Principais Fatores que Propiciaram a Expansão da Soja no Brasil


Autores:
Publicado em: 01/04/2006

Principais fatores que propiciaram a expansão da soja no Brasil

J.R.Jardim Freire1, J. A. Costa2 e J.G. Stammel11Professores dos Departamentos de Solos da UFRGS2Professor Plantas de Lavoura da UFRGS - E-mail: joaofreire@terra.com.br; jamc@ufrgs.br

A introdução no país e a expansão no Rio Grande do Sul

A primeira referência sobre soja no Brasil data de 1882, no ”Jornal do Agricultor” do Rio de Janeiro, noticiando o plantio de uma parcela na Bahia. A soja aparece em São Paulo, trazida por imigrantes japoneses, surgiram então estudos realizados durante vários anos no Instituto Agronômico de São Paulo, em Campinas, bem como no Rio Grande do Sul. Essa fase histórica está bem documentada em diversas publicações.

Em São Paulo há referência de 1893 de um experimento no Instituto Agronômico de Campinas, de plantio em cultura mista com gramíneas e em 1899 são citados trabalhos realizados na Fazenda Santa Eliza, do IAC. Henrique Lobbe publicou em 1935 resultados de pesquisas realizados no IAC. Muitos contribuíram em São Paulo para a pesquisa com soja como José Gomes da Silva, Shiro Myiasaka, Neme Abdo Neme. No período inicial (Freire, & Vernetti, 1999), fora dos estabelecimentos oficiais, houve introdução espontânea pelos imigrantes japoneses em São Paulo e pelos poloneses, japoneses e russos no Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul é citado o plantio de soja em 1901, em uma fazenda no município de Dom Pedrito e ensaios na Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade Técnica em Porto Alegre (atual UFRGS) pelo professor norte americano E.C. Craig, em 1914. A cultura, entretanto, estabeleceu-se apenas a partir de 1920 na região do alto Uruguai, então município de Santa Rosa, nas lavouras coloniais de agricultores de descendência alemã, italiana, polonesa e russa.

Em 1941, pela primeira vez, foi citado em estatística oficial do Rio Grande do Sul que a área cultivada era de 702 hectares. Porém, foi na década de 1950 que realmente iniciou o processo de expansão da soja fora da região de Santa Rosa.

Em 1914 o Correio do Povo cita jornal alemão de São Leopoldo sobre disponibilidade de semente e, em 1920, a existência de informações tecnológicas sobre a soja na Estação Experimental de Agricultura de Viamão.

Em 1923 o pastor americano Albert Lehenbauer trouxe alguns quilos de semente de soja e distribuiu a agricultores da região, onde a maioria era de origem germânica e teuto-russa. Nessa época, nos EUA já se registrava uma grande produção de soja. É também citado que, em 1931, quatro colonos de origem polonesa teriam comprado 30 kg de semente dos EUA e distribuído aos vizinhos de Santa Rosa.

A introdução na Estação Experimental das Colônias, em Veranópolis, RS, ocorreu em 1930 com realização de diversos experimentos e a partir daí foi para várias estações experimentais do Estado como o Instituto Agronômico do Sul, do Ministério da Agricultura.

Em 1938 é mencionada pelo jornal ”O Interior” a ocorrência da primeira exportação de soja (3 mil sacos) para a Alemanha, por um comerciante de Santo Ângelo.

A expansão da soja trouxe conseqüências marcantes como uma alternativa agrícola, novas indústrias, maior renda na agricultura, novas tecnologias em máquinas e equipamentos, ocupação de novas regiões como os cerrados do centro do país e ocupação de mão-de-obra no campo e nas cidades.

No entanto, para alguns, a soja teria trazido prejuízo para a agricultura familiar, predominância da monocultura, erosão, maior dependência de defensivos e insumos. Esses argumentos negativos não prevaleceram. Na região colonial continuam as lavouras de 1 a 10 hectares. Nas grandes áreas de expansão no cerrado, o primeiro plantio é arroz do sequeiro e depois a soja e, que se alternam com as lavouras de milho, algodão e mesmo feijão irrigado. A erosão existe mesmo em pastagens nativas com maior ou menor intensidade, dependendo principalmente do tipo de solo. Agricultura de baixa produtividade mantém o agricultor pobre. Ainda hoje há os ”dinossauros” que criticam a soja. Eles não conheceram o Rio Grande do Sul, especialmente o Planalto, antes de 1970. Esses ”ambientalistas” ou ”ecologistas” desinformados ou mal intencionados, adotam bandeiras de conotação político-ideológicas.

A soja cresceu em todo o país (Tabela 1). Para a safra de 2004-2005 era esperada a área cultivada de 22 milhões de hectares e a produção de 63 milhões de toneladas. Entretanto nesta safra houve um grande prejuízo devido à estiagem, principalmente no Rio Grande do Sul. Em 2004 a exportação da soja rendeu ao país 8 bilhões de dólares, 70% da produção é transformada em farelo para ração de aves e suínos, sub-produtos para a indústria são também obtidos da soja para embutidos, adubos, fibras, adesivos etc.

A fixação biológica do nitrogênio

A soja é originária da China e também a bactéria Bradyrhizobium. A bactéria invade a raiz e, então, se há compatibilidade com a planta, forma os nódulos (Figura 1) e entra em simbiose, isto é, fixa o nitrogênio do ar e o fornece para o crescimento da planta. Por sua vez esta, por meio da fotossíntese, transforma o CO2 do ar em carboidratos que junto com o nitrogênio, formam os aminoácidos. Os aminoácidos formam as proteínas de que a soja é rica. Fator importante para a fixação é o pigmento vermelho leghemoglobina que tem a mesma formula e função da hemoglobina do sangue animal, isto é, transporte de oxigênio. Por isso, nódulos bem vermelhos (Figura 2) indicam fixação eficiente.

As estirpes da bactéria, isoladas de nódulos, são selecionadas nos laboratórios das instituições de pesquisa As mais eficientes, se recomendadas pela RELARE (Rede de Laboratórios Nacionais de Rhizobiologia) são fornecidas através do centro da Fepagro, aos fabricantes privados das culturas das bactérias, os chamados inoculantes. Estes são misturados pelos agricultores com as sementes.

A bactéria específica da soja, do gênero Bradyrhizobium não existe em nossos solos. Pelo menos nos primeiros anos de cultivo da soja em um local, a aplicação do inoculante é imprescindível. Se não é feita a inoculação, o crescimento das plantas é reduzido, a folhagem é amarelada, a produção é afetada e o prejuízo, certo (Tabelas 2 e 3). Nos plantios posteriores muitos agricultores deixam de fazer a inoculação, entretanto, muitos experimentos no Rio Grande do Sul e no Paraná, mostraram que mesmo as plantas estando aparentemente bem noduladas, pode ocorrer aumento de rendimento de 10 a 14% pela reinoculação. Em uma lavoura de 2.000 kg/ha, 10% de aumento significaria 4 sacas. A R$ 20/saca, daria R$ 80,00/ha para o agricultor. Ou em 100 hectares R$ 8.000,00 (Hungria, comunicação pessoal).

A partir de 1950 a Seção de Microbiologia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul iniciou a produção de ”inoculantes” e então, agrônomos de empresas de extração de óleo, especialmente da SAMRIG (Sociedade Anônima Moinhos Riograndenses) recém instalada no município de Canoas, buscavam os inoculantes (culturas em frascos) para a distribuição aos agricultores. Em 1954 foi iniciada a produção em veículo turfoso.

