, divididas em cinco grandes zonas de clima e solo. (Figura 1). A zona de solos marrons tem ao redor de 21% de terras cultiváveis, a zona de solos marrons escuros 22% e o resto se localiza nas zonas mais úmidas de solos negros e cinzas. A precipitação média anual varia de 300 a 400 mm nos solos marrons escuros e de 425 a 475 mm nos solos negros e cinzas.

O trigo de primavera é a principal cultura em todas as zonas. Historicamente, os produtores selecionavam rotações que incluíam alta proporção de trigo com pousio no verão (T-P), porém essa prática está diminuindo desde a metade dos anos 70 (Campbell et al., 1990; 2002), ao mesmo tempo em que à área de plantio direto e cultivo mínimo foi aumentando (Figura 2). A freqüência do pousio tem relação direta com a umidade disponível no solo e varia entre 1 a cada 2 anos na zona de solos marrons e 1 a cada 4 anos nas zonas de solos negros. No entanto, ao aumentar a retenção de umidade nos solos sob plantio direto, os produtores conseguiram diversificar suas rotações e incrementar a intensidade da produção (Tabela 2). Os produtores podem agora incorporar cereais (trigo de inverno e primavera, trigos duros, cevada), oleaginosas (canola, linho, mostarda, girassol), leguminosas (fava, lentilha, grão-de-bico) e forrageiras dentro de seus sistemas de rotação. O trigo continua dominando, porém a melhoria na conservação da água com o plantio direto proporcionou aos agricultores maior flexibilidade em seus sistemas de produção, e tanto oleaginosas quanto leguminosas são comuns na rotação que tem como base o trigo (Millar et al., 2001; Campbell et al., 2002; Millar et al., 2002; Johnston et al., 2002).

Mudanças nos solos relacionadas ao uso de plantio direto

O preparo acelera o processo natural de degradação dos solos, incrementando a taxa de erosão, salinização e acidificação, além de diminuir a qualidade e quantidade de matéria orgânica (MO). A matéria orgânica diminui rapidamente com o preparo de solo, resultando muitas vezes na perda de nutrientes para as plantas. O preparo também pode romper a estrutura do solo, reduzindo a capacidade de armazenagem e a taxa de infiltração de água (Malhi et al., 2001).

Com o plantio direto maior quantidade de resíduos na superfície do solo é acumulado, minimizando a erosão eólica e hídrica, além de melhorar a qualidade do solo. Os resíduos dos cultivos na superfície incrementam a infiltração de água, reduzem as perdas por evaporação e reduzem as perdas de nutrientes por erosão e causam um declínio na temperatura superficial do solo. As temperaturas mais baixas reduzem a liberação de nutrientes da MO do solo e a difusão de nutrientes para as plantas, podendo afetar o crescimento das raízes. Na ausência de preparo freqüente do solo, a mineralização é reduzida, diminuindo a liberação de nutrientes para as plantas sendo, portanto, muito importante à adubação para se obter altos rendimentos.

Com a redução do preparo do solo, os restos culturais se acumulam na superfície, eventualmente aumentando os resíduos facilmente disponíveis a fração ativa de MO. Inicialmente, quando se adota o Sistema Plantio Direto, o incremento de carbono (C) pelos resíduos resulta na imobilização do nitrogênio (N) do solo, já que os microorganismos decompositores devem usá-lo para manter a relação C:N durante o processo de decomposição. Com o tempo, o ciclado de MO chega a um novo equilíbrio, incrementando a fração de N orgânico potencialmente mineralizável resultando em mais N de nitratos (N-NO3-) e N de amônio (N-NH4+) disponível para as plantas. Este período de transição pode durar vários anos, durante os quais a aplicação de nutrientes em faixa sob a cobertura de resíduos se torna muito importante.

A maior quantidade de N disponível no solo está sob a forma solúvel de NO3, podendo lixiviar e mover-se a través do perfil com a água no solo. O enxofre de sulfatos (S-SO42-) também é solúvel e pode mover-se no perfil do solo, ainda que sob condições de acidez uma parte de SO4 pode ligar-se aos colóides do solo. O fósforo (P) e o potássio (K) tendem a serem imóveis, porque reagem com minerais de cálcio (Ca) e de magnésio (Mg) e outros minerais e também devido à carga de solo (capacidade de intercâmbio catiônico, CIC). Sem preparo do solo, os nutrientes imóveis se acumulam na superfície (0-5 cm). É necessário um melhor entendimento de como os nutrientes se movem e se relacionam com o solo para melhorar o manejo e a adubação em Sistemas de Plantio Direto.

