Novas Variedades de Milheto para o Plantio Direto Gaúcho


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Publicado em: 01/04/2006

Novas variedades de milheto para o plantio direto gaúcho

A equipe de desenvolvimento da linha Super Massa, ADR 300 e ADR 500, milheto especialmente desenvolvido para a produção de massa para a cobertura de solos, esteve no mês de março na região de Passo Fundo, RS, realizando visitas a propriedades rurais e reunindo com produtores com objetivo de apresentar as variedades da linha ADR, da Sementes Adriana, originalmente desenvolvidos para a produção de palha para o plantio direto no Centro Oeste, e trocar experiências visando à adaptação do produto no Rio Grande do Sul.

A Sementes Adriana está localizada no Mato Grosso, na região da Serra da Petrovina, divisa com o Goiás e Mato Grosso do Sul. No Estado, essa é uma região que apresenta elevada altitude sendo uma pequena porção de terras com clima privilegiado, apropriado para a produção de sementes de soja, onde há 25 anos a Família Balbinotti dedica-se exclusivamente a essa atividade.

Com 29 mil hectares de plantio, a empresa é o maior produtor de sementes de soja do Brasil e do mundo individualmente, atendendo toda a região Centro Oeste. ”Quando chegamos na região não existia tecnologia apropriada para as lavouras ou para a produção de sementes, era tudo novo, tivemos que começar do zero em termos de informação e fomos os pioneiros em desenvolver tecnologia adequada aquelas condições, isso nos impulsionou a adotar um formato de gestão que incorpora tecnologia em todo o processo produtivo”, explica Odílio Balbinotti Filho, vice-presidente da Sementes Adriana.

Há 15 anos toda a produção da empresa é rastreada, desde o primeiro manejo até a colocação da semente no mercado. Isso, segundo Balbinotti, favorece a manutenção da qualidade e a melhoria constante da tecnologia aplicada ao produto final, pois conhecendo a ”história” de cada lote, é possível saber qual o melhor procedimento a ser adotado. Para a tomada de decisão durante a produção, são utilizados critérios que têm como base informações reais sobre todo o processo. ”O foco da empresa é gerar tecnologia e ter qualidade no produto. Qualidade é a palavra de ordem das Sementes Adriana”, ressalta.

Com a expansão da soja no cerrado brasileiro ocorreu o natural aumento na demanda por sementes da cultura. Com o objetivo de ampliar a produção utilizando áreas consideradas impróprias para agricultura devido a baixo teor de argila, algumas com até 4%, a Sementes Adriana necessitou buscar tecnologia que possibilitasse melhorar os solos arenosos da região, garantindo a produção de sementes com a mesma qualidade das áreas com maior teor de argila.

”Começamos a utilizar todo o tipo de cobertura com objetivo de proteger o solo no plantio direto, principalmente em solos arenosos, como era o caso das áreas que estavam sendo abertas para o cultivo de soja, e aumentar a fertilidade através do aporte de matéria orgânica. A melhor opção foi a cultura do milheto. Porém, num determinado momento, a massa que era produzida pelo milheto tradicional (definhado) foi insuficiente para os resultados que precisávamos, era necessário mais massa”.

Para atender a necessidade de um milheto com maior potencial na produção de massa para o plantio direto que era utilizado em 100% das áreas, foi firmada a parceria entre a Bonamigo Melhoramento e a Sementes Adriana. ”Num primeiro momento isso aconteceu para resolver um problema individual da empresa, mas hoje somos uma referência no manejo e na produção de massa no plantio direto do Centro Oeste”, considera Odílio Balbinotti.

Durante a reunião, o melhorista Luiz Bonamigo, da Bonamigo Melhoramento, de Campo Grande, MT, apresentou um breve histórico do milheto falando da evolução da cultura até o lançamento das variedades ADR 300 e ADR 500, como alternativa para a formação de palha no plantio direto do Centro Oeste.

”Hoje temos em regiões pioneiras em plantio direto no cerrado um visível retrocesso pela falta de palha para alimentar o sistema. Isso ocorreu porque o produtor tem um comportamento natural direcionado a prática de multiplicação da própria semente, mas ele percebe, com um certo atraso, que isso não agrega valor a sua produção e prejudica o resultado final. Na verdade, o investimento em sementes de qualidade genética garante, em grande parte, o sucesso da cobertura para o plantio direto”.