A disponibilidade de inoculantes da bactéria fixadora do nitrogênio atmosférico foi um dos fatores que contribuíram para a expansão da cultura, devido à economia de fertilizante nitrogenado. A busca e a seleção de estirpes eficientes da bactéria Bradyrhizobium iniciou-se na década de 40 no Instituto Agronômico de São Paulo, em Campinas. Em 1930 já era feita a produção de culturas de inoculantes no IAC e em 1949 inoculantes eram produzidos no Instituto Biológico de São Paulo e a partir de 1950, na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, na Seção de Microbiologia Agrícola, hoje centro de Fixação Biológica do Nitrogênio da Fundação de Pesquisas Agropecuária (Fepagro) e no Instituto Agronômico de Campinas. Na Fepagro, experimentos de casa de vegetação e de campo resultaram no lançamento de 25 estirpes de alta eficiência para soja, as quais a partir 1950 foram usadas nos inoculantes produzidos pela Secretaria de Agricultura. Atualmente quatro estirpes são recomendadas para a elaboração dos inoculantes: duas da Fepagro e duas da Embrapa.

A partir de 1956, as estirpes recomendadas passaram a ser fornecidas pelo Centro da Fepagro, para a primeira empresa privada (Laboratório Leivas Leite em Pelotas, RS) e posteriormente, às outras empresas estabelecidas no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo.

A produção de inoculantes aumentou sempre, atingindo o máximo em 1989, em que foram produzidas 16 milhões de doses (200g para 50 kg de sementes) e decaindo posteriormente com a crise na agricultura em anos subseqüentes. Em 2003 voltou a crescer atingindo o consumo de 15 milhões de unidades, e na safra de 2003/2004, 21 milhões. Os inoculantes difundiram a bactéria por todo o País e contribuíram decisivamente para a expansão da soja.

A necessidade da soja em nitrogênio é alta devido ao elevado teor de proteínas. Para um rendimento de 2.000 kg/ha a soja necessita de 240 kg/ha de nitrogênio. Essa quantidade terá de ser suprida pelo solo e pela simbiose planta x bactéria. Se o solo é naturalmente pobre em nitrogênio, o que é comum, principalmente nos trópicos a fixação suprirá o necessário para alcançar aquele rendimento.

Se não há fatores inibidores, a fixação simbiótica pode suprir 100 kg/ha de nitrogênio ou mais. Considerando-se todos esses fatores estima-se uma fixação média de 50kg/ha de nitrogênio em geral na área de soja do país, ou seja, 22 milhões de hectares em 2004. Isso resultaria em 1 trilhão de quilos de nitrogênio. Em uma lavoura com rendimento de 3.000 kg/ha, se fosse de milho, o agricultor teria de aplicar 200 a 400 kg de uréia, essa economia os agricultores conhecem muito bem. Não é necessário aplicar fertilizante nitrogenado, como no caso das gramíneas (milho, arroz trigo etc) que não são capazes de realizar a simbiose com o rizóbio. Essa foi à contribuição que a pesquisa em fixação biológica do nitrogênio deu para a soja e para o país. O demonstrativo abaixo ilustra o valor da fixação biológica do nitrogênio:

Valor da simbiose bactéria x sojaNitrogênio do ar fixado: 50 kg/haÁrea da soja no país em 2004: 22 milhões de hectares.22 x 50 kg de N - > 1.100.000.000 - à 1,1 trilhão de quilogramas de N.Equivalente em uréia: 2,2 trilhões de quilogramas.Preço da uréia (50% de N): R$ 0,50 kgPreço do quilograma de N: R$ 1,00 Fixação: R$ 1,00 x 1,1 trilhão de kg de N (1,1 trilhão de reais/ano)Em uma lavoura de 100 hectares o agricultor tem uma contribuição da simbiose equivalente a R$ 1,00 x 50 kg de N por hectare x 100, ou seja, R$ 5.000,00 .

Alguns agricultores, de forma equivocada, aplicam adubo completo NPK (nitrogênio, fósforo, potássio) com 10 ou 20 quilogramas de N. Inúmeros experimentos têm demonstrado que mesmo se as plantas estão noduladas é inútil a aplicação de adubo nitrogenado seja no final ou em fases de crescimento das plantas.

Nas Tabelas 4 e 5 são apresentados resultados mostrando que não há aumento no rendimento com a aplicação do adubo nitrogenado em única aplicação ou em diversas fases do crescimento das plantas.

A Operação Tatu

Nas décadas de 1950 e 19960 quem de Porto Alegre subisse ao planalto riograndense a partir de Soledade encontraria uma só paisagem até o rio Uruguai, para oeste, na fronteira com a Argentina: campos com capim barba-de-bode (Aristida pallens), indicador de solo pobre (Figura 3), e uma ou outra lavourinha de trigo ou de mandioca. A estrada era pavimentada até São Leopoldo, o centro de cimento e as laterais de pedra. Até a fronteira era terra batida. De Santa Maria para o norte à fronteira de Santa Catarina a paisagem era a mesma.

Nas cidades, poucas indústrias de máquinas agrícolas rudimentares, ”atafonas” para a produção de farinha de mandioca. Aquela paisagem mudava apenas na região de Santa Rosa, com as pequenas lavouras coloniais de milho, mandioca e, principalmente, soja. Esta era comum ser plantada intercalada com outra planta, como milho ou mandioca.

É impressionante o que a soja fez, direta ou indiretamente, no planalto riograndense. Modificou a paisagem, provocou a melhoria da fertilidade dos solos e também a produtividade de outras lavouras. Fortaleceram-se as cooperativas e as cidades como Ijuí, Passo Fundo e Carazinho, entre tantas outras. Todo o planalto enriqueceu, cresceu o padrão de vida.

A soja provocou, para o seu estabelecimento, a adoção dos novos conceitos de recuperação da fertilidade e conservação do solo, novas tecnologias na fabricação de maquinário agrícola, cultivares mais produtivas e melhores técnicas de conservação do solo.

Essa revolução ocorreu, da mesma forma, na expansão para o noroeste do Paraná, Mato Grosso e nas áreas de cerrado.

A situação geral da pesquisa agronômica, especialmente, em fertilidade do solo tinha bases errôneas, isto é, baixa produtividade. Não se considerava a real necessidade das plantas para o crescimento e a produtividade. Adubos e corretivos eram simplesmente taxados de ”anti-econômicos”. As recomendações técnicas eram para reduzir a colocação de insumos, calcário de 500 a 1000kg/ha e fósforo50 kg/ha, isto é, doses ”homeopáticas”. As respostas eram baixas ou nulas. O efeito era como administrar pequenas doses de antibiótico para um indivíduo com severa infecção.

Dessa forma a produtividade era limitada devido à baixa disponibilidade de nutrientes, especialmente, o fósforo, acidez e níveis tóxicos de alumínio e manganês. Os campos experimentais eram comumente conduzidos com a fertilidade ”natural” sem amarração ao tipo e análise de solo. Havia preocupação em muitos centros, para a obtenção de cultivares ”rústicas” ou tolerantes, isto é , resistentes á inanição.