O pH do solo sob plantio direto pode diminuir a medida em que se aumentam os níveis de C (MO). As trocas serão proporcionais às trocas de MO e ao pH inicial. Por exemplo, 26% de aumento de C no solo resultou em um declínio de 0.5 unidades de pH em solos cinzas do Oeste do Canadá, após 10 anos de Plantio Direto (Arshad et al., 1990). As trocas no pH do solo impactam na disponibilidade de P e alguns micronutrientes.

A estratificação de nutrientes é o tema central do manejo de P e K em Plantio Direto. Estes nutrientes tendem a acumular-se na superfície do solo na profundidade de aplicação. Isto é exposto claramente na Figura 3, em um solo negro alcalino de Manitoba. As amostras de solo foram extraídas no quarto ano de estudo, o P foi aplicado sempre na linha (58 kg P2O5/ha), e o K sempre a lanço (120 kg K2O/ha). A ausência de revolvimento durante quatro anos, provocou um acúmulo de P e K na zona onde haviam sido aplicados.

Observações similares foram registradas em solo marrom em Saskatchewan. Selles, et al., (1999) constataram que ao longo de 12 anos existiu um acúmulo de P disponível na parte superior (0-1 cm) de solo, ao passar de plantio convencional com pousio-trigo para o sistema de trigo contínuo em plantio direto. No entanto isso não ocorreu no pousio-trigo sob plantio direto ou trigo contínuo sob plantio convencional. Este efeito específico do tratamento se atribuiu à acumulação superficial de resíduos e a falta de decomposição sob plantio direto. A maior concentração de P na superfície não gerou uma maior absorção de P pela cultura do trigo. Isso provavelmente se deve a utilização de fertilizante de arranque com P (”starter”) já que a liberação de P a partir da matéria orgânica foi lenta devido às baixas temperaturas na primavera.

Quando as condições do solo são secas, os nutrientes aplicados superficialmente podem tornar-se não disponíveis para as plantas. Este pode ser um problema comum nos solos das Pradarias onde as precipitações são limitadas e os solos são pobres em P. No entanto, pode ser corrigido facilmente utilizando fertilizantes de arranque aplicados na linha de semeadura.

Mesmo que o N e o S sejam móveis no solo, o preparo pode alterar sua distribuição no perfil. Em estudo feito em Manitoba em um solo franco arenoso fino, mostrou maior conteúdo de N-NO3- em plantio direto a profundidade de 0-7,5 cm, possivelmente devido à liberação a partir dos resíduos orgânicos retidos na superfície do solo e a retenção de N residual por aplicação de fertilizantes sob condições de seca. Resultados similares foram encontrados em um estudo em solo argiloso-limoso a 0-2,5 cm. O N-NO3- também se acumulou na profundidade 60-120 cm do perfil em ambos os sistemas de plantio e tipos de solo. Outros pesquisadores nas Pradarias Canadenses não encontraram diferenças entre os plantios em N-NO3- ou em S-SO4 a 0-60 cm de profundidade (Malhi et al., 1992).

Manejo da adubação

O manejo da fertilidade sob plantio direto requer atenção especial no momento da aplicação de fertilizante, para otimizar a eficiência de uso pela cultura (Johnston, 2002). As características do solo, clima, tipo de cultura e as práticas agronômicas, incluindo o método de aplicação do fertilizante, influenciam na eficiência do uso de nutriente.

O N é o nutriente que freqüentemente limita a produção no mundo, seguido pelo P e pelo K. A aplicação de N a lanço sobre a palha na superfície não é o método mais eficiente de aplicação, devido as potenciais perdas de N por imobilização nos resíduos e por volatilização (Malhi e Nyborg, 1992). A aplicação de N em uma faixa é usualmente a mais eficiente e a que minimiza as perdas de N por imobilização, porém a aplicação de todo o fertilizante que a cultura requer no plantio, não deixa de ser um desafio. De forma similar, a aplicação de P e K em faixa, seja junto ou ao lado da semente, minimiza a fixação pelo solo e aumenta a rápida absorção pela cultura, especialmente quando se aplica como fertilizante de arranque.

A Figura 4 ilustra a eficiência de P como fertilizante de arranque ao longo de 31 anos no sul de Saskatchewan em uma rotação pousio-trigo-trigo. A aplicação de 7 kg de P/ha, produz em média 342 kg/ha a mais de grãos de trigo sobre pousio e 194 kg/ha a mais de grãos de trigo após trigo. A variabilidade entre os rendimentos esteve estreitamente relacionada às condições climáticas durante a primavera e ocorreu mesmo que o nível de P disponível tenha duplicado durante os 31 anos (Figura 5). As maiores respostas ocorreram com solos frios e úmidos durante a primavera. O crescimento da raiz e o movimento de P no solo e sua absorção pelas plantas são afetados pelas baixas temperaturas.

