O pulgão-do-milho, Rhopalosiphum maidis
Dirceu GassenEngenheiro-agrônomo, Gerente Técnico da Cooplantio, Porto Alegre,RS - E-mail: dirceu@agri.com.br
O pulgão-do-milho, Rhopalosi phummaidis é considerada praga secundária com danos esporádicos. Na safra de 2005/06 ocorreram populações elevadas, atribuídas à combinação de temperaturas baixas em setembro e elevadas precipitações em outubro.
Nesse trabalho serão apresentados aspectos relacionados com a caracterização, biologia, danos e controle do pulgão-do-milho.
Descrição
O pulgão-do-milho apresenta coloração verde-azulada a preta, com mancha púrpura-escuro ao redor da base dos sifúnculos (Figura 1). No campo, se constatam formas aladas e ápteras, de acordo com a temperatura e a qualidade do alimento. Pode voar e ser levado pelos ventos de correntes de ar por centenas de quilômetros. Outras espécies de pulgões, presentes em plantas daninhas, ocorrem esporadicamente em plântulas de milho, sem causar danos significativos.
Biologia
Os pulgões reproduzem-se por partenogênese telítoca (fêmeas geram fêmeas sem a participação de machos). Os embriões desenvolvem-se no interior do corpo do pulgão, a partir de óvulos não fecundados, parindo ninfas fêmeas que são clones idênticos às mães.
Os pulgões atingem a maior capacidade de proliferação sob temperaturas entre 18 a 25°C. Em milho, no verão, os pulgões sobrevivem no cartucho da planta, onde a umidade é elevada, mantendo a temperatura baixa. Nessas condições chegam à fase adulta aos quatro dias após o nascimento, parindo as primeiras ninfas. Quando atingem em torno de 10 dias de vida, os pulgões alcançam a maior capacidade de proliferação, chegando a parir até 10 ninfas por pulgão diariamente.
A infestação inicia em plantas isoladas a partir da colonização de pulgões alados. O dano ocasionado pelo pulgão-do-milho ocorre com infestações de milhares de indivíduos em plantas isoladas (Figura 2).
A presença de pulgões pode ser constatada desde o início do desenvolvimento vegetativo, mas as populações atingem população maior a partir de três semanas antes do pendoamento, enquanto as folhas se encontram enroladas, formando o cartucho de proteção, onde se reproduzem rapidamente.
A partir do início da fase de pendoamento (Figura 2), o dano já foi causado e os pulgões desaparecem por causa da exposição da superfície do limbo foliar à radiação solar, a temperatura elevada e o efeito de vento, que provocam a desidratação, prejudicando o desenvolvimento do inseto.
Danos
Os danos mais severos ocorrem em cultivares de milho doce, através da transmissão do vírus do mosaico-anão. No Brasil, os danos diretos causados pela extração de seiva e pela injeção de saliva tóxica e os indiretos, causados por viroses, necessitam ser determinados em lavoras de milho.
Na América do Norte, os danos de pulgões podem ser severos, com redução de até 50 % na produção de grãos por espiga. No Brasil (Figura 4), os danos em plantas marcadas e com pulgões reduziram 51 % o número de grãos por espiga e 52 % o peso de grãos por espiga (Figuras 3). Em infestações severas, combinadas com secas, as espigas não formaram grãos (Figura 5).
Nas regiões onde se cultiva milho sobre milho (safrinha) e onde se adota o controle da lagarta-do-cartucho com inseticidas de amplo espectro de ação, tem-se observado populações maiores de pulgões, que, livres de seus inimigos naturais, proliferam intensamente, atingindo o nível de praga.
Em geral, a presença de plantas isoladas, infestadas com pulgões, é percebida à distância e induzem ao julgamento de que a lavoura está toda infestada.
As partes das plantas infestadas com pulgões apresentam a superfície pegajosa, resultado de açúcares expelidos pelos insetos. Formigas se alimentam dos açúcares e protegem os pulgões contra o ataque de predadores e parasitos.
Controle
O controle biológico natural do pulgão-do-milho pode ocorrer a partir dos parasitóides oriundos do controle biológico de pulgões do trigo e de predadores nativos, ou introduzidos, presentes nos agroecossistemas.
A escolha de cultivares resistentes é uma forma de controle de pulgões. Informações sobre o comportamento de cultivares de milho em relação ao dano e à resistência a pulgões podem ser solicitadas do fornecedor de sementes.
Por outro lado, as cultivares que sofreram ataque de pulgões, provavelmente, contém melhor qualidade de alimento nas folhas e poderiam ter maior teor de reservas para elevado rendimento de grãos.
O uso de inseticidas de amplo espectro de ação pode facilitar a ressurgência de populações, retardando o nível de praga na cultura.
Em geral o agricultor percebe a presença de pulgões no fim da fase vegetativa ou na fase de pendoamento, quando o dano já foi causado nas folhas expostas e o controle não resultará em benefício econômico.
Nos Estados Unidos recomenda-se o controle quando constatar 15 ou mais pulgões por cartucho, três semanas antes do pendoamento. Ou mais de 30 pulgões por cartucho uma semana antes do pendoamento. Em períodos de estresse de seca, considerar 10 e 15 pulgões por cartucho, respectivamente.
Sugere-se o controle de pulgões com inseticidas quando a infestação atingir mais de 10 % das plantas, na fase de desenvolvimento vegetativa, três semanas antes do pendoamento.
Revista Plantio Direto, edição 92, março/abril de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.