O Banco do Brasil passou a considerar a primeira aplicação de calcário e fertilizantes como investimento (pagamento a 3 a 5 anos) e as posteriores eram consideradas custeio.

A primeira região onde foi implantado o Projeto Plano Estadual de Melhoramento da Fertilidade dos Solos (Operação Tatu) foi Ibirubá, depois Santa Rosa, Ijuí, Erechim etc. Porém, foi no município de Santa Rosa que o Plano teve rápido sucesso.

A comunidade local é que fazia o projeto considerando a necessidade de calcário, fertilizante, crédito etc, envolvendo o agrônomo, o técnico rural, o agente do banco, o prefeito, as entidades de classe, enfim, os líderes da comunidade.

Lavouras demonstrativas eram estabelecidas. Caravanas de ônibus de outras regiões iam ver os resultados em Santa Rosa. Para a obtenção de crédito do Banco era necessário comprovar a análise do solo e a compra de inoculante de rizóbio. Surgiram então outros laboratórios de análise do solo, além da Secretaria de Agricultura (UFSM, UFRGS, UFPEL e Santa Rosa) e foi criada a rede Riograndense e Catarinense de Laboratórios de Análise de Solo. Nessa época, a produtividade de soja no Estado era de 1.200 kg/ha.

Em1965 teve início o Curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo na Faculdade de Agronomia da UFRGS, em convênio com a Universidade de Wisconsin, USA. Não havia a formação de agrônomos especialistas em fertilidade do solo. O curso foi o primeiro do País.

Houve então o estabelecimento de intensa experimentação de campo e um programa bem delineado de extensão para a recuperação de fertilidade dos solos com lavouras demonstrativas envolvendo diversas entidades além da Faculdade de Agronomia, como a ASCAR (hoje EMATER) o IRGA, entre outros. Este programa foi apelidado de ”Operação Tatu” devido à base na coleta de amostras do solo (cavando buracos) para análise química. Os estudantes de pós-graduação é que colhiam as amostras do solo e procediam ás análises químicas, para determinar a necessidade de calcário, fósforo, potássio, teor de matéria orgânica estimada e a adubação nitrogenada para as cultura não leguminosas.

Foi então implantada e difundida a filosofia para a obtenção de alta fertilidade (Figura 3) e alta produtividade e não de solos pobres e plantas em inanição. Solos em que a recomendação era de 500 ou no máximo 1.000 kg de calcário, passaram a ter a recomendação de 4.000 ou 5.000 kg/ha ou mais, para atingir valor de pH 6,0-6,5, além da aplicação de outros fertilizantes, especialmente o fósforo. Nos experimentos e nas lavouras, a produtividade da soja passou de 2.000 para 3.000 kg/ha e o rendimento médio no Rio Grande do Sul atingiu a 2.200 kg/hectare.

O consumo de calcário (Tabela 6) e de fertilizantes (Tabela 7) teve alto incremento, além de outras medidas de melhoria de manejo, conservação do solo e variedades mais produtivas.

É interessante observar os dados disponíveis, sendo evidente que no RS o incremento foi significativo, mas não na mesma proporção do ocorrido em todo o país, devido a extraordinária ocupação de grandes áreas agrícolas no centro e no oeste.

O consumo de calcário no Rio Grande do Sul na década de 1975-1985 atingiu a média de 1.413 milhões de toneladas. Antes de 1975 a produção e o consumo de calcário eram irrisórios. Na década de 1995-2004 atingiu a 1.991 milhões de toneladas. No país a média de produção 1976-1985 foi de 8,13 milhões e de 1995-2004, 19 milhões. Segundo avaliações a aplicação de calcário no Rio Grande do Sul, deveria ser de 5 milhões de toneladas ou mais por ano.

Em fertilizantes, o consumo no Rio Grande do Sul no período de 1959 a 1967 foi de 135 mil toneladas, e de 1.818 mil toneladas entre 1995 e 2004. No país, o incremento foi bem maior, entre 1950 e 1958 foram 458 mil toneladas, e de 1995 a 2004 16.352 milhões de toneladas.

A filosofia da Operação Tatu estendeu-se gradualmente para o resto do país em contraposição á tecnologia da baixa aplicação de insumos e agricultura pobre. Entretanto, o início foi bastante conturbado pela campanha contrária de pseudo ”ecologistas” ou ”ambientalistas” especialmente quanto à aplicação de calcário. Diziam que o calcário iria enriquecer os pais, mas empobrecer os netos. Outro argumento era que o calcário traria baixa fecundidade do gado devido a deficiência de manganês. Isso tinha por base um artigo científico pinçado de um periódico americano que afirmava que o solo com a aplicação de doses exageradas de calcário e, portanto, tornando-se um solo alcalino, resultava em deficiência de certos micronutrientes levando problema de fecundidade aos animais. Hoje não há mais controvérsias, virou rotina à adoção pelos agricultores em todo o país, especialmente nas áreas de introdução da soja no Paraná, Mato Grosso e, inclusive, contribuiu para a ocupação do solo dos cerrados, antes rotulados de imprestáveis para a agricultura.

Destacaram-se na Operação Tatu a Universidade Wisconsin - John Murdock e Marvin Beaty; da faculdade de Agronomia – José Stammel (morador de Santa Rosa, o primeiro a motivar os líderes de Santa Rosa a implantar o projeto) Egon Klant, João Mielniczuk e Camilo Beltrane; Paulo Kappel agrônomo regional da Ascar em Santa Rosa; Juarez Pinto Guterrez; Pedro Carpenedo, entre outros.

Importante para o sucesso da Operação foi o apoio dado para o crédito do Banco do Brasil, pelo próprio presidente Nestor Jost e por Ari Burger, diretor da área rural do Banco Central.

A Pesquisa e o Melhoramento Varietal

A primeira soja cultivada na região colonial e que depois espalhou-se no Estado, foi a Amarela do Rio Grande. Era uma população, não bem definida como variedade. Depois veio a seleção Branca do Rio Grande. Seleções oriundas do Instituto Agronômico de São Paulo foram lançadas pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul como Santa Rosa e Industrial, que tiveram grande difusão na década de 1960. Nessa época, variedades do Sul dos Estados Unidos, em maioria de criação do melhorista americano Edward Hartwig, passaram a ser introduzidas, como a Hill, Hood, Davis, Majos e Bragg, nas instituições de pesquisa e experimentadas pelos agricultores.

A Bragg foi altamente cultivada no Rio Grande do Sul. Essas variedades tinham a capacidade de simbiose com o rizóbio e as estirpes lançadas aqui pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul e depois pelos produtores privados dos inoculantes. Nas estações experimentais especialmente, todos os materiais eram avaliados quanto à nodulação e capacidade simbiótica.

O melhoramento varietal teve início entre as décadas de 1940 e 1950, no Instituto Agronômico de São Paulo e na Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, no Instituto de Pesquisas Agronômicas do Sul e na Universidade de Viçosa, MG, e após 1975, na Embrapa Soja, em Londrina, PR.

Os trabalhos limitavam-se á seleção de linhas de cultivares mais adaptadas e produtivas para a colheita mecânica, pois a colheita no Rio Grande do Sul era manual e a trilhadeira era estática.