Segundo Bonamigo, toda a pesquisa da Bonamigo Melhoramento é feita a campo, o que oferece vantagens e algumas desvantagens, pois com esse sistema perde-se muito material, mas em contrapartida a pesquisa é exposta às condições reais de lavoura (pragas, doenças, clima e solo) resultando numa maior tranqüilidade da empresa quanto à qualidade e eficiência do trabalho desenvolvido.

As variedades ADR 300 e ADR 500 são opções para a pecuária de leite e de corte, possuem alto potencial produtivo para forragem, alta velocidade de instalação e rebrota, sendo também uma alternativa para a produção de silagem, principalmente em regiões que apresentam problemas de veranico e déficit hídrico. As variedades se adaptam a vários tipos de solo, podendo, inclusive se utilizado para implantação e recuperação de pastagens.

No plantio direto o milheto da linha ADR oferece farta produção de massa, 10 toneladas no caso da variedade ADR 300 e 11 toneladas com o ADR 500, mais que o dobro do milheto comum existente no mercado. Os benefícios do uso da cultura como cobertura vão além da produção de massa, a reciclagem de nutrientes é uma das vantagens, pois nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio são disponibilizados à cultura subseqüente através da decomposição da palha.

Para o Rio Grande do Sul, no caso do Super Massa, Carlos Hermanns, que trabalha com desenvolvimento de produto e distribuição da Sementes Adriana no Rio Grande do Sul, aconselha os produtores a trocarem o direcionamento comum de ”época” para ”clima” ideal para semeadura. Ele explica que, se o agricultor considerar as variações climáticas que ocorrem dentro de uma mesma estação, é arriscado usar somente datas como base para o planejamento do plantio.

No caso do Super Massa, para uma boa condição de germinação da semente a temperatura do solo deve estar acima 15oC. Já para o desenvolvimento da cultura a temperatura deve ficar acima dos 10oC. Segundo Hermanns, essa é a condição ideal para germinação e desenvolvimento do milheto.

”No caso de plantio para formação de pastagens e silagem a mais indicada é a variedade ADR 500. Porém, para formação de palhada para plantio direto podem ser utilizados os dois materiais, ADR 300 e ADR 500, cada qual escolhido conforme o tempo disponível para a formação de massa”. Hermanns explica ainda que com uma janela de tempo apertada pode ser usado o ADR 300, devido ao ciclo mais precoce. Mas se houver uma janela de tempo maior e boas condições climáticas, deve ser dada preferência ao ADR 500, que tem o ciclo mais longo e produz mais massa.

No Rio grande do Sul existem duas possibilidades de época de plantio: a primeira é antes da entrada da safra de verão se as condições climáticas de agosto/setembro permitirem boa germinação (temperatura > 15ºC). Assim o produtor terá uma janela de até 120 dias para formação de palhada, sendo que o material precisa de aproximadamente 90 dias. A segunda opção é após a colheita de milho janeiro/fevereiro/março, com uma janela de 90 a 120 dias para formação de massa seca, dentro do mesmo ano agrícola. É possível fazer também o plantio na resteva de soja precoce ou sobressemeadura sobre soja, contando também com uma janela de 90 dias.

Para realizar a sobressemeadura do milheto em lavouras de soja em processo de amarelecimento, Carlos Hermanns recomenda a entrada com distribuidor lancer (ou avião onde possível) jogando 30 kg de Super Massa/hectare. As folhas senescentes da soja cobrirão a semente dando condições de germinação. No momento da colheita da soja o milheto estará com 10 cm, completando o ciclo após a soja ter sido colhida, formando massa seca em 90-100 dias, dependendo do clima.

Segundo Hermanns, as condições de solo não interferem no desenvolvimento da cultura, pois o Super Massa tem sistema radicular agressivo, podendo chegar até 3 metros de profundidade, trazendo nitrogênio, fósforo e potássio que estão disponíveis nas camadas mais profundas para a palhada sobre o solo.