Se aplicação de P na linha de semeadura como arranque não é prejudicial para a cultura de trigo, o mesmo não ocorre com altas doses de N e K. A aplicação destes nutrientes em contato direto com a semente causam redução na germinação e retardo na emergência, resultando em um stand pobre de plantas e perdas de rendimento. As recomendações gerais usadas sugerem que doses menores que 45 kg de N/ha como nitrato de amônio, ou 22-28 kg de N/ha como uréia, podem ser aplicadas com a semente de forma segura. Estas recomendações são adequadas para semeadoras que depositam a semente junto com o fertilizante, porém não para aquelas que fazem uma aplicação irregular ou dispersa do fertilizante e da semente (pneumáticas ou por pressão de ar), ou para aquelas que aplicam, com pressão, o fertilizante fora do sulco de semeadura.

Vários fatores incidem na quantidade segura de fertilizante para aplicar junto com a semente: espaçamento, utilização de sulco de semeadura, textura, umidade, heterogeneidade do solo, aplicação de fertilizante, sulcador, fonte de fertilizante e cultura. A quantidade ideal de fertilizante para ser aplicado junto com a semente diminui na medida que aumenta a distância entre fileiras. Para sulcos distanciados o fertilizante esta mais concentrado e com maior contato com a semente. Essa situação é mais perigosa com N que com o P. Pesquisas realizadas em Saskatchewan e Manitoba têm demonstrado que não houve diferença em rendimento de trigo para distanciamento que variaram entre 10 e 30 cm, e que as maiores concentrações de P junto com a semente em sulcos mais largos não tiveram efeito sobre os rendimentos (Lafond, et al., 1996).

A UCS é uma medida de espaço de solo utilizado para aplicar os fertilizantes (Roberts e Harapiak, 1997), e se calcula de acordo com a seguinte fórmula:

Os solos de textura mais pesada toleram uma maior quantidade de N com a semente porque existe maior capacidade de intercâmbio catiônico (CIC) e de armazenagem de água que reduzem a toxicidade do amoníaco, que é a principal causa de dano durante a germinação e emergência. Na tabela 3 são exibidas as recomendações para Saskatchewan da quantidade máxima de N-uréia para aplicar junto com a semente, sem produzir dano, assumindo uma umidade no sulco de semeadura de boa a excelente. As doses para outros fertilizantes com amônia podem se aumentadas em 25%. O nitrato de amônia é menos prejudicial para a semente que a uréia, tem maior índice salino, porém não gera toxicidade por amoníaco. Em solos com maior CIC ou boa umidade de plantio é possível tolerar maiores doses de N. As recomendações para Dakota do Norte sugerem que as doses máximas de N a aplicar junto com a semente variam entre 67 a 112 kg/ha com semeadoras de corrente de ar (UCS de 60-100%) em solos pesados.

Muitos produtores do norte das Grandes Planícies tem adotado o uso de máquinas semeadoras especiais que posicionam o fertilizante em uma faixa separada da semente para evitar problemas de germinação e emergência. Geralmente se usam abridores montados sobre as semeadoras de pressão de ar, os quais fazem uma faixa de fertilizante distanciada a 3-4 cm ao lado e 4-5 cm abaixo da linha da semente. Avaliações a campo destes abridores indicam que todos trabalham muito bem quando são ajustados corretamente segundo o ângulo do facão ou botinha e às condições de solo (Johnston et al., 2001). As fontes sólidas (uréia) ou gasosas (amoníaco anidro) de N são as principais para a região e têm sido utilizadas com êxito sob plantio direto (Johnston et al., 1997). O uso de amoníaco anidro é maior nas zonas úmidas, onde as doses de N requeridas para otimizar os rendimentos de trigo são maiores.

O enxofre (S) e o terceiro nutriente deficiente no Norte das Grandes Planícies, logo após N e P. No solo é importante para o aumento dos rendimentos sendo que é um componente muito importante de muitos aminoácidos e, por isso, afeta a qualidade de panificação do trigo. As deficiências de S chegam a 30% da superfície cultivada nas Pradarias Canadenses e a análise de S é freqüentemente pouco confiáveis para definir o nível desse elemento na lavoura (Grant et al., 2004).

A análise de solo convencional que mede o S-SO4, a forma disponível para as plantas, é problemático devido a própria variabilidade do SO4 no campo e a variabilidade de mineralização do S orgânico, que representa, geralmente, 95% do conteúdo de S total no solo. A análise de S-SO4 é mais confiável para os solos sem resposta a S, que contém altas quantidades desse nutriente.