No Rio Grande do Sul destacaram-se muitos pesquisadores. Nos trabalhos da Secretaria da Agricultura: Orlando Melo, Jamil Feres, Aureo Elias e José Edil Gomes. No IPEAS, Francisco de Jesus Vernetti. Em São Paulo: Romeu Kiihl, Shiro Miyasaka, José Gomes da Silva e Ciro Teixeira. Em Viçosa: Tuneo Sediyama e Silvio Brandão.

Foi, entretanto, do trabalho iniciado no IAC, por Romeo Kiihl que surgiram as variedades lançadas posteriormente pela Embrapa e das pesquisas na Universidade de Viçosa, por Tumeo Sediyama, Silvio Brandão e Kirk Athow.

O primeiro material proveniente de cruzamento genético foi a Pioneira, pela secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, em 1964. Entretanto esses trabalhos no Sul não tiveram seguimento.

A disseminação da técnica do plantio direto, a afirmação da soja como produto de exportação e carreador de divisas para o país, o desenvolvimento de cultivares com período juvenil longo, permitiu o cultivo nas áreas tropicais acima do paralelo 24, particularmente na região do Cerrado. Foram os avanços recentes que determinaram, em grande parte, a expansão da soja, afirmando a liderança brasileira no cenário mundial.

Após 1973 a soja migrou no Centro-oeste brasileiro. No ano 2000 o Estado do Mato Grosso tornou-se o maior produtor, e em 2003, 60% da produção de soja era proveniente daquela região.

O excepcional rendimento dos cultivares desenvolvidas pela pesquisa para as condições eco-climáticas do Brasil Central e o regime pluvial adequado, transferiu o centro de produção de soja para o nordeste, ocupando as áreas não amazônicas do Norte e não excessivamente secas do Nordeste. Mesmo com estas restrições, existem nessa região 90 milhões de hectares por cultivar, sobretudo abaixo, mas também acima da linha do Equador.

Para que os agricultores possam responder efetivamente as demandas que lhes serão colocadas na próxima metade de século, a pesquisa em biologia molecular e a biotecnologia deverão ser direcionadas para a remoção dos gargalos responsáveis pelos tetos de rendimentos atuais.

Os avanços da biotecnologia conseguidos até agora ainda não foram capazes de aumentar os tetos de rendimentos acima de níveis alcançados usando os métodos convencionais. Nem existe a promessa disso acontecer em futuro próximo. Um ponto que deve ser enfatizado, é que os produtos da tecnologia já existentes no mercado são quase que inteiramente desenvolvidos para alcançar altos rendimentos. As modificações promovidas pela tecnologia estão mudando o foco do rendimento para enfatizar a segunda geração de avanços, que são os atributos de qualidade. Neste sentido pode ser antecipado que a soja será modificada para aumentar o teor de óleo, de proteína, modificações nos aminoácidos essenciais e mudanças na composição da proteína e do óleo, em aspectos nutricionais como vitaminas e novos usos industriais, incluindo o biodisel, bio-lubrificantes e polímeros.

Entretanto, não se pode deixar de enfatizar que nos países em desenvolvimento, os rendimentos estão ainda tão abaixo do biológico, que ganhos substanciais podem ser obtidos através do melhoramento tradicional combinado com níveis adequados de insumos, melhores condição de solo e de manejo da cultura, associados á primeira geração de biotecnologias desenvolvidas para proteção das plantas em relação aos estresses bióticos e abióticos.

.

A Emigração dos Gaúchos

Outro fator importante na expansão da soja para o norte foi a emigração dos gaúchos. A partir da década de 1960 muitos agricultores gaúchos passaram a investir em glebas de terras baratas do oeste do Paraná, sul de Mato Grosso, Bahia e Goiás. Igualmente, os filhos de agricultores seguiram o mesmo caminho devido à super divisão das terras no Estado, ou também, devido ao empobrecimento do solo nas áreas de lavouras coloniais antigas. Esses pioneiros levaram também, a inoculação das sementes para obter a nodulação e, portanto, o nitrogênio do ar e os novos conceitos da Operação Tatu.

Para o exterior, os gaúchos foram para o Paraguai, Argentina e, ultimamente para o Uruguai, buscando terras para o plantio de arroz. Dados estimativos apontam que 135.000 foram para o Paraguai e 40.000 para a Argentina, Também cerca de 600 mil teriam deixado o Estado para diversos pontos do país.

Segundo a Prefeitura de Santa Rosa, (3.700 famílias, aproximadamente, 25.000 pessoas) tinham deixado o município em 1964 indo para Santa Catarina e para o Norte. Esse êxodo foi benéfico para o país. Vastas regiões na Bahia, Tocantins e Mato Grosso, foram povoadas e beneficiadas pelas mudança na agricultura e na cultura (Figura 7).

Hoje esses pioneiros, descendentes dos imigrantes italianos, alemães e poloneses são mais de três milhões. Eles preservam as tradições e os hábitos gaúchos. O chimarrão continua nas famílias e os CTG (Centro de Tradições Gaúchas) estão em toda a parte. Já são mais de 900 centros, até em Roraima. ”Estes gaúchos mudaram o perfil econômico, social e a paisagem de várias regiões do país”, segundo Carlos Wagner.

Porque ocorreu essa emigração? Certamente eles seguiram o exemplo dos seus ancestrais que saíram da Europa rumo ao Brasil em busca de aventura e terras novas, no ideal para uma vida melhor. Nisso diferenciaram dos bandeirantes, descendentes dos portugueses. Em outros pontos do país houve imigração de alemães, franceses, holandeses ou russos. Entretanto, esses núcleos mantiveram-se isolados e uns poucos preservaram a cultura de suas origens. Os imigrantes italianos no Rio Grande do Sul foram mais de 200 mil. Essa massa realmente teve peso no desenvolvimento da agricultura no país, especialmente da soja, trigo e milho.

Literatura Consultada

BARNI, N. A.; GOMES, J.E.S.; GONÇALVES, J.C. Resposta da soja (Glycine max (L Merril á adubação nitrogenada no florescimento. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre 14(2):243-250,1978.

BARNI, N. A.; KOLLING, J.; MINOR,H.C. Efeito de níveis de nitrogênio sobre o rendimento de grãos, nodulação e características agronômicas da soja.Agronomia Sul-riograndense, Porto Alegre,RS 13(1) : 93-104,1977.

BARNI, N. A; KOLLING, J.; HILGERT, E.R. Adubação nitrogenada na cultura da soja. IPAGRO INFORMA, no. 21, outubro 1978.

FREIRE, J.R.J.; VERNETTI,F.J. A pesquisa com soja, a seleção de rizóbio e a produção se inoculantes no Brasil. Pesquisa Agropecuária Gaúcha 5(

J.R.Jardim Freire1, J. A. Costa2 e J.G. Stammel11Professores dos Departamentos de Solos da UFRGS2Professor Plantas de Lavoura da UFRGS - E-mail: joaofreire@terra.com.br; jamc@ufrgs.br

A introdução no país e a expansão no Rio Grande do Sul

A primeira referência sobre soja no Brasil data de 1882, no ”Jornal do Agricultor” do Rio de Janeiro, noticiando o plantio de uma parcela na Bahia. A soja aparece em São Paulo, trazida por imigrantes japoneses, surgiram então estudos realizados durante vários anos no Instituto Agronômico de São Paulo, em Campinas, bem como no Rio Grande do Sul. Essa fase histórica está bem documentada em diversas publicações.

Em São Paulo há referência de 1893 de um experimento no Instituto Agronômico de Campinas, de plantio em cultura mista com gramíneas e em 1899 são citados trabalhos realizados na Fazenda Santa Eliza, do IAC. Henrique Lobbe publicou em 1935 resultados de pesquisas realizados no IAC. Muitos contribuíram em São Paulo para a pesquisa com soja como José Gomes da Silva, Shiro Myiasaka, Neme Abdo Neme. No período inicial (Freire, & Vernetti, 1999), fora dos estabelecimentos oficiais, houve introdução espontânea pelos imigrantes japoneses em São Paulo e pelos poloneses, japoneses e russos no Rio Grande do Sul.

No Rio Grande do Sul é citado o plantio de soja em 1901, em uma fazenda no município de Dom Pedrito e ensaios na Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade Técnica em Porto Alegre (atual UFRGS) pelo professor norte americano E.C. Craig, em 1914. A cultura, entretanto, estabeleceu-se apenas a partir de 1920 na região do alto Uruguai, então município de Santa Rosa, nas lavouras coloniais de agricultores de descendência alemã, italiana, polonesa e russa.

Em 1941, pela primeira vez, foi citado em estatística oficial do Rio Grande do Sul que a área cultivada era de 702 hectares. Porém, foi na década de 1950 que realmente iniciou o processo de expansão da soja fora da região de Santa Rosa.

Em 1914 o Correio do Povo cita jornal alemão de São Leopoldo sobre disponibilidade de semente e, em 1920, a existência de informações tecnológicas sobre a soja na Estação Experimental de Agricultura de Viamão.

Em 1923 o pastor americano Albert Lehenbauer trouxe alguns quilos de semente de soja e distribuiu a agricultores da região, onde a maioria era de origem germânica e teuto-russa. Nessa época, nos EUA já se registrava uma grande produção de soja. É também citado que, em 1931, quatro colonos de origem polonesa teriam comprado 30 kg de semente dos EUA e distribuído aos vizinhos de Santa Rosa.

A introdução na Estação Experimental das Colônias, em Veranópolis, RS, ocorreu em 1930 com realização de diversos experimentos e a partir daí foi para várias estações experimentais do Estado como o Instituto Agronômico do Sul, do Ministério da Agricultura.

Em 1938 é mencionada pelo jornal ”O Interior” a ocorrência da primeira exportação de soja (3 mil sacos) para a Alemanha, por um comerciante de Santo Ângelo.

A expansão da soja trouxe conseqüências marcantes como uma alternativa agrícola, novas indústrias, maior renda na agricultura, novas tecnologias em máquinas e equipamentos, ocupação de novas regiões como os cerrados do centro do país e ocupação de mão-de-obra no campo e nas cidades.

No entanto, para alguns, a soja teria trazido prejuízo para a agricultura familiar, predominância da monocultura, erosão, maior dependência de defensivos e insumos. Esses argumentos negativos não prevaleceram. Na região colonial continuam as lavouras de 1 a 10 hectares. Nas grandes áreas de expansão no cerrado, o primeiro plantio é arroz do sequeiro e depois a soja e, que se alternam com as lavouras de milho, algodão e mesmo feijão irrigado. A erosão existe mesmo em pastagens nativas com maior ou menor intensidade, dependendo principalmente do tipo de solo. Agricultura de baixa produtividade mantém o agricultor pobre. Ainda hoje há os ”dinossauros” que criticam a soja. Eles não conheceram o Rio Grande do Sul, especialmente o Planalto, antes de 1970. Esses ”ambientalistas” ou ”ecologistas” desinformados ou mal intencionados, adotam bandeiras de conotação político-ideológicas.

A soja cresceu em todo o país (Tabela 1). Para a safra de 2004-2005 era esperada a área cultivada de 22 milhões de hectares e a produção de 63 milhões de toneladas. Entretanto nesta safra houve um grande prejuízo devido à estiagem, principalmente no Rio Grande do Sul. Em 2004 a exportação da soja rendeu ao país 8 bilhões de dólares, 70% da produção é transformada em farelo para ração de aves e suínos, sub-produtos para a indústria são também obtidos da soja para embutidos, adubos, fibras, adesivos etc.

A fixação biológica do nitrogênio

A soja é originária da China e também a bactéria Bradyrhizobium. A bactéria invade a raiz e, então, se há compatibilidade com a planta, forma os nódulos (Figura 1) e entra em simbiose, isto é, fixa o nitrogênio do ar e o fornece para o crescimento da planta. Por sua vez esta, por meio da fotossíntese, transforma o CO2 do ar em carboidratos que junto com o nitrogênio, formam os aminoácidos. Os aminoácidos formam as proteínas de que a soja é rica. Fator importante para a fixação é o pigmento vermelho leghemoglobina que tem a mesma formula e função da hemoglobina do sangue animal, isto é, transporte de oxigênio. Por isso, nódulos bem vermelhos (Figura 2) indicam fixação eficiente.

As estirpes da bactéria, isoladas de nódulos, são selecionadas nos laboratórios das instituições de pesquisa As mais eficientes, se recomendadas pela RELARE (Rede de Laboratórios Nacionais de Rhizobiologia) são fornecidas através do centro da Fepagro, aos fabricantes privados das culturas das bactérias, os chamados inoculantes. Estes são misturados pelos agricultores com as sementes.

A bactéria específica da soja, do gênero Bradyrhizobium não existe em nossos solos. Pelo menos nos primeiros anos de cultivo da soja em um local, a aplicação do inoculante é imprescindível. Se não é feita a inoculação, o crescimento das plantas é reduzido, a folhagem é amarelada, a produção é afetada e o prejuízo, certo (Tabelas 2 e 3). Nos plantios posteriores muitos agricultores deixam de fazer a inoculação, entretanto, muitos experimentos no Rio Grande do Sul e no Paraná, mostraram que mesmo as plantas estando aparentemente bem noduladas, pode ocorrer aumento de rendimento de 10 a 14% pela reinoculação. Em uma lavoura de 2.000 kg/ha, 10% de aumento significaria 4 sacas. A R$ 20/saca, daria R$ 80,00/ha para o agricultor. Ou em 100 hectares R$ 8.000,00 (Hungria, comunicação pessoal).

A partir de 1950 a Seção de Microbiologia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul iniciou a produção de ”inoculantes” e então, agrônomos de empresas de extração de óleo, especialmente da SAMRIG (Sociedade Anônima Moinhos Riograndenses) recém instalada no município de Canoas, buscavam os inoculantes (culturas em frascos) para a distribuição aos agricultores. Em 1954 foi iniciada a produção em veículo turfoso.

A disponibilidade de inoculantes da bactéria fixadora do nitrogênio atmosférico foi um dos fatores que contribuíram para a expansão da cultura, devido à economia de fertilizante nitrogenado. A busca e a seleção de estirpes eficientes da bactéria Bradyrhizobium iniciou-se na década de 40 no Instituto Agronômico de São Paulo, em Campinas. Em 1930 já era feita a produção de culturas de inoculantes no IAC e em 1949 inoculantes eram produzidos no Instituto Biológico de São Paulo e a partir de 1950, na Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, na Seção de Microbiologia Agrícola, hoje centro de Fixação Biológica do Nitrogênio da Fundação de Pesquisas Agropecuária (Fepagro) e no Instituto Agronômico de Campinas. Na Fepagro, experimentos de casa de vegetação e de campo resultaram no lançamento de 25 estirpes de alta eficiência para soja, as quais a partir 1950 foram usadas nos inoculantes produzidos pela Secretaria de Agricultura. Atualmente quatro estirpes são recomendadas para a elaboração dos inoculantes: duas da Fepagro e duas da Embrapa.