O S normalmente é aplicado sob a forma de S elementar ou como SO4. O S elementar deve ser previamente oxidado pelos microorganismos antes de ser usado pelas plantas. A taxa desse processo depende das características que envolvem a atividade microbiana (temperatura, umidade, aeração e pH). A taxa de oxidação aumenta com a temperatura do solo e diminui com condições muito altas e muito baixas de umidade. A granulometria do S elementar é também importante, partículas mais finas resultam na rápida oxidação. A dispersão de partículas de S é também um fator importante para aumentar a taxa de oxidação.

A aplicação de S elementar na primavera, próximo a época de plantio, não é recomendável para cultivos anuais, já que as taxas de oxidação são muito lentas para satisfazer a demanda de S do cultivo. A mistura de S elementar com bentonita aumentam a demanda de S da cultura. As partículas de S, aumentam a oxidação e a liberação de SO4.

Comparado com as oleaginosas, o trigo tem baixa demanda metabólica de S, contudo, os aumentos de rendimento por meio de fertilizações com enxofre podem ser importantes. Doyle e Cowell (1993) revisaram resultados de ensaios a campo conduzidos em solos deficientes de S nas regiões mais úmidas das Pradarias Canadenses, e informaram aumentos de rendimento de na faixa de 10 a 90%, em solos que nunca haviam sido fertilizados com S e de 8 a 60%, em solos com história de fertilização com S (Tab. 4).

A fertilização com enxofre é normalmente mais eficiente quando aplicada com quantidades adequadas de outros nutrientes. Por exemplo, a aplicação de 22 kg de S/ha em solos cinza produz um aumento de 10% relativo ao controle em comparação de 30% de aumentos quando se aplica em conjunto com N e P (Tabela 5). A aplicação somente de N e P produz um aumento de 7%. Seja com S ou outros nutrientes, a fertilização balanceada é indispensável para a produção de trigo.

Os nutrientes devem ser aplicados em quantidades adequadas e em proporções balanceadas, de acordo com as necessidades do cultivo e a disponibilidade do solo. Na tabela 6, são comparados os rendimentos de trigo em rotação trigo-pousio com uma rotação de três anos pousio-trigo-trigo e com trigo contínuo em um solo marrom escuro no Sul de Alberta, fertilizado com baixas doses de N e P (Campbell et al., 1990). Os maiores rendimentos de trigo foram obtidos com trigo sobre pousio quando se fertilizou com N e P. Os rendimentos caíram para trigo sobre trigo, em todos os casos os maiores rendimentos ocorreram com fertilização com N e P.

No exemplo da tabela 6, não houve falta de K para balancear as necessidades nutricionais da cultura, já que a maioria dos solos do Sul de Alberta são ricos neste nutriente. Na realidade, a maioria dos solos do Norte das Grandes Planícies se encontram bem providos de K para o cultivo de trigo, e normalmente não é esperada resposta com fertilização com K. A maioria do potássio absorvido pelo trigo é retido na palha em plantio direto, ao deixar os resíduos culturais sob o solo, pouco K é exportado pelo grão, resultando então na menor necessidade de fertilização com potássio. No entanto, alguns solos do Norte das Grandes Planícies com altos teores de K respondem a aplicação de KCl.

A resposta do trigo a aplicação de KCl pode ser parcialmente atribuída a difusão restrita de K até as raízes das plantas em solos frios no início da primavera, e também ao cloro (Cl) contido no fertilizantes potássico. Muitos estudos realizados na região do Norte das Grandes Planícies se reportam às respostas da fertilização com Cl (Fixen, 1993; Lamond et al., 1999; Grant et al., 1991); contudo, a magnitude e a freqüência das respostas variam de acordo com a cultivar e estão muitas vezes relacionadas com a pressão de doenças.

Conclusões

O entendimento do comportamento dos nutrientes no solo e suas interferências no manejo da fertilidade é importante para maximizar a eficiência do uso dos nutrientes e a produção de trigo em sistema de plantio direto. A amostragem e análise é uma das melhores ferramentas disponíveis para estimar o nível de nutrientes no solo e fazer recomendações de fertilização adequadas. Essas ferramentas devem ser utilizadas de forma apropriada, reconhecendo a variabilidade natural existente em cada lote. A intensa amostragem de solos e o manejo de nutrientes em determinadas glebas, utilizando Sistema de Posicionamento Global (GPS) para mapear e avaliar dados de análises de solos são ferramentas úteis que podem ajudar os produtores no manejo nutricional do trigo.

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Revista Plantio Direto, edição 93, maio/junho de 2006.