A partir de 1956, as estirpes recomendadas passaram a ser fornecidas pelo Centro da Fepagro, para a primeira empresa privada (Laboratório Leivas Leite em Pelotas, RS) e posteriormente, às outras empresas estabelecidas no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo.

A produção de inoculantes aumentou sempre, atingindo o máximo em 1989, em que foram produzidas 16 milhões de doses (200g para 50 kg de sementes) e decaindo posteriormente com a crise na agricultura em anos subseqüentes. Em 2003 voltou a crescer atingindo o consumo de 15 milhões de unidades, e na safra de 2003/2004, 21 milhões. Os inoculantes difundiram a bactéria por todo o País e contribuíram decisivamente para a expansão da soja.

A necessidade da soja em nitrogênio é alta devido ao elevado teor de proteínas. Para um rendimento de 2.000 kg/ha a soja necessita de 240 kg/ha de nitrogênio. Essa quantidade terá de ser suprida pelo solo e pela simbiose planta x bactéria. Se o solo é naturalmente pobre em nitrogênio, o que é comum, principalmente nos trópicos a fixação suprirá o necessário para alcançar aquele rendimento.

Se não há fatores inibidores, a fixação simbiótica pode suprir 100 kg/ha de nitrogênio ou mais. Considerando-se todos esses fatores estima-se uma fixação média de 50kg/ha de nitrogênio em geral na área de soja do país, ou seja, 22 milhões de hectares em 2004. Isso resultaria em 1 trilhão de quilos de nitrogênio. Em uma lavoura com rendimento de 3.000 kg/ha, se fosse de milho, o agricultor teria de aplicar 200 a 400 kg de uréia, essa economia os agricultores conhecem muito bem. Não é necessário aplicar fertilizante nitrogenado, como no caso das gramíneas (milho, arroz trigo etc) que não são capazes de realizar a simbiose com o rizóbio. Essa foi à contribuição que a pesquisa em fixação biológica do nitrogênio deu para a soja e para o país. O demonstrativo abaixo ilustra o valor da fixação biológica do nitrogênio:

Valor da simbiose bactéria x sojaNitrogênio do ar fixado: 50 kg/haÁrea da soja no país em 2004: 22 milhões de hectares.22 x 50 kg de N - > 1.100.000.000 - à 1,1 trilhão de quilogramas de N.Equivalente em uréia: 2,2 trilhões de quilogramas.Preço da uréia (50% de N): R$ 0,50 kgPreço do quilograma de N: R$ 1,00 Fixação: R$ 1,00 x 1,1 trilhão de kg de N (1,1 trilhão de reais/ano)Em uma lavoura de 100 hectares o agricultor tem uma contribuição da simbiose equivalente a R$ 1,00 x 50 kg de N por hectare x 100, ou seja, R$ 5.000,00 .

Alguns agricultores, de forma equivocada, aplicam adubo completo NPK (nitrogênio, fósforo, potássio) com 10 ou 20 quilogramas de N. Inúmeros experimentos têm demonstrado que mesmo se as plantas estão noduladas é inútil a aplicação de adubo nitrogenado seja no final ou em fases de crescimento das plantas.

Nas Tabelas 4 e 5 são apresentados resultados mostrando que não há aumento no rendimento com a aplicação do adubo nitrogenado em única aplicação ou em diversas fases do crescimento das plantas.

A Operação Tatu

Nas décadas de 1950 e 19960 quem de Porto Alegre subisse ao planalto riograndense a partir de Soledade encontraria uma só paisagem até o rio Uruguai, para oeste, na fronteira com a Argentina: campos com capim barba-de-bode (Aristida pallens), indicador de solo pobre (Figura 3), e uma ou outra lavourinha de trigo ou de mandioca. A estrada era pavimentada até São Leopoldo, o centro de cimento e as laterais de pedra. Até a fronteira era terra batida. De Santa Maria para o norte à fronteira de Santa Catarina a paisagem era a mesma.

Nas cidades, poucas indústrias de máquinas agrícolas rudimentares, ”atafonas” para a produção de farinha de mandioca. Aquela paisagem mudava apenas na região de Santa Rosa, com as pequenas lavouras coloniais de milho, mandioca e, principalmente, soja. Esta era comum ser plantada intercalada com outra planta, como milho ou mandioca.

É impressionante o que a soja fez, direta ou indiretamente, no planalto riograndense. Modificou a paisagem, provocou a melhoria da fertilidade dos solos e também a produtividade de outras lavouras. Fortaleceram-se as cooperativas e as cidades como Ijuí, Passo Fundo e Carazinho, entre tantas outras. Todo o planalto enriqueceu, cresceu o padrão de vida.

A soja provocou, para o seu estabelecimento, a adoção dos novos conceitos de recuperação da fertilidade e conservação do solo, novas tecnologias na fabricação de maquinário agrícola, cultivares mais produtivas e melhores técnicas de conservação do solo.

Essa revolução ocorreu, da mesma forma, na expansão para o noroeste do Paraná, Mato Grosso e nas áreas de cerrado.

A situação geral da pesquisa agronômica, especialmente, em fertilidade do solo tinha bases errôneas, isto é, baixa produtividade. Não se considerava a real necessidade das plantas para o crescimento e a produtividade. Adubos e corretivos eram simplesmente taxados de ”anti-econômicos”. As recomendações técnicas eram para reduzir a colocação de insumos, calcário de 500 a 1000kg/ha e fósforo50 kg/ha, isto é, doses ”homeopáticas”. As respostas eram baixas ou nulas. O efeito era como administrar pequenas doses de antibiótico para um indivíduo com severa infecção.

Dessa forma a produtividade era limitada devido à baixa disponibilidade de nutrientes, especialmente, o fósforo, acidez e níveis tóxicos de alumínio e manganês. Os campos experimentais eram comumente conduzidos com a fertilidade ”natural” sem amarração ao tipo e análise de solo. Havia preocupação em muitos centros, para a obtenção de cultivares ”rústicas” ou tolerantes, isto é , resistentes á inanição.

O Banco do Brasil passou a considerar a primeira aplicação de calcário e fertilizantes como investimento (pagamento a 3 a 5 anos) e as posteriores eram consideradas custeio.

A primeira região onde foi implantado o Projeto Plano Estadual de Melhoramento da Fertilidade dos Solos (Operação Tatu) foi Ibirubá, depois Santa Rosa, Ijuí, Erechim etc. Porém, foi no município de Santa Rosa que o Plano teve rápido sucesso.

A comunidade local é que fazia o projeto considerando a necessidade de calcário, fertilizante, crédito etc, envolvendo o agrônomo, o técnico rural, o agente do banco, o prefeito, as entidades de classe, enfim, os líderes da comunidade.

Lavouras demonstrativas eram estabelecidas. Caravanas de ônibus de outras regiões iam ver os resultados em Santa Rosa. Para a obtenção de crédito do Banco era necessário comprovar a análise do solo e a compra de inoculante de rizóbio. Surgiram então outros laboratórios de análise do solo, além da Secretaria de Agricultura (UFSM, UFRGS, UFPEL e Santa Rosa) e foi criada a rede Riograndense e Catarinense de Laboratórios de Análise de Solo. Nessa época, a produtividade de soja no Estado era de 1.200 kg/ha.

Em1965 teve início o Curso de Pós-Graduação em Ciência do Solo na Faculdade de Agronomia da UFRGS, em convênio com a Universidade de Wisconsin, USA. Não havia a formação de agrônomos especialistas em fertilidade do solo. O curso foi o primeiro do País.

Houve então o estabelecimento de intensa experimentação de campo e um programa bem delineado de extensão para a recuperação de fertilidade dos solos com lavouras demonstrativas envolvendo diversas entidades além da Faculdade de Agronomia, como a ASCAR (hoje EMATER) o IRGA, entre outros. Este programa foi apelidado de ”Operação Tatu” devido à base na coleta de amostras do solo (cavando buracos) para análise química. Os estudantes de pós-graduação é que colhiam as amostras do solo e procediam ás análises químicas, para determinar a necessidade de calcário, fósforo, potássio, teor de matéria orgânica estimada e a adubação nitrogenada para as cultura não leguminosas.

Foi então implantada e difundida a filosofia para a obtenção de alta fertilidade (Figura 4) e alta produtividade e não de solos pobres e plantas em inanição. Solos em que a recomendação era de 500 ou no máximo 1.000 kg de calcário, passaram a ter a recomendação de 4.000 ou 5.000 kg/ha ou mais, para atingir valor de pH 6,0-6,5, além da aplicação de outros fertilizantes, especialmente o fósforo. Nos experimentos e nas lavouras, a produtividade da soja passou de 2.000 para 3.000 kg/ha e o rendimento médio no Rio Grande do Sul atingiu a 2.200 kg/hectare.

O consumo de calcário (Tabela 6) e de fertilizantes (Tabela 7) teve alto incremento, além de outras medidas de melhoria de manejo, conservação do solo e variedades mais produtivas.

É interessante observar os dados disponíveis, sendo evidente que no RS o incremento foi significativo, mas não na mesma proporção do ocorrido em todo o país, devido a extraordinária ocupação de grandes áreas agrícolas no centro e no oeste.

O consumo de calcário no Rio Grande do Sul na década de 1975-1985 atingiu a média de 1.413 milhões de toneladas. Antes de 1975 a produção e o consumo de calcário eram irrisórios. Na década de 1995-2004 atingiu a 1.991 milhões de toneladas. No país a média de produção 1976-1985 foi de 8,13 milhões e de 1995-2004, 19 milhões. Segundo avaliações a aplicação de calcário no Rio Grande do Sul, deveria ser de 5 milhões de toneladas ou mais por ano.

Em fertilizantes, o consumo no Rio Grande do Sul no período de 1959 a 1967 foi de 135 mil toneladas, e de 1.818 mil toneladas entre 1995 e 2004. No país, o incremento foi bem maior, entre 1950 e 1958 foram 458 mil toneladas, e de 1995 a 2004 16.352 milhões de toneladas.

A filosofia da Operação Tatu estendeu-se gradualmente para o resto do país em contraposição á tecnologia da baixa aplicação de insumos e agricultura pobre. Entretanto, o início foi bastante conturbado pela campanha contrária de pseudo ”ecologistas” ou ”ambientalistas” especialmente quanto à aplicação de calcário. Diziam que o calcário iria enriquecer os pais, mas empobrecer os netos. Outro argumento era que o calcário traria baixa fecundidade do gado devido a deficiência de manganês. Isso tinha por base um artigo científico pinçado de um periódico americano que afirmava que o solo com a aplicação de doses exageradas de calcário e, portanto, tornando-se um solo alcalino, resultava em deficiência de certos micronutrientes levando problema de fecundidade aos animais. Hoje não há mais controvérsias, virou rotina à adoção pelos agricultores em todo o país, especialmente nas áreas de introdução da soja no Paraná, Mato Grosso e, inclusive, contribuiu para a ocupação do solo dos cerrados, antes rotulados de imprestáveis para a agricultura.

Destacaram-se na Operação Tatu a Universidade Wisconsin - John Murdock e Marvin Beaty; da faculdade de Agronomia – José Stammel (morador de Santa Rosa, o primeiro a motivar os líderes de Santa Rosa a implantar o projeto) Egon Klant, João Mielniczuk e Camilo Beltrane; Paulo Kappel agrônomo regional da Ascar em Santa Rosa; Juarez Pinto Guterrez; Pedro Carpenedo, entre outros.

Importante para o sucesso da Operação foi o apoio dado para o crédito do Banco do Brasil, pelo próprio presidente Nestor Jost e por Ari Burger, diretor da área rural do Banco Central.

A Pesquisa e o Melhoramento Varietal

A primeira soja cultivada na região colonial e que depois espalhou-se no Estado, foi a Amarela do Rio Grande. Era uma população, não bem definida como variedade. Depois veio a seleção Branca do Rio Grande. Seleções oriundas do Instituto Agronômico de São Paulo foram lançadas pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul como Santa Rosa e Industrial, que tiveram grande difusão na década de 1960. Nessa época, variedades do Sul dos Estados Unidos, em maioria de criação do melhorista americano Edward Hartwig, passaram a ser introduzidas, como a Hill, Hood, Davis, Majos e Bragg, nas instituições de pesquisa e experimentadas pelos agricultores.

A Bragg foi altamente cultivada no Rio Grande do Sul. Essas variedades tinham a capacidade de simbiose com o rizóbio e as estirpes lançadas aqui pela Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul e depois pelos produtores privados dos inoculantes. Nas estações experimentais especialmente, todos os materiais eram avaliados quanto à nodulação e capacidade simbiótica.

O melhoramento varietal teve início entre as décadas de 1940 e 1950, no Instituto Agronômico de São Paulo e na Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, no Instituto de Pesquisas Agronômicas do Sul e na Universidade de Viçosa, MG, e após 1975, na Embrapa Soja, em Londrina, PR.

Os trabalhos limitavam-se á seleção de linhas de cultivares mais adaptadas e produtivas para a colheita mecânica, pois a colheita no Rio Grande do Sul era manual e a trilhadeira era estática.

No Rio Grande do Sul destacaram-se muitos pesquisadores. Nos trabalhos da Secretaria da Agricultura: Orlando Melo, Jamil Feres, Aureo Elias e José Edil Gomes. No IPEAS, Francisco de Jesus Vernetti. Em São Paulo: Romeu Kiihl, Shiro Miyasaka, José Gomes da Silva e Ciro Teixeira. Em Viçosa: Tuneo Sediyama e Silvio Brandão.

Foi, entretanto, do trabalho iniciado no IAC, por Romeo Kiihl que surgiram as variedades lançadas posteriormente pela Embrapa e das pesquisas na Universidade de Viçosa, por Tumeo Sediyama, Silvio Brandão e Kirk Athow.

O primeiro material proveniente de cruzamento genético foi a Pioneira, pela secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, em 1964. Entretanto esses trabalhos no Sul não tiveram seguimento.

A disseminação da técnica do plantio direto, a afirmação da soja como produto de exportação e carreador de divisas para o país, o desenvolvimento de cultivares com período juvenil longo, permitiu o cultivo nas áreas tropicais acima do paralelo 24, particularmente na região do Cerrado. Foram os avanços recentes que determinaram, em grande parte, a expansão da soja, afirmando a liderança brasileira no cenário mundial.

Após 1973 a soja migrou no Centro-oeste brasileiro. No ano 2000 o Estado do Mato Grosso tornou-se o maior produtor, e em 2003, 60% da produção de soja era proveniente daquela região.

O excepcional rendimento dos cultivares desenvolvidas pela pesquisa para as condições eco-climáticas do Brasil Central e o regime pluvial adequado, transferiu o centro de produção de soja para o nordeste, ocupando as áreas não amazônicas do Norte e não excessivamente secas do Nordeste. Mesmo com estas restrições, existem nessa região 90 milhões de hectares por cultivar, sobretudo abaixo, mas também acima da linha do Equador.

Para que os agricultores possam responder efetivamente as demandas que lhes serão colocadas na próxima metade de século, a pesquisa em biologia molecular e a biotecnologia deverão ser direcionadas para a remoção dos gargalos responsáveis pelos tetos de rendimentos atuais.

Os avanços da biotecnologia conseguidos até agora ainda não foram capazes de aumentar os tetos de rendimentos acima de níveis alcançados usando os métodos convencionais. Nem existe a promessa disso acontecer em futuro próximo. Um ponto que deve ser enfatizado, é que os produtos da tecnologia já existentes no mercado são quase que inteiramente desenvolvidos para alcançar altos rendimentos. As modificações promovidas pela tecnologia estão mudando o foco do rendimento para enfatizar a segunda geração de avanços, que são os atributos de qualidade. Neste sentido pode ser antecipado que a soja será modificada para aumentar o teor de óleo, de proteína, modificações nos aminoácidos essenciais e mudanças na composição da proteína e do óleo, em aspectos nutricionais como vitaminas e novos usos industriais, incluindo o biodisel, bio-lubrificantes e polímeros.

Entretanto, não se pode deixar de enfatizar que nos países em desenvolvimento, os rendimentos estão ainda tão abaixo do biológico, que ganhos substanciais podem ser obtidos através do melhoramento tradicional combinado com níveis adequados de insumos, melhores condição de solo e de manejo da cultura, associados á primeira geração de biotecnologias desenvolvidas para proteção das plantas em relação aos estresses bióticos e abióticos.

.A Emigração dos Gaúchos

Outro fator importante na expansão da soja para o norte foi a emigração dos gaúchos. A partir da década de 1960 muitos agricultores gaúchos passaram a investir em glebas de terras baratas do oeste do Paraná, sul de Mato Grosso, Bahia e Goiás. Igualmente, os filhos de agricultores seguiram o mesmo caminho devido à super divisão das terras no Estado, ou também, devido ao empobrecimento do solo nas áreas de lavouras coloniais antigas. Esses pioneiros levaram também, a inoculação das sementes para obter a nodulação e, portanto, o nitrogênio do ar e os novos conceitos da Operação Tatu.

Para o exterior, os gaúchos foram para o Paraguai, Argentina e, ultimamente para o Uruguai, buscando terras para o plantio de arroz. Dados estimativos apontam que 135.000 foram para o Paraguai e 40.000 para a Argentina, Também cerca de 600 mil teriam deixado o Estado para diversos pontos do país.

Segundo a Prefeitura de Santa Rosa, (3.700 famílias, aproximadamente, 25.000 pessoas) tinham deixado o município em 1964 indo para Santa Catarina e para o Norte. Esse êxodo foi benéfico para o país. Vastas regiões na Bahia, Tocantins e Mato Grosso, foram povoadas e beneficiadas pelas mudança na agricultura e na cultura (Figura 7).

Hoje esses pioneiros, descendentes dos imigrantes italianos, alemães e poloneses são mais de três milhões. Eles preservam as tradições e os hábitos gaúchos. O chimarrão continua nas famílias e os CTG (Centro de Tradições Gaúchas) estão em toda a parte. Já são mais de 900 centros, até em Roraima. ”Estes gaúchos mudaram o perfil econômico, social e a paisagem de várias regiões do país”, segundo Carlos Wagner.

Porque ocorreu essa emigração? Certamente eles seguiram o exemplo dos seus ancestrais que saíram da Europa rumo ao Brasil em busca de aventura e terras novas, no ideal para uma vida melhor. Nisso diferenciaram dos bandeirantes, descendentes dos portugueses. Em outros pontos do país houve imigração de alemães, franceses, holandeses ou russos. Entretanto, esses núcleos mantiveram-se isolados e uns poucos preservaram a cultura de suas origens. Os imigrantes italianos no Rio Grande do Sul foram mais de 200 mil. Essa massa realmente teve peso no desenvolvimento da agricultura no país, especialmente da soja, trigo e milho.

Literatura Consultada

BARNI, N. A.; GOMES, J.E.S.; GONÇALVES, J.C. Resposta da soja (Glycine max (L Merril á adubação nitrogenada no florescimento. Agronomia Sul-riograndense. Porto Alegre 14(2):243-250,1978.

BARNI, N. A.; KOLLING, J.; MINOR,H.C. Efeito de níveis de nitrogênio sobre o rendimento de grãos, nodulação e características agronômicas da soja.Agronomia Sul-riograndense, Porto Alegre,RS 13(1) : 93-104,1977.

BARNI, N. A; KOLLING, J.; HILGERT, E.R. Adubação nitrogenada na cultura da soja. IPAGRO INFORMA, no. 21, outubro 1978.

FREIRE, J.R.J.; VERNETTI,F.J. A pesquisa com soja, a seleção de rizóbio e a produção se inoculantes no Brasil. Pesquisa Agropecuária Gaúcha 5(1):117-126.

HUNGRIA, M. Efeito da reinoculaçao na soja (Glycine max (L) Merril) em solo com população estabelecida de Bradyrhizobium com as estirpes SEMIA 566, 586 5019, 5079, 5080. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasilia, 331(5): 359-386,1976.

WAGNER,C.O Brasil de bombachas, Zero Hora/New Holland, Porto Alegre, 1995

VEJA - Numero Especial - Agronegócio. XV FENASOJA, Santa Rosa, Soja 80 anos de produção 1924-2004.

ZANCOPÉ,G.J.; NASSER, J.M.O Brasil que deu certo. A saga da soja brasileira. Triade Editora, Curitiba, 2005.

1):117-126.

HUNGRIA, M. Efeito da reinoculaçao na soja (Glycine max (L) Merril) em solo com população estabelecida de Bradyrhizobium com as estirpes SEMIA 566, 586 5019, 5079, 5080. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasilia, 331(5): 359-386,1976.

WAGNER,C.O Brasil de bombachas, Zero Hora/New Holland, Porto Alegre, 1995

VEJA - Numero Especial - Agronegócio. XV FENASOJA, Santa Rosa, Soja 80 anos de produção 1924-2004.

ZANCOPÉ,G.J.; NASSER, J.M.O Brasil que deu certo. A saga da soja brasileira. Triade Editora, Curitiba, 2005.

Revista Plantio Direto, edição 92, março/abril de 2006. Aldeia Norte Editora, Passo Fundo, RS.